Um Sherlock bastante efusivo
7 Um estranho recado
Notas iniciais
Abro os olhos devagar, a luz que entra pela janela dói ao entrar em contato com meus olhos, isso só me faz lembrar da terrível dor de cabeça que estou sentindo.
–Preciso parar de beber tanto – Murmuro.
Olho para o relógio e vejo que já são 19:00, eu não consigo acreditar que dormi um dia inteiro, sorte que hoje é domingo então não preciso me preocupar com a clinica nem nada do tipo, sinto falta de Sherlock andando de um lado á outro, do suspense dos casos, sinto falta de correr perigo. Três batidas na porta ecoam por toda casa, vou em direção a porta.
“Quem poderia ser uma hora dessas?”
Abri a porta e nem precisei perguntar nada, lá estava ela, com os olhos colados no telefone e um carro na entrada. “Mycroft”. Entrei no carro e seguimos para mais um lugar estranho e vazio que ele sempre conseguia para dar seus estranhos recados, chegando lá percebi que desta vez não era um lugar estranho, eu conhecia aquele lugar, tinha sido lá que ele me levara da primeira vez, quando eu estava no meu primeiro caso com Holmes, por que ele escolhera aquele lugar? E como ele tinha coragem de olhar nos meus olhos depois do que fizera?
Meu sangue fervia, eu desejava mais que tudo socar sua cara até que reconhecê-lo se tornasse uma missão impossível.
–Reconhece este lugar Drº Watson? – Perguntou ele.
Apenas fiz que sim com a cabeça.
Ele olhava nos meus olhos e em seu rosto havia um sorriso singelo, parecia que não havia ninguém ali dentro, parecia que aquilo era apenas uma frágil casca.
–Sabe John, você pode ser a pessoa mais incrível do mundo, mas, sempre terá alguém mais importante que você. Não importa quantas pessoas você comande, será terá a pessoa que vai te comandar, ela vai te obrigar a fazer coisas terríveis, vai te fazer colaborar e ordenar coisas que podem acabar te machucando mas para essas pessoas isso não importa, nunca falhar é o lema delas, elas não ligam se é sua família ou não, agora você pode não entender, mas quem sabe um dia entenda.
Ele sorriu para mim uma última vez e deu as costas.
–Ah! Vá atrás do meu irmão, eu sei que ele só pensa nele e que é um grande idiota, mas ele vai precisar de muito apoio, vai precisar muito de você, principalmente quando concluir o caso. – Disse enquanto se afastava. – Acho que mesmo eu, vou precisar – Murmurou.
“O que ele queria dizer com isso? De quem ele estava falando? Seria...Não pode ser”
O carro de Mycroft me deixou em frente ao 221B, tudo aquilo ainda martelava minha mente, ele me parecia abalado e tudo que ele falara parecia não fazer sentido, talvez Sherlock entendesse, mas como eu falaria com ele? Como ele me receberia? Afinal, a ultima vez que vi Holmes não foi uma das melhores e eu ainda não sabia se deveria confiar no Mycroft, ainda lembrava claramente de seu sorriso dissimulado na noite em que a Mary morreu, mas eu precisava de respostas e no momento Sherlock me parecia a melhor aposta.
Subi as escadas, minhas mãos tremiam um pouco, virei a maçaneta com certo remorso, mas qualquer coisa que eu pudesse estar sentindo desapareceu completamente naquele momento, ao entrar na sala vi Holmes no chão e uma xícara de chá em sua mão que havia derramado todo o chá no chão.
–Meu deus Sherlock! Que bagunça, você sujou todo o chão. – Gritei.
O tapete estava encharcado e alguns papéis que estavam jogados também haviam molhado. Ao me aproximar mais percebi que ele estava inconsciente, um desespero me tomou, meu coração acelerou, eu nunca o vira naquele estado.
–Srª Hudson! Chame um médico. – Berrei.
Agachei ao seu lado e fui checar seus sinais vitais, ao tocá-lo senti que suas roupas estavam molhadas e ele ardia em febre.
“Espere.. Eu sou um médico!. Meu deus John, você é idiota? Sorte que Sherlock não ouviu isso.”
–Srª Hudson! Cancele o médico.
A esta altura ela já subia, desesperada perguntava o que tinha acontecido.
Pedi que fosse comprar alguns remédios e assim que ela saiu eu o peguei e levei para seu quarto, o deitei na cama e fui procurar por roupas enxutas, as coloquei ao seu lado na cama e já começava a desabotoar sua camisa, minhas mãos voltaram a tremer e um nervosismo me atravessou, meu rosto pingava vermelho naquele momento.
