Um Insuportável solitário
34 Capítulo 34 - Hora inapropiada
Notas iniciais
– Me passa a tinta amarela, Isa, por favor! – Peço a minha grávida preferia que já está no terceiro pedaço de bolo de cenoura com cauda de chocolate.
– Toma! – Ela diz de boca cheia.
Duas semanas se passam e voltei a pintar e isso tem deixado Kaik um pouco descontrolado, raivoso e impaciente com tudo ao seu redor. E pra completar ele está sozinho na empresa de novo, pois o aniversário do filho de Cael está chegando e o mesmo quer estar perto de tudo. Seu pai, o Sr. Leonardo está curtindo o resto das férias em Espanha com Dona Giovana, Gabriela sua irmã mais nova tem passado algumas horas com Kaik e depois passara o resto do dia com sua avó, já Patrique ainda nem deu as cara, mas prometera a Isa que voltaria antes de seu filho nascer.
E nada dele chegar!
– Pronto! – Digo ao acabar de dar alguns pincelados de amarelo no quadro todo azul marinho com rosa.
– Gostei! – Ela diz. – Adoro rosa, azul, amarelo!
– Isa, você adorou todos os quadros que pintei. – Rio e ela também.
– Gosto de cores, muito mesmo. – ela dá de ombro e fica ao meu lado. – Mas esse realmente está muito bonito. Posso ficar com ele?
Droga! Nunca se deve recusar um pedido de uma grávida.
– O que acha de eu pintar um mais bonito ainda pra você colocar no quarto do Eithor?
– Hum... Adoro, adoro! – Ele pula feito pipoca e para bruscamente colocando a mão na barriga e arregalo meus olhos.
Ah, não! Não agora!
– Me diz que ele não quer vir ao mundo agora! – Digo assustada.
Encaramos-nos alguns segundos e ela olha para o chão e sigo seu olhar e há uma pequena poça d’água.
– Santo Cristo Deus amado! – Agarro meus cabelos.
Nunca socorri uma mulher grávida!
– Calma, calma. – Isa repete mais para si mesma. – Não precisamos enlouquecer.
– Ok. – Aceno com a cabeça e já tiro meu avental.
– Calma. Sem enlouquecer... MEU DEUS MEU FILHO VAI NASCER!
Ela grita me dando uma puta de um susto e coloco minhas mãos em meu coração.
– Celular! Dá-me o celular! – Peço e ela aponta para sua bolsa e depois resmunga.
– Está doendo, droga, droga. Isso dói de mais! – Ela diz.
Rapidamente pego uma cadeira para ela que senta e respira fundo.
– Respira fundo que vou chamar quem estiver próximo para levarmos ao hospital. – Digo quase assando mal e ela acena com a cabeça.
Pego seu celular e tento ligar pra seu marido que cai na caixa postal e em seguida para casa de Kath, mas ninguém atende, por ultimo tento Kaik e um garoto com um sotaque Francês atende.
– Patrique? – Peço ao enrugar a testa.
Esse pestinha já chegou e não veio ver Isa? Quando ele chegou?!
– Patrique está no Rio? – Pede Isa mudando de humor. – Eu vou matar esse pirralho.
– Calma, calma. Cadê a calma que você disse? Hum? – Peço a ela que fecha os olhos e respira fundo e volto para o celular. – Patrique é uma emergência, preciso falar com Kaik. Diz que Isa está tendo o bebê!
– PELAS BARBAS DE MERLIM! – Ele grita no celular e afasta um pouco meu ouvido.
– Cacetada! Essa família não sabe falar baixo não? – Peço para mim mesma e ouço Kaik me chamar. – Oi! Isa está tendo o bebê, a bolsa já estourou e ela está sentido as concentrações...
– Contrações, amor! – Ele me corrige e o xingo mentalmente.
– Quem está sentindo isso é ela e não eu! – Digo com raiva. – E vem logo buscar sua irmã!
– Souza já está a caminho. Encontro vocês no hospital!
Desligo o celular e o coloco em meu bolso e pego sua bolsa colocando-a em meu pescoço pelas as alças e a ajudo a se levantar.
Deus, meu amado. Grávidas pesam de mais!
– Não ouse me chamar de gorda ou eu te mato! – Ela diz entre dentes e nego com a cabeça.
Grávidas são tão amorosas e do nada... PUNFT! Viram vilãs de tudo que possa existir.
Chegamos ao elevador com muito custo e assim que entramos as portas se fecham e ele balança um pouco e logo paramos.
– Oh, não! não, não não! – digo desesperada ao apertar todos os botões.
– O que foi Olivia! – Isa pede com uma voz sofrida.
