Um Sonho Real

11 Capítulo 11 - Agora somos amigos


Esse com certeza foi um ótimo dia, Junior estava mesmo tentando. Como combinado nós lanchamos juntos, parecia que ele nunca tinha feito isso. Nós começamos assim, devagar, mas cada vez mais Junior se sentia mais a vontade de falar comigo. Com os outros nem tanto, ele ainda falava um pouco com a Lucy, mas comigo ele ficava cada vez mais aberto. O primeiro mês passou bem rápido e, quando eu vi, nós já estávamos bem próximos. Ele ia lá para casa e me ajudava a estudar ou nós só ficávamos conversando.

– Intermediário se refere só às aulas “especiais”. – ele disse – Na verdade acho até errado chamarem assim.

– Acha errado chamarem de “intermediário” ou “especiais”?

– Os dois. Já que as aulas “especiais” na verdade são as aulas originais da Shibusen.

– Ah... Então foi só depois que colocaram as aulas normais?

– É, foi só depois, já que nem todo mundo podia frenquentar a escola e a Shibusen ao mesmo tempo.

Nós estávamos na sala conversando sobre o sistema de ensino da Shibusen.

– Assim, a Shibusen oferece aulas de combate e aulas de uma escola normal. Mas como normalmente os alunos são de doze anos pra cima, lá só tem a partir do quinto ano do fundamental.

– Mas o quinto ano não é com onze anos?

– É só por garantia.

– Ah... Mas é uma pena que eu tenha que repetir o nono ano.

– Isso porque você não fez as provas finais ano passado...

– É... Sabe... É porque três “sequestradores fantasiados” entraram no meu quarto no meio da noite!! – não me aguentei e comecei a rir do que eu disse, mas Junior continuava normal – Ei, Junior, por que você não ri?

– Simplesmente não tenho motivo.

Nós ficamos calados por alguns segundo. Fiquei me perguntando se era melhor ter ficado calada. Ficar assim em silêncio parecia meio desconfortável.

– Ei, no final do mês é meu aniversário. – eu quebrei o silêncio – Você já comprou meu presente?

– Presente? Eu tenho que comprar um? – ele não mostrava muitas expressões, mas ele parecia estar brincando

– É claro que tem... Nós somos amigos agora, não é? – eu sorri – Quando for o teu aniversário eu também vou te comprar um presente. Mas ei, o presente não é o principal, nem a melhor parte. A melhor parte a estar na companhia de pessoas queridas.

– Quer dizer que... Você vai fazer festa?

– Sim. Todos os anos eu faço.

– Você vai convidar quem?

– A Maka, o Soul, a Lucy, A Mary, o professor Stein, o Kid e as garotas da classe. Dessa vez não tem muita gente para chamar. – fiquei um pouco triste – Eu queria poder comemorar com meus pais também, já que é o famoso aniversário de quinze anos...

– Natasha...

– Oi?

– Nada não... – ele respirou fundo – Você sente saudade da tua família?

– Sinto... Acho que minha sorte é que eu já sou acostumada a ficar longe.

– Como assim?

– Minha família é meio que espalhada, cada um mora numa cidade diferente. Eu tava sempre indo pra lá e pra cá, morava um ano com um, dois anos com o outro.

– Hum... Por que você se mudava tanto? – ele parecia curioso sobre o assunto

– No começo era porque meus pais eram muitos jovens e tinham que estudar, então minha avó e minhas tias me criaram por um tempo. Depois foi porque eu comecei a gostar de viajar, mudar de cidade.

– Entendo...

E assim nossas conversas iam.

O dia do meu aniversário chegou. Maka tinha se oferecido para ajeitar tudo, então fizemos a festa na nova casa dela. Os convidados chegaram e eu estava lá dentro terminando de me arrumar. Usei o vestido que a Maka em ajudou a escolher, tomara que caia branco com babados. Meu cabelo já não estava mais como de costume, estava preso numa linda trança embutida, que deu muito trabalho para fazer. Também calcei um salto, mas era um bem pequeno e leve. No começo eu estava triste por estar longe da família, mas ao longo da festa os convidados, meus amigos, me animaram e me fizeram esquecer, por aquele momento, da tristeza.

Junior ficou um pouco isolado, mas não foi como sempre, ele estava socializando ao seu modo, devagar. Lucy estava quase mais animada que eu, o aniversário dela já tinha passado, ela tinha optado por não fazer a festa para poupar dinheiro, então só viajou para ver a família. Ao ver minha festa ela disse que estava quase arrependida de não ter feito a festa. Na hora eu não entendi muito bem por que tanta empolgação, já que era uma festa tão simples. Comecei a achar que na Death City festas eram raras, mas não era por isso não.

No finzinho da festa Stein me chamou para conversar e me deu os parabéns apropriados.

– Eu queria agradecer também – ele disse –, pois você conseguiu cumprir a promessa e agora vocês são amigos. Obrigado.

– N-não precisa... Mas, apesar de agora sermos amigos, ele ainda não se abre muito comigo. Tudo bem, eu entendo, ele realmente passou um bom tempo sozinho, não foi?

– Foi sim.

– Bom, ainda bem que ele tinha o Marco. – eu sorri

– Marco? – Stein perguntou confuso

– Sim, o senhor não sabe sobre o Marco?

– Eu acho que já ouvi esse nome... Quem é Marco?

Notas finais
Para o próximo capítulo: É como Junior disse... o Stein não sabe tanto assim. Uma nova parceria começa.