Um Verdadeiro Monstro
11 O Coração Da Terra
Notas iniciais
Pulo assustada da cama com o som do alarme robozinho gritando.
– VOLTA!! — A minha lerdesa de conversar com um alarme com rodas projetadas e inteligência artificial nunca morre.
Dessa vez eu consegui alcança-lo...Pulando...Em cima dele...
– Te peguei!!
Parada em cima daquele troço fiquei olhando para o nada e ouvindo o silêncio profundo da minha casa. Acabei me lembrando da ligação que recebi ontem... Hm.
Peguei aquele caderno que eu tinha usado para anotar as cinco crianças naquele dia. E começo a escrever para ver se consigo tentar encaichar os pingos nas letras "i"
"Cara Do Telefone"
Informações: Homem,pela voz parece de meia idade. Orientou os guardas; Jeremy e Fritz durante o espediente. Salvou a vida deles. Sabe do meu nome. Sabe o número da minha casa.
Informações adicionais: Nervoso, inseguro, se sente certo do que se fal..."
"Ah!" A ponta do meu lápis tinha quebrado. Apontei-o, e voltei a me concentrar no que eu estava escrevendo.
"Questões: Como ele sabe meu nome? Como sabe o número da minha casa? Se ele ajudou os vigias... De onde ele estava vigiando eles? Como ele sabia dos caminhos em que o assasino passaria e não passaria na FazBear's? Por que ele não revela sua identidade?E porque ele não quer que eu volte a pizzaria hoje? Que perigo eu corro?"
– Vamos ver no que vai dar...
Guardei o caderno e fui tomar café. Me arrumei e saí para comprar os presentes das crianças.
Passei pela vitrine e vi vários brinquedos. Pedi para o moço do caixa embrulhar os presentes e por cartões pequenos e coloridos escritos "Para Joy" "Para Cameron" "Para Jonathan" "Para Lucas" e "Para Pedro".
– Obrigada. — Sorri para o moço e saí de dentro da loja.
Passei por uma rua um pouco isolada da luz fraca que saía das nuvens. Passo por um jardim e um muro de plantas e bem encostado nesse muro, sorridente e brincando com um galho nas mãos estava Vicent.
– Oi Vicent! Desculpe por ter te deixado ontem... Eu iria voltar para me desculpar, mas você sumiu.
– Não liga pra isso não, eu só voltei a fazer meu trabalho. — Ele bagunçou meu cabelo com uma das mãos sorrindo.
– Ah... Então ta tudo bem.
Um vento repentino e frio passa pelos arredores da rua sacudindo de leve os cabelos longos e presos do policial e minha roupa solta.
– O Japão fica longe daqui? — Ok... Agora é sério, Vicent é número 1 em conversas estranhas.
– Fica, soube que quando aqui está de dia, lá está noite. Deve ser muito longe.
– Eu ouvi dizer que se furar um buraco em linha reta e atravessar a barriga da Terra, podemos chegar no Japão.
– Quem foi bobo de te dizer isso? — Sacudo meus cabelos e me apoio no muro para relaxar o peso dos presentes nos meus braço. E volto a falar. — É impossível! A Terra roda em linha reta.
– Roda??
– Roda! Você nunca aprendeu isso na escola?
– Ah... — Ele parou para pensar olhando para o céu nublado e escuro, apesar de ser 13:05. — Ataaa....
Ele começou rir com um sorriso que me chamava muito atenção, vê-lo rindo fez com que eu me sentisse bem de estar conversando com ele. Então ele voltou a falar.
– Mas se furarmos bem na linha em que ela roda podemos chegar lá.
– Ta... Mas onde fica a barriga da Terra?
– Ora! — Ele olhou para mim como se eu tivesse que saber de tudo. — Bem abaixo do coração da Terra!
– Então me mostre o coração dela...
Vicent agaichou no chão e fez um círculo grande com o galho que ele estava na mão enquanto conversávamos. Ele pediu para que eu sentasse. Coloquei as bolsas no chão e me ajeitei para sentar. Fiz uma expressão "Eae?"
– Deite o ouvido no chão que você vai ouvir. — Falou o jovem apoiando a cabeça no solo dentro de uma parte do círculo.
Eu deitei com a cabeça no chão junto com ele. Sussurrando, perguntei como eu poderia saber que tinha um coração.
– Se eu fosse a Terra eu deixaria você pisar no meu coração.
...
Prendi a respiração após ouvir isso.
Ficamos um tempo sendo rondeados pelos ventos e ouvindo a vida que havia em baixo daquele solo.
Depois de alguns minutos, disse que precisava voltar para casa me arrumar para o aniversário. Peguei minhas bolsas, me despedi dele e fui caminhando pensando para casa.
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