Um Novo Começo
8 Arrasado
Notas iniciais
‘’É difícil acreditar que não há ninguém por aí.
É difícil acreditar, que estou completamente sozinho.
Ao menos tenho seu amor’’
~Red Hot Chili Peppers~
Annabeth POV’s
— Atrapalho? – pergunto. Percy nega com a cabeça, saindo de uma espécie de transe. Sem permissão meus olhos vagam pelo seu tórax desnudo, e abaixo a cabeça envergonhada. Ouço uma risada fraca e encaro seus olhos verdes.
— Não tem nada aqui que você precise se envergonhar – sinto minhas bochechas queimarem, mas isso não impede de um mínimo sorriso se formar em minha boca – Quer entrar?
Percy se afasta dando espaço para eu passar, hesitante caminho para dentro de sua casa. Meu olhar passa pelo local e vejo que assim como a minha casa, aqui também não mudou quase nada. Percebo os olhos de Percy sobre mim e viro ficando frente á frente com ele.
— Você pensou que fosse alguém com más intenções – sorri fitando o objeto que estava em suas mãos – E pra se defender, trouxe uma raquete de tênis?
O moreno coçou a cabeça, estreitando os olhos.
— Bom, você sabe né... com um golpe certeiro é capaz, sei lá... quem sabe...– comecei a gargalhar do seu nervosismo, e pela primeira vez desde que cheguei vi suas órbitas verdes brilhando.
— Você ainda continua sendo um Cabeça de Alga – disse enquanto bagunçava mais seu cabelo, pude ver um sorrir estampado em seu rosto. Me perguntei a quanto tempo ele não sorria assim.
Percy se jogou no sofá, me sentei ao seu lado cruzando as pernas, igual uma criança, o engraçado era que eu me sentia á vontade perto dele.
— Não quero ser grosso – começou – Mas o que faz aqui á essa hora? Seu pai e Bob sabem?
Fingir estar entretida com um cacho meu.
— Vim vê como você está – respondi – E não, eles não sabem, provavelmente pensam que estou no meu décimo sono agora.
Ficamos algum tempo em um silêncio desconfortável. Tudo que ouvíamos era o estalar do alarme. Até que ele o quebra.
— Por quê? – perguntou, ergui minha sobrancelha em dúvida – Porque você o beijou?
Solto um suspiro infeliz, não conseguia encara-lo, pois sei que se eu fizesse isso, sairia correndo daqui. E a verdade era que eu não sabia o porquê de ter feito aquilo, e pior, eu gostei. Desde daquele dia em que conheci Will, desde do momento em que me abri pra ele, desde do nosso primeiro beijo, eu sabia que sentia algo pelo mesmo, uma atração momentânea? Não, era algo mais forte, como paixão.
— Eu gosto dele – as palavras simplesmente voaram da minha boca sem permissão, como uma conclusão para mim mesma. Levanto meu olhar, e vejo uma lágrima solitária manchando a face de Percy, mas ele a limpou na mesma velocidade em que caiu.
— Espero que vocês sejam felizes, com dois filhos e um cachorro, em uma casa no interior com uma criação de porcos – suas palavras saíram amargas, mas juro, que se não fosse esse o momento, eu caia na gargalhada.
— Me desculpe Percy – pedi tirando a franja que caia em meus olhos – Mas as coisas mudaram nesse período em que passei na França, e o que aconteceu ano passado....
Simplesmente não consegui completar a frase, era coisa demais, e eu ainda tinha pesadelos com o ocorrido. O moreno se levanta, e logo também me coloco de pé.
— Percy, podemos ser amigos – proponho, mas ele me encara, seus olhos marejados, só ai eu percebi minhas próprias lágrimas salgando meu rosto.
— Amigos? – perguntou de uma maneira fria, fazendo-me engolir em seco – Amigos? Por favor, Annabeth, como você acha que eu posso ser amiguinho da garota que amo, ainda mais vendo ela com um branquelo metido a besta.
Paralisei, quer dizer que Percy ainda me amava, quase dou um sorriso, quando sinto ele pegando minha cintura e colando nossos corpos. Senti meu coração prestes a perfurar meu peito de tão rápido que batia.
— Olha nos meus olhos Annabeth e diga que não sente nada por mim mais – eu sentia seu hálito batendo em meu rosto – Fala que seu amor por mim acabou, porque ai sim, eu paro de lutar por você e deixo aquele Will Branquelo ficar contigo.
Droga !! Foi a única palavra que me veio a cabeça, as palavras me traíram assim que encarei aquele verde que tanto me fascinava. Senti minha garganta seca, se não fosse os braços de Percy me segurando, garanto que eu já estava no chão. Percebi um sorriso se formando em seus lábios.
— Eu sabia – sua voz não passou de um sussurro, e assim, ele colou nossas bocas em um beijo repleto de saudade.
Percy POV’s
Palavras não eram encontradas para descrever a felicidade que invadiu meu peito. Depois de meses sonhando com esse momento, é até difícil acreditar que ela está mesmo em meus braços.
Deitei-a no sofá lentamente ainda inebriado com o gosto de sua boca, beijo seu pescoço, enquanto suas delicadas mãos brincam com o meu cabelo. Não pude evitar de sorrir, a falta que senti dela era imensa.
Mexo na barra de sua blusa, e sem pressa começo a subi-la, aproveitando e alisando sua barriga, observo Annabeth suspirar contra meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar. Encontro novamente sua boca, onde nossas línguas disputam uma batalha por espaço.
Mas somos interrompidos quando a porta da minha casa é aberta e a luz da sala é acesa. Annabeth me empurra e caio no chão com a respiração acelerada. Poseidon nos encara com uma sobrancelha erguida, murmura algo que não consigo entender e sobe a escada sem nem olhar pra minha cara.
Abaixo a cabeça dando um longo suspiro. Percebo Annabeth se levantando, e ajeitando o cabelo e a roupa.
— Er.. – pigarrei, suas bochechas estão mais vermelhas que um morango e sorrio me levantando – Eu vou indo.
Ela já está na porta a abrindo, quando pego sua cintura e a viro, prensando-a na parede.
— Percy – sussurra – Para.
Fito-a com a duvida estampada em meu olhar. Vejo seus olhos se enchendo de água.
— Eu não posso – fala – Você me fez sofrer tanto e o aconteceu está sendo tão difícil de esquecer e ainda tem o Will.
Me afasto dela, estreitando meus olhos.
— Você acabou de provar que o que sente por mim ainda não acabou, e ainda vem falando desse Will Branquelo?
Annabeth trincou o maxilar.
— Sinceramente Annabeth, eu não sei o que você quer – minhas palavras saíram mais duras do que imaginei, pois a mesma se encolheu. A loira me encara e o que ela fala a seguir, com certeza faz meu coração se partir mais uma vez.
— Eu quero te esquecer — isso sem a menor dúvida me deixou arrasado.
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