Um Verdadeiro Monstro
30 Seu Nome
Notas iniciais
Profundo silêncio no quarto.
Sua respiração cessou. Nem presenças vitais dos batimentos do seu peito poderiam ser sentidas.
— Vincent?.. — Minha voz trêmula ecoou pelo escuro, nenhuma resposta me veio. Não pude acreditar que o matei.
Eu soltei rapidamente o cabo da faca que ainda estava preso a ele.
Não sei se ficava feliz ou...
Ou triste.
"Não,não, não..." Balancei a cabeça. "Você não pode ter dó de um monstro!"
Fiquei quieta com a mente vazia. Os segundos pareciam anos de tão longos que passavam. O silêncio me pertubava e a dor do meu braço também. Estou começando a ficar pertubada, minha respiração agitada, estou num total descontrole. Até chegar ao ponto de ter a audácia de dizer "Que que eu fiz?" Eu não posso me esquecer do motivo do meu assassinato... Eu tenho que manter o foco nas crianças... E-Eu... Eu...
Não pude conter o impulso e acabei puxando o corpo do Vincent... Ou Purple Guy... Eu não sei mais quem ele é, ou quem ele foi... Mas agarrei seu pescoço e o abracei forte como se estivesse esquecido os males que ele fez. Fico confusa e com raiva por estar fazendo isso. Não sei.

Pra alguém que está acostumado a ver a morte atrás da tela da tv no conforto de sua casa, é demais para uma garota de quinze anos lidar com mortes de pessoas próximas, ou cometer próprio homicidio.
Lágrimas começaram a cair e senti o sangue escorrer de sua camisa e manchar meus braços.
Meu choro foi interrompido pela porta sendo arrombada.
Era a moça! E ela estava com uma pose determinada e com as mãos na cintura. Estava sem o capuz que escondia seu rosto e as mechas escuras do seu cabelo, atrás das orelhas exibindo seu rosto pálido que reluzia a luz. Para a minha surpresa, ela estava acompanhada de Fritz e Jeremy que estavam em posição armados.
O clarão que invadiu a escuridão do quarto, iluminou as silhuetas de uma garotinha no vasto da escuridão com os olhos caídos cheios de lágrimas, e em seus braços manchados de sangue, um homem morto com uma faca enterrada perfurando o coração.
Eu nunca vou me esquecer da expressão que os três fizeram ao depararem com a cena que me encontraram.
— Gabriely!! — A moça tampou a boca aflita ao olhar para o furo do meu braço. — Gabriely, não toque nele. Me dê a mão. — Ela falou baixinho no tom reconfortante que fez lembrar-me de minha mãe. — ...Me dê a mão e vamos embora daqui. Está tudo bem...
— Você está segura agora. — Disse Fritz guardando a arma ao olhar para Vincent que não parecia causar mais problemas.
— N-NÃO!! — Escondi meu rosto no cabelo castanho escuro do rabo-de-cavalo dele. — N...Não vou s-soltá-lo...
Os três trocaram olhares perplexos um para o outro.
— Não vai soltar?? — Gritou Jeremy sem acreditar no que eu disse.
— N...N...N-não... — Permaneci escondendo minha face deprimente.
Pude ouvir a voz sussurrante e suave da mulher.
— Eu tomo conta disso...
Ouvi seus passos leves entrando no quarto e a senti aproximar-se de mim. Apoiou carinhosamente sua mão fria em um dos meus ombros e disse
baixinho.
— Biely... Solte-o, você já fez o que era preciso. Agora está tudo bem, vamos embora daqui. Sabemos que você tem um apreço por ele, mas todos nós temos que deixar sempre algo para trás. Senão nós ficaremos para trás junto com esta coisa.
Ergui minha cabeça devagar e olhei para o rosto do cadáver pensativa, depois me virei para o rosto dela. Seus olhos e seu rosto exposto, aparentava lições e experiências. Fico me perguntando, o que a fez a ficar tão revigorada para exibir sua aparência isolada há tempos.
Soltei Vincent, e debrucei com minha cabeça no ombro dela.
— Obrigada moça... — Sussurrei choramingando.
— Miranda, meu nome. É Miranda.
Fale com o autor