Um Verdadeiro Monstro
34 Gritos
"Arh... Por que tivemos que nos separar..." Suspirei fechando os olhos temendo a qualquer coisa que poderia surgir da escuridão.
Nós combinamos de não nos separar, até um animatronic esquisito com um corpo de uma raposa branca com detalhes cor-de-rosa, totalmente desfigurado que de um modo pavoroso andava pelos tetos. Eu só pude ouvir "Mangle!" "É Mangle!" E então, os meninos que estavam com as lanternas nas mãos seguravam meu braço um de cada lado e mirava a luz para o caminho para saírmos correndo. Até aí, não nos perdemos, mas... Algo apareceu na nossa frente... Eu não sei quem foi, mas senti que eu havia ter batido com a testa e acabei caída aqui, no escuro. Ouvi a correria dos dois e sons de tiros. Eu gritava para eles me encontrarem e eles gritavam-me de volta, mas seus gritos cessaram e estou perdida agora aqui, nesse corredor.
Abri os olhos, não fazia mudança alguma com a densa escuridão. "Preciso achar um lugar iluminado."
Desencostei da parede com os braços estendidos para frente para não esbarrar nem tropeçar.
Andando, esbarrando em paredes. Andando, esbarrando em paredes...
— FRIIIITZZZ!!!! — Minha voz ecoava o salão, o corredor, da onde quer que eu esteja. — JEEEEREMYYYY!!!
Um rugido como resposta.
"Isso sua burra! Grite para os robôs te ouvirem!"
Saí do local de onde eu havia gritado.
Um tic e tac pertubador de pernas eletrônicas se movendo estava se aproximando de mim.
"Eu e minha boca grande."
Me virei para trás. A luz saía de seus olhos vermelhos e em outras partes do seu enorme corpo metálico. Em suas mãos, carregava uma guitarra escarlate.
— B-Bonnie... — Dava para ver as feições no rosto do coelho, as pequenas lanterninhas dava a possibilidade de distingui-lo.
A última vez em que vi Bonnie, terminei com o estômago quase esmagado.
Não quero que essa situação se repita. Bom, hora de fazer minha parte.
E fiz o melhor.
Saí correndo.
Não uma corrida simples como o natural do bater dos pés frenéticos no chão, mas era um "Cai, levanta,esbarra,bate,machuca" repetidas vezes.
O que era aquilo na minha frente? Finalmente pude enxergar algo! Era uma porta aberta exibindo a subida de uma escada. A placa em cima da porta iluminava a entrada e nela estava escrito: Corredor Do Gerente/Salas de Vigilância.
"Isso é um sinal? Isso é sorte? Milagre?" Aproveitei ao máximo a luz e entrei para subir as escadas depois de fechar a porta.
Lá em cima, era mais iluminado ainda. Um corredor cheio de portas para o lado esquerdo e quadros, posteres e retratos para o direito.
Andei lendo as placas de porta em porta até parar numa "Cabine Telefonica"
— Não... — Ignorei a porta com um peso querendo tomar conta de mim.
Fui andando mais. No final do corredor, pude ouvir mais um som além do da minha respiração. Sim, talvez eu não esteja sozinha aqui. Fiquei pensando se Miranda poderia estar escondida aqui...
Me aproximei mais da porta. Estava aberta. Alonguei minha cabeça um pouco para dentro da sala. Justamente, a sala do gerente.
Tinha um copo café saindo fumaça de dentro dele! E estava sobre uma mesa com um enorme teclado cheio de botões, e mais, tinha uma enorme tela cheia de pequenos quadrados com videos de todos os locais da FazBear's.
— Meu deus...
Dois quadrados de filmagens, exibiam os rapazes! Os dois estavam em salas diferentes e pareciam assustados. Estavam batendo no que pareciam ser paredes, não posso ver bem, a câmeras não focalizavam bem no escuro, mas pelos rostos dos dois, pareciam desesperados.
— Meninos!
Tomei impulso e entrei na sala sem exitar para vê-los melhor na grande tela de painel de controle.
Tinha um botão de "Ativar Áudio" no meio do embaralhamento de teclas. Apertei-o e pude ouvir suas vozes assustadas.
