Um Insuportável solitário
36 Capítulo 36 - Acertando as coisas
Notas iniciais
– NÓS VAMOS SER PAPAIS! – Kaik grita a todo vapor assim que chegamos à casa de seus pais e todos nos olham.
Seus irmãos, cunhados, sobrinhos e pais nos encaram com cara de espantados.
– Vou ser pai de novo! – Ele abre os braços e sua boca está muito mais que um sorriso de coringa e minha cara é de tédio, pois sinto leves dores ainda.
E ficamos alguns segundos em silencio raciocinando toda a noticia até que a sala entra em um tamanho estouro e gritaria.
O primeiro a cumprimentar meu futuro e ex-marido é Cael, em seguida suas irmãs e depois Leonardo super animado e dona Giovana chorando muito. Cruzo meus braços e reviro meus olhos e em seguida todos vêm me abraçar e me beijar, porém logo o espanto todos, pois as dores aumentam a cada abraço forte.
– Estou doente! – Digo com raiva. – E não, eu não quero ter filhos, eu não quero ser mãe...
– Querida, eu sei que deve estar assustada, mas não estar preparada é comum qua...
– A questão dona Giovana é que eu NÃO QUERO e NÃO ESTOU REPARADA! – Grito desesperada. – Não quero ter filhos, não quero ter família, não quero ter raiz... EU NÃO... QUERO! – Bagunço meus cabelos e todos me olham assustados. – Essa coisa dá muito, muito sangue! – Digo ao me lembrar do parto de Isa, minhas mãos cobertas de sangue.
– Você não quer me dar um irmãozinho? – Pede Guilherme me olhando com seus lindos olhos azuis brilhando. Ele deixa uma lagrima cair e me encara com raiva.
Oh, droga!
– Você não quer me dar um irmãozinho Olivia? – Pede ele citando meu nome e sinto uma pontada em meu coração.
– Olha... Guilherme as coisas são complicadas...
– Desculpa de adultos! – Ele diz prendendo o choro.
– Merda! – Rosno.
– Viu o que vocês fez? – Pede Gabi.
Já mencionei que essa ninfeta me odeia? Então, ela me odeia e hoje, justo hoje não estou afim de ser gofadas por essa bebê gigante.
– Por que você não cala essa boca, sua insuportável? – Peço ao fechar a cara e ela me olha surpresa. – Desde que fui apresentada como a noiva de seu irmão que você me pentelha, fica fazendo essas coisas de criancinha para chamar atenção, me excluindo das conversas, de tudo! Por que você não cresce? Mais que coisa chata! Como pode ter irmãos tão legais, pais maravilhosos e ser uma pessoa tão egoísta? Sério! Vou comprar uma chupeta pra você, para ver se você me esquece um pouco!
– Papai! – Ela choraminga para o Sr. Leonardo e estou pronta pra ser expulsa de casa ao tratar um dos Maldonatos tão mal.
– Quieta Gabriela, você já passou dos limites.
– Oras!
– Eu disse quieta! – Ele diz grosso e todos o olham.
Ela sai andando ao bater o pé e o Sr. Leonardo a chama outra vez.
– Eu não mandei sair, fique aqui ou seu castigo será pior! – Ele diz curto e grosso e ela volta do mesmo jeito que estava indo e cruzou os braços com a cara mais fechada que pode.
– E vocês dois. – Ele aponta para mim e Kaik. – Já para meu escritório. Vamos ter uma conversinha! Isso não é pra se resolver na frente das crianças.
– Criança? – Milena se faz presente. – Tem nenhuma criança aqui não vovô, pode falar a vontade!
– Milena, por que não vai atrás de seu primo e lhe dê sorvete? – Ele sorri para sua neta que acena com a cabeça. – Aposto que ele irá adorar!
– Pode ser o pote todo? – Pede ela piscando par de vezes e fazendo charminho.
Até eu cairia.
– claro, pegue a calda também.
– Hum... vou me esbaldar! – Ela diz como se fosse aprontar e corre para a cozinha e entramos em silencio. — GUILHERME! SORVETE COM CALDA LIBERADOOOOOOO! – Ela grita e corre para fora.
Sério? Ter crianças será assim? A base de chantagens? De trocas? De macetes e...
– Vamos!
Sr. Leonardo vai à frente e em seguida eu vou e Kaik logo atrás de mim e reviro meus olhos e cruzo meus braços, entramos em uma sala bem aconchegante, cheias de livros e uma mesa de madeira velha um pouco grande e uma cadeira de couro marrom escura. Kaik fecha a porta e nos sentamos em um pequeno sofá preto perto dos livros.
– Podem começar! – Pede ele e me recuso a falar.
– Vou ser pai de novo. – Kaik diz com um sorriso estúpido.
Posso já arrancar o sorriso estúpido dele? Ele está me irritando com esse sorriso estúpido!
– Meus parabéns! – Diz o Sr. Leonardo. — E por que esse comportamento Olivia?
– Você quer em ordem alfabética ou numérica? – Peço irônica e Sr. Leonardo fecha a cara.
– Sem ironias Olivia, acredito que todos aqui nesta sala sejam maduros o suficiente para enfrenta a situação.
TOMA!
– Desculpe! – Digo olhando para o chão. –Só estou com a cabeça cheia.
– Entendo. – Começa ele. – Giovana ao descobrir que estava grávida dos meninos também não recebeu de boa forma, porém não como você.
