Um Presente Inesperado
6 Intimidade
Notas iniciais
Shun podia sentir a respiração quente do outro sobre sua pele [...] Suas mãos encontraram o peitoral forte e definido [...] Empurrou os braços pra frente, tentando afastá-lo. O contato com ele era como a eletricidade: Repentina e de alta voltagem.
– E eu não estou me oferecendo!
O italiano olhou para as mãos pousadas em seu peito e deu sorriso malicioso.
– Mas eu estou me oferecendo — pousou as próprias mãos sobre a do mais novo, fazendo com que este deslizasse os dedos pelo peitoral e abdômen. — Pode pegar à vontade... — e continuou a inclinar o corpo para frente, acuando o garoto contra o encosto do sofá.
O rosto já estava muito próximo ao de Shun e ele não disfarçava sua intenção de beijá-lo.
– Eh????? – ele estava se oferecendo?! Pra quê?!
As mãos do italiano sobrepuseram as do japonês e o mesmo pode sentir, sob seus dedos, os músculos trabalhados.
– Mas eu não quero pegar! — acabou fechando as mãos no peito forte na altura dos mamilos cobertos, dando um aperto generoso ali. Olhou para as próprias mãos e as abriu novamente, levantando o rosto.
Foi aí que seus lábios roçaram levemente os do italiano.
Seus olhos verdes se cruzaram com os azuis e seu corpo congelou. As respirações se mesclavam.
– G-gomen... — disse baixinho, temendo a reação do outro.
O mais velho observava que as palavras do japonês não condiziam com suas ações. Se o garoto já o estava apalpando daquela forma enquanto afirmava não querer "pegar"... Imagina se quisesse!
O roçar de lábios atiçou ainda mais os instintos do italiano. Rapidamente a distância que ainda havia entre eles foi extinta e o mais velho tomou a boca do japonês. Um beijo quente, lascivo e sensual, mas também calmo e terno, que assinalava toda a experiência de Máscara da Morte na arte da sedução.
Shun estava sendo beijado por Máscara da Morte. E ele não conseguia processar essa informação. Não com aquele beijo avassalador que tomava sua boca e brincava com sua língua. Tentava se afastar, mas isso parecia ser um combustível para o italiano, que dominava seus lábios com ânsia. Acabou deitando-se no sofá, com o moreno por cima, entre suas pernas. Isso não estava certo.
– Não... Hum...
Abriu a boca pra protestar, mas isso só o fez ofegar mais ainda entre o beijo.
– P-por favor... Pare — pediu, virando o rosto.
Um fio de saliva deslizava pelo queixo e os lábios estavam rubros pela intensidade do beijo. As melenas castanhas escondiam suas esmeraldas confusas.
Macia, quente e gostosa. Assim era boca do japonês, que se mostrava cada vez mais convidativa à língua ávida do italiano.
Máscara da Morte não previu que aquele beijo fosse lhe provocar tanta euforia. Shun era uma delícia; tinha um gosto doce e delicado, além de um perfume inebriante, que agora parecia ainda mais presente devido o calor dos corpos.
Uma vez que provara daquele néctar, o mafioso iria consumi-lo até o fim.
Deixou o peso do corpo cair sobre o mais novo, deitando-se sobre ele, e as mãos fortes percorreram a figura esguia do japonês.
Ficou ainda mais atiçado quando escutou o que parecia um gemido ser emitido por entre o beijo. E quando Shun virou o rosto, fugindo de seus lábios, não pensou duas vezes antes de atacar o pescoço que se oferecia a ele. Passou a língua quente e úmida pela extensão de pele, provocando arrepios com suas carícias lentas e sensuais. Sugou e mordiscou aquela região, se deliciando com o gosto do outro, querendo cada vez mais.
O garoto abriu a boca quando a língua quente percorreu seu pescoço. Os olhos se arregalaram com aquela sensação. Um calor se espalhava por seu corpo rapidamente e se acumulava em seu baixo-ventre. Essa carícia minava suas forças. Sua garganta ficou seca. Era... Humm... Bom! Muito bom.
– Ahh!! – Shun tapou a boca com as duas mãos, assustado com sua própria voz. — Isso... Isso não devia estar acontecendo!
