Um Verdadeiro Monstro
37 Salvação
Senti uma luz forte ofuscando meus olhos mesmo fechados...
''Onde... O que...''
Não estava com forças para me mover... Estava a ponto de acordar, mas exitei em abrir os olhos após ouvir vozes a minha volta... Vozes... Não aguento mas ouvir vozes...
A luz irritava bastante minhas pálpebras, e então, abri os olhos lentamente.
Argh... Luz forte irritante, estava bem no teto em cima de mim, apontada majestosamente sem culpa para o seu alvo, meu rosto.
Pisquei várias vezes tentando me adaptar a iluminação do local...
O tal lugar vazia frio... e um frio muito leve, por sorte para a minha surpresa, eu estava coberta com um lençol!
Olhei para os meu pés de longe que estavam em baixo do tecido de cor clara.
''Estou... deitada numa cama?..'' murmurei meio grogue depois de acordar completamente.
Até aí pude ouvir as vozes mais de perto, pareciam estar conversando entre si... uma conversa embaralhada e enrolada que não consigo entender.
— A chuva pode até se aproximar , mas eu não vou deixar ficar por aqui para ver as coisas e... — A voz parou de falar assim que percebeu meu murmúrio baixinho. — Oh meu deus... Olhe Fritz! Ela já acordou!
''M-mas o que...''
Assim que ouvi dizer o nome ''Fritz'' , fiquei com a visão meio embasada.
Ergui um pouco, mas por fim caía depois de uns segundos. Eu estava um pouco fraca. Isso não me impediu de erguer minha cabeça para mais alto para ver o lugar que estou.
Uma porta branca com uma linha azul à minha direita e a frente da cama onde estou havia quadros com molduras douradas e uma pintura que eu não conseguia enxergar, um ar condicionado ... Em baixo dele tinha duas poltronas e era delas que vinha as vozes...
Vozes... enfaixadas, curativos...
Desmaiei novamente, porém pude sentir que meus olhos se abriram em minutos de novo, e uma forte presença de alguém próximo de mim invadia meus sentidos.
— Vamos lá Gabi... Acorda... Acorda...
Forcei meu olhos e através do embasado, pude ver duas formas...
— Olha! ELA ACORDOU DE NOVO! Ela acordou de novo!
Agora sim, nitidamente vejo as duas figuras... sem entender nada, absolutamente nada, provavelmente estou sonhando , pois... não acredito!
Tentei forçar minha voz rouca.
— J-Jeremy... — Olhei para o outro lado. — Fr... Fritz...
Eles olharam para mim com os olhos demasiados d'água.
— Gabriely... — Disseram os dois ao mesmo tempo.
Como é possível? O que eles estão fazendo aqui... Onde estou!? Aqui está frio...
Imóvel como pedra, fiquei observando os dois atentamente para provar de que era uma miragem.
Fritz parecia ter perdido um pedaço da orelha, estava uma faixa bem grande nela e vários curativos longos e grandes cheios de algodão e remédio nos; braços, peito, pescoço e até no joelho. No canto dos olhos, quase na têmpora, tinha pontos costurados. Uns 8 ou 9 pontos bem pequenos.
E Jeremy, estava com uma máscara de oxigênio medicinal portátil no rosto, o cilindro de alumínio ligado a ela estava no chão e nele tinha rodinhas. Os olhos do Jeremy estavam avermelhados, mas por sorte ele parecia respirar bem.
E foi aí que pude ter a certeza de que eles estavam mesmo na minha frente. Uma cena milagrosa...
Minha visão começou a se embasar de lágrimas, queria dizer algo, mas... só me saía soluços de um choro de surpresa, de tamanha surpresa.
Estendi meus braços e abracei os dois com toda a força que pude tirar depois de um longo desmaio. Senti as lágrimas deles escorrerem pelos meu ombros e eu chorava mais ainda. À minha frente numa pequena parede de vidro, percebi que havia médicos nos observando, suas expressões só faziam aumentar mais o meu choro. Semblantes comovidos, sorridentes, solidários e enfermeiras anotando relatórios do qual pareciam confirmar nossa alta no hospital.
