Um Lugar para Nós
2 As Crianças Transformadas
Notas iniciais
“Nasceu hoje uma criança com sérias modificações corporais. Ela tem uma cauda e orelhas de algum animal. Os cientistas japoneses estudaram o DNA e parece que pertence ao Lobo Cinzento, um animal em extinção. Fiquem atentos ao nosso canal, em breve mais noticias sobre essa mudança radical no DNA humano de uma criança.”
Era isso que dizia na televisão. Muitos não assistiam TV, muitos não deram bola e outros ficaram tão chocados que correrão para o hospital levando toda a família para testes de DNA, apenas para ter certeza que não era uma doença infecciosa.
Em um lugar muito longe do Japão alguém tomou uma iniciativa.
-Wesley, precisamos fazer algumas pesquisas... – Anunciou Sr. Grant.
-Senhor, seu filho não foi infectado com isso?
-Não, Elliot é forte. E é isso que eu quero entender, por que algumas crianças não foram afetadas? – Se perguntava o cientista com os dedos em frente à boca.
Apenas alguns anos depois esse fenômeno voltou a acontecer. Não com apenas uma ou duas crianças, mas várias. Em algumas dando até mesmo características inacreditáveis.
Entre tantas crianças, nasceu uma de fios finos e lisos, ruivos, e grandes olhos castanhos. Nela orelhas e cauda de gato.
-Sua filha contém o DNA de um gato selvagem da montanha. Nosso hospital nunca conseguiu estudar uma dessas crianças, estamos implorando que nos permita estudar sua filha.
-Ficou louco? Vocês não vão transformar minha filha numa pesquisa de laboratório! – Gritou o um homem moreno – Vamos embora. – Puxou a mulher com o pequeno embrulho nos rosa nos braços.
A moça olhou para a criança ali dentro, pequenas lágrimas banhavam o rosto, mas nenhum barulho era ouvido.
-Não chore, docinho. Nós não vamos deixar que ninguém lhe faça mal. – Segredou a mãe no ouvido da bebê.
Já na Inglaterra, uma menina de cabelos azuis continha asas e cauda de pássaros.
-Não posso ter uma filha infeccionada, não quero! – Gritou a mãe com o pai da criança. Enquanto o irmão mais velho ouvia a tudo do quarto da bebê.
-Se eles não te amarem, eu amo você, ta bom?
Mesmo sabendo que não teria uma resposta, Sérgio propôs a pequena irmã. Esta dormindo silenciosamente não imaginava seu futuro.
Já uma criança pouco mais velha que estas não demonstrava problema algum, até a hora do banho, já com um ano de idade.
-Banho... Banho... – Repetia a pequena de cabelos verdes.
-Hora do banho, amorzinho!
Mão e filha brincavam na hora do banho, até que assustadoramente a parte inferior da pequena começava a se unir, suas pernas tornando-se uma parte única, seus pés curvados cada um para um lado e uma pele verde lustrosa começando a cobrir.
-Não, você não pode ser uma deles! – A mãe assustada puxou as mãos para a boca, enquanto a criança chorava.
-Querido, acha que é uma boa idéia adotarmos mais um filho?
-Olhe para ele: as orelhas estão em desenvolvimento, o mesmo aconteceu com o nosso filho. Se não adotarmos ele, ninguém o fará! Ninguém quer crianças ou pessoas diferentes por perto, os outros têm medo do que não conhecem, e nós já sabemos como é isso.
-Então seu nome será Dren, Dren Ikisatashi.
A moça segurava a pequena criança em seus braços, colocando um gorro para esconder as orelhas.
Ao chegar em casa a surpresa para o filho de três anos.
-Vocês dois são iguais, são irmãos de qualquer forma.
-Por que ele vai morar com a gente? Cadê os pais dele?
-Ele não teve a mesma sorte, infelizmente os pais dele ficaram com medo de quem ele é. Mas nós não temos, e amaremos vocês dois da mesma forma.
O menino apenas espiava um pouco a criancinha no berço.
-Você vai ter que ser forte, o mundo é difícil para pessoas como nós. – Avisou o pequeno de cabelos roxos.
Os pais que assistiam a cena da porta, se perguntaram como ele podia dizer algo como aquilo com apenas três anos. Essas crianças eram muito mais do que diferentes fisicamente, sua inteligência também era diferenciada.
E aquele casal ainda teria mais um pequeno menininho.
Em outro orfanato, porém, um estranho homem deixava uma criança bonita e recém nascida na porta.
-Ainda nos veremos, é uma promessa. Por hora, apenas desejo que seja feliz.
Embora frio e calculista, amava muito o pequeno. Tocou a campainha e se escondeu.
-Mas você nem é uma criança diferente... Por que alguém o deixaria aqui?
Na manta do bebê, um nome.
-Me perdoe, Mark.
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