Notas iniciais
Eis que a fanfic volta como uma fênix depois da quarta-feira de cinzas XD Capítulo curtinho, mas gostosinho (oi?) Mais um capítulo de fofurices, acho. Mas não se enganem, é apenas uma marolinha antes do tsunami 8D (autora está tão doida quanto o Shun/Hades). Esse capítulo eu revisei/editei sozinha, simplesmente porque eu mandei o texto pra nossa beta com essa parte faltando 8DDDDD (se mata) Então, erros bizonhos podem ser encontrados. Avisem se tiver algo estranho pra eu consertar. Obrigada meus anjos. (Daftookami)

Apreciando a vista do jardim, Máscara da Morte aos poucos foi se acalmando. Tomou o último gole de vinho que havia na garrafa, então viu o oriental caminhando pelo jardim. Naquele momento não saberia mais dizer se era Shun ou Hades.

Com uma habilidade que surpreendeu o italiano, o garoto escalou a árvore frondosa que beirava nas cercanias do jardim. Máscara pensou a ir até ele, o corpo de Shun ainda deveria estar dolorido, não era bom fazer peripécias ainda, o sangramento poderia voltar. "É só uma árvore Giovanni..."– voltou a recostar-se na cadeira, mas ficou inquieto. O bambino não descia de lá! E se fora Hades quem subira e...

Shun poderia ter voltado e se achado pendurado que nem um macaco na macieira!

Não teve jeito. Preocupado, foi até o menino.

A mente do italiano começava a doer, e não era por causa do vinho. Havia se enfiado numa cilada sem precedentes e não sabia como resolver a questão. Deveria mandá-lo embora, imediatamente. Deveria... Mas não tinha coragem de fazer.

Não tinha a vontade.

"Esse bambino precisa de um tratamento psiquiátrico"– então lembrou que Shun tinha pânico de médicos. "Merda! O que io fiz para merecer isso?!" — pensou consigo mesmo, ignorando todas as mortes, subornos, chantagens e demais crimes que levava nas costas. Não se achava merecedor de tamanha punição.

Chegou ao pé da árvore e mirou-lhe o alto, tentando ver a figura oriental por entre os galhos e folhas.

Já começava a esfriar.

– Desça daí... Seja lá quem for — seus olhos passeavam atentos, ainda tentando achar o oriental. — Vai acabar ficando doente nessa friagem.

O olhar de Hades permanecia perdido entre as estrelas. Apenas se deu conta da aproximação do canceriano quando este falou consigo. Seu olhar se voltou para baixo.

Inclinou o corpo para frente apoiando o rosto nas mãos. O pingente em seu pescoço deslizou suavemente balançando perto do galho frondoso. Deu um pequeno sorriso com as pernas, uma de cada lado, se equilibrando ali em cima. Giovanni se importava com algo tão banal... E ainda assim...

Suspirou um pouco divertido.

– Segure-me, Gianni! — avisou antes de virar o corpo para o lado e cair de costas e em queda livre nos braços do moreno.

Máscara não teve tempo de pensar, escutou a voz vindo do alto e logo depois o farfalhar das folhas que se agitavam com o vulto que surgia entre elas. Se seus reflexos não fossem tão rápidos, se seus braços não fossem tão fortes, Giovanni não teria conseguido aparar o corpo em queda livre.

– Está maluco bambino?! — gritou, confundindo as duas personalidades.

Já não o preocupava quem tinha nos braços, mas sim a integridade daquele corpo perfeito.

Che testa! Nunca mais faça isso! E se eu não tivesse te segurado? — as mãos grandes se fechavam com força ao redor dos braços e pernas do menor, apertava-o contra si como se isso fosse impedi-lo de fazer outra estupidez.

Hades abriu os olhos que estavam cerrados. Os braços do italiano ao seu redor o seguravam com firmeza, quase de uma forma protetora. Relaxou o próprio corpo ao ouvi-lo ralhar consigo. Nem de longe podia ser considerado um "bambino" como ele dizia. Fazia muito tempo que não era tratado dessa forma. Sorriu sinceramente e passou os braços em volta do pescoço dele antes de dar-lhe um beijo casto na bochecha.

Arigatou.– disse baixo, perto do ouvido do italiano. — Agora deixe-me pegar meus sapatos. Ou você prefere fazer isso e me carregar até a mansão? — seu humor tinha melhorado consideravelmente.

Quem sabe...

É... Passar um tempo com o italiano poderia ser divertido.