– Nada... n-nada! – Digo gaguejando.
– Pode me dizer a verdade, não vou pirar! – Ela diz e fecha os olhos.
As luzes do elevador se apagam.
Devo gritar?
– O que foi isso? – Pede ela ficando apavorada.
– Nada, apenas... economizando a luz! – Digo sem olhá-la e continuo a apertar todos os botões.
– Estamos presas no elevador? – Pede ela sentada no chão e abre as pernas.
– Isa... o-..
Ela solta um grito que posso jurar que fiquei surda e ela está praticamente deitada e de pernas abertas e vejo tudo molhado... tudo...
Oh meu Deus! Vou desmaiar.
– Isso, isso dói! Dói muito! – Ela diz sofrida.
– Respira, respira. – Digo para mim mesmo ao cruzar os braços no painel do elevador e abaixar minha cabeça de olhos fechados. – Respira fundo Olivia. Fundo.
– Arg! – Ela grita e sinto meu corpo arrepiar. – Não posso, não posso segurar por muito tempo.
– Santo Cristo, ela vai dar a luz no elevador! – Digo ao sentir meu corpo ficar mole.
– OLIVIA! – Ela me grita dando-me choque pelo corpo e me viro para ela. – Tenta... tenta o celular de novo, liga pra quem conseguir e diz que estamos presas no elevador... ai! Ai! Ai!
Ela grita outra vez e arqueia um pouco o corpo e é a coisa mais estranha que posso ver.
Eu não quero ter filhos! Não mesmo!
– Ligue para Kaik e pede para aviar Miguel! – Ela diz e depois morde os lábios.
Ligo para qualquer numero e me atende no primeiro toque.
– Olivia? Já chegaram? Estou a caminho...
– Kaik... kaik! – Começo a chorar.
– O que foi Olivia? O que aconteceu? – Pede com a voz rude.
– Ela... ela...
– ELA O QUE...
– Ela ta dando... AAAAAAAI! – Grito e choro ao mesmo tempo quando Isa acha uma de minhas mãos e a aperta com força. – Cacetada!
– Meu Deus, Olivia... me diz...
– Estamos... estamos presa no elevador do meu prédio. – Respiro com dificuldade. – Ela... ela está dando a luz... eu... eu.. eu vou morrer aqui!
– Calma, já estou chegando! – Ele diz e desliga.
– O que foi?... Olivia! OOOOOOOO...
Ela grita um o e quase enfarto quando ela me dá um tapa na cabeça para voltar a realidade que eu nem sabia que estava desfalecendo.
– Meu filho... meu filho está nascendo... você vai fazer o parto!
MAIS O QUE?
– Olivia, pelo amor de Deus... – Ela fecha s olhos e morde os lábios. – É só segurar meu filho! Só isso que te peço!
E ela dá um grito sobrenatural ao jogar a cabeça para trás e depois respirar fundo e só tomo consciência das coisas quando olho para baixo e vejo uma cabecinha branca para fora. Arregalo meus lhos e meu coração bate acelerado.
Como é que uma criança vai sair de... lá?
Isa faz força mai suma vez e vêm os ombrinhos e quando vejo a cabecinha um pouco caída para baixo logo coloco minhas mãos para apoiá-lo e ela dá mais um grito e faz força para aquele pingo de gente sair de dentro dela e me seguro para não desmaiar ou morrer.
– Mais um pouco Isa... isso estou vendo ele! – Digo agora com um sorrisão. – Vai Isa, vai!
A incentivo e ela faz ainda mais força e quando menos percebo a criança está em meus braços e em seguida começa a chorar em plenos pulmões e entrego o bebê a Isa e elevador treme um pouco e volta a descer e meu coração bate aliviado.
Assim que as portas se abrem no térreo somos invadidos por vários enfermeiros que dão atenção primeiramente a Isa e o Eithor que ainda chora e percebo que minha visão está turva.
– Senhora? Senhora? – Chama-me águem, mas meu corpo não me obedece. – Senhora?
– Olivia? – Chama-me Kaik e tento focá-lo. – Você está bem?
Ele me pega no colo e senta no chão comigo em seu colo.
– Meu amor, fala comigo! – ele pede e alisando meu rosto.
– Eu... eu segurei Eithor! – Digo meio dopada.
Será que estou morrendo?
– Que bom meu amor! – Ele sorri e me dá um selinho. – Mas o que você está sentindo?
– Eu segurei o Eithor! Cheio de sangue... gosma! – Digo agora com a cabeça meio levantada e de olhos arregalados. – Sangue, muito sangue!
E tudo fica escuro!
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