Ouvir vozes vindo da própria cabeça? Estranho.
Freddy do nada é ativado pelo modo I.A e ataca alguém? Mais estranho ainda...

No dia seguinte voltei para a pizzaria com minha mochila, dessa vez cheguei às 19:08.

– Olá! — Sorri abrindo a porta fazendo barulho com o sino pendurado na entrada.
Vicent estava sentado de costas num balcão com a cabeça baixa e as duas mãos tampando os ouvidos. Eu fiquei olhando para ele de longe, parecia preocupado com algo. Eu me aproximei devagar e tampei seus olhos.

– Adivinha quem é... — Tentei anima-lo, se isso fosse uma boa idéia.

– Humm... — Ele levantou a cabeça devagar segurando minhas mãos. — Dá uma dica?

– É uma amiga sua... — Segurei as risadas.

– Então não conheço. Não tenho amigos.

– N-não tem amigos..? — Minha voz diminuiu num tom triste.

– Tenho, você! Cabumm... — Ele girou no banco e fez cócegas em mim.

– PARA EU VOU PERDER O FÔLEGO!! — Falei rindo muito alto.

Dentro da Pizzaria só dava para ouvir risadas, ecos de risadas... Muitas risadas.
Elas batiam na parede e voltavam, e as cócegas não paravam. Parecia que eu ia morrer rindo.

– Ok...Ok... Parou, cansei. — Falei recuperando o fôlego.

Vicent sorriu para mim e depois ficou girando devagar na cadeira. Parecia aquele gato de Alice no País Das Maravilhosas.

– Você está bem? Quando te vi você parecia preocupado... Isso tem haver com as "vozes" que você ouviu?

Ele ficou girando mais rápido na cadeira. Quase não dava para vê-lo direito.

– Eu? Eu tô bem. — Ouvi sua voz sendo cortada pelos giros como se estivesse falando em frente à um ventilador. — Não estou preocupado com nada...

– E... — juntei as mãos. — E as vozes..?

– Que vozes? Ah, sim. — Ele girou mais rápido ainda.

– Vicent para com isso você vai cair!

Ele me ignorou e continuou girando mais rápido ainda.

– Vicent! — Coloquei a mão na cadeira para fazer parar.

Minha tentativa de fazer ele parar não deu certo, a cadeira levou minha mão junto e fez eu correr em círculo em volta do banco para eu não entortar meu braço.
Ele ficou rindo da minha cara em quanto eu contornava sua volta.

– Hey! Sobe aí!

– Hã!?

Ele me puxou do chão e me fez sentar em cima da perna dele enquanto a cadeira girava mais do que as hélices de um navio.

"MEEEE *Gira* TIRAAA *Gira* DAQUIII!!"

" Iuuupee..." Falou ele zoando com a minha cara. Ele não parava de rir enquanto seu metade do seu cabelo tampava a sua boca.

– Euquerodescer!! Euquerodescer!! — Meu medo de cair e bater com a cabeça no chão era grande. Ele deve ter esquecido que eu me machuquei feio.
Agarrei seus braços. A cada giro que ele dava era uma inclinada mortal na cadeira apontada pro chão.

– Vicent... — Falei assustada olhando pro pro chão rodopiante.

– Quê?

– VIIIICEEEENT!!

A cadeira inclinou e fomos lançados pro chão como dois meteoros. "Eu disse que íamos cair. Eu disse!"
Caí em cima de seu peito e ele estava rindo da cadeira.
Rindo da cadeira?..
Quando olhei pra trás, vi que a cadeira estava rolando pelo chão. Ela foi lançada para outro lado. Eu olhei pra ele, e ri também.

O telefone tocou, interrompeu nossas risadas...

– Ele está ligando pra mim... — Falei me levantando.

– Posso atender? — Ele ficou sério.

Eu dei o celular na mão dele e então ele atendeu.

– Alô? — Disse ele se levantando devagar do chão e ficando sentado.

Ficou em silêncio, e olhando pra cima.

– Ele está falando com você? — Perguntei baixinho.

Ele fez "não" com o dedo e depois desligou.

– Ele não me respondeu.

– Deu pra localizar de onde viera a ligação pelo menos?

– Já fiz isso,ele sempre muda de lugar...

– Aoih... — Mordi meu dedão nervosa.

As luzes da pizzaria piscaram. " O que está acontecendo?!" As luzes apagaram.
Escuro total.
E depois ouvimos vozes eletrônicas e um arrastar de ferros no chão. Vicent ligou a lanterna e apontou ela para vários lugares. Não tinha nada em nossa volta.

Os sons e passos estavam cada vez mais perto. Eu puxei a minha faca.

Vicent deixou a lanterna cair e pôs as mãos nos ouvidos de novo.
Eu peguei a lanterna.

– O que está havendo com você? — Olhei pra ele estranha te iluminando.

– N-nada... — Ele fechou os olhos. — As...Vozes...

O telefone tocou de novo.

– Alô?

– Gabriely, quero falar com você,porém, a sós.
Eu olhei para Vicent que estava parecendo estar sofrendo em silêncio.

– Tudo bem se eu te deixar aqui..?

Ele não me ouviu, estava concentrado, parecia estar concentrado no que as tais vozes diziam.

– Vicent, independente do que elas estão te dizendo, não dê ouvidos a elas. Escutou?

Ele abriu os olhos e se virou para mim. Fez positivo com a cabeça.

Eu deixei a lanterna com ele e fui para um lugar iluminando com o flash do celular. Fiquei na entrada do corredor um.

– Então, o que você quer?!

Notas finais
Acompanha,favorita e não comenta? Vou te bater.