Enquanto o oriental parecia se divertir Máscara permanecia embasbacado. O garoto era muito mais maluco do que imaginara! Até a segunda personalidade de Shun tinha mudanças de humor.

– Cadê essa merda de sapato?

Giovanni olhou ao redor e viu o par próximo à árvore. Resmungou qualquer coisa em italiano e se abaixou para pegá-los, ainda com o oriental no colo. Voltou para dentro de casa com o garoto em seus braços mesmo; este parecia ter acalmado seus impulsos psicóticos por hora.

Fez todo o percurso em silêncio. Máscara mantinha a cara fechada, ainda irritado com a situação em que se encontrava. Mas a irritação era aos poucos substituída por uma sensação gostosa de calor.

"Como o corpo dele é quente..."– pensou, surpreendentemente, sem qualquer malícia. "Espera, está quente demais".

O belo rosto de traços nipônicos estava levemente corado. Pelo pouco que conhecera de Hades, o italiano rapidamente descartou a possibilidade de ser um simples rubor de timidez.

Assim que adentrou a sala colocou o jovem sobre o sofá e começou a tocar sua testa e pescoço com o dorso da mão.

Io disse que ia ficar doente naquela friagem!

O menor ardia em febre.

– Nani?– piscou os olhos.

Doente? No jardim não tinha se incomodado com o frio. Ao contrário. Hades sentia-se levemente desconfortável dentro da mansão. Estava quente ali. Os olhos de repente pesavam contra sua vontade querendo se fechar.

Acabou vendo sua imagem refletida num espelho da sala de jantar. Nunca tinha se acostumado a ser mimado daquela forma, e ser carregado pelos cantos como uma princesa menos ainda. Até que reparou em seu rosto. Estava rubro. Oh, até que Shunny ficava kawaii assim, mas, certamente, não ele, Hades.

Sentiu as mãos do canceriano tocarem sua testa e pescoço sem avisar, checando sua temperatura corporal. “Ah, ele não tem medo de mim”. E sem entender o motivo isso trouxe um certo alívio em seu peito. Segurou a mão dele na sua, abaixando-a até seus joelhos com gentileza.

– Apenas preciso dormir. Não é nada demais.

Levantou-se do sofá e sua visão oscilou por um momento. Ah Shun... Por que tinha que ser tão vulnerável ás bebidas alcoólicas?

– Em qual dos dois corredores devo seguir pra chegar ao meu quarto? – perguntou o oriental, olhando para frente onde apenas um único caminho se via para a parte superior da mansão.

O mais velho observava seus movimentos com preocupação. A temperatura do oriental estava tão elevada que, mesmo sem um termômetro, Máscara sabia que ela alcançara em um grau perigoso.

Io te levo... — pegou novamente o garoto no colo, pois este não tinha condições de chegar ao quarto por si só.

Inconscientemente, acabou por levá-lo para a suíte principal, e não para o cômodo de hóspedes que deveria ocupar a partir de agora. Colocou o rapaz sobre a cama gentilmente e foi até o banheiro procurar algo que pudesse ajudar a baixar a febre.

Pegou algumas toalhas de rosto e as molhou na água fria. Dobrou uma delas e colocou sobre a testa do japonês. Precisava refrescar o corpo do mais novo para a temperatura ceder, e isso não seria possível se ele continuasse todo vestido, então, sem pensar duas vezes, o italiano começou a livrá-lo das peças de roupa.

Hades nem tivera tempo de retrucar, pois o italiano o pegara no colo, levando-o pelo corredor. De toda forma, não achava que teria condições de se guiar sozinho até o quarto, embora jamais admitisse isso em voz alta. Chegaram rapidamente ao quarto, e mais rapidamente ainda os dedos do italiano começaram a retirar suas roupas.

Mas o que?!

– Oi... O que pensa que está fazendo? — perguntou serio olhando meio enviesado para o moreno.

Na verdade achava que estava fazendo cara de drogado, pois sua cabeça começava a latejar de dor também. Ele já queria partir pro ato sexual em si, sem uns beijinhos? Pra onde tinha ido o romance?

Hentai!– reclamou indignado afastando as mãos do outro de si.

– Fique quieto, estou tentando te ajudar — disse enquanto retirava a camisa do outro que tentava retrucar, mas não tinha condições de afastar o italiano. O tapinha que ele dera nas mãos de Máscara sequer fez cócegas. — Io tenho que baixar sua febre. E se você se preocupa tanto com Shun como diz, irá deixar eu fazer isso — então pegou as outras toalhas e colocou sob seus braços, resfriando, assim, as partes do corpo que eram mais quentes.

