Um Presente Inesperado
8 Yours Ever
Notas iniciais
– Eu sou seu amante? Mas você disse que eu ia voltar pro Japão. Você quer que eu fique? É isso? — perguntou ansioso. Ele poderia ficar na Itália com o canceriano. Tinha entendido direito ou era um mero desejo incerto de seu coração?
O italiano sentiu certa ansiedade na voz do oriental. Talvez fosse medo, e Shun apenas estivesse apreensivo quanto a Máscara manter sua promessa de mandá-lo de volta para casa.
– Sim, amante... Não é assim que se chamam as pessoas com quem transamos? Acho que sou um pouco antiquado... – riu. — Enfim, não se preocupe, eu não vou voltar com minha palavra. Logo você retorna ao Japão, então poderá voltar para os braços do seu queridinho Ranmaru — falou com certa mágoa na voz, mesmo sem identificar ao certo o motivo do seu desconforto.
Shun não devia ficar surpreso, já que tinha sido enviado ali com esse propósito, mas era isso mesmo: não passava de um divertimento para Giovanni. Iria voltar ao Japão para cumprir sua promessa, mesmo que ela não fizesse mais sentido.
– Você tem um senso de humor bem distorcido... — levantou da cadeira, colocando o copo em cima do criado-mudo. — Não devia brincar com mortos — lançou um olhar entristecido pro italiano.
Shun relembrava sua própria dor, por isso, sequer tinha se dado conta da mágoa no rosto do moreno. Pegou suas roupas que estavam ali e saiu com o próprio roupão de banho em direção ao quarto de hóspedes onde estava instalado.
Pensar em Ranmaru era reviver um momento doloroso. Sentiu uma lágrima correr por seu rosto enquanto percorria o corredor silenciosamente. De alguma forma acabou encontrando o quarto que procurava. Adentrou o recinto e fechou a porta atrás de si, apoiando as costas nela e escorregando até sentar no chão. Abaixou a cabeça e com os ombros trêmulos enfiou o rosto nas roupas.
Amaldiçoou-se mentalmente. Não conseguiria manter o juramento que fez à Ranmaru naquela noite. Choraria por ele mais uma vez.
O mafioso, por sua vez, não entendera o comentário. Shun às vezes tinha um jeito de falar meio estranho. Usava frases cheias de lirismo que, para Máscara, apesar de não ser um ignorante, não tinham qualquer cabimento. Mas o modo como o garoto saíra do quarto, cabisbaixo, quase um zumbi se arrastando pelos corredores da casa, deixara o mafioso preocupado.
Preocupado? Desde quando se importava com o que estranhos sentiam? Pois Shun não deixara de ser isso: um estranho. Afinal, há quanto tempo se conheciam? Dias apenas. E se num período tão curto de tempo o oriental conseguira confundir de tal maneira o italiano, imagina se ele continuasse ao seu lado.
"Shina está certa, eu tenho que me livrar desse bambino"– pensou. Contudo, o corpo contrariou o raciocínio, e seus pés o levaram até a o quarto de hóspedes. As mãos grandes e fortes bateram na peça de madeira que separava-o do japonês.
– Io non contei nenhuma piada! — exclamou do outro lado da porta. — E não fale comigo por códigos, io non gosto quando diz coisas de forma que não consigo entender — bateu na porta mais uma vez, visto que continuava fechada. – Abra esta merda!
Shun contraiu-se em seu próprio abraço, envolto em lembranças antigas. O rosto banhado em lágrimas incontidas. Assustou-se com as batida secas na madeira atrás de si. A voz grave do italiano irritada do outro lado. Espiou pelo ombro.
Piada?! Ele realmente...
Levantou-se do chão, dando dois passos para trás. Abriu a boca e retrucou com a voz embargada a plenos pulmões, segurando firmemente as roupas contra o peito. Tremia. Não ia abrir a porta. Ele já tinha deixado bem claro a sua posição naquela casa. O que mais tinha a falar um para o outro?
