Notas iniciais
Perdão pela demora gente! Eu passei num concurso e vou fazer 1 ano de um treinamento muuuuito puxado e intenso. Mudei-me para outra cidade e estou procurando moradia, conciliando várias coisas e blá, blá, blá. Está sendo uma experiência muito interessante e desafiadora, mas não sei como vou fazer para conciliar com as rps e fanfics. Assim, se ocorrer alguns atrasos vocês sabem que não é por corpo mole, rs... Mas os próximos capítulos estão escritos e betados, então vocês não precisam se preocupar com por enquanto XD Esse capítulo é curtinho, mas precisou ser assim pra manter a boa estrutura dos caps. Os próximos serão maiores. Obrigada gente. Boa leitura. (Daftookami)

Remexeu-se por debaixo das cobertas, inquieto. Por mais que quisesse não conseguia dormir. O motivo? Estava acostumado a ficar em vigília e, por mais que fosse exaustivo, nunca conseguia relaxar totalmente. Encurvou-se em posição fetal na cama e estreitou os olhos. Escutou o italiano dizer algo, mas não prestou atenção. A única coisa que sentia naquele momento era...

– Frio... — sussurrou baixinho, encolhendo-se mais em seu próprio abraço.

Por um tempo, o italiano ficou perdido nos próprios pensamentos. Resolveu ligar para Camus para tirar algumas dúvidas e talvez achar alguma alternativa de remédio. Já estava se levantando para ir até a sala, para fazer a ligação sem que o outro percebesse, quando viu o oriental se contorcer na cama. Ele parecia incomodado, talvez até com dor. Aproximou-se, sentando em sua beirada e tocando novamente na testa do adoentado com o dorso da mão. O oriental continuava com a pele fresca, o que significava que a febre não havia voltado; logo, era outra coisa a perturbar o japonês.

– O que foi bambino? Está sentindo alguma coisa? Está com dor? – perguntou preocupado.

Vendo-o fragilizado daquela forma, acaba por esquecer com quem estava lidando no momento. Não via mais a diferença entre Shun e seu alter ego.

Hades piscou os olhos quando sentiu uma mão tocar sua testa. Os dedos deslizaram por seu cabelo devagar, sem malícia. Fazia quanto tempo que não era tocado dessa forma?

Começou a sentir um calor envolver seu corpo. A sensação de frio diminuía gradualmente.

"Você também precisa disso..." — a voz dizia, distante.

Precisava? De quê?

Não chegou a escutar a resposta. Talvez ainda estivesse sonhando acordado. Levantou a cabeça e a palma da mão do italiano ficou próxima de seus lábios. Não pensou. Apenas agiu, fazendo o que lhe parecia certo: beijou-lhe suavemente o interior da palma. Sim, sentia-se atraído por aquele pequeno, porém, reconfortante, calor que ele lhe dava.

Máscara da Morte foi surpreendido por aquele ato de carinho.

"Shun?" — por um momento pensou que o garoto havia voltado ao seu ‘eu’ normal; aquele gesto não parecia ser algo que Hades faria.

"E o que o faz pensar que Shun o beijaria dessa forma depois do que fez com ele?"

Agora era o italiano que parecia ter dupla personalidade; estava num embate mental consigo mesmo. Receoso quanto ao que deveria fazer, apenas permaneceu ao lado do menor, que tocava sua pele com os lábios úmidos e macios, fazendo todos os pelos do corpo italiano se arrepiarem.

Máscara havia prometido nunca mais tocar em Shun... Mas não tinha dito nada sobre não tocar em Hades. Assim, fez uma pequena carícia com o polegar no rosto do oriental, mantendo a palma da mão em contato com a pele macia. Aos poucos, o japonês ia se aquietando e seu corpo parava de tremer.

Instintivamente, o italiano curvou-se levemente, aproximando-se do mais novo. Sua mente era um grande borrão, não pensava mais, apenas agia. Melhor: reagia. Inclinava-se, atraído por um campo magnético que o puxava em direção à boca do oriental. Foi impossível resistir! Os narizes se roçaram levemente e os lábios se encontraram num toque suave e gentil, mas nem por isso menos sensual.