Giovanni não sabia nada de medicina, mas aprendera uma coisa ou outra com sua nona que, na época de infância, era quem sempre cuidava dele quando caia de cama ardendo em febre, tossindo e cheio de coriza.

“Sim, Shun...” Hades não queria prejudicá-lo. Olhou mais uma vez para o rosto do italiano que permanecia concentrado em sua tarefa. Aparentemente não havia nenhuma intenção maliciosa da parte dele.

Humm... Interessante. Nesse caso...

Respirou fundo e deitou na cama com os braços para o alto. Se queria se recuperar dessa febre deveria repousar. Ficou calado deixando as mãos do italiano percorrerem seu corpo com indiferença. Os olhos verdes voltados para as persianas que tremulavam suavemente com a brisa noturna.

Seria uma longa noite.

Máscara livrou o garoto da blusa e das calças, deixando-o apenas com a cueca. O menor parecia cooperar agora. O italiano torcia para que aquilo funcionasse rapidamente, se a febre não baixasse teria que chamar um médico.

Deixou o mais novo repousando e foi buscar termômetro e antitérmico. Na volta trouxe também um copo d’água para ajudar o comprimido a descer pela garganta do doente e indicou que ele o tomasse. Teria que esperar alguns minutos até que o medicamento fizesse efeito.

Sentado ao lado do oriental, foi inevitável correr os olhos pelo corpo seminu. Antes que seus pensamentos tomassem um rumo indesejado, Máscara deu-lhe as costas. Acomodado na beirada da cama, fixou os olhos no relógio sobre a mesinha de cabeceira, contando, impaciente, os minutos.

Até que ele era cuidadoso...” — pensou enquanto os dedos do outro tocavam com certa suavidade sua pele. Não podia dizer que aquele contato o incomodava.

Olhou para o comprimido e o copo de água. Segurou-os um em cada mão, mas não fez nenhum outro movimento. Não queria tomar aquilo... Não devia.

Mesmo de costas o italiano pôde perceber que o garoto estava relutante em engolir o comprimido.

– Não vai ficar bom se não tomar o remédio — falou um tanto rude. Era só o que lhe faltava, aguentar birra para tomar remédio! — Prefere que eu te jogue na banheira? Porque sem o antitérmico, só um banho de água gelada para baixar sua temperatura — alertou.

A gentileza de Máscara tinha limites, faria exatamente aquilo se não tivesse alternativa.

Hades sabia que o remédio ajudaria Shun e, por consequência, a si mesmo. Porém, não conseguia se livrar daquele episódio...

Giovanni não era... "Eles".

Franziu o cenho ao escutar a outra sugestão do italiano; era o que precisava para esmagar o comprimido que foi colocado em suas mãos, fazendo o pó cair em cima da cama.

Bebeu todo o líquido no copo e se levantou. Não gostava de ameaças e tampouco que lhe subjugassem por meio da força. Colocou o copo vazio em cima da cabeceira da cama e se levantou, sentindo uma leve tontura.

– Se me jogar novamente naquela banheira à força... Eu te mato — disse sem um pingo de emoção, mas com um olhar de gentileza ímpar transparecendo nos olhos aquamarines.

A paciência do italiano, por sua vez, estava no limite.

– Então vou ligar para o médico, pois além do remédio e do banho frio io non sei o que fazer para baixar essa merda de febre! — berrou e ameaçou pegar o celular.

O mafioso esperava que o medo que Shun tinha de médicos fosse compartilhado por Hades, e fizesse com que este aceitasse uma das alternativas anteriores. Se não fosse o caso, então largaria a bomba na mão Camus. O doutor que se virasse para cuidar daquela peste!

– Se trouxer um médico pra cá não garanto que ele saia com vida – Hades avisou de antemão, andando pelo quarto apenas de cueca e mantendo certa distância do outro. — Você já fez mais do que suficiente — levou uma das mãos aos olhos, esfregando-os, a vista estava um pouco embaçada.

"Não o machuque"

O que? Não, Shun não conseguia por vontade própria comunicar-se com Hades. Isso só acontecia porque era assim que ele queria. E não, não ia tomar nenhum comprimido. Não porque não quisesse. Simplesmente não conseguia, oras!

– Eu vou tomar banho... Sozinho – essa era a única coisa lógica a fazer pra diminuir sua febre, e assim o faria. Retirou a cueca na frente do outro sem qualquer constrangimento, deixando-a no chão do quarto, e foi para o toalete.