O corpo do canceriano se esfregava no seu, com vontade. A pélvis dele encontrando-se com a sua em movimentos quase eróticos. Desse jeito ele ia perceber que...
Sentiu um pulsar em seu baixo-ventre e corou absurdamente.
Não! Não ia servir como uma puta particular pra ele!
Shun afastou-o de si, apoiando as mãos no ombros largos. A traição de seu irmão vindo à mente.
– Pare! — pediu mais uma vez, apertando a camisa dele com as mãos trêmulas. — Você pode brincar com meu corpo, mas meu coração — apoiou a testa no peito do italiano e colocou palma de sua mão no centro do peito musculoso, onde podia sentir as batidas desenfreadas do coração dele em resposta — Não sabe jogar esse jogo — foi sincero em suas palavras, encolhendo-se dentro do abraço dele.
– Ma che? — surpreendeu-se.
Estava entretido beijando o japonês, e pela resposta que o corpo do outro lhe dava, o outro também estava gostando muito daquelas carícias. Então, por que, de súbito, aquela rejeição? E de onde o garoto tirara forças para empurrar um homem do porte de Máscara da Morte? Força que se esvaiu quase imediatamente, pois o garoto se encolhera todo e agora parecia frágil e acuado novamente.
– Io non sou criança... — sussurrou o mafioso, a voz rouca e densa — Para ficar brincando – então circulou a cintura do garoto com um braço, puxando-o para seu colo.
– Per che está tão abalado? — tocou o queixo do japonês com gentileza e ergueu seu rosto fazendo com que os orbes esmeraldinos o encarassem. — Não quer mais que eu te toque? — perguntou com o rosto muito próximo do outro; a ponta do nariz arrebitado do oriental encostando no seu. — Io paro... — estreitou o abraço, fazendo o corpo do outro roçar no seu.
Shun não podia esconder o que acontecia em seu baixo ventre.
– Se quiser, io não encosto mais um dedo em você... nunca mais. – prometeu, sincero; Máscara nunca voltava atrás com sua palavra. — Basta você dizer que não me quer.
Os braços do italiano o circundavam mais e mais. E nesse círculo fechado suas reações se intensificavam. Sentado no colo do canceriano podia sentir entre suas nádegas a virilidade desperta de Máscara. Instigando o seu corpo. Acomodando-se perfeitamente entre suas pernas.
As mãos grandes deslizando por suas costas, repousando suavemente sobre sua cintura. Sua mente queria uma coisa e seu coração mandava fazer outra.
Shun esfregou sua bochecha na do italiano, escondendo seu rosto no pescoço dele como se fosse um gato. Tinha vergonha e medo do que sentia.
– E-eu não sei o que eu quero.
Deveria rejeitá-lo. Ir embora dali. No entanto, seu corpo queria mais daquele calor. Aquela harmonia aconchegante que tinha no abraço do homem mais temido da Itália.
– Ma io sei... — sussurrou em seu ouvido, deslizando as mãos pelas coxas do garoto e as apertando de leve. — Não precisa ter vergonha... Nem medo — passou os braços pela cintura de Shun, segurando-o firme e levantou do sofá com ele no colo. — Agora io vou te levar pro meu quarto... — falou sussurrante — E você não vai se arrepender.
Máscara caminhou até a suíte, com o japonês nos braços para então depositá-lo gentilmente sobre a cama. Acariciou o rosto do mais novo, retirando algumas mechas castanhas que o encobriam e tomou os lábios de Shun mais uma vez.
O oriental passou as mãos pelo pescoço do italiano para não perder o equilíbrio e deixou-se ser carregado. Sentia-se uma criança perto dele. A diferença física entre seus corpos também não ajudava a diminuir essa sensação.
Apertou suas pernas na cintura do canceriano com a testa apoiada no ombro do outro. O calor de seus corpos, naquele abraço, embalava seu coração, que batia rápido no peito, em expectativa.
Foi colocado gentilmente entre as cobertas e sua boca foi tomada em um beijo cálido e sensual. Apoiou as duas mãos no rosto do canceriano, observando os olhos azuis que que brilhavam com luxúria e... algo que não sabia decifrar.
