Um Portal Que Me Leve Até Você
2 Capítulo 1: Veneno sabor de menta
Notas iniciais
Eu estava sentada no chão num canto qualquer da sala, com uma garrafa de tequila em uma mão e um cigarro quase na metade na outra e varias bitucas ao meu redor. Já passava das 6:30 da tarde e não tinha nenhuma única luz acessa no apartamento, tudo estava nas trevas e a pouca luz que entrava pela janela entreaberta só era suficiente para que pudesse se ver o contorno da mobília e o meu próprio.
Estava vestida do mesmo jeito que havia acordado de manhã, calcinha e blusa de alcinha fina. Era domingo e não tinha treino, não tinha trabalho, não tinha amigos e nem a menor vontade de sair, então apenas escovei meus dentes pela manhã e passei o resto do dia comendo besteira, fumando e bebendo. Eu odiava o domingo, e como já tinha escutado por ai, esse dia era a ruína da minha existência.
Na minha secretaria eletrônica tinha umas 20 mensagens: 2 do meu chefe, 1 do Rick, 1 do Gail e 14 da Regina. Não atendi a nenhuma ligação, queria que pensassem que não tinha ficado em casa, que tinha saído para me divertir com os amigos que disse que ainda tinha. Mas algo me dizia que aquela ruiva metida à esperta não acreditava nisso e não tinha desistido de ouvir minha voz pelo telefone, sem falar que o pressentimento de que ela apareceria por aqui mais cedo ou mais tarde era forte. Com esse pensamento decidi me dar um jeito.
Meio cambaleante levantei do meu canto tropeçando pelo escuro e batendo nas coisas ate o interruptor, tateando pela parede o achei e acendi a luz. Tirando o lugar em que estava nas ultimas 3 horas, o resto da casa estava impecável, nada estava fora do lugar e não tinha nem uma poeirinha sobre a mobília. Tudo tinha que estar mais que perfeito para quando meu irmão voltasse, pois um dia ele estaria de volta naquele apartamento e dirigir o porche vermelho que estava lá na garagem.
Para conseguir ir para a área de serviço tive que ir me apoiando pela parede e quando cheguei lá peguei vassoura, pá e um saco de lixo e então fiz meu regresso para a sala. Praticamente de quatro livrei o chão das bitucas de cigarro e amarrei a boca do saco. Não sei bem como, mas guardei a coisas, joguei o lixo fora e quando dei por mim tava no banheiro. Sem nem sequer me despir fui ate o Box abrindo o chuveiro no frio e me joguei na água gelada.
Um arfar subiu pelo meu peito e saiu pela boca com certo esforço, estava me matando aos poucos, sabia disso, mas não conseguia evitar pensar que estava sozinha no mundo e isso me levava ao desespero. Sem pai, sem mãe e agora sem irmão, ele era tudo o que tinha e por culpa daquela praga de jaleco eu não o tinha mais. O modo como Regina havia me dado a noticia de seu desaparecimento ainda me assombrava, toda noite acordava chorando e gritando que tudo aquilo era mentira. Pois nos meus sonhos ele tinha morrido, e isso só me deprimia mais. E desde que Dylan se foi nunca fui capaz de entrar no quarto dele desde então.
Meus cabelos que antes eu cuidava com tanto zelo agora era de um loiro opaco e sem vida, cumpridos demais, pois não tinha vontade nem de cortá-los, sendo que a única coisa de diferente que havia feito foi a tatuagem nas costas. Um belo dragão chinês. A água gelada estava fazendo seu trabalho rapidamente, me ensaboei e lavei o cabelo de forma rápida e logo fechei o registro, sai do Box ainda um pouco cambaleante tirando a roupa e jogando no cesto molhada mesmo, cuidaria dela depois.
Vesti o robe que ficava onde deveria ter as toalhas, penteei o cabelo e sai pro corredor, se a Regina realmente fosse vir pra cá ela não poderia me ver nesse estado. Mas antes mesmo de conseguir chegar à cozinha para fazer um café, a campainha tocou e então a lembrança do que tinha feito no dia anterior veio de mansinho da subconsciência ate a consciência e pesou. Fui ate a porta rezando para que fosse a amiga e parceira ruiva do meu irmão, então destranquei a porta a abri e num milésimo de segundo fui agarrada e beijada. Agarrada e beijada por um homem de cabelos loiros escuros, olhos castanhos escuros, uma pele branca, braços fortes e sua boca tinha gosto de menta.
Isso provava que ele tinha saído pra beber e comemorar a liberdade e a barganha que tinha feito com ela, mas mesmo ainda zonza por causa do “porre” consegui me livrar dele e me chocando contra as costas do sofá disse com a voz rouca:
__O que você pensa que tá fazendo, Kirk?????
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