Hades sentia uma carícia, um toque singelo, mas que o aquietava e o aquecia...E... Ficaria só nisso. Sorriu por entre o beijo cálido, antes de morder suavemente o lábio inferior de Giovanni.

– Está quebrando a promessa que fez ao Shun, Gianni — passou os dedos nos lábios do moreno. Estava cansado demais pra discutir. — Tire a camisa e durma comigo se quiser. E eu disse DORMIR — deu uma pequena lambida nos lábios entreabertos do outro. Os olhos verdes fixos nos azuis-safira. — Acha que consegue? – perguntou, com a voz meio rouca, dando-lhe espaço para se deitar na cama. Os cabelos úmidos espalhados pelo travesseiro emoldurando o rosto alvo.

"Filho da..." – o mafioso inspirou fundo para se acalmar; não que estivesse nervoso, talvez irritado consigo mesmo por se permitir um momento de fraqueza como aquele.

Sim, fraqueza. Pois deveria estar cuidando do oriental e se mantendo a uma "distância segura" daquela criatura sedutora, estivesse ele em sua versão boa ou a má.

O garoto, por sua vez, parecia ter ficado curado de uma hora para outra; malícia e ironia escorregando de sua boca como veneno. Um doce veneno.

– Você não é o Shun — retrucou baixinho, por puro orgulho. — Minha promessa continua intacta.

O italiano sabia que aquilo era a mais pura falácia, pois Shun e Hades eram a mesma pessoa. Mas não iria dar o braço a torcer e, de alguma forma, pensar assim fazia com que se sentisse melhor.

Máscara também não era um animal selvagem, movido basicamente por instintos. Podia muito bem se controlar perto do garoto, que dera espaço para que ele se deitasse ao seu lado. Espera... Hades estava mesmo sugerindo que dormisse com ele?! E que história era aquela de tirar a camisa?

– Se eu consigo me controlar? – sorriu de canto, quase divertido. — É você que não para de me lamber... – afastou-se ligeiramente e cobriu o menor com o lençol, que havia escorregado pelo seu corpo. – É melhor não. Não quero correr o risco de dormir com você e acordar com o Shun. Ele vai ter um ataque se despertar dividindo a cama comigo.

– Parece que Shun tinha razão... – Hades fechou os olhos, se enrolando mais nas cobertas. — Ele não vai acordar, mesmo que queira. Ele está mentalmente exausto demais pra despertar. Vai demorar um pouco mais pra isso ocorrer... — bocejou. — Já disse que gosto da sua língua, não? — disse divertido.

– Sim, já disse. Mas isso não é novidade. Minha língua sempre agrada.

Pelo jeito, teria que aguentar a companhia de Hades por tempo indeterminado. Acabou se dando por vencido e levantou-se, indo em direção ao armário pegar algo mais confortável para dormir. E se Hades não tinha inibição, ele muito menos.

Giovanni tratou de tirar a roupa, ficando apenas de cueca. Um comentário, porém, o deixara intrigado:

– Sobre o que Shun tinha razão? – perguntou, enquanto vestia uma calça de moletom que serviria como pijama.

Hades escondeu um sorriso levantando o cobertor até a altura da boca. Seus olhos certamente gostavam da paisagem que via da cama. O italiano tinha um traseiro... Gostoso.

Piscou os olhos.

– Hi-mit-su – disse, soletrando cada sílaba bem devagar. Sabia que ele não entenderia nada. No entanto, não conseguia conter-se diante dos olhares que ele lhe dava. Ele sabia entretê-lo e nem se apercebia disso.

O garoto estava zombando do italiano. Não precisava saber japonês para perceber isso, estava estampado na carinha marota que o outro fazia.

Então, Máscara fez com Hades algo que nunca fizera com Shun:

– Goo-gle trans-la-tor– soletrou, porcamente, em inglês.

O italiano pegou o smartphone que estava sobre a mesinha de cabeceira e digitou a palavra japonesa:

– Segredo – leu a palavra traduzida e soltou um resmungo.

Pensava que ia descobrir algum termo bem sacana ou pornográfico, mas no final não era nada demais.