– Eu não contei nenhuma piada para você rir, Máscara da Morte! Se acha divertido brincar com a memória de uma pessoa querida...
Fechou os olhos lembrando-se do rosto de Ranmaru e seus olhos com heterocromia*. O sorriso... Ah, aquele sorriso. Balançou a cabeça e gritou:
– A morte de Ranmaru não é uma piada!!! Não insulte a memória dele! — em sua cultura a ofensa a uma pessoa morta era algo inadmissível, considerado mesquinho e cruel por alguém que não podia mais defender sua honra e sua própria história.
“Morto?” – Máscara suspirou fundo; a raiva se esvaindo rapidamente de seu ser. O rapaz que parecia ter o coração de Shun estava morto.
O italiano não sabia absolutamente nada sobre o passado de Shun, mas o garoto falava como se Máscara tivesse todas as informações sobre sua história de vida. Como ele poderia saber que o tal Ranmaru estava morto? Não fora o que entendera pela forma que o japonês falara dele.
– Io non sabia — falou em um tom calmo, ou apenas um tanto cansado. — Abra a porta bambino, por favor — pediu sem muita convicção de que seria atendido.
– Iie! É divertido me fazer sofrer? Doushite? – o oriental passou o braço sobre os olhos vermelhos. — Em breve vai se livrar de mim. Não é o que você quer? — não queria, no entanto, admitir em voz alta não diminuía em nada sua tristeza. A verdade é que achou que as coisas poderiam ter sido diferente. Tolice sua. Uma coisa que tinha começado da forma errada não poderia dar certo.
– Io? – o italiano não acreditava n que ouvia; aquele moleque só podia estar zombando de si. — Foi você que me pediu pra ir embora! É você quem está doido para fugir de mim! É você quem prefere encontrar com a morte, voltando para o psicopata do seu irmão, do que ficar comigo! — gritava revoltado, o rosto ficando rubro de raiva. — Io non compreendo! Quando eu te trato mal, você se joga nos meus braços; quando eu te trato bem, você surta e fica contra mim! Afinal, o que você quer de mim, hã?! O que quer que eu faça?!
Shun arregalou os olhos e não conseguiu se conter. Deixou as roupas caírem no chão e abriu a porta. Levantou a mão e pegou a gravata do italiano, puxando-o pra dentro do quarto. Empurrou o moreno contra a parede e desabafou tudo o que estava preso em sua garganta:
– É, eu pedi pra ir embora porque fui mandado até aqui como um brinquedinho sexual sem saber! E você parecia realmente disposto a brincar comigo, sem respeitar minha vontade, meu corpo, meus sentimentos e minha honra!
Voltou a chorar à medida que sua voz ficava cada vez mais alta:
– Acha mesmo que esqueci o tapa que me deu na cara quando eu queria fugir?! Ou mesmo quando quase tentou me matar naquela banheira?! Acha por um acaso que eu estava fazendo teatrinho quando você me penetrava naquele colchão? EU NÃO ME DEITEI COM VOCÊ POR QUALQUER MOTIVO QUE NÃO FOSSE A MINHA PRÓPRIA VONTADE!! VOCÊ FOI O PRIMEIRO HOMEM COM QUEM ME DEITEI!
Apertou a pegada na camisa de linho branca, sentindo uma dor imensa no peito.
– Ranmaru teria me valorizado no seu lugar — deu três passos pra trás soltando o outro. — Pode jogar o brinquedo fora, ele já foi usado, não é? — forçou um sorriso, enquanto mais lágrimas manchavam seu rosto.
Giovanni estava perplexo. De onde viera aquilo tudo? De onde viera aquele... Furacão?!
Chegou a pensar que fosse o 'Outro', ao ser puxado e jogado contra a parede com tamanha ferocidade. Mas ao olhar as esmeraldas marejadas, a face inchada e a dor estampada em sua face, não teve dúvidas de que ainda era Shun quem estava à sua frente.
