Um Insuportável solitário

11 Capítulo 11- Ainda meu verdadeiro amor


Notas iniciais
Boa leitura!

– Você vive brincando Kaik! Quando isso vai parar? Quando você vai crescer? – Peço desesperada ao passar minhas mãos em meus cabelos.

– Ah! Que isso anjinha! Você gosta de...

– Não, eu não gosto Kaik! – Saio de seu abraço e dou alguns passos para trás me afastando. – Meu Deus! Estamos quase indo para a faculdade e você ai ainda uma criança! Vive brincando com tudo! Até com a verdade! – Respiro fundo e fecho meus olhos.

– Hey! Estou bem assim. Ok? – Ele dá de ombros. – Sou feliz assim, pensei que não tinha problema com...

– Tem Kaik! Só que tem! – Me aproximo e nos olhamos nos olhos. – Estamos crescendo e responsabilidades chegam até nós, algumas chegam sem nos avisar, sem nós queremos... e mesmo assim temos que ir com a cara e a coragem para seguir em frente! – Digo com raiva e ele fecha a cara.

– Está parecendo com meu pai! Quer parar? – Ele arqueia as sobrancelhas.

– Como vai se tornar um pai de família desse jeito? – Aponto para ele quando nos afastamos. – Como quer ter uma família sendo desse jeito?

– Hey! Quem disse que quero ser pai agora? – Ele diz rindo e suas palavras cortam meu coração. – Olhe só para nós! Não estamos prontos, e com você mesma disse, eu sou criança de mais para ter responsabilidades, principalmente ter um filho ou comandar uma família. E mesmo que tivesse eu não quero ter filhos agora. Obrigado! – Ele diz dando de ombros e senta no sofá.

Meu coração bate machucado e as lagrimas tentam sair, mas sou interrompida quando ele volta a falar.

– Eu não sei o que te deu pra ficar falando em filhos, família e essas coisas! – Ele mexe nos pelos da almofada. – Está estranha e não é de hoje! O que você está sentindo? Está de TPM? Put’z, é mesmo... você está naqueles dias! – Ele se levanta e me segura pelos ombros e beija-me a testa. – Chegou hoje, certo? Então a gente se vê daqui a três dias? Você fica quatro, certo? – Ele diz rápido de mais e não me deixa falar. – Ok, então. Eu te perdoo pelo seu estresse. – Ele me acaricia e me dá um beijo que me deixa sem fôlego e sai antes que eu possa dizer alguma coisa.

– No mundo da lua de novo Lúcia? – Pede Marina. – O que está acontecendo com você, amiga?

– Guilherme! – Bufo e cruzo meus braços na mesa e apoio minha testa e fecho meus olhos.

– O que ele fez de novo? – Ela alisa minhas costas.

– Você acreditaria que ele foi fazer o exame de sangue com o verdadeiro pai dele escondido de mim, pois ele sabia que eu ia enrolá-lo? – Peço derrotada ao olhar pra ela.

– Acredito! – Ela bufa e sentar ao meu lado e aperta de leve meu ombro. – Seu filho é mais esperto do que a gente imagina. Quem segura aquele garoto?

– E além do pentelho julgo meu filho ser a cara de Kaik, ainda tem a personalidade dele! – Faço bico e quase choro.

– E como ele conseguiu te dar a volta outra vez? – Pede ela surpresa.

Ela sempre fica surpresa com as coisas que Guilherme consegue fazer.

– Ele se escondeu, e fiquei horas procurando ele, e olha que até o ameacei que ficaria uma semana se o vídeo game dele, mas o safado nem se importou. – Me encosto-me ao encosto da cadeira e aliso meus cabelos. – Ele ligou pra minha mãe e disse alguma coisa que a fez dar o numero de Kaik que surpreendentemente ela tinha, o pentelho ainda foi no restaurante da bisa vó dele! – Esfrego meu rosto. – Eu sabia que voltar para o Brasil isso poderia acabar acontecendo!

– Amiga vou ser bem sincera! – Ela começa. – Um dia isso acabaria acontecendo, e nós sabemos que Guilherme quando quer uma coisa ele consegue! E você acha que aquele papo de “seu pai nos abandonou, pois ele era um idiota” ia colar até ele se casar, ter filhos e morrer? Você não acha que quando ele atingisse a maior idade não iria atrás do pai?

