Um Verdadeiro Monstro
25 ...Silêncio
Notas iniciais
Corações palpitando, fumegando...
A ansiedade era o som mais alto do espaço. Por incrível que pareça a tela desligou.
— M-MAS! — Disse a mulher com os olhos saltados. — Isso desligou... Como pôde? Estava funcionando.
— Olhe! — Apontei para a tela que tinha acabado de ligar após nossos sustos.
A tela acendeu lentamente com um som de "bip" bem forte.
Números e letras surgiram.
Foi o que mais nos impressionou. Saltei do chão cheia de euforia e gritei, um urro muito firme. A moça sentada, observava a tela completamente imóvel, paralisada com o que estava escrito.
— N...Nós o encontramos... — Virou o rosto com os olhos com um brilho raro que jamais deixarei se apagar nas linhas dos meus pensamentos.
— Sim.
A tela estava mostrando explicitamente o endereço que provavelmente possa ser ao de uma casa. Com certeza, sim, a casa do Vincent.
"Rua Uisge Dos Ventos, N 113 , travessa 23. "
Anotei seu endereço no papel do qual eu tropecei.
"Eu te achei..." Suspirei para mim mesma.
A moça bolou um plano de tentar escapar da pizzaria e finalmente sair para fazer o que tem que ser feito. Um pé de cabra não seria nada mal, disse ela, mas respondi tristemente a ela que as ferramentas se encontram na Safe Room, e que eu não aguentaria, sinceramente, sem forças para voltar e me deparar novamente com aquele cenário. Ela afirmou com a cabeça positivamente para mim, afinal ela entendia perfeitamente o que eu estava passando.
Ela foi e voltou com um pé de cabra enorme entre os braços magros. Me ofereci para dar um golpe na porta e perguntei:
— Como você conseguiu entrar lá..? — Disse baixinho me lembrando dos inocentes cadáveres.
— ...Entrei de olhos bem fechados. — Respondeu com lágrimas brotando nos olhos.
— Olha... — Falei mudando de assunto coçando a nuca. — Sei que estamos juntas nessa. E libertar as almas das crianças com sua companhia será ótimo e cconsolador...Mas...
— ...Mas?
— Preciso saber seu nome não? Até porque você já sabe o meu.
Ela virou o rosto. Parecia não gostar desse tipo de assunto. Não queria se revelar dizendo o seu nome.
A pálida puxou a ferramenta de mim e lançou um golpe firme e único na porta.
A porta, por fim deu para sentir que suas trincas e ferramentinhas que ficam onde encaixamos as chaves estavam desmoronadas.
Abri a porta.
— Vamos embora!
Saímos da pizzaria como se estivéssemos sendo liberadas de uma prisão.
— Vamos a minha casa moça, há muitas coisas que iremos precisar.
Caminhando até em casa me deparo com mais uma folha de papel caída com os dizeres:
Quente
Grito
Bolo.
Concentrada no caminho, ignoro a cartinha pequenina e sigo meu rumo.
Minha casa cheirava a coisas fechadas e seu silêncio me pertubava.
"Eu já volto, vou subir para o meu quarto pegar mais coisas" Falei para a moça subindo as escadas.
Fui tomar banho para dar um pequeno ânimo, vesti um casaco marrom escuro com um capuz enorme e saia azul marinho com vários bolsos úteis. Botas escuras que chegavam a altura da batada da perna e mil e uma bugigangas na minha mochila para usar. Peguei também algo de muito importante... Eu tinha achado de baixo da cama, tinha me esquecido onde eu havia escondido àquilo. Era uma folha de papel office, mas o que estava estampado nela era o mais importante.
— D...-Droga!! — Reclamei ao perceber uma gota de lágrima caindo dos meus olhos.
Resmunguei guardando a folha na minha mochila e desci as escadas.
O que eu tinha visto na sala, eu não esperava. A moça estava sem sua capa e capuz! Seu corpo era lindo , mas descuidado e esquelético. Vestia uma regata cinza clara e calças jeans pretas com rasgados e buracos. Seus cabelos pretos estavam agora molhados e sedosos. Provavelmente haveria ter tomado um banho corrido no andar de baixo. Levou um susto ao perceber que eu a observava de longe.
— Calma moça... Aqui. — Passei um canivete para ela e um casaco preto grande quase igual ao de sua capa.
Finalmente estávamos andando em direção a casa do Vincent.
— Arrombo? — Perguntei olhando para a moça. Ela meneou a cabeça e acabamos entrando sem dificuldade pois a porta estava destrancada, por mais incrível que pareça.
Então... Ficamos observando sua casa na porta.
Estávamos com medo. Mas prontas!
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