– As luzes irão permanecer desligadas, as portas trancadas. Vai ser divertido ver se você sobrevive.

– Não! — Meu grito ecoou pelos arredores.

– Você não vai me achar. Ah! E a cada dente arrancado, é um bônus de ajuda. A cada arranhão... Você será eletrocutada. — Risinhos abafados. — Uh, oh, e tome conta do seu amiguinho, acho que ele não tá passando muito bem...

Desligou. Eu tentei rediscar o número, mas não deu certo. Voltei correndo até onde deixei Vincent e ele não estava mais lá, estava escuro total.

– Vincent! Cadê você!? — Iluminei o caminho com a luz do celular.

Um ranger de dentes e barulho de ferro surgiu. Eu ficava pensando no assunto de dentes arrancados... Era para remover dente de quem? E... EU VOU SER ELETROCUTADA?!

Fiquei quieta com a faca na mão esperando que algo assustador pulasse em cima de mim. Isso depois de checar todas as janelas e portas, que estavam trancadas! Todos os meus telefonemas para todo tipo de ajuda eram vãos.
Eu estava muito em perigo.

– Ficar parada e ser atacada...Ou fugir e ser perseguida... — Fiquei repetindo para mim mesma baixinho.
E o pior é que estou sem ajuda do Cara Do Telefone contanto que eu arranque dentes de algum lugar.

– Vou ficar tagarelando sozinha?! — Falei pra mim mesma de novo. E depois saí do lugar fugindo dos sons assustadores.

Fui procurar Vicent, pelo que eu ouvi, ele parecia não estar bem.

Um vulto roxo escuro cruza a direção dos meus passos numa fração de segundo.

– O-o q-que foi isso... — O vulto congelou meia parte do lugar.

Liguei o flash e iluminei pouca parte do lugar para ver o que era. Estava tudo calmo e em silêncio. O flash iluminava fraco agora, a bateria do celular estava acabando.
Iluminei o balcão...A entrada...O palco...
E continuava dando passos lentos e silênciosos para cada lado que eu andava na pizzaria. Somente o eco de minha respiração podia ser ouvida, até os rangidos cessaram.
Mais um vulto me pegou de surpresa. E foi tão rápido e próximo que me derrubou no chão. A faca caiu de um ângulo muito indesejado, meu braço ganhou uma linha enorme e sangrenta.

– Oh... Não... — Eu tentei estancar o sangue e me lembrei do que eu tinha ouvido.

" A cada arranhão, você será eletrocutada. " E eu estava fazendo de tudo para não me ferir!

Eu toquei no telefone para iluminar meu braço pra enxergar melhor a ferida.

Um choque imenso e instantâneo me derrubou no chão. Era como se eu estivesse sendo queimada por dentro e sendo vibrada violentamente por fora.

– ... Ahr...Tenho de evitar... Arranhões... Entendi... — Tentei me mover.

Depois de um suspiro longo eu percebi que só o meu peito se mexia. Nada de mim estava a se mover. Estou imóvel! Paralisada!

Meus infinitos gritos pedindo por ajuda batiam de parede em parede em ecos estridentes. Nenhuma resposta, e o silêncio infernal e suspeito permaneciam sempre.
Onde Vicent estava, por que ele sumiu?

Passos pesados quebraram o silêncio, mas eu não podia ver quem era porque minha cabeça estava tão imóvel quanto o corpo. Minha única visão nítida era para o teto mal iluminado pela luz fraca do celular.

– Quem... — Fiz força para mover a cabeça, mas não consegui me mexer nem um pouco. — Quem está aí..?

Os passos estavam mais próximos e eu ficava mais desesperada ainda. Imagine-se em uma situação perigosa sem poder mover nenhum músculo para sobreviver! Nem mesmo o sangue escorrido do arranhão do meu braço eu podia ver, só sentir sendo espalhado no chão.
Por 30 segundos , essa posição me fez lembrar da queda que levei da minha bicicleta e fiquei deitada no chão... Só que nesse dia, tinha pessoas para cuidar de mim. Parece que estou sozinha de novo.
Minhas lembranças foram interrompidas pela face de um animatronic com uma guitarra vermelha nos braços.

– B-Bonnie..? — O susto foi imenso.

O coelho azul estava sorrindo para mim e ergueu a guitarra acima do meu corpo.

Pelos movimentos dos braços mecânicos de Bonnie, a guitarra era pesadíssima.

