Um Novo Começo
7 Sentimentos Confusos
Notas iniciais
‘’Embora as palavras pareçam firmes, tem algo vazio dentro delas’’
~Linkin Park~
Annabeth POV’s
Deitada na neve, eu observava a escuridão do céu. Floquinhos cristalinos caiam em cima do meu corpo, enquanto o vento açoitava meus cachos. No fim da rua, um poste piscava, avisando que logo tudo que restará naquela área será a completa escuridão.
Há exatamente uma semana, que eu não vejo o Will, desde incidente do beijo. Thalia contou para Silena, que está na Suécia passando as férias com Charles e o pai, então já deram pra perceber o escândalo que ela fez. Entendam, apesar de tudo o que aconteceu ano passado, ela ainda torce para que Percy e eu voltássemos. Lembrei-me da primeira vez que Will e eu nos encontramos.
Já fazia três semanas que eu havia me mudado para a França, minha mãe me recebeu de braços abertos na grande mansão que ela herdara de seu falecido marido. Durante esse período, me dediquei a organizar meu quarto da maneira que deixava-me mais a vontade, o que não foi muito difícil. Atena e eu, nos aproximamos, tendo assim, um relacionamento digno de mãe e filha. Todo dia eu ligava para Frederick e Bob, querendo noticias, mantinha contato também com meus amigos, que eu já estava morrendo de saudades.
Então, em uma manhã ensolarada, aviso minha mãe que vou dar um passeio para conhecer melhor a cidade. Pego um guia turístico e saio perambulando pelas ruas da França. A cidade era linda, tão esplêndida que palavras não são capazes de descrevê-la.
Um péssimo lugar para tentar esquecer Percy, pois era um lugar onde casais apaixonados iam visitar. O Natal se aproximava, então as árvores e as ruas estavam sendo enfeitadas com diferentes tipos de pisca-piscas, dando um ar mais romântico ao ambiente. Já entardecia quando decidi ir ao Museu do Louvre, era um dos meus sonhos visita-lo, um dos mais famosos museus do mundo.
Lá estava eu abobada, diante da pirâmide de vidro que ficava no pátio central. Aquilo era lindo, estava hipnotizada diante de tanta beleza, nem percebi alguém gritando. Quando vi estava deitada no chão, com um garoto em cima de mim. Sentei-me apressada.
– Pardonnez-moi pour ma distraction – disse ele á mim, ainda deitado esfregando o joelho, ergui a sobrancelha não entendendo nada, observei seu rosto que me era familiar, olhos azuis e cabelo loiro. Vi seu skate virado perto da rodinha de pessoas que se aglomerou. Me coloquei de pé, seguida por ele — Ne rien dire?
– Eu. Não. Falo. Sua. Língua – eu falava cada palavra pausadamente movimentando minhas mãos de maneira estranha. O menino solta uma gargalhada, a essa altura todos já haviam se dissipado da rodinha.
– Bem, então presumo que você fale inglês – estreitei os olhos, enquanto ele ria escandalosamente – Sou Will Solace.
Solace? Era, por isso que eu tinha a sensação de conhecê-lo, os mesmos traços do pai. Apolo Solace, o médico que cuidou de Frederick, quando o mesmo deu uma overdose. Sorri apertando sua mão.
– Annabeth Chase.
Nunca pensei que ali surgiria uma grande amizade. Will e eu nos aproximamos, compartilhamos segredos, ríamos e diversas vezes ele deixou com que eu ensopasse sua camisa com minhas lágrimas. Contei-lhe sobre o acordo que Percy tinha com meu irmão, Mattew, contei-lhe sobre o vicio de meu pai, e também contei-lhe sobre o reaparecimento de minha mãe, depois de ouvir minha história toda, seu único comentário foi ‘’Sua vida é estranha’’, rir lembrando disso.
Só tinha certeza de uma coisa, meus sentimentos estavam mais confusos do que nunca.
Percy POV’s
Sentado no chão do meu quarto, observo o escuro. As sombras das árvores dançam na parede, deixando o lugar mais aterrorizante. Encaro as fotos espalhadas pelo cômodo. Penso como a vida pode dar uma volta tão radical assim, eu estava com a felicidade em minhas mãos, mas por uma bobeira ela me escapou.
Rachel e eu nos tornamos amigos, quando eu estava com ela esquecia de todos os problemas e me entregava a diversão, coisa que era rara nesses últimos tempos, mas era só voltar para casa no final da tarde que a dor me atingia novamente em cheio. Às vezes minhas lembranças descansavam, mas sem nunca esquecer o que eu perdi. Era doloroso demais, nem mesmo Rachel ou sua avó podia curar essa dor que teimava em crescer dentro de mim.
Em minhas mãos, vejo uma foto de quando eu era pequeno, minha boca aberta mostrando que faltava dois dentes da frente, observei minha mãe no fundo, no meio de uma gargalhada. Em outra foto, mostrava eu e meu pai, pescando em alto mar, eu tinha na faixa dos onze anos. Poseidon segurava um enorme peixe acima da minha cabeça, ambos estavam com um grande sorriso. Eu sentia falta de quando minha única preocupação era apenas meu brinquedo quebrado.
Passo os olhos pelo quarto escuro, e paro em uma fotografia em cima do criado mudo. Um suspiro infeliz voa de minha boca. Aquela foto me quebrava de todas as formas possíveis, eu retornava ao passado, sentia meu peito se enchendo de tristeza ao perceber o quanto havia perdido. Annabeth descalça na beira do lago, ela fazia uma careta engraçada enquanto seus cabelos balançava com o vento.
Desde que fui para o reformatório, eu não ia ao chalé que minha vó deixou para mim. Mas eu sabia que se fosse aquele lugar, lembranças me viriam, e eu não queria isso. Enquanto estava mergulhado em meus pensamentos, ouço a campainha tocar. De inicio eu estranhei, era um pouco tarde da noite para receber visitas, supondo que Poseidon ainda esteja ‘’trabalhando’’. Peguei uma raquete de jogar tênis dentro do meu guarda-roupa e desci a escada vagarosamente.
Minha mão já se encontrava na maçaneta, girando-a lentamente. Pensei em voltar para o quarto e fingir não ter ninguém, mas algo dentro de mim evitava que isso acontecesse. Por fim, abrir a porta e me surpreendi com o que vi. Um turbilhão de sensações se agitou em meu peito, de repente a noite parecia mais aconchegante, e o frio se fora. Senti meu coração na garganta prestes a pular fora do meu corpo.
– Annabeth?!
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