Um Sonho Real
12 Capítulo 12 - Contrato de parceria
Notas iniciais
– A-ah... É... Se o senhor não sabe então não sei se devo dizer... – achei que talvez não fosse uma boa ideia contar assim, sem ter permissão do Junior
– Por favor, me diga. Tudo que tem a ver com ele é importante para mim.
– Eu sei, é que... Tá... É um amigo do Junior, mas vou logo dizendo que é só isso que eu sei. – eu estava um pouco nervosa porque não sabia se podia ou não falar sobre isso.
– Tudo bem, vai ser o nosso segredinho. – ele piscou o olho – O Junior não precisa saber que você me contou.
– T-tá...
– Sabe, é melhor deixarmos esse assunto para outro dia. Hoje vamos apenas festejar. – Stein sorriu e eu sorri de volta
– Sim, sim!
“Solta o som DJ!” e lá fomos nós. A festa já estava no fim, mas ainda dava para aproveitar um pouco mais. Quando finalmente acabou, estávamos todos exaustos, tinha sido um dia bem divertido. Como já estava de noite Maka me deixou dormir lá e no dia seguinte eu voltaria para casa. Como era um sábado não tinha problemas. Tive sorte de ter caído logo em um sábado. A manhã do dia seguinte foi bem calma. Maka me deixou dormir até tarde e depois fez um café da manhã para mim. Todo aquele tempo ela estava sendo tão boa comigo que eu não sabia nem como agradecer. Ela insistiu para que eu ficasse lá mais tempo, mas eu tinha que terminar de fazer alguns deveres de casa.
Na terça-feira depois da festa passei meu tempo livre com Junior, pois eu tinha uma proposta para fazer. Meus professores estavam começando a pressionar para fazermos logo nossas parcerias. Durante as aulas de combate a gente fazia pares aleatórios para treinar, mas não aceitei e nem fiz nenhum pedido de parceria.
– P-parceria? – Junior parecia meio surpreso – Você tem certeza?
– Sim, sim.
– Mas nem sabemos se nossas ondas de almas são compatíveis.
– Digamos eu sei que são. – eu pisquei o olho pra ele e depois ri – E mesmo que não soubéssemos, vale à pena tentar. Se não formos compatíveis então você parecerá pesado e pode até dar um choque, não é?
– Por ai...
– OK. Então lá vamos nós!
Junior se posicionou e se transformou em um martelo prata com o cabo revestido por couro marrom com listras douradas, o que, aliás, faz todo sentindo afinal ele herdou a forma de arma da mãe dele, Mary Mjolnir. Ela é parecida com o martelo de Thor, mas ela pode estender um dos lados do martelo a fim de virar uma tonfa. Perguntei-me se Junior também era capaz de fazer isso. Respirei fundo e fui em direção a ele, aproximei minha mão para levantá-lo do chão. Fiquei um pouco nervosa, mas pensei comigo mesma “você já empunhou outras armas nas aulas de combate, você pode fazer isso.”. Segurei o cabo, comecei a fazer força para levantá-lo e pude sentir nossas almas em harmonia, como se estivessem conversando. Finalmente levantei e o segurei no alto, foi um alívio e uma sensação muito boa. Eu sabia que éramos compatíveis, pois o professor Stein havia me falado no dia em que apresentou Junior para mim. Reparei um detalhe em três dos lados da cabeça do martelo, um círculo dourado, Mary tem isso também, mas são raios. Junior tem círculos vazios.
– Pelo visto eu estava certa. – eu sorri olhando para sua forma de arma – Então, você aceita ser meu parceiro?
Ele ficou quieto por alguns segundos e depois voltou para a forma humana. Ele olhou diretamente nos meus olhos, mas depois desviou um pouco.
– Sim, eu aceito. – ele disse estendendo a mão – Talvez seja uma boa idéia.
– É uma ótima idéia! – eu sorri mais ainda e segurei a mão dele
Esse não foi bem o começo da nossa linda história, mas na hora eu senti como se fosse. Esse também foi o ultimo dia de aula antes das férias de julho, mas claro que em relação à parte das aulas equivalentes a um colégio normal, para mim o nono ano e para Junior o segundo ano do ensino médio. E pensar que apesar de tudo temos apenas um ano de diferença de idade. Eu não sabia o porquê, mas já fazia um tempo que eu começara a me sentir bem quando Junior estava comigo, eu me sentia feliz. Apesar dele não demonstrar muito seus sentimentos – tristeza, felicidade, etc. – eu aprendi a decifrar um pouco ele. Até então eu não o vi sorrir nenhuma vez, pelo menos não externamente, eu sentia que ele sorria sim, mas apenas por dentro. Eu não estava fazendo tudo aquilo apenas pela promessa, eu estava fazendo por um amigo, pelo próprio Junior. E acho que também por mim, eu, mesmo não sabendo muita coisa, me interessei pela história dele e cada vez mais senti vontade de me aproximar. Por fora ele parece alguém durão, mal encarado e que não gosta de ninguém, mas por dentro eu tinha certeza que ele era uma pessoa doce, talvez ele só fosse um pouco inseguro e isso o tornou uma pessoa um pouco solitário.
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