Um Insuportável solitário
3 Capítulo 3 - Pensamentos pertubados
Notas iniciais
Minha sexta já tinha começado com problemas, então eu praticamente terminei de me arrumar dentro do carro e quando cheguei a empresa, tinham funcionários discutindo por um mísero lugar na cantina. O que realmente me tirou do sério totalmente, pessoas adultas brigando por uma coisa tão fútil. O que resultou? Demissão? Irritou-me eu demito, tem milhares de pessoas querendo trabalhar, então não me fará falta aqueles que mandei embora, assim eles aprendem a não fazer isso na próxima vez.
Depois desse incidente irritante, Olivia ainda me liga dizendo que esse final de semana sou todo dela e respiro fundo varias vezes antes de mandar ela ir a merda, e caso faça isso ela vem e corta minhas bolas. Então é melhor eu ficar quieto. Lana entra em meu escritório a cada meia hora me passar a agenda que hoje estava sendo muito mudada de ultima hora para meu gosto.
O que está acontecendo com essas pessoas hoje?
E para completar, recebo a ligação de toda a minha família perguntando-me se realmente vou ao almoço no domingo e respondo um “sim, agora preciso desligar” e desligo.
Na hora do almoço desmarco alguns compromissos e pego minha bolsa com minha roupa de malhar e logo me vejo na academia. Está vazia para uma sexta e agradeço por isso, vou para o banheiro e troco de roupa vestindo uma bermuda de correr preta e uma regata da mesma cor, guardo meus óculos de leitura e vou até a menina do balcão e guardo no armário de costume e vou direto para a esteira. Preciso gastar energias já que a minha melhor opção não estão tão ao meu alcance.
– Eu preciso falar com ela! – Grito no portão de Lúcia. – Pelo amor de Deus!
E ninguém me responde. Depois de escancarar, gritar, ameaçar que vou invadir a casa sua mãe abre o portão e meu coração bate um pouco mais aliviado, porém quando vejo seus olhos angustiados meu peito volta a bater dolorosamente.
– Ela não está, querido! – Sussurra com uma voz triste.
– Por favor, me diga que ela está bem! – Peço já chorando pela primeira vez na frente de alguém. – Ela terminou comigo me dando uma desculpa esfarrapada de ter conhecido outra pessoa...
– Querido...
– ... e a senhora mesmo disse varias vezes que acreditava no nosso amor, que eu fazia muito bem a Lúcia. E como assim ela chega e me diz que conheceu outra pessoa? – Controlo o choro e seco meus olhos.
Ficamos alguns segundos em silencio e ela respira fundo e se abraça e me encara.
– Desculpe, querido. – Ela diz com tristeza. – Lúcia não está mesmo! Ela foi morar com os avós dela!
Meu coração para de bater e meus olhos são lançados para cima em sua janela que está fechada e com as cortinas tampando a visão. Mordo meus lábios para não poder chorar ainda mais.
– Ela está escondida no quarto, não é? – Peço. – Ela não quer falar comigo? É isso? Eu não entendo o porquê!
– Querido, ela realmente não está!
– E onde ela está, por favor, me diga! – Imploro. – Eu preciso saber o real motivo dela não querer mais ficar comigo...
– Eu...
Ela para de falar e meu coração dá mais um aperto e não aguento essa dor.
– Não precisa dizer mais nada! – Digo derrotado e olho para os lados criando forças. – Só diga... só diga a ela que sempre vou amá-la!
– Eu digo sim. – ela me lança um sorriso triste e aceno com a cabeça.
Paro de correr e minha respiração está ofegante e todo suado, tiro minha camisa e pego minha garrafinha e bebo quase tudo e vou até o bebedouro para enchê-la. Logo a frente tem a parede de vidro onde o pessoal faz dançar, todos os tipos. E de hoje é salsa, há mais mulheres do que homens.
Uma em especial me chama atenção, ela dança divertidamente e arranca risada dos outros dançarinos. Seus cabelos estão preços em um rabo de cavalo e liso, sua pele morena e perfeita, está vestida em uma calça preta bem colada ao corpo revelando suas lindas pernas modeladas, um tope cinza modelando perfeitamente seus seios e está descalças.
Ela começa a fazer alguns passos estranhos e depois incentiva a todos a fazer uma fileira e todos fazem e saem dançando um atrás do outros e fico perdido no tempo ao presenciar aquela morena até que ela se vira em minha direção e pisco surpreso.
Fátima?
O mundo é pequeno seu idiota! Digo a mim mesmo.
A musica muda e começa uma mais lenta e balanço minha cabeça de leve e volto a fazer meus exercícios, porém meus olhos se negam a deixar a grande parede de vidro onde aquela linda morena dança lindamente. A música muda outra vez e começa a tocar uma do Marron5 e é um pouco sensual, mas agitadinha. E ela começa a dançar sozinha sensualmente e meu parceiro se anima e tento me controlar, mas ao ver seus movimentos majestosos, não resisto.
A maldita ainda solta os cabelos e começa a jogá-los de um lado e para o outro e fazendo caras e bocas e não tem como controlar, meu parceiro está mais do que ativo e louco para uma brincadeira que já não tem há alguns dias. Já respirando com dificuldade, tento me concentrar em meus exercícios e quando não consigo mais, me levanto do aparelho e saio apressado e viro à esquerda e acabo me chocando com alguém indo direto no chão.
– Ai! – Diz a mulher e coloca as mãos na cabeça.
Pisco par de vezes ao encarar a morena a minha frente que minutos antes eu estava secando ao vê-la dançar. Ela massageia a cabeça e em seguida me olha e me perco no seu olhar, porém enrugo a testa quando ela arregala os olhos.
– Acho melhor... hãm...
– Desculpe! – Digo ainda enfeitiçado pelo seu olhar.
– Que isso, não tem problema. – Ela diz com dificuldade. – Só que... hãm... alguém... está animado !
Pisco par de vezes confuso e a encaro mais uma vez e finalmente me toco de que estou excitado e rapidamente me levanto e a puxo para ficar de pé e coloco uma mão na frente do meu parceiro.
– Eu... hãm... D-desculpe! – Gaguejo e me xingo mentalmente e aceno com a cabeça e saio andando direto para o vestiário onde tomo um banho rápido e coloco uma calça jeans e uma blusa de manga preta e meus tênis e coloco tudo dentro da bolsa e saio apresado da academia e Souza me aguarda na porta.
– Bom treino senhor? – Pede ele.
– Péssimo! – Resmungo com raiva. – Vamos buscar Olivia e depois vamos para meu apartamento.
– Sim, senhor! – Ele diz e fecha a porta e entra no carro e em segundos estamos na casa da chata da Olivia.
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