Um Verdadeiro Monstro
33 Esperança Falsa.
Notas iniciais
Tudo ficou escuro. Os gritos eram dos rapazes lá fora.
Puppet desapareceu e eu só pude ouvir o ranger de dentes metálicos.
— PESSOAL! — Desci da bancada correndo desajeitada para a porta, sem rumo no escuro.
Abri a porta, mas não dava para enxergar coisa se quer.
Só dava para ouvir os rugidos dos animatronics, estou desprotegida aqui e posso ser atacada a qualquer momento.
— Fritz!
Fritz estava com uma lanterna na mão.
— Vamos embo.. — Os rugidos estavam ficando mais alto.
— Vamos!
Saímos correndo sendo guiados pela luz da lanterna. Os gritos nos ameaçavam e o pior é que não tinha como distinguir de onde vinham.
— Fritz, temos que achar a Miranda e o Jeremy e sair daqui!
Íamos para o lado e para o outro, mas nenhum sinal deles.
— Gabriely! CUIDADO!
Tive a sensação de uma bola de demolisão sendo jogada nas minhas costas. Só pude sentir o peso dos tiros batendo na enorme parede de metal sobre mim. Meu fôlego estava em falta para suportar o peso, sobretudo, consegui ao menos girar minha cabeça para ver quem está me atacando. "Freddy!"
Não posso acreditar, eu me lembro do dia em que tirei foto na frente dele como se fosse ontem.
— SAIA DE CIMA DELA! — Fritz estava com as mãos firmes no gatilho gastando sua munição, depois deu um tapa em sua testa. — Arr!! Seu idiota! Não vê que está falando com um robô...
Freddy estava ligado, porém estava apenas jogado em cima de mim, me sufocando demais.
— Friiitz...Aaarrp...Me ajudaa... — Falei perdendo a voz tentando inchar meus pulmões.
O jovem ruivo se mexeu fazendo força para tirar Freddy de cima de mim.
Por sorte o enorme animatronic saiu de cima. Me sentei respirando ofegante olhando nos olhos do animatronic, depois olhei nos olhos de Fritz. Seus olhos estavam concentrados no corpo do robô. Suas mãos tremiam e a expressão do seu rosto não estava nada boa.
— F-Fritz... — Gaguejei com o medo aumentado a cada respiração. — O que foi?
Ele ergueu seu braço apontado para o Freddy.
— Ele está no modo I.A....
— Hãã?
— E-Ele tá n-no modo I.A...
Olhei para o Freddy jogado no chão, olhei para o Fritz. Não estava entendendo.
— Quê?
— ELE TA NO MODO I.A!!! -Ele soltou um grito desesperado e junto com o berro pude sentir o animatronic se locomovendo e levantando.
Freddy deu um rugido muito alto provocando nossos gritos e saimos em disparada de onde estávamos.
Acredite, é difícil correr para o desconhecido sem saber o que está na frente só com a ajuda de uma lanterna. Uma lanterna! Era nossa única luz! Céus. Devo ter deixado meu telefone na cozinha! O pior... Me lembrei da cozinha.
Sacudi minha cabeça evitando lembranças.
Perdida em pensamentos, quase não percebi que Jeremy havia se esbarrado em nós, fazendo-me voltar para a realidade.
— JEREMY VOCÊ ESTÁ VIVO!-Olhei para ele impressionada e com muito medo. Por sorte, ele também tinha uma lanterna.
Fritz olhou para mim com o seu olho sardendo depois do que falei.
— O que foi?! Ta todo mundo morrendo aqui...
Jeremy olhou para nós dois com uma cara de "Tem razão, daqui ninguém tá saindo vivo."
— Vamos sair daqui. As luzes se apagaram... Hm. — O ex guarda noturno interrompeu-se analisando coisas que pareciam ser informações num tablet. — ...Os robôs estão em modo I.A, Inteligência Artificial, a ventilação está danificada e me parace que cabos estão se desprendendo, possívelmente tirando a energia de lá de fora na rua, sem falar dos canos de gás...
— Meu Deus! — O ruivo colocou a mão na cabeça estupefado. Enquanto eu só ficava os ouvindo e olhando para trás ao mesmo tempo.
— Temos que sair daqui Gabi. — Jeremy pôs as mãos nos meus ombros tirando minha distração. Olhei nos olhos dele com atenção.
— Temos que sair daqui. — Seu tom de voz parecia com o tom de uma conversa de médico, quando ele diz calmamente um diagnóstico indesejável. — Vamos falar com o Puppet depois, achar a Miranda e sumir daqui!
Abaixei minha cabeça tentando esconder minha expressão que acabara de mudar após ele me falar isso. Mal sabem que eu já haveria conversado com o Puppet e... Seria horrível eu imaginar suas expressões ao saberem que a morte do assassino não serviu de nada.
— O que foi Gabi? — Perguntou Fritz queixando-se do meu rosto triste com vista nítida atrás dos meus cabelos.
Eu exitei em falar. Jeremy foi mais rápido.
— Ela está preocupada com os espirítos das crianças, só isso... — Disse ele com empatia. — Mas sabemos que assim que a poeira abaixar, elas serão libertas!
"Quem me derá se fosse assim, Jeremy." Pensei preocupada.
— Vamos procurar a Miranda!
Não foi fácil ficarmos em grupo. Um monte de animatronics nos atacaram e nos perseguiam. Acabamos nos desviando um do outro. Os meninos, arh... Eram os únicos com luz. Fiquei na escuridão encostada na parede decidindo se prosseguia ou se ficava. Também ficava gritando o nome de Miranda.
Estou perdida, de novo.
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