Um Insuportável solitário
12 Capítulo 12 - A esperança é a ultima que morre
Notas iniciais
– Tá linda, mamãe! – Diz Guilherme ao entrar em meu quarto e dou uma rodada para ele ver melhor.
Estou usando um vestido rodado azul marinho e com renda na saia. Ele é simples e de alcinhas e estou de plataforma feita de palha beje. Meus cabelos estão soltos com pequenos cachos que Marina fizera em mim e a maquiagem está leve, porém destacando meus olhos azuis que Kaik tanto admirava.
– É fácil deixar sua mãe bonita, garotão! – Diz Marina atrás de mim com um sorriso enorme.
– Dinda, você é a melhor! – Ele corre em sua direção e se joga em seu colo.
– Você acha que vai deixar seu pai babando pela sua mãe? – Pede ela e arregalo meus olhos para eles.
– Papai vai cair de amores por ela! – Comenta Guilherme que rapidamente fica no chão correndo para fora.
– Você quer parar com isso! – Digo quase rosnando e ela ri para mim e me dá um abraço.
– Pare de ser boba! – Ela beija minha bochecha. – Daria tudo para estar lá e ver a cara de todos, mas hoje a loja tem muita encomenda de fotos, então... se cuide e quando voltar me conte tudo com detalhes!
– Ai... pode deixar! – Digo aflita. – Posso te ligar se acontecer alguma coisa?
– Deve, meu amor. – Ela ri. – Agora estou indo. Te amo!
– Ual! Se eu não fosse casado com Marina, com toda certeza me casaria com você! – Diz meu primo Fabiano.
– Que nojo! – Faço careta e eles riem.
– Vamos, amor? – Pede ele.
– Vamos, vamos! – Ela se aproxima dele e se vira pra mim. – Boa sorte, querida!
– Obrigada. – Digo ao deixar meus ombros caírem.
Eles me deixam sozinha e logo meu Guigui entra no quarto anunciando que Souza, o motorista de Kaik nos aguarda e meu coração bate acelerado.
Será que Kaik também está aqui? Será que ele vai gostar ao me ver indo junto? Será que ele me expulsará da casa de seus pais quando me ver?
Oh! Jesus me ajuda! Ou eu terei um ataque cardíaco agora mesmo.
Quando desço, vejo apenas Souza parado com a porta de trás aberta e respiro aliviada quando vejo que não há ninguém e Guilherme entra em uma conversa sem fim quando finamente estamos em movimento. E em questão de minutos chegamos à casa dos pais de Kaik.
Fico olhando a fachada da casa e nada mudou, continua com a mesa cor e estrutura. Continua a casa charmosa e acolhedora dos Gandra’s.
O portão não há movuca alguma, ou se quer dá pra ouvir algum tipo de barulho, Souza abre a porta pra mim e me ajuda a sair do carro e eu agradeço e meu Guilherme segura firme minha mão e me lança um sorriso me dando forças e sorrio para ele.
– Pronta? – Pede ele com um sorriso lindo.
– Pronto? – Peço e ele acena com a cabeça e entramos.
Viramos para a esquerda onde há um enorme corredor que dá para o enorme quintal atrás e minha cabeça é invadida por lembranças, mas sou interrompida quando meu Guilherme solta minha mão e grita por Kaik que está divinamente lindo vestido em uma blusa social azul clara, calça jeans escura e sapatenis pretos, e seus cabelos arrumados pela primeira vez.
Ele abre um sorriso de coringa e se abaixa para pegar meu menino que corre feito um furacão e em seguida o joga para o ar algumas vezes arrancado gargalhada de nossos filhos e as pessoas que estão ao redor dele dão risadas e depois meu menino é apresentado.
Olho ao redor e vejo que a casa está lotada, os Gandra’s sempre gostaram de se reunir, a verdade é que qualquer coisa é motivo de se reunirem e fazer uma grande festa. E meu Kaik sempre adorou essas coisas, sempre causava tumulto e confusão só ara dar aquela pimentada na festa que fazia com que seu pai perdesse a cabeça e lhe desse alguns cascudos.
Solto uma leve risada ao lembrar de algumas cenas engraçadas que tive o prazer de presenciar quando sinto alguém bater de leve em meu ombro.