Tomado de indignação, o garoto cuspia toda sua revolta na cara do italiano. E o mafioso não conseguia acreditar no que ouvia. Ele era virgem? Não era isso que tinha dado a entender.
Máscara ficou sem reação por alguns minutos até conseguir emitir algum som:
– Nunca te considerei um brinquedo bambino... E também nunca quis te mandar embora. Achei que era seu desejo voltar para o Japão. Estava atendendo a sua vontade, não a minha. Por mim... Você fica — falou e se aproximou do garoto, tocando em seus ombros. — Não quero que me odeie — sussurrou.
Shun contraiu-se quando ele o tocou, mas em sua última frase havia uma sinceridade que não conseguiu deixar de perceber. Talvez fosse a forma como ele tinha dito aquilo ou talvez fossem os olhos azuis que olhavam para si intensamente.
Ficar na Itália... Era isso mesmo que queria? Não tinha certeza. Não conhecia ninguém naquele país além do homem à sua frente.
– Nesse caso... Deixa-me ficar contigo como teu amigo, e não como amante.
A experiência que os dois tiveram juntos deve ter sido abominável para Shun, visto que agora o rapaz queria apenas ser "amigo" do italiano. Ao menos, assim entendeu o mafioso.
Máscara da Morte não tinha amigos, no máximo aliados.
O mais velho respirou fundo, levemente irritado, não pela sugestão em si, mas pelo pensamento de não poder mais tocar no garoto. Deveria mandá-lo embora imediatamente, era o lógico e o correto a se fazer.
Por que titubeava tanto em tomar uma ação contra um moleque que não tinha qualquer utilidade, e que no mais ainda era um estorvo exigindo-lhe vigia vinte e quatro horas por dia?
"Porque ele irá matá-lo assim que desembarcar no Japão"– a voz ecoou dentro da cabeça do italiano.
Que o líder da yakuza desejava a morte do irmão mais novo nunca fora um mistério; a questão era: por que o mafioso se importava?
– Sou tão repugnante que se recusa a permanecer como meu amante? — os densos olhos azuis, fixos nas duas esmeraldas, expressavam decepção e tristeza. — Va bene, você fica... Na condição que quiser — suspirou fundo e retirou as mãos que até então apoiadas gentilmente sobre os ombros do garoto. – Io non vou tocar em um fio de cabelo seu.
Shun quase não acreditou que ele estava aceitando o seu pedido.
– Honto ni? Posso ficar contigo? — perguntou novamente só para ter certeza, colocando as mãos na frente do peito. Ia tocá-lo até ouvir a última sentença do outro. A sua mão que estava estendida, refreou-se instantaneamente. Recolheu-a colocando os braços pra trás.
A situação em que o japonês estava não era fácil. E pedir pra ser amigo de Giovanni depois dos últimos dias era estranho, praticamente uma loucura. No entanto, sentia-se dividido entre o que sua mente queria e o que seu coração mandava fazer. E por alguma razão que não sabia explicar o coração estava decidindo seu destino ali.
– Sabe... Hum... Eu... Preciso colocar minhas roupas — podia parecer tolo, porém ficar nu sendo observado por Giovanni causava-lhe certo desconforto. Agora mesmo sentia seu corpo quente. Esfregou os olhos e bocejou; a vista doía um pouco.
Com toda aquela discussão Máscara até esquecera que o outro estava praticamente desnudo só com o roupão meio revolto e aberto por conta da confusão. O pedido por roupas acabou relembrando o fato, e foi inevitável não correr os olhos pelo corpo esguio e bem feito. Ser "amigo" do oriental não seria tarefa fácil.
– Vista isso... — retirou a camisa e a estendeu para Shun — Enquanto eu vou buscar suas roupas.
Máscara desviou o olhar do corpo do garoto e como este demorava a pegar a camisa, jogou o tecido em sua direção para que ele se cobrisse, mesmo que parcialmente, e parasse de tentá-lo. Não havia atentado para o fato de que Shun trouxera as roupas consigo, mas que no calor do momento as deixara cair de suas mãos.