Sentiu sua boca ser devorada mais uma vez. Fechou os olhos e se perdeu naquele mar de sensações.
Finalmente Shun deixou-se levar, aceitando a investida.O garoto parecia especialmente frágil naquela situação; talvez ainda se sentisse acuado.
Será que sua passividade era de medo?
Não.
Se fosse medo, Shun não estaria correspondendo ao beijo. E o japonês deixava a língua dançar no ritmo imposto por Máscara da Morte. Um beijo quente e terno, uma prévia do que estava por vir.
Então, o italiano deixou a boca rubra para distribuir beijos pelo belo rosto. Mordiscou a ponta do queixo e depois o lóbulo de uma orelha. A língua desceu pelo pescoço cheiroso, deixando um rastro de saliva e fazendo todos os pelos do japonês se eriçar. As mãos correram o corpo do mais novo e alcançaram os primeiros botões de sua blusa. Cada pedaço de pele revelado era atacado pela boca do italiano que se deliciava com o gosto inigualável de Shun.
Ainda assustado, o garoto sentia-se sendo consumido pela língua do canceriano e por sua boca faminta.
Não queria...
Sentiu sua pele ser mordiscada suavemente no pescoço.
Queria... Não! Não queria...
As mãos deles desabotoaram sua camisa e os dedos alcançaram seus mamilos.
Oh... Sim! Queria!
E nesse querer ou não, suas mãos foram até os cabelos negros, acariciando-os e, puxando -os suavemente.Arfava com as carícias. Se sua mente tinha dúvidas, seu corpo tinha uma certeza. Necessitava de mais.
– Ahh... — mordeu o lábio inferior, sentindo seu membro pulsar mais uma vez dentro da calça.
O gemido do garoto soara extremamente sexy aos ouvidos do italiano. Seu desejo aumentava cada vez mais e sentia que o sentimento era recíproco.
O italiano abocanhou um dos mamilos, lambendo a região com movimentos circulares. Fez o mesmo com o outro mamilo, sugando-o e o deixando-o rígido e eriçado. Desceu os beijos pelo tronco do jovem, beijando cada centímetro de pele, mordiscando a carne tenra, deliciando-se com o sabor do outro.
Máscara chegou ao cós da calça e ergueu a cabeça para fitar o rosto do japonês. Abriu o botão e o zíper da peça que escondia a ereção do mais novo. O italiano deslizou o tecido pelas pernas alvas, deixando o oriental apenas com a roupa íntima.
Ainda com os densos olhos azuis cravados nas duas esmeraldas, Máscara passou a língua por toda a extensão do membro ainda coberto pela cueca. Distribuiu beijos e chupões por sobre o tecido, observando atentamente as reações do mais novo a cada carícia que lhe dispensava.
Shun gemia baixinho. Levou a mão até a boca, mordendo os dedos, tentando se conter.
Abriu os olhos, espiando o que o canceriano fazia a seu corpo. Ele o tocava com maestria, com a habilidade de quem sabe extrair a mais bela das melodias de um violino. Viu-o descer suas calças e sentiu a respiração ficar presa na garganta, quando ele chegou até sua cueca. Por sobre o tecido de sua roupa íntima, as carícias continuavam. E seu membro correspondia.
Tentou esconder sua ereção com as mãos.
Como é que podia ficar daquele jeito com tão pouco?
Seu rosto não conseguia esconder o embaraço.
O mafioso, por sua vez, estava maravilhado com as reações do garoto. O japonês se contorcia e tentava se esconder, embora estivesse cada vez mais exposto a si. Uma timidez encantadora que só conseguia deixá-lo ainda mais excitado.
Rodeou a barra do tecido com os dedos, pronto para tirar a cueca que o oriental vestia quando este tampou as partes íntimas com as mãos.
– Não precisa ficar com vergonha bambino.Você é lindo! — disse com a voz rouca e sensual.
As mãos fortes percorreram as pernas macias, apertando de leve as coxas. Pensou que o garoto estivesse constrangido por seu corpo, afinal, Shun deixara escapar, enquanto cuidavam do jardim, que gostaria de ter um corpo mais másculo.
