Um Verdadeiro Monstro
24 Rastreamento
— Como assim a janela está montada?!
Levantei-me da cadeira e andei diretamente para a sua direção, e sim, a janela estava completamente inteira.
Nem mesmo o sangue das minhas mãos foi encontrado nela. Estava limpa, uma nova janela. Eu vi com meus próprios olhos. A mulher tinha trucidado ela com um golpe só.
— Céus...Isso é terrível... — Agonizou inconsolável a pobre moça que olhara para a madeira seca do outro lado da vidraça. — Vamos ficar presas aqui...
A moça de aparência exausta encostou a testa no vidro com uma expressão de dar pena. Sua atmosfera baixa e depressiva me dava uma sensação horrível se me referir a ter empatia por ela.
— Está tudo bem... Nós damos um jeito...
Indaguei com falsas esperanças. Sua expressão continuou caída. O capuz escondia metade do seu rosto. Seus cabelos negros e mal cuidados escondiam os olhos de lágrimas e sua pele pálida me dava calafrios só de observar.
"Não posso me desanimar tão severamente como ela..." Pensei.
Me aproximei mais dela e apoiei a mão em um de seus ombros como tentativa de consolo. Puxei meu celular pensativa olhando para o horizonte escuro que se transformava em manhã "Que horas ele chega?" Pensei a respeito de Vincent.Afinal, quero logo ver as almas das crianças sendo libertas. Isso é algo que não posso esperar. Ainda mais se a morte do assassino for a única saída. Ao olhar a tela do celular tive uma ideia brilhante. Ligar pra ele!
Ah!
Qualquer um pensaria: Nossa! Vou ligar para o assassino. "Hm,Oi? Alô? Sim. Sim. Vou te matar hoje, viu? Não demora.
Mas não. Não era bem assim. Graças a uma pequena lembrança do dia em que tentamos rastrear e tentar saber de onde viera as ligações do Cara Do Telefone...Sim! Eu me lembro até do jeitinho que ele usava a máquina para rastrea-lo. E por sorte, ele a guardou de baixo do balcão da cozinha.
Saí em correndo para a cozinha feito um raio. Com a concentração apenas voltada para a direção e para meus passos, não percebi algo branco e amassado na frente. Escorreguei e bati com tudo no chão. Ergui a cabeça e percebi que era um papel. Um papel claro e amassado. Algo que me chamou mais atenção ainda foram os dizeres:
Grito
Quente
Bolo
Não entendi bem. Ignorei e guardei o papel nos bolsos enquanto eu puxava a máquina de baixo do balcão.
— Eureka!
Gritei a moça de onde ela estava e ela se encaminhou até a cozinha espantada com o que tinha visto.
— Gabriely! Isso é um rastreador! — Seus olhos saltaram enquanto observava.
— Sim! — Falei entusiasmada.
— Mas... — Seu ar pareceu pessimista e preocupado — ...Isso não tem lógica. Como iremos rastrea-lo se estamos presas?!
— Essa parte eu penso depois! — Percebi minha falta de raciocínio uns segundos depois.
Apertei alguns botões que eu tinha em mente por mera recordação, mas tinha a certeza de que estava usando certo.
Ela caminhou sobre a cozinha e sentou ao meu lado observando eu discar o número do Vincent. Ela me ajudou a conectar uns fio nele. Ligamos a máquina e o telefonema começou a chamar. "Está chamando!" Disse ela. Eu falei "Shh..." Enquanto a chamava dava seus toques, na tela, números,e símbolos mudavam de posições freneticamente. Era algo meio confuso.
— Alô? — Uma voz masculina, suave, fria e rouca soou pela cozinha devido ao alto-falante do rastreador ser bem construído.
A moça saltou com um susto.
Eu também tomei um susto com sua voz. Em outras situações eu estaria envergonhada e com medo. Mas agora estou objetiva e muito alerta. "Quem é?" Perguntou ele no profundo silêncio, depois desligou sem nenhuma resposta. A moça apontou para a tela retangular verde da máquina. Ela estava decodificando vários números e letras.
Depois de um tempo, ela estava mais clara escrita: ...Loading...
A tela se apagou por uns três segundos e depois acendeu,agora , carregava com números em porcentagem.
"Carrega..Carrega..Carrega" Eu tagarelava baixinho com as mãos trêmulas e completamente nervosas.
Noventa e oito...Noventa e nove...
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