Um Verdadeiro Monstro
12 Feliz Aniversário Crianças!
Notas iniciais
Em meu quarto, estava de frente para o espelhão penteando meu cabelo. Reparei que ele estava mais cumprido e chegava a metade dos ombros, os fios loiros estavam virando fios cinzas.
Estou pronta.Vesti um vestido preto tomara-que-caia. "Robozinho?"
Olhei para trás e ele estava girando em circulos no quarto todo. Parecia descontrolado. Peguei ele do chão e o desliguei. "Hora de ir!" Peguei os presentes e passei pela sala para abrir a porta.
Na hora que eu ia trancar, o telefone toca de novo. Resmunguei um pouco e entrei para atender.
— Alô?
— O que eu disse pra você? — A voz de ontem de novo...
— Por que devo te obedecer?
Uma breve pausa soou na ligação. Então o cara voltou a falar.
— Faça o que achar melhor.
Então ele desligou.
Ele dizendo que não posso voltar para o único lugar que me divirto, só aumenta minha vontade de ir pra lá.
Peguei as bolsas e fui, por sorte minhas feridas nos braços estavam sarando, coloquei até curativos transparentes para não chamar muita atenção.
— Feliz aniversáriooo!!! — Abri a porta sorridente para o quinteto de crianças e uma mutidão de familiares e amigos.
Foi tão divertido, eu realmente me senti uma criança correndo atrás de todos brincando de pique-pega.
Joy estava linda, estava com um vestido amarelo e não saia de perto da mesa dos cup cakes.
Jonathan e Cameron brincavam de futebol com um guarda-napo amassado,Lucas se divertia com as palhaçadas que Foxy fazia com Bonnie no palco e Pedro ficava numa mesinha redonda lendo um livro que provavelmente tinha ganhado de alguém.
Eu me distrai um pouco com o Freddy quando cantava e depois sentir alguém tocar no meu ombro.
— Jeremy e Fritz? — Sorri cumprimentando os dois.
— Oi Gabriely! — Sorriu Fritz.
— Fomos convidados também. — Jeremy e Fritz sentaram na mesa onde eu assistia a apresentação.
Ficamos conversando,até chegar a um ponto em que tinha lembrado... O cara do telefone. Fiquei um pouco com medo de conversar sobre isso com eles, porém fiquei encorajada pelo fato dos dois terem ligação com ele. Fiquei insistindo em falar e abri minha boca.
— Gente.
Meu tom de voz alta e abafada interrompeu a conversa deles e viraram atenção pra mim.
— Bem...Ontem, vocês me falaram de telefonemas que recebiam certo?..
— Certo. — Concordou Fritz bebendo um copo de refri.
— Eu... — Como eu podia explicar?
— O que aconteceu Gabi? — Jeremy me fitou preocupado.
— Esse cara me ligou...Ontem e hoje.
Nada mais foi dito por mim depois, eles ficaram parados e arrasados com o que eu falei. Fritz fez uma expressão "Como assim?" E Jeremy quase derrubou o copo do ruivo.
— Explica isso direito. — Falou o ruivo com calma.
— Ele disse ontem que eu deveria parar de vir aqui, disse que corro perigo. E hoje foi a mesma coisa! Eu não entendo...
— Olha, eu sempre achei esse cara estranho, mas, na maioria das vezes ele me telefonava para me ajudar então... — Falou Jeremy.
— Ajudar? Ele disse para eu não voltar aqui! — Agora fiquei com uma pilha de medo querendo sair do peito.
— Não sei o que ele quer dizer com isso, mas considere uma ajuda e não uma ameaça.
Seria difícil eu considerar ajuda de alguém que sabe meu nome e sobrenome,meu telefone e os lugares que frequento.
Me dispensei deles e fui falar com Kelly. Diz ela que como todas as crianças vão dividir a festa, seria legal envia-las todas para uma colônia de férias juntas após o "parabéns" Os pais delas já tinham arrumado as malas e todos combinaram com isso.