– Quem é vivo sempre aparece! – Diz uma voz carinhosa e feminina.
Quando me viro, vejo Isa. Meus lábios se formam em um sorriso enorme e a abraço com força e sou retribuída.
– Oh, meu Deus! – Digo feliz. – Com é bom te ver!
– Fico feliz que tenha vindo! – Ela diz e nos afastamos um pouco. – Guilherme não parava de dizer que você viria!
– O que não faço por meu Guigui?... Oh Meu Deus! E como você está? Fiquei sabendo que casou! – Digo sorrindo.
– Casei, tem dois anos. – Ela dá de ombros. – E você? Como foram esses anos todos? Sentiu minha falta?
– É claro que senti! – Dou um leve tapa em seu ombro. – Você sabe que senti!
– Sei... – Ela faz um bico adorável de menina e rio e a abraço outra vez.
Depois que fiquei sabendo que estava grávida, Isa descobriu na hora e desde então e até o dia de minha partida, ficamos mais próximas e mantemos contato por alguns dias quando eu estive morando com meus avós, mas depois resolvi cortar os laços com qualquer coisa que me relacionasse ao Kaik, mas aqui estou eu!
Na casa de seus pais e com o nosso filho conhecendo toda a família!
Ficamos conversando por alguns minutos e ela logo é chamada por seu padrinho e ela se vai me deixando sozinha e um garçom me serve com um refrigerante e me engasgo quando meus olhos caem sobre aquele lindo e gostoso homem vestido na blusa social azul clara e calça jeans.
Será que ele continua forte e gostoso como antes? Tudo indica que sim.
- Guilherme me disse que estava aqui! – Ele diz ao me olhar nos olhos e me sinto uma intrusa.
– É, eu...
– Fique a vontade! – Ele pega seu celular e em seguida põe o celular no bolso da calça e resmunga alguma coisa. – Vem, quero lhe apresentar uma pessoa muito especial! – Ele diz para Guilherme e eles saem conversando e rindo.
E mais uma vez fico sozinha na festa!
Vou andando e algumas pessoas me param para dizer que eu estava sumida, que estava linda, e que Guilherme tinha meus olhos e tudo mais. Porém quando um par de olhos verdes me encontram, meu corpo logo se congela no meio do salão e aquela mulher dona de cabelos ruivos e ondulado bem tratado vem em minha direção.
– Posso conversar com você em um lugar mais calmo? – Pede Dona Giovana com um sorriso amigável.
Devo ter cuidado? Afinal de contas, eu feri um de seus pontinhos!
– Cla-claro! – Aceno ao gaguejar e tenho vontade de me socar.
Entramos em sua linda cozinha e em seguida vamos a um quarto julgo ser um escritório e ela fecha as portas de correr de madeira.
– Sente-se! – Ela diz e logo senta na cadeira e ela senta a minha frente.
– Olha, eu...
– Não quero ouvir sua explicação, Lúcia. – Ela me corta e me calo. – Não estou aqui para te julgar, até porque uma vez minha mãe me disse que certas coisas erradas nos faz pensar que no momento nos são certas! E penso que você achou que meu filho não seria homem o suficiente em assumir a criança. – Ela respira fundo e cruza as mãos na mesa. – Não foi essa educação que eu e Leonardo demos aos nossos filhos. Eu os acolheria com todo o meu amor, mas não posso deixar de dizer que estou muito , mas muito decepcionada com o que você fez!
– Me desculpa! – Sussurro. – Eu tive medo...
– Eu sei querida! – Ela diz agora mais carinhosa. – Katherine também passou por isso.
– Eu sei. – Dou de ombros. – Ficamos quase a mesma época, esse foi mais um dos motivos de eu partir.
– Escute uma coisa, querida! – Ela dá a volta e arrasta uma cadeira e senta ao meu lado. – Jamais pense que eu ou Leonardo daremos as costas a você e Guilherme. Você sempre pode contar conosco. E a verdade é que eu ainda gosto de você! – Ela me lança um sorriso acolhedor e sorrio prendendo o choro.
Ainda estou no coração da Dona Giovana? Que sorte eu tenho! Agora só falta estar no coração de Kaik, o que não vai ser difícil!
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