Um Verdadeiro Monstro
17 II Noite
Ouvir vozes vindo da própria cabeça? Estranho.
Freddy do nada é ativado pelo modo I.A e ataca alguém? Mais estranho ainda...
No dia seguinte voltei para a pizzaria com minha mochila, dessa vez cheguei às 19:08.
– Olá! — Sorri abrindo a porta fazendo barulho com o sino pendurado na entrada.
Vicent estava sentado de costas num balcão com a cabeça baixa e as duas mãos tampando os ouvidos. Eu fiquei olhando para ele de longe, parecia preocupado com algo. Eu me aproximei devagar e tampei seus olhos.
– Adivinha quem é... — Tentei anima-lo, se isso fosse uma boa idéia.
– Humm... — Ele levantou a cabeça devagar segurando minhas mãos. — Dá uma dica?
– É uma amiga sua... — Segurei as risadas.
– Então não conheço. Não tenho amigos.
– N-não tem amigos..? — Minha voz diminuiu num tom triste.
– Tenho, você! Cabumm... — Ele girou no banco e fez cócegas em mim.
– PARA EU VOU PERDER O FÔLEGO!! — Falei rindo muito alto.
Dentro da Pizzaria só dava para ouvir risadas, ecos de risadas... Muitas risadas.
Elas batiam na parede e voltavam, e as cócegas não paravam. Parecia que eu ia morrer rindo.
– Ok...Ok... Parou, cansei. — Falei recuperando o fôlego.
Vicent sorriu para mim e depois ficou girando devagar na cadeira. Parecia aquele gato de Alice no País Das Maravilhosas.
– Você está bem? Quando te vi você parecia preocupado... Isso tem haver com as "vozes" que você ouviu?
Ele ficou girando mais rápido na cadeira. Quase não dava para vê-lo direito.
– Eu? Eu tô bem. — Ouvi sua voz sendo cortada pelos giros como se estivesse falando em frente à um ventilador. — Não estou preocupado com nada...
– E... — juntei as mãos. — E as vozes..?
– Que vozes? Ah, sim. — Ele girou mais rápido ainda.
– Vicent para com isso você vai cair!
Ele me ignorou e continuou girando mais rápido ainda.
– Vicent! — Coloquei a mão na cadeira para fazer parar.
Minha tentativa de fazer ele parar não deu certo, a cadeira levou minha mão junto e fez eu correr em círculo em volta do banco para eu não entortar meu braço.
Ele ficou rindo da minha cara em quanto eu contornava sua volta.
– Hey! Sobe aí!
– Hã!?
Ele me puxou do chão e me fez sentar em cima da perna dele enquanto a cadeira girava mais do que as hélices de um navio.
"MEEEE *Gira* TIRAAA *Gira* DAQUIII!!"
" Iuuupee..." Falou ele zoando com a minha cara. Ele não parava de rir enquanto seu metade do seu cabelo tampava a sua boca.
– Euquerodescer!! Euquerodescer!! — Meu medo de cair e bater com a cabeça no chão era grande. Ele deve ter esquecido que eu me machuquei feio.
Agarrei seus braços. A cada giro que ele dava era uma inclinada mortal na cadeira apontada pro chão.
– Vicent... — Falei assustada olhando pro pro chão rodopiante.
– Quê?
– VIIIICEEEENT!!
A cadeira inclinou e fomos lançados pro chão como dois meteoros. "Eu disse que íamos cair. Eu disse!"
Caí em cima de seu peito e ele estava rindo da cadeira.
Rindo da cadeira?..
Quando olhei pra trás, vi que a cadeira estava rolando pelo chão. Ela foi lançada para outro lado. Eu olhei pra ele, e ri também.
O telefone tocou, interrompeu nossas risadas...
– Ele está ligando pra mim... — Falei me levantando.
– Posso atender? — Ele ficou sério.
Eu dei o celular na mão dele e então ele atendeu.
– Alô? — Disse ele se levantando devagar do chão e ficando sentado.
Ficou em silêncio, e olhando pra cima.
– Ele está falando com você? — Perguntei baixinho.
Ele fez "não" com o dedo e depois desligou.
– Ele não me respondeu.
– Deu pra localizar de onde viera a ligação pelo menos?
– Já fiz isso,ele sempre muda de lugar...
– Aoih... — Mordi meu dedão nervosa.
As luzes da pizzaria piscaram. " O que está acontecendo?!" As luzes apagaram.
Escuro total.
E depois ouvimos vozes eletrônicas e um arrastar de ferros no chão. Vicent ligou a lanterna e apontou ela para vários lugares. Não tinha nada em nossa volta.
Os sons e passos estavam cada vez mais perto. Eu puxei a minha faca.
Vicent deixou a lanterna cair e pôs as mãos nos ouvidos de novo.
Eu peguei a lanterna.
– O que está havendo com você? — Olhei pra ele estranha te iluminando.
– N-nada... — Ele fechou os olhos. — As...Vozes...
O telefone tocou de novo.
– Alô?
– Gabriely, quero falar com você,porém, a sós.
Eu olhei para Vicent que estava parecendo estar sofrendo em silêncio.
– Tudo bem se eu te deixar aqui..?
Ele não me ouviu, estava concentrado, parecia estar concentrado no que as tais vozes diziam.
– Vicent, independente do que elas estão te dizendo, não dê ouvidos a elas. Escutou?
Ele abriu os olhos e se virou para mim. Fez positivo com a cabeça.
Eu deixei a lanterna com ele e fui para um lugar iluminando com o flash do celular. Fiquei na entrada do corredor um.
– Então, o que você quer?!
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