Um Verdadeiro Monstro
28 ...Fatos - Final?
— Como... Está ouvindo esse barulho? — Falei assustada esperando uma resposta consoladora.
— Sim... — Cochichou. — Acho que alguém entrou e deve estar trancando a porta...
Nos entre-olhamos assustadas.
A moça preparou a faca e se preparou para se erguer do chão. "Espere!" Agarrei o seu braço impedindo-a de levantar, "Eu...Eu tenho que saber o que houve com o meu pai...Só o Vincent deve saber."
Ela me olhou com um aspecto enojado. "E quanto as almas das crianças!?" Sibilou forçando a voz falha com raiva nos olhos. "Iremos libertar! Mas temos coisas a mais para saber. Entenda, eu estou com tanto ódio dele quanto você."
— Vai falar com ele? — Sussurrou ironicamente.
Ao fim da sua frase, passos largos podiam ser ouvidos se aproximando na direção dos corredores.
— Confia em mim. — Falei seriamente enxugando as lágrimas e levantando.
Houve um silêncio do lado de fora do quarto, aproveitamos isso para bolar um plano, um plano que começamos a planejá-lo com muita fé.
— Então saímos do quarto e fazemos um ataque surpresa?
— Não, não... — Apoiei a mão no queixo pensativa.
Os passos se afastaram da porta do quarto.
— Bem, parece que ele se afastou da porta — Cochichei com o ouvido encostado na porta fria. -
— Temos a chance de atacá-lo!
Planejamos as estratégias, os locais onde ficariámos e estudamos mentalmente os cômodos da casa.
Abri a porta devagar para não fazer barulho. Virei minha cabeça "Está vazio! Vem." Saímos do quarto finalmente. Nenhum barulho se quer fora ouvido. Pra qual cômodo da casa ele foi?!
Andei na frente segurando forte a faca enquanto a moça do capuz ia para outro corredor procurá-lo.
"Tenha cuidado, por favor." Falou ela preocupada comigo enquanto eu me distanciava dela.
Passaram-se 18 minutos de circulação para lá e para cá pela casa todinha. E nada.
Pelo menos tive a chance de ver os documentos na estante da sala.
Mais certificados,retratos,cartões...
Me agachei perto do móvel e me dei conta de que havia uma papelada amarelada, antiga em baixo de alguns cd's. Tirei todos os cd's de cima e desamassei os papeis para poder ver melhor.
"Diagnóstico St. Elizabeths
O paciente demostra tranquilidade ao narrar sobre seus acontecimentos diários contidianos. Desses acontecimentos, o paciente afirma francamente seus atos de automutilação e impulsividade repentina. Também apresenta insônia, choro excessivo, falta de interesse por atividades. Seus neurotransmissores não estão produzindo de maneira satisfatória."
Peguei outra folha com uma data mais avançada, nela estava confirmado de que de acordo com as consultas e os exames passados, Vincent sofria de dupla personalidade, psicopatia, depressão, e outros dizeres terríveis que fizeram minhas pernas estremecerem. Também apresentava práticas de necrofilia.
Ao ler a palavra necrofilia me senti enjoada, meu estômago embrulhou e o aperto no meu peito foi enorme. Está claro que ele é um homem problemático que deveria estar até a morte internado ou preso.
Meus olhos brilharam e embaçavam minha visão com tantas lágrimas. "Que furada eu me meti..." Dei um tapa na minha testa.
Coloquei de volta os papeis no lugar fiquei olhando em volta da sala. Nada.
Fui direto ao corredor, um corredor cheio de curvas para passar. Explorei com os olhos fixos e atentos para ver se havia alguém. Nada.
De umas passagens e outras, da ida da cozinha, até o banheiro, do banheiro ao sotão, do sotão ao porão.
Entrei no quarto novamente. Examinei o lugar onde eu e a mulher haviámos sentado, olhei para a janela. Para a porta... Nada! Nada! Nada! Nem som, nem respiração... Nada de vida por aqui.
A porta bateu forte atrás de mim enquanto eu olhava para as prateleiras das paredes. Girei minha cabeça com um gesto rápido.
Meus olhos saltaram, era ele.
— V-Vincent? — Não pude acreditar que fiquei tão desatenta, ao erguer a faca para se defender, percebi que minhas mão estavam vazias.
"Minha faca... Ela sumiu!"
Vincent sorriu para mim com um ar estranho. Ele trancou a porta sem tirar os olhos de mim.
Engoli em seco tremendo por dentro. Apalpei rápidamente os bolsos da minha saia, mas nenhuma das facas que eu tinha guardado estavam lá...
Depois de ter trancado a porta, ele continuou a me encarar.
Estava começando a ficar nervosa, perder o controle."Onde estão as minhas facas e canivetes!!?"
Ao lado da porta, estava interruptor. Ele puxou uma faca do bolso da camisa e desmontou ele com apenas um lance.
Escuridão total.
Seus olhos, estavam inteiramente brancos e reluzentes única luz a ser vista no escuro.
— Se afaste!!
Não pude enxergar nada e sua respiração estava se aproximando cada vez mais.
...
...
— NÃO VINCENT! NÃÃO!!!
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