“Calma John, ele esta doente e você só esta o ajudando a melhorar, nada além disso.”
Eu repetia isso para mim mesmo diversas vezes, assim consegui tirar toda sua camisa, joguei-a no chão e peguei a seca, eu o levantei para que ficasse sentado, era difícil mantê-lo sentado e vesti-lo ao mesmo tempo.
–Consegui! – Sussurrei.
Com ele novamente deitado, comecei a abotoar sua camisa, faltavam apenas alguns botões quando ele ergueu sua mão, segurando a gola da minha camisa me puxou, fazendo-me deitar encima dele e logo me envolvendo com seus longos braços.
“Ele está tão quente”
– O que você está fazendo? Achei que estivesse inconsciente ´- Falei, tentando me levantar.
–Você acha muitas coisas John – Ele retrucou meio rouco.
–Claro, eu gritei com você e você nem sequer se mexeu, o que você queria que eu.. – Me interrompeu.
–Srª Hudson! Chame um médico – Ele imitava enquanto ria.
Meu rosto voltou a ficar vermelho.
–Você é tão idiota John, tão simples... – Ele me apertou mais. – Apenas fique comigo.. é tudo que eu preciso.
–Foi você quem me afastou. – Murmurei.
–Eu só estava com medo.
–Medo? Já resolvemos tantos casos perigosos, o que esse tem de tão diferente?
.....
–Sherlock?
Ele dormiu, seu corpo estava quente mas sua temperatura começava a baixar, aquele cheiro, aquele contato ainda me acalmavam, aquilo era tudo que eu desejava, poder estar com ele e fazer parte dele.
Antes que percebesse já havia pousado a cabeça em seu peito e agora dormíamos.
Não demorou muito para que eu acordasse com os gemidos de Holmes, ele ainda dormia mas algo parecia estar doendo, sua febre já havia baixado e ele suava muito, aproveitei que ele já não segurava com tanta força e me levantei, vi que a Srª Hudson havia comprado os remédios pois estavam todos na mesinha ao lado da cama, fui na cozinha e peguei um copo d’água para que ele pudesse tomar os remédios. Um sorriso estava estampado em meu rosto, meu corpo todo formigava só de lembrar da sensação que era dormir abraçado com Sherlock.
Voltei para o quarto e o fiz tomar o remédio, ele logo voltou a dormir, parecia exausto.
“O que você andou fazendo nesse tempo Sherlock?”
Sentei na cama ao seu lado e encostei na cabeceira, eu poderia passar a noite toda olhando-o dormir, eu realmente amava esse homem e esse sentimento parecia que ia ficar mais forte a cada dia que passava, principalmente tão próximo dele. Adormeci.
Acordo uma segunda vez, um barulho e uma dor me tiraram do sono, minhas costas doem e minhas pernas estão dormentes, vejo Holmes entre minhas pernas com a cabeça pousada sobre minha barriga, seus braços envolvem toda minha cintura.
–Ele parece tão inocente.. tão inofensivo dormindo... – Disse uma voz grossa.
Olho para frente e vejo uma alta e grande silhueta de pé no quarto, a janela esta aberta e mesmo estando escuro sei que ele olha em meus olhos. Antes que eu pudesse falar algo ele me alerta.
–Não fale nada John, não queremos que ele acorde certo? E também não queremos que nosso joguinho acabe tão rápido, tenho um recadinho e quero que você o dê ao detetive quando ele estiver num estado menos desprezível, diga que agora as coisas vão ficar mais agitadas e se ele não pensar rápido, as pessoas ao seu redor vão acabar se machucando seriamente. – Ele cuspia as palavras de um jeito que me fazia temê-lo, aquele homem era um mostro. – E antes que eu esqueça.. entregue isto a ele.
Ele lançou algo encima da cama, estava escuro demais para ver.
–Nos veremos novamente John.
Senti algo penetrando meu braço direito e instantaneamente fui tomado por uma tontura, um cansaço... Apaguei
*.........*
–John! John! – Gritava Sherlock.
Minhas pálpebras pesavam muito, meu corpo todo doía, ele estava parado de frente pra mim.
–O que? O que foi? – Perguntei ainda atordoado.
–Quem mandou isso John? Como isso veio parar aqui?
Na mão de Sherlock estava uma foto da Srª Hudson e nela tinha escrito com o que parecia ser tinta vermelha “Veja!”. Ao ver aquela foto me lembrei de tudo, do homem, do recado e da ameaça.
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