"Que bobagem..."– pensou Máscara — "Esse é corpo mais perfeito que eu já toquei".
Mas, talvez sua insegurança tivesse outra fonte.
– Você já fez isso antes? — perguntou, por pura curiosidade. A resposta não mudaria em nada suas intenções.
A vergonha que Shun sentia não poderia ser controlada a seu bel-prazer. Se isso pudesse ser feito, certamente não estaria corando a cada toque mais ousado do outro pelo seu corpo, descobrindo áreas sensíveis ou estremecendo com aquela língua atrevida que provava o sabor de sua pele.
Ergueu a coluna, rapidamente, repousando os cotovelos na cama quando o canceriano perguntou se havia feito isso antes. Ficou tão atordoado com a pergunta e a ousadia de Máscara que a única frase que saiu de sua boca em tom incrédulo foi...
– O-o quê?
Máscara riu. Não poderia fazer outra coisa frente àquele "o quê?" a não ser rir. Um riso sacana e malicioso que deixava o italiano ainda mais sexy.
– Isso... — respondeu, arrancando a cueca do garoto em um único movimento. Lambeu os lábios quando viu a ereção do jovem livre do tecido que a cobria. Nada mal para um japonês.
– Ainda preciso explicar ou você já entendeu o que eu perguntei? — disse, ajoelhado em frente ao garoto, que se encolhia nos lençóis, rubro de vergonha. Então, começou a se livras das próprias roupas, terminando de retirar a blusa já semi-aberta e abrindo o cinto e o zíper da calça. Seus movimentos eram lentos, mas de forma alguma hesitantes. Ainda esperava por uma resposta de Shun. Agora fazia questão de saber.
A voz do garoto ficou presa na garganta, ao sentir a cueca ser retirada de seu corpo num único movimento. O atrito do tecido descobrindo a ereção desperta fez sua respiração ficar em suspenso por alguns segundos.
O coração, por sua vez, parecia responder ao ritmo de um rufar de tambores. Profundo e intenso. Sequer teve tempo de retrucar, pois Máscara já retirava sua camisa e descia o zíper da calça.
Agarrou o lençol, por instinto cobrindo sua ereção, e se arrastou até a cabeceira da cama. Estreitou os olhos ao vislumbrar o dorso nu do italiano e desviou o olhar. Apertou o lençol com excessiva força, como se quisesse manter o controle de si mesmo ou mesmo da situação.
– Hai — respondeu baixinho, em seu idioma natal. Não via graça na risada dele.
– Io non entendi o que você falou.
O italiano retirou as calças, ficando apenas com a boxe preta no corpo. Resolveu não tirar tudo de uma vez, pois o garoto parecia um pouco assustado. Foi engatinhando felinamente pela cama até chegar ao japonês, acuado na cabeceira da cama.
Sem muito sucesso, Shun tentava cobrir o corpo com os lençóis; sua pele quase tão alva quanto o tecido que o cobria parcialmente.
Máscara o segurou pelo tornozelo, acariciando a pele macia e subindo com beijos molhados por toda a perna exposta.
– Eu vou ser mais claro... — chegara até a coxa, onde sugou e mordiscou de leve a parte interna. — Alguém já te tocou assim antes...? — fitava o jovem com o canto dos olhos, enquanto sua boca se aproximava cada vez mais de sua virilha. — Alguém já te tocou aqui? — passou a língua sobre aquela parte quente e febril, enquanto suas mãos escorregavam para trás do corpo do garoto, tocando e apertando a carne firme do bumbum.
Por Deus! Aquele homem sabia como despertar o desejo em Shun, mesmo que não devesse se sentir desse jeito e tão pouco aceitar o prazer que ele queria lhe dar. De alguma forma, sentia-se como um verdadeiro prostituto. Isso não era muito diferente do que o tal Afrodite fazia. Exceto pelo fato que o rapaz seria pago; enquanto ele, Shun, não tinha coragem de cobrar pelo serviço sexual.
Isso não era fazer justamente o que seu irmão queria ao ser mandado para a Itália?