Eu por fim tinha que me despedir...
Ouço o meu celular tocar. "Espero que não seja ele..." Depois que vi que era número desconhecido ,minhas esperanças foram pro ralo.
— A-alô..?
— Você...Gosta...De brincar com a vida? — Uma risada abafada no fundo interroupeu sua conversa.
— ...Bem... — Eu não sabia o que responder, me sentia corajosa até olhar para baixo e perceber que minhas pernas estavam tremendo.
— Você quer brincar com a sua vida?..
— Eu vou ligar para a policia.
Ele fez uma breve pausa, não era mais a mesma voz do cara nervoso que me ligara... Era uma voz grossa,determinada,enfurecida e familiar. Depois de uma longa respiração e sussuros ofegantes, me veio a resposta. "You can't".
....
Desliguei o telefone, o choque que tive ao ouvir essas palavras me fez correr para me esconder. O banheiro seria uma boa idéia talvez...
Corri nervosa pelo corredor três e me enfiei dentro de um banheiro no fundo do corredor.
Fiquei respirando inregularmente. Quando me acalmei decidi molhar meu rosto para me aliviar do susto.
Abaixei minha cabeça e molhei minha face pálida, quando ergui minha cabeça para me olhar no espelho ele estava quebrado, uma imagem distorcida de mim refletia nele. E de vermelho, estava escrito "You can't". Eu dei um grito fino e rouco e corri para a porta do banheiro. "Não quer abrir!!" Sussurrei nervosa.
Me virei de costas na porta e deslizei até cair sentada no chão. E o celular toca novamente...
— Acredita em mim agora? — A voz nervosa voltou a conversar comigo.
— O-o que aconteceu...
— Você ignorou meu alerta,é isso o que aconteceu.
— Tinha alguém falando comigo além de você?..
Silêncio absoluto depois de minha pergunta. Depois, desligou.
Eu levantei e tentei abrir a porta de novo, mas de jeito nenhum não abria. Eu ouvia o som da música e a movimentação da festa, ninguém me ouviria de onde eu estava. Eu fitava o espelho assustada e pensava qual seria o significado de "Você não pode".
Uma hora depois, consegui abrir a porta.
Andei até a festa e pelo visto a hora do "parabéns" já tinha passado.
As crianças estavam sentadas na mesa redonda comendo pizza. Joy olhou pra mim e não percebeu minha expressão, apenas puxou meu braço devagar e me levou até a mesa para sentar.
Estava com muito medo, mas só de ver o sorriso dos pequenos apontados para mim, consolou.
Fiquei confortável, mas demorou.
Fiquei conversando com as crianças e comendo pizza junto com elas.
Até aparecer um animatronic familiar, Golden Freddy.
"Golden Freddy?" Arregalei os olhos.
— Boa noite crianças! — Disse ele com uma voz robótica. — Querem brincar comigo?
— Só se a Gabi vir também! — Disse todas as crianças juntas.
— Ah...Eu não sei... Sou grande demais para isso... — Me envergonhei.
Joy puxou meu braço de novo e todas as crianças se levantaram para seguir o animatronic. Eu fui caminhando junto com elas e vi que o animatronic estava disposto a ir para uma sala no fim do corredor quatro, mas não consegui adivinhar qual por que havia muitas portas. Já estavámos na metade do caminho até Dona Mih me chamar para ajuda-la.
— Desculpe Joy, eu vejo vocês depois...Se eu demorar, prometo brincar com todos depois das férias.
Ela sorriu pra mim e se juntou aos garotos que corriam atrás do Golden Freddy.
Eu demorei. Quando voltei eles não estavam mais lá. "Talvez já tenham ido para a colônia" pensei.
Nesta noite eu não vi Vicent.
Apenas dormi levando para o travesseiro o medo que passei hoje.
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