"NÃO!" "Quem fechou a porta!?" "Deixe-me sair!"
Não posso acreditar! Alguém trancou eles! Preciso saber qual botão destrava as portas elétricas...
Alguém agarrou meu pulso.
Numa velocidade, virei minha cabeça ao mesmo tempo para saber quem tocara em mim.
— É feio mexer no que não é seu, sabia?
Uma mulher de porte adulto, cabelos negros e compridos com a franja caída sobre os olhos absurdamente de fortes cores azuis.
Fiquei muda com o queixo caído, é um choque saber que não estou sozinha aqui em cima, sobretudo eu estava mais ligada ao gritos dos rapazes.
Me afastei dela e acabei derrubando o copo que fez com que derramasse todo o café quente tecla, por tecla.
— Ohoho... É muito estabanada — A mulher ria com maldade.
— Não... Jeremy! Fritz!
Olhei para a tela de onde eles estavam e depois virei o rosto para ela pedindo ajuda.
— Por favor! Você deve ser a geren...
Ela me interrompeu.
— Eu sou a gerente.
— Por favor! Me ajude a soltar eles! Eles se prederam em alguma dessas salas! Me ajude! Você deve conhecer esses botões.
Os gritos deles vindo da tela e reproduzido no áudio da sala me assustavam.
Olhei de volta para a tela.
Na sala onde Fritz estava, era comprida, porém estrenta e do outro lado havia uma vasta escuridão.
A sala que Jeremy estava, era pequena, muito pequena, e havia barras de ferro enferrujadas no chão e no teto, muitos canos.
Me virei novamente para a mulher, ela não estava mais comigo e não tinha nenhum rastro nem som da sua fuga.
"Não..." Agarrei as raízes dos meus cabelos com os olhos quase saltando para fora. Pude ouvir o som dos circuitos no teclado que estava saindo faíscas.
— Não!! Não!! NÃO!
Fiquei teclando e teclando nos botões, eu levava choques, mas continuava a apertar. Até socar! Não acontecia nada! Nada ta me respondendo!
"Não! Se afaste! SE AFASTE!"
Era Fritz gritando. Era horrível. Olhei fixamente para a câmera do número dele, as salas deles eram as únicas sem nome e no meio do nada no vasto mapa da tela.
Seus olhos estavam erguidos olhando para o teto.
Tal animatronic Mangle estava escalando as paredes e se pendurando no teto com posição de ataque, e Fritz era o seu alvo.
— FRIIIITZ!!!! NÃO! SAI DAÍ FRITZ! DAI DAÍ!! — Gritei batendo com tudo nas teclas do painel para tentar desativar a tranca da porta da sua sala.
Nada. Os comandos estavam desativados. Eu queimei o sistema todinho! Algumas câmeras já estavam falhando na tela. Enquanto Jeremy, estava sentando no canto da sala cúbica orando.
— Jeremy! Eu vou te soltar!
Estou perdendo as esperanças, já estou chorando e minha mão trêmula clica numa tela de "Destravar" Pude ter um pouco de alívio...
Não...
Não...
As portas continuavam trancadas.
Os canos do teto da sala que Jeremy estavam destravando e abrindo buracos. Nesses buracos, saiam gás.
— N-não... O que eu fiz...
Tomei um susto ao ouvir um berro mais que agonizante tremendo cada membro do meu corpo e congelando meus ossos.
Mangle atacou Fritz.
— N-N-NÃÃO!
O sangue espirrava e estava sendo jorrado na tela da câmera que gravava.
Gritos,gritos,gritos.
Desativei o áudio gritando de desespero também.
Voltando a atenção da tela de Jeremy, o gás descia do teto e escapava dos canos chegando cada vez ao solo.
Jeremy se debatia na porta lutando com muita força para sair.
Eu debatia ainda mais apertando em vão nos botões.
Jeremy ficou com os olhos vermelhos e seu rosto estava ficando roxo. Forçou as mãos na garganta tossindo.
Tossindo até não respirar mais.
Até eu não poder vê-lo mais pela sala tomada de gás.
Nem ver Fritz. Repartido pelos dentes e garras do ataque...
Caí no chão perdendo as forças nas pernas.
— Me... Meninos...M-Meus amigos...
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