– Mas Sr. Leonardo! – O chamo, na verdade suplico. – Eu não posso ver sangue que logo... sei lá! Já sou traumatizada com essas coisas de sangue, e depois que “fiz” o parto de Isa, fiquei ainda mais louca com essa história. E agora descobri que tenho uma pedra nos meus rins e que estou grávida de um mês e duas semanas. Perdi minha grande oportunidade de trabalhar em Paris, não vejo meus pais há muito tempo e mal falo com eles pelo telefone, sua filha chata pra caramba me pentelha quando tem a oportunidade e agora acabei de magoar o meu filho! – Digo já chorando e vejo a sombra de um sorriso nele e enrugo minha testa. – Por que está sorrindo? – Seco meus olhos. – Algum divertimento...
– Não, não. Nenhum. – Ele nega com a cabeça e cruza as mãos na mesa e me encara. – Apenas feliz que ganharei mais um neto e que você agora é mãe de Guilherme!
– Ata! – Dou de ombros secando meus olhos mais uma vez.
– Sabe que vai ter que conversar com ele...
– É eu sei. – Reviro meus olhos. – Eu só... – Respiro fundo. – Me desculpe por tratar a sua filha daquele jeito! Só estava com a cabeça lotada e ela não teve culpa de nada. Eu não devia ter feito isso.
– Não tem problema, minha Gui fala que eu a mimei muito. E realmente é verdade, pois Isa e Kath estavam crescendo e eu me senti solitário.
Kaik coça a garganta. Nós olhamos para ele que nos olha de volta.
– O que? – Pede ele.
– Como eu ia dizendo, as crianças já estava crescendo e quando Patrique e Gabriela chegaram eu fiquei feliz de mais.
– O senhor parece que ama muito sua família. – Comento.
– E amo, todos eles. – Ele sorri abertamente e olha pra Kaik. – Até esse desnaturado aí que passou alguns longos anos afastado de nós!
– Ah sim, por causa de Lúcia! – Comento e ele me olha de cara fechada.
– Ela não faz mais parte da minha história. – Kaik resmunga.
– Então. – Sr. Leonardo diz chamando nossas atenções. – Você vão sentar e conversar entre si, e você vai conversar com Guilherme antes que ele decida fugir como fazia com Lúcia.
– Fu-fugir? – Gaguejo.
– Mas ele não vai conseguir sair daqui! – Garante-me ele.
Aceno com a cabeça e me levanto deixando os homens para trás e vou direto para a varanda de trás onde encontro uma Milena chorando com o pote de sorvete e a calda na mão.
– O que foi, minha linda?
– Ele não quer o sorvete com calda! Ele não quer tia! – Ela chora.
– Você espera um pouco que vou conversar com ele e te chamo! – Digo ao acariciar seu rosto e ela nega com a cabeça.
– Também não vou mais, ele vai ficar sem sorvete porque vou comer tudo! – Ele agora diz com raiva e sai marchando pra dentro de casa e enrugo minha testa.
– Vai entender! – Cochicho.
Vou andando e procurando o pestinha... digo, meu filho querido e amado, mas não o encontro, porém ouço um barulho de cadeira sendo arrastada vindo do alto e olho para a casa da arvore. Respiro fundo e estalo meus dedos. Hora de subir a escada.
Subo tranquilamente e encontro Guilherme deitado em uma cama improvisada com travesseiros e lençóis. Sua cabeça está tampada por vários travesseiros e seu corpo cobertor por um fino lençol.
– Uma vez encontrei seu pai aqui em cima triste. – Começo baixinho ao me sentar no chão.
– Mais que está aqui sou eu e não meu pai! – Ele diz raivoso.
Essa vai ser difícil.
– Mas você é uma cópia, não tão igual, mas é. – Dou um sorriso ao me lembrar dos dois juntos.
Ficamos em silencio e respiro fundo e decido falar tudo de uma vez.
– Me desculpa! – Digo olhando para o chão. – Eu estou com medo de gerar uma criança. Não sei se você se lembra, eu tenho alguma coisa contra sangue e eu recentemente fiz o parto de sua tia Isadora. – Fecho meus olhos e tento esquecer as imagens. – Não posso ver sangue que logo fico toda branca e a maioria das vezes eu desmaio.
Ele não diz nada e meu coração bate acelerado. Essa criança nunca vai me perdoar?
– Eu não quis dizer aquilo na verdade...
– Então o que quis dizer? – Ele se levanta abruptamente me dando um susto e me encarando.
– Que eu estou com medo na hora do parto. Não quero ver sangue. Tenho medo de não aguentar depois que meu filho nascer, tenho medo de ter um parto complicado e acabar deixando você, seu pai e seu irmão. – Digo ao deixar uma lagrima cair e logo a seco.
Ele me olha por mais alguns minutos e por fim e lança contra mim me dando um abraço apertado.
– Nunca mais diga aquelas coisa, mamãe. Por favor! – Pede ele manhoso e sorrio.
– Eu prometo, nunca mais!
– Agora vamos pra casa que vou cuidar de você e do meu irmãozinho! – Ele diz sorrindo feito um coringa e coloca as mãos em minha barriga.
– E se for uma menina?
– Vai ser menino! – Ele diz convicto. – Mesmo se for menina não pode ser chata como Milena.
– A Milena não é chata!
– É sim, ela sempre quer que as coisas sejam do jeito dela. – Ele diz agora fazendo uma careta linda.
– Meu amor, todas as mulheres querem que sejam do jeito dela!
– Caraca! Então todas elas são chatas! – ele diz entre risos e o acompanho.
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