Um Verdadeiro Monstro
27 ...Fatos - Parte 2
Ao subir me deparei com a mulher com as mãos cheias de documentos amassados, me surpreendi ao ver mais pistas, entretanto desviei o foco para pergunta-la:
— Por curiosidade, você já foi casada ou foi sempre uma mãe solteira?
Ela abriu a boca com uma expressão triste e gaguejou com uma voz depressiva e trêmula, como a de um choro.
— Já fui casada... — Suspirou olhando para o piso brilhante do quarto.
— Filho único? — Indaguei com voz calma para não parecer insensível.
— S-s... Sim... — O assunto parecia pesar para a pobre mulher.
— Por que não está mais casada?
Ela me fitou com os olhos caidos. Não era do tipo que gostava de se abrir. Mas é importante. Nasceu uma enorme suspeita sobre ela agora!
— Por favor, confie em mim. Estamos juntas nessa! — Repeti a mesma frase várias vezes apoiando a mão em seu ombro de modo consolador.
— Você não entende... Estou abalada, dentro de mim mora uma tempestade, E você... — Ela ficou em silêncio tentanto segurar o choro e depois continuou. — ...E você me enche de perguntas sobre os momentos que acabaram com o resto da minha vida?
— Desculpa. — Abaixei a cabeça culpada e peguei devagar os documentos de suas mãos esguias.
— Receitas de hospitais... Diagnósticos psiquiátricos...Cartas, composições de músicas. — Disse ela olhando para a papelada na minha mão.
Sentamos no chão ao lado da cama no meio de várias pequenas carteinhas e pastas.
Peguei a primeira carta da data mais antiga. O rementente era um amigo de faculdade. De acordo com o seu modo de escrever, parecia preocupado. A moça ergueu a carta e leu em voz firme.
"Prezado amigo
Estou preocupado com você. A July,Martin e o Stuart perguntaram sobre você também.
Você não está mais nos visitando e não responde nossas correspondências desde que se mudou para outra cidade. Matenha-se comunicado conosco.
Meus sinceros cumprimentos,Dave."
— Você precisa ler as outras. — Ela passou outra carta para mim.
"Saudações, caro amigo
Você não nos avisou que mudou de estado! Que loucura, você deveria ver o que aconteceu durante o evento da Ciência Reina.
Estamos com saudades Vincent.
É verdadade que você parou de estudar? Está doente? O que aconteceu com você?
Preocupadissíma, July"
— Ele tinha bons amigos... — Resmunguei lembrando dos meus traumas de solidão.
— Sim. — Suspirou a moça. — Bem, parece que ele respondeu a carta da July.
"Amiga July
Desculpem-me por não responder as cartas da turma. Estive muito mal esses dias. Fiquei internado na St. Elizabeths por alguns meses, mas não parei de estudar! Estou fazendo curso na área civil do estado. Também com os meus documentos emancipados, consegui alugar uma casa e estou trabalhando na FazBear's uma pizzaria que tem aqui, como ajudante de um cozinheiro chamado Call.
Grato, Vincent"
"Olá Vincent
Como assim St. Elizabeths?Isso é um hospital psiquiátrico! Responda-nos, o que está havendo com você.
Sinceramente, Stuart"
— Ele não respondeu mais. As cartas de preocupações foram aumentando ao longo dos anos...E nenhuma resposta. Até que por fim, com o tempo elas pararam.Bem no ano em que esses jovens possivelmente já estariam formados.
— Ele trabalhou na FazBear's desde jovem... — Falei pensativa com a unha do dedão na boca.
— Com um cara chamado Call. — Acrescentou ela.
Sorri nostálgica. Motivo para sua pergunta. Respondi sua dúvida.
— Call é o nome do meu pai. — Suspirei baixinho acariciando docemente meu cabelo pensativa nos momentos antes do divórcio do meu pai e da minha mãe. — Teve uma época, quando eu tinha 6 anos, meu pai trabalhava lá...De cozinheiro...
Eu e a mulher nos encaramos, olho a olho assustadas após eu terminar de falar.
— N-Não... — Gaguejei assustada para ela.
— Não mesmo... — Seus olhos tão assustados quanto os meus não me fizeram acalmar.
Acariciei meus cabelos mais forte e com movimentos nervosos. Continuei a falar ignorando o que disse com os olhos arregala-dos pousados no chão.
— ...D-De cozinheiro, e-e, e-ele t-tinha muito apreço por j-jovens iniciantes no r-ramo do...d-do trabalho...
— Respira Gabriely... — Ela tentava me acalmar.
Continuei com os movimentos exagerados nos meus cabelos e os olhos concentrados no chão totalmente nervosa, assustada e não parando de falar.
— F-f-foi n-nessa época em que meus pais se d-divorciaram... e...e meu pai nunca mais v-v-voltou pr-p-pra casa... E eu fi... Eu fiquei...
Parei para respirar.
— E-Eu fiquei sozinha... — Caí aos prantos no chão descontroladamente.
— Não, Gabriely, isso não pode ser verdade... — Disse a moça com empatia na voz com a mão apoiada nas minhas costas.
— *Snif* T-toda vez... *Snif* Que ele chegava em c-casa...gritava: Biely! Seu pai chegou! Onde está minha Biely? A-Agora...Só sobrou a m-minha mãe...
"Acho que agora nem posso tê-la mais..."
— D-Depois do d-divórcio na época... — Solucei. — O s-silêncio triste da m-minha mãe... Foi uma tortura...
Senti sendo abraçada fortemente.
— Você não está sozinha... — O sussurro da moça fez-me fechar os olhos com força.
Um som de alguém do lado de fora da casa destrancado a porta calou as nossas vozes.
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