Um Verdadeiro Monstro
22 O Susto.
Notas iniciais
Depois de Puppet se apresentar ele desapareceu junto com as crianças. Deixando-me sozinha, triste,abalada e completamente paralisada.
Não acredito que não morri de parada cardiáca até agora.
Minhas mãos não paravam de tremer.
Saí da Safe Room e apanhei meu celular do chão. Vizualizei todas as fotos que eu e as pequenas crianças tiramos no aniversário.
— Deusss... -Suspirei sentando.
Vi as fotos que Kelly,Joy, Vincent e Dona Mih, tiramos no dia em que ficamos em casa. Lágrimas cairam ao me imaginar contando para Kelly sobre sua irmãzinha. Chorei ao me lembrar no dia em que conheci a loirinha... Ela estava chorando...Queria apenas um cupcake...Passando as fotos observei o rosto sorridente de Vincent em uma delas. Senti um aperto no peito.
Eu jamais imaginaria que isso acontecesse comigo..."A...A pessoa que eu amo, destruiu a minha vida?.."
Caí de testa no chão e murmurei com a voz falha.
— Eu vingarei vocês crianças...
Depois fiquei pensando na minha mãe. Sempre fomos muito próximas,minha mãe era minha melhor amiga e estava com muita saudade de falar com ela, que, infelizmente, não tenho mais contato.
— Estou sem armas! Como vou m-matá-lo!?
Corri para a parte da entrada, onde ficava as mesas. Segurei a maçaneta da porta — certificando se ainda permanecia trancada — puxei e puxei. E nada.
Estava tudo trancado. "Isso vai me atrapalhar muito..."
— AARRH!!! DROGA! ABRE! ABRE! — Gritei já alterada socando e chutando a porta.
Cinco, sete, treze... vinte... trinta socos e pontapés vãos na madeira espessa de portas e nas vidraças que se manchavam do sangue das minhas mãos nas janelas.
Me encostei na porta e deslizei agachada até cair ao chão com a cabeça entre as mãos.
— Eu vou morrer... — Suspirei despeitada.
Passei uma hora respirando feito um recém afogado e descansando as mãos já destruidas para tentar arrombar a porta novamente.
Levantei tombando e apoiando na parede e olhei para a vidraça ensanguentada da janela.
Abri minha boca espantada ao ver a imagem fantasmagórica e alucinante de alguém muito familiar...
— M-M...M... — Não consegui completar com a perplexidade que acumulava em minha garganta.
Arregalei os olhos inchados de lágrimas para conseguir enxergar melhor a imagem que mancava no horizonte sombrio da noite que ia embora.
Para o meu espanto, a pessoa estava se aproximando da janela.
— M... — Não conseguir dizer.
Seu rosto escondido se aproximou e esconstou-se no vidro. Seus olhos cansados e assustados observavam o sangue. Sua face pálida me fez gritar.
— M...M....MOÇA DO CAPUZ!!??
Ela deu um sorriso triste para mim. Soprou o vidro e escreveu nele:
Eu já volto.
Então ela se afastou correndo.
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