Notas iniciais
Capítulo dedicado a linda da Carol que tanto amo *----* Adorei a recomendação e muito Obrigada !!
Boa leitura !!

‘’Em algum lugar, em toda aquela neve, ela via seu coração partido em dois pedaços’’

~A menina que roubava livros~

Annabeth POV’s

- Você quer dar uma volta? – perguntou Will, que estava deitado no sofá, apoiando sua cabeça em meu colo. Meus amigos já tinham indo embora, na televisão passava um programa qualquer sobre culinária.

- Claro – levantamos, e ele como sendo um sujeito bem educado, ajudou-me a colocar o casaco.

(...)

A noite já havia caído, e junto com ela os floquinhos cristalinos flutuavam no ar fazendo montes de neve se acumular nas calçadas. O vento estava frio, balançando meus cachos de acordo com sua dança. Olhei para Will que mantinha suas mãos no bolso do grosso e grande casaco marrom que vestia, o garoto me encarou e por um momento permiti que nossos olhares se encontrassem, sorrimos.

- Então – comecei – Está gostando de Nova York?

- Ainda não tive tempo de conhecê-la por completo – disse, percebi que quando ele falava, uma névoa saia de sua boca devido ao frio, o que era meio engraçado – Mas pelo que vi, parece ser bem bonita.

Continuamos caminhamos por alguns segundos em silêncio, até ele quebra-lo.

- Annabeth, sem querer me intrometer, mas não pude deixar de ouvir sua conversa com Nico – disse abaixando sua cabeça, observei suas bochechas com um leve tom avermelhado – Falavam do tal Percy né.

Um longo e deprimente suspiro voa de minha boca, lembrar daquela conversa não me fazia bem, mas talvez conversar com Will poderia simplesmente fazer um pouco da dor passar.

- Era, segundo Nico, Percy está... se torturando com lembranças antigas de quando estávamos juntos.

- Você já perguntou como ele se sente? – perguntou enquanto chutava um aglomerado de neve para fora de seu caminho. Passei a encara-lo com a testa franzida.

- Não entendi.

- Se eu tivesse passado pelo o que Percy passou, bom, tudo o que eu queria era que alguém perguntasse como eu me sinto em relação ao ocorrido, não que me falasse ‘’sinto muito’’, ou ‘’tudo vai ficar bem’’, porque não vai.

- Não sei se tenho coragem de encara-lo Will – não sabia se eu iria ter forças o suficiente para fitar aqueles olhos que tanto me fascinavam.

- Annabeth, eu sei que o que houve contigo foi ruim, tipo, muito ruim, mas você tem seu irmão, Frederick, Atena, e seus amigos, enquanto ele...

Will deixou a frase morrer, mas ele não precisava completa-la para saber que Percy não tinha ninguém nesse mundo, sua mãe morreu, seu pai se entregou para o trabalho, tinha poucos amigos, era filho único. Pensar nisso fez meus olhos arderem.

Solace passou o braço pelo meu ombro, deixando-me aconchegar em seu peito, o calor de seu corpo radiava em mim. Eu me sentia a vontade com ele.

- Você ainda o ama? – perguntou de surpresa, fazendo-me demorar alguns instantes para responder. Não sei se eu o amava igual antes, era tudo tão complicado. Várias perguntas sem respostas invadiam minha mente deixando-me frustrada por não saber.

- Cedo demais pra responder – Will assentiu e continuamos andando abraçados.

- E como vai com seu pai? – o loiro pareceu meio inquieto.

- Apolo quer que eu me torne um médico assim como ele, e tomar a direção do hospital.

Eu podia sentir a tristeza em sua voz, Will nunca quis ser médico, pelo contrário, ele sempre dedicou seu tempo à música, o loiro tinha uma voz de anjo e sabia tocar diversos instrumentos.

- E se você conversar com ele, contar que seu sonho é outro – tentei anima-lo, mas Will balançou a cabeça lentamente, como se tivesse se lamentando.

- Meu pai é meio ignorante sabe, só porque meu irmão, Lee, está fazendo medicina fora, ele pensa que também sou obrigado.

O abracei mais forte, sentindo seus músculos se relaxaram. Paramos em frente sua casa, uma mansão de dois andares, com um magnífico jardim na frente e uma bela arquitetura.

- Nos vemos amanhã – disse dando-lhe um beijo na bochecha, Will sorriu, um sorriso tímido e fofo.

- Boa noite baxutinha – rir enquanto sua mãos bagunçavam meu cabelo, ele havia colocado esse apelido em mim, pelo meu tamanho nada alto.

(...)

Me sentei no meio fio em frente a minha casa, e fiquei brincando com a neve que havia caído ali. Sacodi minha cabeça, em uma falha tentativa de tirar os minúsculos flocos de neve que cobriam meus cachos, por fim bufei e uma fumacinha saiu da minha boca, fazendo-me rir.

Olhei para a casa da frente, tudo escuro, nenhuma luz acesa, a calçada coberta de gelo branco. Me perguntei se havia alguém em casa, por um momento a conversa que tive com Will me veio a mente, respirei fundo sentindo o ar frio encontrar meus pulmões, coloquei-me de pé e me obriguei a caminhar até a porta.

Com a mão trêmula toquei a campainha, mas me arrependi logo em seguida, e se ele atendesse o que eu iria falar? Me virei para sair correndo e me jogar debaixo das cobertas quentes do meu quarto, mas uma voz me impediu.

- Annabeth? – ao ouvi-lo meu coração disparou, senti as palmas de minhas mãos suando e as fechei fortemente, sua voz tinha um toque de confusão. Usei o calcanhar para girar meu corpo.

- Oi – disse, minha respiração ficou descompassada ao vê seu estado. Ainda continuava lindo, agora com o cabelo curto e a barba crescendo ao redor do seu rosto, sem permissão meus olhos descem para seu tórax que estava descoberto indo em direção a sua barriga, que continha os gominhos perfeitamente enfileirados, mordi meu lábio inferior e cruzei as mãos atrás do meu corpo.

Ficamos em silêncio, apenas encarando um ao outro, até que ele balança a cabeça, como se estivesse em um tipo de transe.

- Você...você quer entrar? – perguntou abrindo passagem para mim, mas neguei.

- Não, eu só vim ver como você está – por um momento pude perceber a tristeza em seus olhos, olhos esses que não possuíam mais aquele brilho de antes, olhos esses que estavam cobertos por uma névoa fosca.

- Estou bem – disse se apoiando na porta, mas qualquer um via que não estava, talvez por reflexo encosto minha mão em seu rosto, agora áspero por causa da rala barba que crescia. Um sorriso invade sua boca e por um momento seus olhos voltam a serem os de antes, mas quando percebo tal ato retiro a mão e a escondo no bolço do jeans que vestia – Aqui está fora está frio, entra e tomamos um chocolate quente.

Neguei com a cabeça, mas antes que pudesse responder meu celular vibra, era uma mensagem de Bob dizendo para eu ir embora.

- Já vou indo, a gente se vê – e me viro, mas Percy me chama.

- Annabeth – fito novamente seus olhos me convidando para nadar neles, Percy fecha os olhos e então outro sorriso quase rasga seu rosto – Foi bom te vê.

Meus lábios se curvam, fazendo uma meia-lua. Caminho até minha casa, dou um beijo de boa noite em meu irmão e em meu pai, tomo um banho e me enrosco debaixo do edredom. Meus olhos se fecham e durmo sonhando com um par de olhos verdes.

Notas finais
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Beijos
Karol Oliveira