O italiano deu as costas para o oriental e saiu na intenção de buscar todas as coisas de Shun que ficaram na suíte e as transferir para o quarto de hóspedes. A partir daquele dia, Shun não dormiria mais ao lado do italiano, pois se isso acontecesse, era certo: Máscara não conseguiria manter sua promessa.
O japonês viu o moreno sair pouco depois de ter jogado a própria camisa em cima da sua cabeça, dizendo para se vestir. Os olhos verdes piscaram várias vezes. Era isso que pretendia fazer com as roupas que tinha deixado cair no chão! Pegou-as e quando deu por si o italiano já tinha voltado com outros pertences seus.
Er... Seus pertences? Só estava ali com a roupa do corpo e uns documentos que tinha em mãos, tais como identidade e passaporte. E alguns papéis do visto para entrar na Itália. No entanto, Giovanni trazia outras coisas consigo que não se lembrava de ter trazido.
Máscara pegara os documentos, os poucos objetos pessoais que Shun trouxera consigo do Japão e as roupas que Misty havia confeccionado. Enfim, tudo que estava guardado no armário referente a Shun foi reunido e levado para o quarto de hóspedes. Ao juntar os pertences, um objeto antigo, uma relíquia da época de infância a qual Máscara não conseguia se desapegar de jeito algum acabou sendo adicionado ao bolo por engano.
Shun colocou as roupas em cima da cama, pegando os documentos.
– Tudo isso é meu? – perguntou, olhando para os outros objetos que o mafioso tinha em mãos.
Aquilo era... Um caranguejo de borracha daquelas que se usam na banheira?
Shun reparou que o rosto de Giovanni estava vermelho. Ele parecia de certa forma envergonhado. As roupas confeccionadas por Misty foram deixadas em cima da cama rapidamente e nisso o caranguejo acabou caindo no chão.
O japonês o pegou com as mãos. Dava para perceber que tinha sido feito há bastante tempo, mas o colorido ainda estava lá. Um ‘laranja mecânica’ cobrindo a carapaça dele e dois olhinhos azuis. Tocou suas pinças. Ele parecia com Giovanni. As mãos dele poderiam machucar com a força delas. Acabou rindo com esse pensamento.
– É seu? — não conseguiu evitar a curiosidade, embora parecesse óbvio gostaria de ouvir da boca dele.
– Er... Isso... Non deveria estar aqui!
O italiano estava extremamente constrangido e violentamente corado pelo outro ter visto o brinquedinho que costumava acompanhar seus banhos de tina, na época em que era apenas mais um bambino remelento qualquer de uma comunidade rural da Sicília.
Não podia sequer disfarçar e dizer que o caranguejo era de alguma criança, pois obviamente nenhum infante frequentava aquela casa. O rosto do italiano estava tão vermelho que parecia que todo o sangue em seu corpo concentrara-se na face.
– Er... É sim — o oriental ria dele. — O que foi? Nunca guardou nada de sua infância? – resmungou; as mãos passavam nervosamente pelos cabelos negros.
– Acho que ainda tenho muito o quê aprender sobre você... Amigo – o outro disse baixinho, com a expressão mais suave. — Acho que precisamos começar de novo. Eu me chamo Shun. Gosto de chocolate, tocar piano e ler poemas — estendeu o caranguejo para ele, devolvendo-o.
Rapidamente Máscara tirou o brinquedo das mãos do japonês, recuperando um pouco da compostura depois que o pequeno se reapresentou.
– Giovanni Ferrara... — pegou a mão do outro e a levou aos lábios, beijando-a respeitosamente em um cumprimento cheio de elegância — Fã número um da Sophia Loren. Gosto dos clássicos do cinema, de cozinhar, cuidar de flores e fazer vinho. Ah, e de cantar no chuveiro! – concluiu.
Shun ampliou ainda mais o sorriso com o visível desconforto de Giovanni. Não conseguia conter-se, ele ficava kawaii todo coradinho. Era um lado dele que não conhecia, e ficou feliz em ver isso. Mesmo o jeito como ele o cumprimentou, com um beijo na mão, era galanteador. Nem parecia que tinham se desentendido em algum momento desde sua chegada à Roma.