A suposição do italiano se mostrara parcialmente correta: Hades também não gostava de médicos, porém, não tinha medo deles. E o mafioso não duvidou por um segundo que ele mataria qualquer pessoa que visse entrar de jaleco. Máscara sabia reconhecer um assassino quando estava frente a um.

Hades era o oposto de Shun: agressivo, destemido, arrogante, malicioso e... Totalmente desinibido!

Va bene, tome o banho sozinho, mas deixe a porta aberta — indicou o italiano. — Eu preciso checar se você não vai desmaiar na banheira e se afogar.

Hades sequer perdeu tempo em respondeu o canceriano. Apenas entrou no toalete e abriu a água da banheira, enchendo-a. Molhou suas mãos dentro dela acocorando-se ao lado dela. Estava um gelo! Não queria entrar ali, mas precisava. Suspirou e adentrou a banheira, sentando-se ali. Abraçou os joelhos tentando controlar a respiração. Sentia calafrios.

No quarto, o mafioso observava-o à distância. Ficou um tanto surpreso por ele estar suportando a água fria sem reclamar. Alguns minutos passaram; o suficiente para que o tratamento caseiro tivesse o efeito desejado.

– Você já pode sair – disse Giovanni, estendendo-lhe um tecido felpudo.

O japonês olhou para o roupão sem mencionar uma palavra. Fechou os olhos momentaneamente. Criando forças pra se levantar. Seu corpo tremia por inteiro e não confiava em sua boca pra dizer algo sem gaguejar.

Levantou-se devagar depois de mergulhar a cabeça na banheira, fazendo a água correr por seu corpo. Esticou a mão para pegar o roupão, mas encontrou o vento. A visão por um momento ficou turva. Droga! Era impressão sua ou seu corpo estava leve demais?

Quando o garoto tateou o ar Máscara o segurou pelos braços antes que se desequilibrasse. Estava visivelmente tonto, mas seu corpo já não estava mais quente.

Enrolou o roupão no menino, que tremia em seus braços, e o ajudou a sair da banheira. Apoiando o menor pelos braços, Máscara o levou de volta à cama. Permaneceu em silêncio até ver o menino seguro sobre o colchão macio. Hades era tinhoso, iria retrucar qualquer comentário que fizesse, então decidiu ir tomando as medidas necessárias para a melhora do oriental sem aviso prévio.

Pegou o termômetro sobre a mesinha e colocou sob o braço do adoentado.

– Vou pegar sua roupa, não tire o termômetro até eu voltar – dito isso foi ao quarto de hóspedes para buscar um pijama leve.

O italiano voltou com o pijama e outra cartela de remédio. Entregou a roupa e o comprimido, insistindo na necessidade do medicamento para que a febre não voltasse.

Mas Hades ainda estava sendo resistente.

Não ia conseguir tomar isso. Será que já não tinha sido claro o suficiente?!

Balançou novamente a cabeça, vestindo lentamente as roupas. Não ligava se o outro estava olhando para o seu corpo, desde que não se aproveitasse da situação para tentar alguma coisa consigo.

– Não — disse baixinho.

Seus movimentos estavam mais lentos que o normal. Puxou com dificuldade uma calça de algodão do pijama, então desistiu de colocar a camisa. Enfiou a cabeça no travesseiro, sem mesmo ter enxugado os cabelos. Queria dormir. Precisava disso e de um pouco de calor.

Puxava as cobertas até o pescoço procurando se aquecer.

– Qual o seu problema com remédio afinal? – suspirou o mafioso. — É um comprimido tão pequeno, nem gosto tem — falou em tom calmo, já não estava irritado, apenas esgotado.

Giovanni sentou-se na poltrona no canto do quarto, mirando o mais novo que se enrolava nas cobertas. Tentava encontrar alguma alternativa para aquilo. Talvez se o remédio fosse líquido o oriental se dispusesse a tomar.

"Por que está agindo como uma babá?” – indagava a si mesmo.

Deveria deixar esse moleque doente.

Não é problema seu. Está sendo estúpido!" – o italiano se reprimia mentalmente por estar dando atenção a uma pessoa que, segundo ele, não merecia sua gentileza.

O corpo forte deixou-se afundar na poltrona e a cabeça pendeu para trás.

"Estou perdido" – concluiu.

Notas finais
Ainda bem que você betou essa parte porque nem eu tava me lembrando dela, Layla. A fic tá tão grande e nem está na metade, né? :"D Obrigada por acompanharem a fic, minna! o/ (Virgo no Áries fazendo aparição súbita pra mostrar que está viva) rs