Um Verdadeiro Monstro
19 IIII Noite
Notas iniciais
Eu abri os olhos devagar cansada e vi a minha sala com uns bloquinhos de montar espalhados por ela.
Era a casa que compramos depois de mudar de cidade... Era iluminada pelo lustre de cristal no alto do teto. O chão de madeira espessa bege e as cortinas de desenhos persas.
Meus pés estavam cansados depois de uma manhã de trabalho cansativa. E depois eu ouvi um "Nê!" Olhei para o chão e vi Dominic com o cubo vermelho babado sendo mordido por suas gengivas.
– Dominic... — Falei baixinho para ele arrumando meu cabelos cumpridos de luzes cinzas.
Dominic estava debruçou-se no chão e depois deu um impulso.
– Domi! — Me admirei ao vê-lo se levantando com seus pequenos bracinhos.
O bebê de cabelos negros e olhos raramente lilás com a pele dlvor de neve fazia força para se levantar.
"Ele está andando!" Me surpreendi ao ver ele dando passos desastrosos.
E depois, um abafado som de queda no chão. Dominic não conteve risos de diversão. O vento da chuva atravessava as janelas e voava com as cortinas deixando a luz azul das nuvens entrar e preenchendo o frio em nossa sala.
– Vicent!! Ele está andando! — Gritei me levantando exausta,porém animada e sentando no chão para ajudar o bebê com os passos.
– Hã? — Ele pôs a cabeça para fora da porta da cozinha.
Vicent estava com o rabo de cavalo um pouco mais cumprido, seus olhos estavam mais iluminados. E estava segurando a frigideira com a torrada, por que nossa máquina de torradas tinha queimado com a água da pia.
Desligou o fogo e saiu da cozinha para ver Dominic andando. Ele ajoelhou apoiado do meu lado e chamou-o com os braços erguidos.
– Vem, Domi! Anda pro papai ver! — Exclamou ele sorrindo.
Dominic se levantou e passou a andar até a sua direção, foram passos fracos e caiu no meio do caminho.
– Eu preciso filmar isso! — Me levantei sem jeito e acabei esbarrando na mesa ao lado da poltrona. Derrubei a foto que eu tinha tirado na minha festa de aniversário de 35 anos e outra do meu casamento aos 27.
– Quebrou? — Perguntou Vicent baixinho olhando para mim e depois erguendo o nosso bebê para andar de novo.
Eu olhei para as fotos e depois sorri respondendo para ele que não tinha quebrado. Coloquei na prateleira da outra parede e entrei no corredor para ir ao quarto de Rick, onde a filmadora estava guardada. Eu abri a porta e vi que ele estava dormindo no berço e o quarto estava iluminando pela luz alaranjada do abaju pequeno.
Rick acordou com o barulho de Vicent entrando com Dominic no colo fazendo "Brrrriuu"
– Poxa! — Olhei frustada para os dois depois pegando o bebê de cabelos castanhos no colo.
Ele se aproximou de mim segurando Domi e ninando-o. Ficamos em silêncio ouvindo o barulho da chuva de tarde. Sorrindo um para o outro, lembrando de nossas histórias...
De repente seu rosto estava se aproximando do meu e...
* ACORDEI *
– QUE INFERNO DE SONHO FOI ESSE!?
Eu virei minha cabeça para o lado e vi Vicent sentado numa cadeira ao lado onde eu estava deitada. Estava mastigando uma mecha do seu cabelo e com a cabeça apoiada em suas mãos com um sorriso sarcástico. Eu tomei um susto e dei um impulso pra trás ( É bom voltar a se mover ) .
Ele foi pra trás com a cadeira e começou a rir.
– AAHAHAHAHAHAHA!!! Meu deus...- Retrucou baixo. — O que foi isso? Hahahahaha!!
– I-i-isso o-o-que...
– ...Você...Fazendo bico dormindo... — Ele tampou a boca tentando segurar as gargalhadas e explodiu. — HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Fiquei com a cara vermelha e escondi meu rosto nos meus braços.
Eu me levantei e percebi que minha barriga tinha sido enfaixada, assim como minha perna que estava com um saco de gelo em cima. O gosto do sangue ainda estava em minha boca, mas posso dizer que me recuperei pouco. Estava dia, por que o relógio da cozinha estava 13:58 e ele deve ter me colocado em cima do balcão para dormir.
O jovem silenciosou e apoiou a cabeça em suas mãos preocupado.
– Algum problema? — Olhei para sua expressão que tinha se esfriado em uma questão de segundo.
– Não... Nada... — Sorriu para mim. Seu semblante mudou de novo... Que bipolar.
Depois de uns instantes de silêncio me veio a cabeça
– Dentes! — Saltei do balcão deixando-o confuso.
"Preciso de dentes para ajuda."
– Vicent, sabe onde está o... — Fiquei com um pouco de medo. — ...O Bonnie?
– O que cargas d'águas cê quer fazer com Bonnie! — Saltou ele da cadeira.
" Não posso falar do Cara Do Telefone... "
– Eu... Por curiosidade... sabe...
Eu vi sua expressão ficando desconfiada.
Tive que iventar uma mentira...
– É que... Não sei... Desde quando os animatronics começaram a se comportar assim? — Não era bem uma mentira, eu fico curiosa por isso também.
– Endoesqueleto... — Se levantando-se da cadeira e apoiando na parede com os braços cruzados continuou a falar. — Eles constumavam ficar em modo I.A ( Inteligência Artificial ) a noite também, só que... com a falta de luz eles só enxergavam pouco, confundiam os guardas com endoesqueleto e os atacavam. Desde então o modo I.A só é ativado no dia para servir os clientes e vigiar as crianças. Mas, não sei quem anda ligando esse modo à noite...
– Onde os animatronics ficam depois de fechar a FazBear?
– Está querendo saber demais. — Sorriu.
– Por favor. — Me aproximei.
– Safe Room. Onde antigamente os clientes também se vestiam d... — Ele tampou a boca sério, percebeu que estava dando informações demais.
– ?
– Nada. — Falou ele andando para fora da cozinha.
– Safe Room...Safe Roomm... — Cantarolei baixinho seguindo ele.
Vicent tampou os ouvidos.
Meu telefone estava carregado na cozinha e peguei-o a tempo.
– Que foi Vicent? — Me aproximei dele.
– ...Choro... — Falou ele com a vox rouca olhando fixamente para a sua frente.
– Choro?
– Elas... Est-E-E-Estão chorando...
Eu olhei para dentro de seus olhos. Estavam bem abertos e assustados. Suas mãos nas orelhas estavam trêmulas e ele falava num tom de sussurro ao olhar continuamente para sua frente, eu olhava, mas não via nada.
– Quem está chorando?
– Eles.
Fiquei na sua frente preocupada abanando as mãos na frente de seu rosto.
– Parem de falar... — Fechou os olhos e agarrou os cabelos com força.
" O que está acontendo? "
– Vi, você está me assustando...
– Parem...De...Falar...Choronas, almas choronas...
Depois de um tempo, estavámos sentados na mesa do lado de fora, (Misteriosamente tudo se destrancou)
– Eu estava preocupada com o que você falou hoje...
Apoiando a cabeça no mão virado para o lado observando a rua sério.
– Não quero que pense que sou louco.
– Não que isso. Imagina... — Comecei a rir baixo. — Podia pelo menos... Me contar o que acontece, talvez melhore e amenize assim como se fosse contar um pesadelo.
Ele não se moveu e nem falou nada, somente mirou os olhos para mim.
– Pode contar pra mim. — Fiz uma caretinha fofa.
Ele sorriu e suspirou sério. Então, contou...
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