Um Verdadeiro Monstro
15 O Jogo Da Vida - Parte II
" No chão eu me deito
Imóvel e em dor
Eu posso ver minha vida, passando diante dos meus olhos
Morto eu adormeço
Isso é tudo um sonho
Me acorde, eu estou vivendo um pesadelo
Eu não morrerei (eu não morrerei) Eu irei sobreviver...
Eu não morrerei, eu vou sobreviver
Eu me sinto vivo, quando você está ao meu lado
Eu não morrerei, eu esperarei aqui por você
Até a minha morte..."
Abri meus olhos e vi que no meu celular estava tocando esta música.
Realmente,ela agora, está tendo tudo a ver com a situação que estou passando.
"Eu matei mesmo alguém..?" Pus a mão na minha testa e olhei para o lado de novo. Sim,estava morto,e você matou.
A que custo?
"De sobreviver!"
Isso não faz sentido, você matou!
"Eu estou confusa..."
Uma confusão interna acontecia comigo.
Tudo o que eu queria era alguém dizer a mim que "Vai ficar tudo bem" , mas acho que nessa situação ninguém entenderia.
– Tenho que sair daqui. — As únicas pessoas que confio, é minha mãe e Dona Mih, só que ambas estão viajando no momento. Só o que me resta é Vicent mesmo...
Me levantei muito pesada e comecei a discar os números. "Está chamando! É o único número meu que não foi bloqueado." Fiquei aliviada.
– Alô? — A voz dele era ainda mais linda pelo telefone.
– Vicent, eu estou precisando de você... — Falei olhando preocupada para o corpo.- A-agora...
– Onde você está?
– Ao lado do Restaurante Vermelho. Mas... Me encontre naquela rua com o muro de folhas como naquele dia... — Eu me afastei do corpo ainda não acreditando no que eu fiz.
Depois de muitas caminhadas cansativas, finalmente cheguei a rua com o jardim. Ele estava encostado no muro brincando com o galho de novo , como na última vez. Assim que me viu chegando, ele ficou em postura, e olhou pra mim para ouvir o que eu tinha a dizer.
– V-Vicent...
– Pode falar.
– Eu...Eu... — As lágrimas não deixavam eu continuar a falar.
– O que aconteceu? — Ele reparou nos hematomas da minha testa.
– E-Eu matei alguém Vicent...
Ele deixou o galho cair no chão e ficou de boca aberta.
– Eu...*snif* Preciso de ajuda...
Ele escondeu meu rosto triste em seu abraço.
– Porque você mataria alguém..? — Perguntou ele baixinho e apoiando a cabeça em mim, como se estivesse cuidando de um bebê.
– E-ele...M-matar...Me d-defendi...
– Entendo... — Falou mais baixo. — Você iria ser sequestrada, e apenas se defendeu...
Não era bem assim, ele não sabe o fato de eu cair no truque do Cara Do Telefone.
– Você é uma garota gentil, não mataria ninguém por vontade própria. Mataria? — Ele fitou os olhos roxos em mim.
Fiquei pensando muito no que responder olhando pra ele.
– Não...Eu não mataria... — Falei baixo também.
– Boa menina. — Ele sorriu e me deu um abraço forte.
Estalos fortes e tiros vieram em nossa direção.
– Mas quê, que porcaria é essa! — Vicent levantou a cabeça com raiva.
Era de uma viatura. "Tenho que voltar ao trabalho, caçamos o Cara Do Telefone depois...Biely..." Disse ele.
– Biely... — Falei para eu mesma baixo. — O Moço no celular em algum momento, também me chamou de Biely...
Ele me deixou sozinha e fui andando para ir pra casa por curativos em mim.
Meu celular tocou de novo.
– Alô!
– O jogo não acabou. Ele vai durar 24 horas e o dia nem chegou ao fim ainda.
Olhei para Vicent que andava para entrar no carro sem ter um telefone nas mãos. Minhas suspeitas dele ser o Cara Do Telefone eram duvidosas, e ao mesmo tempo cairam no ralo.
Eu mal virei minha cabeça para voltar a andar e levei uma maderada na cabeça.
– MAIS O QUE É ISSO! — Me virei e vi mais um cara nervoso , com cabelos marrons.
Seja adversário ou não, não vou me arriscar a matar uma pessoa de novo. Me afastei dele devagar para não ter problemas. O homem puxou uma arma do bolso e apontou para a minha cabeça.
Eu fiquei em silêncio.
" Arrgh...Por que Vicent tinha que ir logo agora..."
– Vai doer. — Falou a figura estranha para mim Sorrindo.
– Não faça isso...Por favor...
O gatilho foi puxado.
Um disparo alto cortou o som.
Uma bala voou.
...
Que por sorte, não fui atingida.
O resto do meu dia foi assim; escapando de encrencas,fugindo de assassinos,me defendendo e sendo orientada em vários obstáculos pela ajuda dos tais misteriosos telefonemas.
Tive que matar?
Umas 5 pessoas, mas não foi por vontade própria, eu me sentia um lixo, um monstro... E implorava para que esse dia acabasse, por que as ameaças eram inúmeras.
Tive cortes nas pernas,braços,hematomas. Estava completamente encaixada dos pés a cabeça. E ao chegar em casa, para amenizar as dores do corpo, tive que tomar banho em gelo.
"Isso nunca mais irá acontecer de novo...A única coisa que farei é achar Purple Guy e O Cara Do Telefone, e então, tudo voltará ao normal..."
E por fim, o dia de jogo acabou por hoje.
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