Ignorei os médicos, estava muito arrasada e... e sei que nós três, vítimas sobreviventes, feridas, sobretudo com vida dentro dessa sala, estávamos felizes, assustados e mais um turbilhâo de sentimentos que se mesclavam com as gotas das nossas lágrimas.
Depois de uma hora, estávamos na sala de espera aguardando as receitas de médicas da farmácia interna do hospital.
— Foi difícil achar um hospital próximo... — Disse Fritz sentado à minha esquerda próximo da portinha.
Fiz uma expressão que demonstrava interesse, queria saber como chegamos no hospital enquanto eu estava desacordada.
Jeremy se encostou na cadeira com os braços cruzados olhando para o nada dizendo.
— Eu estava quase desmaiado caído no chão com as mãos na garganta... mesmo com pouca noção, eu olhava para as paredes, tinha de haver uma forma de sair. — Seu olhar inquietou-se enquanto se relembrava dos momentos que passou naquela sala. — Olhei para o chão do qual já estava rastejando, foi muita sorte, avistei uma máscara lá... uns passos curtos a minha frente, iluminada com a luz pobre que saía da minha lanterna. Enfiei aquele troço antigo no meu rosto e comecei, mesmo sem muita força no corpo a bater nas paredes. Até que se abriram. Mas antes disso, passei muito tempo dentro daquela sala lutando contra meu desmaio, não queria fechar os olhos de modo algum!
— Comigo também foi difícil. — Disse o ruivo. — Aquele robô iria fazer picadinho de mim! Lutei com toda a força tentando não dar atenção para o desespero que era mais forte ainda.
Fiquei contente de ouvir isso. Tentei não chorar de novo, mas falhei.
— E como vocês conseguiram sair? — Disse com a voz rouca e fraca que demonstrava um tom radiante.
— Ora, não éramos guardas noturnos qualquer! Levávamos nosso trabalho a sério. — Respondeu Fritz sem modéstia e ironia na voz, totalmente claro.
— Nós demos um jeito. — Disse Jeremy apoiando a mão no meu ombro. — Eu, na sala onde estava preso, pude ver uma fechadura um pouco escondida na parede. — Ele sorriu em um tom de já sabermos no que aconteceu.
— E eu, depois de ter me defendido por 57 longos minutos, pude descobrir a forma de motion que haveria programado no sistema de Mangle, fiz tudo de acordo e depois de um soco no pescoço longo dela, pude alcançar o fio de restauração, Mangle voltou por um caminho que se estendia e revelava um buraco no teto... Os tubos de ventilação!
— E depois de nós dois termos nos encontrado... — Continuou Jeremy. — Começamos a correr em busca da Miranda e de você.
Ao mencionar ''Miranda'' nós três olhamos para o chão em sinal de luto, um puro silêncio invadiu a narração deles.
— Nós... Vimos que Miranda não estava mais viva... — Disse Fritz baixinho quebrando o longo silêncio. — Mas vimos você uns metros à frente caída, por milagre, respirando.
— Fritz carregou você mancando pelos corredores, ele estava pior antes e eu até me ofereci, mas minha respiração estava um ó... Não conseguia ao menos suspirar. Enfim, foi muito difícil acharmos um hospital próximo, o fácil foi nós termos saído da pizzaria, pois estava tudo aberto!
Olhei para o chão ouvindo atentamente tudo com as mãos unidas no meu colo.
— Eu estou muito feliz... — Falei finalmente. — Estou magoada profundamente pelas pessoas que perdemos no caminho, mas... eu saí de lá viva! E não saí sozinha. Obrigada gente... Muito obrigada...
Estiquei os meus braços atrás das costas dos dois e dei um aperto forte de abraço.
Um símbolo pequeno de vitória nasceu no meu coração.
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