— O-O-o... q-q-que você fazer?.. — Tentei gritar firme, mas a voz saiu assustada.

Ele riu devagar.

— O que você veio fazer na minha casa?

Engoli em seco, eu iria gritar e socar seu rosto, mas antes de tentar, senti uma ponta de uma lâmina encostando na minha barriga.

Tomei coragem e falei.

— Você não é quem eu pensava que fosse. Você é um doente. E eu... — Fiquei um tempo sem falar. — Eu soube que você, matou as crianças...No aniversário delas! Seus pais acham que elas estão em segurança nesse exato momento, Vincent! Tem noção da burrada que você fez!? Você deveria estar internado! Eu nã...

Ele tampou minha boca.

— Shhh... — Sussurrou pressionando a faca mais forte em mim. Estava me arranhando.

— P-Pare com isso!! — Enquanto pressionava a faca em mim.

Vincent me encarava, não mais com os olhos cor púrpura intensos que eu costumava observar, mas com esbugalhados olhos brancos que brilhavam no escuro.

"Purple Guy..."

— Olha, Biely... A única pessoa em que eu nunca pensei em fazer isso, era com você. Mas você não me deixa escolha. — Disse sério.

— Quê?

Os olhos esbugalhados claros deram vida a um sorriso branco e muito comprido em seu rosto.

Na vasta escuridão do quarto, a única coisa visível era seus olhos e a boca.

— Por favor... Por favor Vincent, não faça n-nada c-comigo... — Gaguejei insegura.

— Own, eu gostei de ouvir seu choramingo. Pena que só dá pra ouvir uma vez.

O brilho dos seus olhos refletiu a lâmina da faca e deu para ver claramente que ela estava sendo erguida. Estava mirada para minha testa.

Ele desceu com a faca na direção de minha cabeça.

— N-NÃO!! — Gritei quase perdendo a voz.

O golpe foi rápido, mas deu tempo de agaichar e fazê-lo cair contra o chão.

Aproveitei e o imobilozei com sua própria faca. Agarrando seu braço, fiquei o mirando para o seu pescoço.Bem, no escuro dava para sentir que era um pescoço Não tinha como sair, a não ser com um furo bem feio e profundo.

Sua risada debochada foi o que mais me irritou.

Respirei fundo. Precisava de uma resposta, então não perdi a chance.

— Soube que trabalhou com um cara chamado Call... Como ajudante de cozinheiro. Diga agora o que aconteceu com ele!

Os olhos de Purple Guy demonstrava pesar. Seu sorriso desapareceu. Mas nenhuma resposta havia saído.

— ME RESPONDE!!

Ele se contorceu com força para sair de baixo de mim, mas eu o prendi com mais força ainda forçando a lâmina no seu pescoço.

— Se você não contar o que aconteceu com ele... Eu vou te matar!! — Comecei a ficar descontrolada. Minha mão tremia enquanto eu segurava o cabo da faca e estava ficando suada.

— Eu até que estou meio que adorando ficar "aqui". Mas mexer nos meus documentos e me fazer perguntas pessoais é algo que não vou te dizer. Até porque, Call, foi um babaquinha.

Dei um tapa fortissímo no seu rosto.

— Eeeepa... — Ele sacudiu o rosto.- Por que você está tão interessada no meu antigo chef?

Não entregaria meu segredo fácil, então fiz o possível para não parecer pessoal.

— É um homem importante. Diante de todos os seus crimes, queria saber também o que pôde fazer com o próprio ch... — Ele tirou meu braço da reta da faca e a pegou de volta como um raio. Ele se levantou e eu não pude saber em qual lado do quarto ele estaria.

Se lançou em cima de mim e enterrou a faca em meu braço.

Meu grito ecoou o quarto inteiro.

"Grrr!!" Puxei a faca com o outro braço e ele puxou-a novamente.

— Solte minha faca! — Rangeu pelos dentes.

— Não!

Levei um impulso e a puxei de sua mão.

— Diga! ONDE ESTÁ O CALL! — Gritei encostando a ponta no seu peito.

Ouvi um som de algo sendo sacado. Parecia uma arma sendo carregada. Depois... Senti sua ponta sendo encostada na minha testa.

— Eu. Não. Vou. Dizer... Por que você... Espera... — Sua voz parecia confusa. Ele tirou a arma de mim e ficou em silêncio.

Pressionei a faca mais forte contra ele na espera de um ataque ou tiro surpresa. Se eu vou morrer, ele também morre.

— FALA! — Gritei novamente com raiva do seu silêncio.

— Biely...

Ouvi sua voz soando feito um cochicho ecoado pelas paredes no escuro.

— Biely, a filha do Call, o cozinheiro entregador...

Meus olhos começaram a arder e as bochechas a coçar de irritação.

Tentei ser forte. E ele continuou falando, cada vez mais baixo. Tive que forçar para ouvir melhor.

— Meu chef estava cansado depois de uma entrega distante. Estava dias sem descansar... — Sua voz suou no mais baixo tom ainda. — Eu me lembro de tê-lo visto colocar a imagem de uma garota de seis anos atrás do seu fogão.

"FLASH BACK"

Eu estava meio apressado com alguns pedidos,mas ver a foto daquela menininha me fez parar um momento para perguntar.

— Chef, quem é essa menina?

Ele virou os olhos cansados para mim e sorriu ao falar dela.

— É minha filhinha, Biely.

"FIM DO FLASH BACK"

Meus olhos se encheram de lágrimas e meu punho segurando a faca tremia.

— V-Vincent... C-cadê meu pai..?

Ele suspirou com um ar estranho.

Perguntei de novo.

— Cadê meu pai?

Ele não respondeu. Fiquei furiosa e repeti num tom mais alto.

— Cadê meu pai!

Nada saia de sua boca.

— CADÊ MEU PAI!!

Com um grito rouco, perfurei descontroladamente num gesto forte, formando um corte profundo no seu peito. Não me senti fazendo isso, foi puro impulso.

Ouvi seu gemido, sua respiração ofegante, a sua falta de ar e contorções de dor.

Até o seu último suspiro...

Notas finais
https://lh3.googleusercontent.com/-5gcjXP9hDLk/WEjM1z7Z0iI/AAAAAAAAAVQ/TQY1vicy7dIMwQh4GzwU6hILzqzmJrfXACLcB/w240-h300-p-rw/2016-12-07%2B23.32.14.jpg A minha imagem do meu desenho n entrou;-; mas se quiserem ver, esse é o URL dele