Um calor começou a se espalhar entre suas pernas. Estava tão perdido em pensamentos que não percebeu o avanço de Máscara sobre si. Ele estava sendo gentil e isso o confundia. Minava totalmente sua resistência. Os olhos de ambos se encontraram no exato momento em que Máscara iniciava a felação. Mordeu o lábio inferior. Era bom... Muito bom!
– Sim...
Esticou a mão passando os dedos nos cabelos do italiano. Estava nervoso. Não sabia se fugia ou aceitava o prazer que ele lhe dava.
– Agora és tu quem me entorpece os sentidos — foi sincero quanto à sua confusão. Seria só uma noite, afinal, iria embora em breve. Devia ficar feliz com isso. Era o que queria desde o começo.
Agora não sabia mais.
Máscara estreitou os olhos ao escutar a confissão do japonês. Por algum motivo não esperava por aquela resposta. Lembrou que Shun havia citado um nome, enquanto conversavam na sala.
Ranmaru... Será que esse rapaz o havia tocado de forma tão íntima? E se fosse o caso, até onde será que eles foram?
O italiano não deveria se chatear por uma bobagem como aquela. Não era um homem particularmente ciumento, muito menos com alguém que não era nada para ele. Mas a ideia de que alguém já havia maculado aquele corpo antes dele o desagradou.
Sua reação foi engolir o falo do oriental por inteiro, sugando-o com intensidade e habilidade, como se para espantar qualquer lembrança que Shun pudesse ter de seu amante anterior.
Os cabelos negros e arrepiados roçavam na barriga de Shun, na medida em que a cabeça do italiano subia e descia sobre seu ventre. A saliva escoria abundante pelo membro cada vez mais rijo. A língua indecente brincava com a ponta do pênis, provocando-o de formas diversas.
O garoto dera um grito de surpresa e êxtase quando seu pênis foi engolfado pela boca ansiosa e quente do outro. Jogou a cabeça pra trás, enquanto suas mãos alvas apertavam os cabelos negros. As lágrimas se acumulavam em seus olhos. Quase podia escutar seu próprio coração. Não entendia o motivo da reação tão brusca do outro. Seus quadris não conseguiram se manter imunes a essa....
– Ahhhhh!!!!! — gemeu seu prazer em voz alta.
Àquela felação deliciosa.
Máscara puxou o japonês pelo quadril e o virou de lado. Suas carícias mudaram de foco, e o italiano passou a distribuir beijos pelo bumbum, costas e ombro, até que a boca colou no ouvido do garoto e o corpo se encaixou atrás de si.
Os gemidos de Shun denunciavam seu crescente prazer.
O garoto abriu mais as pernas permitindo um maior acesso ao seu corpo, e quando deu por si já estava virado de lado. Beijos e carícias íntimas, sem pudor, subiam por sua coluna, causando-lhe arrepios de expectativa. O corpo maior abraçou o seu pelas costas.
Shun não via o que o mais velho fazia, mas escutou um barulho que reconheceu ser o de uma gaveta sendo aberta. Máscara procurava por algo guardado na gaveta do criado-mudo, ao lado da cama.
Iriam mesmo... Ficou tenso por um segundo, até que vislumbrou a movimentação ao seu redor. Espiou pelo ombro, vendo o italiano mexer no criado mudo.
– O que procuras? — recriminou-se, vendo que sua voz estava rouca. Rouca de... Um surpreendente desejo pelo homem que estava ao seu lado na cama.
“Que corpo...Que reações...Que voz!” – pensava o italiano. Tudo que Shun fazia era puro erotismo, mesmo que não o fizesse de propósito. O garoto não parecia ter ideia de quão sexy era.
"Tão entregue..."– essa era a palavra correta para definir o garoto na cama. Totalmente entregue ao prazer que sentia, ao contrário da forma que agia em outras situações, nas quais assumia uma postura arisca e relutante, quiçá esnobe. Mas ali, se contorcendo entre seus braços, tremendo com seus toques, agarrando-se aos lençóis, Shun se tornara doce e submisso.
O italiano preferiu acreditar que a mudança se devia a suas próprias habilidades eróticas, e não que essa fosse a reação habitual do oriental frente a qualquer amante.