O garoto deu uma sonora gargalhada, vendo a cara de pastel que o italiano fazia. Sim, ele era muito divertido.

– Venha logo pra cama, Gianni. — deu um tapinha do lado do colchão. — Eu realmente quero descansar um pouco.

O mafioso resmungou qualquer coisa em italiano e voltou a deitar-se na cama, mas virou-se de lado, dando as costas para o oriental.

– Não sei qual é a graça... — falou, com a cara emburrada. Não estava acostumado a ser zombado. Somente sua avó e Shina tinham coragem de fazer graça com sua cara.

– Se quer dormir, então durma. Não estou te impedindo –Hades esticou o braço e desligou o interruptor instalado próximo à cabeceira, apagando as luzes. Apenas o delicado brilho da lua, que adentrava pela janela, impedia a escuridão total.

– Com raiva? Não fique... -assoprou as palavras, enquanto um dedo percorria lentamente a nuca do mais velho, descendo pela espinha dorsal até o bumbum. Observava o torso trabalhado, admirando as linhas dos músculos salientes sob a pele dourada pelo sol.

Um arrepio gostoso percorreu a espinha do italiano conforme o dedo fino deslizava por sua pele.

– O que pensa que está fazendo? — agarrou o pulso do oriental antes que aquele dedinho curioso descesse por outras partes do seu corpo. — Pensei que quisesse dormir — torceu o pescoço, fitando o outro por sobre o ombro; os olhos azuis procurando os verdes em meio à penumbra.

Hades fez uma cara de piedade.

– Eu não posso. Não... devo — olhou para sua mão, que era firmemente agarrada. — Meu toque te incomoda?

– Não exatamente... — soltou o pulso do oriental e virou-se na cama, ficando de frente para o mesmo. – Mas vai ser difícil pegar no sono com você me tocando assim — os lábios se curvaram em um meio sorriso e o italiano completou com a voz rouca e densa: — Não fique me provocando bambino. As coisas podem sair do seu controle.

– Garanto que não iria se arrepender se deixasse o controle em minhas mãos – sua voz era baixa, calma.

Giovanni deixou um riso baixo escapar por entre os lábios.

– Durma bambino – falou sussurrante, a voz macia e acolhedora — Talvez você sonhe com isso.

Ambos estavam deitados de frente um para o outro e apenas alguns palmos de distância os separavam. Hades sorriu e deu um beijo no peito do canceriano, do lado esquerdo, onde o coração dele batia.

– Oyasuminasai– disse, cobrindo-se mais com o cobertor.

O mais velho aconchegou o japonês em seus braços quando esse se aproximou para beijar-lhe o peito.

Que tipo de mensagem ele queria passar com aquele gesto?

Pensando nos momentos intensos que vivera ao lado do garoto nesses poucos dias de convivência, Máscara não sabia se via traços de Shun em Hades ou traços de Hades em Shun. A única coisa que poderia afirmar era que tudo em Hades era em excesso, desde sua agressividade até sua... Ternura?

Por mais estranho fosse, a segunda personalidade do oriental tinha uma maneira muito intensa de demonstrar carinho, como fora provado pelo seu último gesto antes de dormir.

“Como vocês conseguiram se apaixonar tão rápido... Bambinos?”

Com o braço envolvendo a cintura do garoto, o mafioso ficou acordado por mais algum tempo, apenas admirando o semblante tranquilo do japonês. As respirações se misturavam. O ar quente acariciava os rostos numa sensação gostosa e aconchegante.

Há quanto tempo Giovanni não se sentia tão bem, tão leve, tão... Feliz?

Deveria estar ficando louco.

E, louco, caiu no sono, pedindo aos céus que nunca mais recuperasse a sanidade.

Notas finais
E aí? Gostaram? Estavam com saudades desses lindos? XD Eu estava, rs. Bjsssssssssssssss Aêeeee!!! Mais um capítulo no ar!!!! E vc passou num concurso, Layla!!!!!!!! Parabéns!! Boa sorte na nova fase que se inicia na sua vida! Estão gostando da fic, minna?! Aguardamos vcs nos próximos capítulos! ;) Bjosss, Virgo no Aries