" ELE VAI DESCER COM AQUELE PESO NO MEU CORPO! "

Eu gritei muito alto. Cada erguida e distorcida de braços que Bonnie fazia para erguer a guitarra, era uma guerra mortal entre mim e meu corpo para se mover.

Ao abrir meus olhos a guitarra já estava erguida totalmente... O robô já estava se preparando para lançar ela contra meu corpo.
Ela desceu rápido, estava mirada perfeitamente para a minha barriga . E eu nervosa via minha vida passando em meus olhos, era flashs rápidos . E a descida da guitarra era assistida lentamente em minha mente.

Cortando o ar...

Descendo...

Descendo...

Descendo...

Desc...

...

...

...

Sangue saiu de minha boca. O peso era imperdoável... O que estou fazendo vida...

Comecei a engasgar com o sangue na minha boca.

Bonnie ergueu a guitarra vermelha novamente, e estava mirada para minha cabeça.

De que tipo vou morrer..?

Engasgada com o sangue em minha boca...A dor inimaginável na minha barriga, da qual a isso seria impossível sobreviver... E o sangue no meu braço? Estou imóvel... Fui eletrocutada e estou presa aqui.

Serei torturada até o fim.

Bonnie tirou a mira da minha cabeça e desceu com o peso na minha perna.

– Socor... — Eu tentada gritar com o sangue em minha boca.

Era impossível eu inclinar minha cabeça para cuspir. Muito menos vira-la para os lados.
O telefone vibrou, descarregou totalmente e me deixou no escuro.
A única visão nítida para o teto sumiu. Escuridão total.

"Time...Of...Dying..." Disse para eu mesma mentalmente.

Eu não posso enxergar mais nada, e o som dos braços de Bonnie erguendo a guitarra era um convite para "Adeus Vida".

...

...

...

– GABIIII!!!! — Grito familiar. Era Vicent segurando a lanterna e me iluminando.

Ao olhar minha pessoa, ele arregalou os olhos e ficou paralisado. Eu não conseguia falar uma palavra se quer. Quanto mais eu cuspia sangue pra fora, mais subia, fazendo assim eu não escapar de ser engasgada.

Ele puxou a arma da camisa e atirou na cabeça de Bonnie.

A bala não penetrou, ela bateu em seu rosto e depois voltou a ser lançada no chão. Pouco perto de um de meus pés, pelo o que senti.

– Nã..uh... — Eu queria dizer "Não está funcionando" Mas era impossível completar.

Bonnie lançou a guitarra na minha cabeça. Mas, por pouco Vicent correu do lugar que estava e saltou em cima dele, fazendo-o cair no chão com tudo.

Eu virei os olhos para ver o pouco que dava com a luz da lanterna caída no chão. Vicent estava lutando com Bonnie!

Ele pegou a faca que eu tinha deixado cair e enfiou no pescoço do animatronic, do qual tinha uma abertura para fios de alta tensão e que faziam ele se mover.

Eu fiquei mais surpresa com algo muito incomum... Estava saindo sangue... S-sangue nos fios...

Bonnie parou de se mover. Vicent cessou as facadas insanas e...descontroladas.

Ele se virou pra mim, seus olhos estavam iluminados e sem o a pupila roxa que eu tanto amava observar. Estava com os olhos totalmente claros.

Ele coçou os olhos com uma mão e então eles voltaram ao normal. Depois engatinhou rápido até a mim.

– Biely, você tá bem? Bi... — ele ergueu meu corpo e apoiou minha cabeça em seu colo.

Eu cuspi o sangue tossindo e depois respirei ofegante tentando recuperar o fôlego.

– Obri... — Meu rosto se contorceu de dor. — Obrii...ga...

Ele sorriu e beijou a minha testa. E depois fez um sinal com os dedos para ficar em silêncio.

Ele pegou meu corpo imóvel no colo e ficou me segurando em silêncio também.

O escuro da pizzaria... O frio guardado nela...
E a luz da lanterna iluminando pouco.

Vicent respirou e quebrou o silêncio cantarolando baixinho. Como se fosse ninar alguém...

– Eu... — ele parou,pensou e voltou a cantar bem baixinho. — Eu não morrerei... Eu sobreviverei... Eu me sinto vivo, quando estou ao seu lado. Eu não morrerei. Esperarei por você, até a minha morte...

Notas finais
Oi gent ^_^ escutem Time Of Dying *-* É uma música linda. https://m.youtube.com/watch?v=_Vs8MPamibo