"Io non sou qualquer amante" — concluiu o mafioso.
Foi custoso se afastar do corpo jovem e febril, mesmo que por alguns segundos, mesmo que por alguns centímetros... E pelo jeito, a ansiedade pelo que estava por vir era recíproca, pois assim que o italiano esticou a mão para procurar o lubrificante, na gaveta da mesinha, Shun resmungou a pergunta que não escondia o tom de protesto.
Estava o japonês tão excitado que esperava ser tomado sem nenhum tipo de... Facilitador?
Um sorriso sacana bailou nos lábios do italiano.
– Io sou grande bambino e você... É pequeno — sussurrou no ouvido do mais novo, já com o tubo de lubrificante em mãos.
Distribuiu o produto pelo membro rijo, mas se controlou para não entrar no garoto de uma só vez. Antes que o fizesse, lambuzou os dedos com a substância viscosa e começou a acariciar a entrada rosada que já piscava, pedindo por mais.
– Calma, bambino... — sussurrou, alternando a voz rouca e grossa com beijos e mordidas pelo pescoço do oriental — Uma coisa de cada vez... — e começou a penetrá-lo com os dígitos.
Shun corou absurdamente quando ele disse...
Ele disse mesmo aquilo?! Ele era grande?!
Espera... Ele disse que era pequeno?!
O oriental olhou para o meio das minhas pernas, vendo seu falo ereto. Seu pênis não era tão pequeno assim! E quanto mais pensava nisso mais rubro ficava.
Um roçar do membro do canceriano, cutucando suas nádegas fez com que Shun se remexesse, inquieto.
O braço do mais velho circundou sua cintura, mantendo-o quieto, e Shun sentiu algo gelado tocar sua entrada, fazendo-o contrair. Isso era... o lubrificante?
O garoto virou a cabeça mais uma vez e os seus lábios se encontraram brevemente com os de Máscara. O tempo parou quando seus olhos se encontraram. As respirações se encontravam.
Máscara...
Iria... transar com um homem de quem sequer sabia o nome verdadeiro?
– Teu nome... Diz-me o teu nome — pediu baixinho.
Os dedos do italiano entravam e saiam lentamente, abrindo caminho pela passagem estreita que logo iria recebê-lo. Não queria machucá-lo. Na verdade, Máscara sempre fora um amante gentil, mesmo quando certa rudeza lhe era exigida. Ainda assim, estava sendo mais cuidadoso com o japonês do que lhe era de costume.
O garoto parecia tão miúdo e frágil em seus braços que tinha a impressão de que poderia quebrá-lo ao meio se fosse com muita sede ao pote. Coisa de sua cabeça, pois o garoto tinha um bom porte, atlético até; sem contar que pareceu deixar claro que não era a primeira vez que fazia aquilo.
Mas não estava sendo movido pela lógica, e sim por um desejo alucinante que brotara subitamente, embora seu germe já estivesse presente nos contatos anteriores.
Imerso nos sabores que sua boca provava, no inebriante aroma que o outro exalava e no toque que queimava a pele, Shun lhe perguntara algo íntimo demais:
– Meu nome?
Os olhos verdes o encaravam ansiosos por uma resposta sincera e o italiano entendeu o motivo da indagação. Porém, o mafioso não revelava o nome para qualquer um por motivos óbvios de segurança.
Revelar tal informação para o garoto que logo estaria de volta ao Japão... De volta para o irmão, o líder da máfia rival, seria uma imbecilidade. Mas, como mentir? Iria tomá-lo a força?
Havia chegado a um ponto de onde era impossível retornar.
Um silêncio sepulcral se estabeleceu entre eles, apenas as respirações descompassadas ressoavam pelo quarto.
"Ah... Que se foda!"– Máscara retirou os dedos do oriental e o virou novamente na cama, dessa vez mantendo-o com as costas coladas no colchão. Posicionou-se no meio de suas pernas, o falo roçando na entrada lubrificada. Segurou os pulsos de Shun contra a cama e o encarou mais uma vez, os olhos escurecidos pela luxúria:
– Giovanni.
E assim tomou seus lábios e seu corpo.
continua...
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