O italiano ainda estava constrangido, mas pelo menos o garoto aparentava estar de melhor humor. O clima estava sensivelmente mais leve entre eles, quiçá agradável. Shun tinha um sorriso divertido no rosto. Então, o tempo pareceu parar para Giovanni que admirava, encantado, a feição iluminada do oriental. De repente, se deu conta de que daria tudo para vê-lo sempre assim: sorrindo.
Mas no instante seguinte aquele momento mágico esvaiu-se e o semblante do oriental tornou-se novamente sombrio e triste.
O sorriso de Shun se desvaneceu por completo ao recordar-se da pergunta do moreno.
Hummm... Se tinha algo guardado de sua infância? Lembrou-se imediatamente de seu colar e levou a mão ao pescoço. Como podia ter se esquecido dele?! Seu colar... Onde estava?!
Abriu a pasta de documentos apressadamente fazendo alguns papeis caírem, mas não se importou. Ao chegar na Itália havia retirado seu colar e o colocado dentro da pasta por ser muito chamativo, evitando guardá-lo dentro da mala por medo que fosse extraviada.
Os papeis caíam um a um e certo desespero começou a tomar conta de si. Tinha que estar ali... Tinha que estar!
Viu um pequeno brilho e puxou um cordão de ouro branco com pingente em forma de estrela. Uma pequena inscrição em inglês sobressaindo-se no metal: Forever Yours. Suspirou aliviado, colocando o colar ao redor do pescoço.
– Esse é o meu bem mais precioso — disse baixinho acariciando as letras com indisfarçável carinho.
O mafioso impressionou-se com o desespero que acometeu o oriental enquanto este não achava o cordão com pingente de pentagrama.
– Foi ele quem te deu? — não deveria ter perguntado aquilo; voltar ao assunto pelo qual discutiram recentemente era estupidez, mas não resistiu indagar se a jóia era presente de Ranmaru.
– Ele? -perguntou sem entender a princípio a quem o moreno se referia. — Fala de Ranmaru? — viu um menear de cabeça do outro e corou. — Não... Na verdade... Fui eu quem deu pra ele — abaixou a cabeça.
Era uma confissão de confiança e amor que tinha por Ranmaru. Ele havia achado bobo e muito gay na época. No entanto, sorriu e aceitou o presente antes de beijá-lo com ternura, dizendo que seu coração também lhe pertencia em troca.
Máscara da Morte já esperava uma resposta ruim para aquela pergunta, mas aquilo era ainda pior. Fora Shun quem dera o presente, não o contrário. E... O que estava inscrito ali mesmo? Estreitou o olhar tentando ler; tinha vergonha de perguntar. Estava se intrometendo em um assunto deveras pessoal. E não estava gostando nada de como aquilo mexia com o seu humor.
Acabou se inclinando um pouco em sua tentativa frustrada de leitura, o que não passou despercebido aos olhinhos puxados de Shun.
– O que está olhando? – perguntou, fechando o roupão de banho que até então deixava parte do corpo à mostra e, consequentemente, escondendo ainda mais o colar.
O italiano afastou-se assim que percebeu o incômodo do garoto com a aproximação repentina. Provavelmente achara que Máscara estava com olhares libidinosos para cima dele.
– Io só... Estava tentando ver o que está escrito.
Shun corou mais ainda. Levantou o pingente acima da altura da cabeça, que estava baixa, mostrando a inscrição para o italiano. Ah... Estava com muita vergonha! Teria sido melhor não ter contado esse segredinho para ele.
A poucos centímetros da vista do italiano, o texto no pingente agora podia ser lido e seu significado interpretado.
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Nota: Mini-dicionário
*Heterocromia = quando os olhos são de cores diferentes um do outro. Exemplo: o olho esquerdo é azul e o direito é castanho
Doushite = Por que?
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