– Eu sei. – Resmungo prendendo o choro. – Eu sei que ele faria isso qualquer dia, mas... mas...

– Mas o que? – Ela cruza os braços e me encara. – Até onde eu sei, pelo que você me contou, o Kaik era uma ótima pessoa e que te amava de mais.

– Mas ele não queria ter um filho Marina, e eu já estava grávida...

– Mas você se quer contou a ele! – Diz indignada. – Se quer deu a chance do menino ter um colapso, um ataque cardíaco, ou sei lá o que! Privou-o de tudo, até do crescimento do Guilherme!

– Arg! Eu sei! – Bato minhas mãos em punho na mesa. – E isso me mata por dentro!

– Você ainda o ama, não é? – Pede ela me olhando nos olhos e quero gritar por sim, mas minha garganta se fecha.

As imagens das serenatas, nas cantadas fúteis e engraçadas no inicio de tudo, dos vários momentos cômicos, dos carinhos, dos beijos, dos abraçados das palavras carinhosas e com toda certeza das maravilhosas noites de amor.

– Amo. – Suspiro ao deixar uma lagrima cair. – Ai amiga, eu sei o tamanho da besteira que fiz ao ir embora com nosso filho! – Choro. – Mas eu tive medo dele me abandonar, dele não querer e eu ficar ainda mais...

– Calma, calma. Eu te entendo amiga! – Ela se levanta e me abraça ao acariciar meus cabelos.

– Ele nunca vai me perdoar, ele vai querer esfregar minha cabeça no muro chapiscado como ele dizia quando estava nervoso quando discutíamos...

– Credo! – Ela diz.

– Amiga, eu sou o pior tido de ser...

– Hey, hey! – Ela segura meu rosto e senta de frente para mim. – Vamos parar com isso ok? Você não é o pior ser humano que possa existir nesta terra. Você apenas estava se protegendo e o bebê. Certo que você ágil egoistamente, mas não saberíamos que tomaria essa proporção toda, mas nunca é tarde de mais para concertar os erros.

Meu coração agora bate mais leve e lembro-me das palavras que minha psicóloga me falou, se bem que eram muitas palavras que embolam minha mente, mas que me deixam um pouco em paz. Mas ao lembrar que meu filho está por ai a fora com Kaik me deixa preocupara.

E se ele levar meu filho para fora do país? Sequestrar meu filho? Se ele pegar a guarda do meu pequeno e lindo monstrinho pentelho?

Deus! Eu não vou suportar tamanha dor de perder mais um que tanto amo! Do Guilherme não abro mão, mesmo ele me desobedecendo às vezes, me tirando do sério, me deixando preocupada, ele ainda é o amor da minha vida. Fui eu quem trocou sua primeira frauda, eu quem ele chamou pela primeira vez, o primeiro eu te amo, eu quem levou para a escola...

– Mãe? – Ouço a voz do meu pequenino.

– Guigui? – Digo secando meus olhos e rapidamente me levanto a tempo de vê-lo na porta da sala e lá fora vejo Kaik com as mãos no bolso nos observando. – Meu Guigui!

Corro em sua direção e ele enruga a testa e o abraço apertadamente e ele me retribui o abraço. Em seguida aliso seus cabelos freneticamente, beijo todo o seu rosto e procuro se há algum machucado.

– Você está bem? Onde você esteve? Com quem estava? Por que você sumiu? Deixou-me preocupada, você sabe o que acontece comigo quando você some desse jeito Guilherme! – Digo rápido de mais e sufocada pelas lagrimas que caiam sem parar.

– Para de chorar, mamãe! – Ele alisa meu rosto. – Não gosto quando a senhora chora, me deixa triste!

– Então não suma outra vez! – Dou um leve tapa em seu ombro e ele ri, um riso sapeca que amo. – Ficou o dia todo fora!

– Estava com meu pai! – Ele diz com um brilho nos olhos e um sorriso de coringa como do pai e não posso deixar de sorri.

A felicidade de meu filho é a minha felicidade.

Respiro algumas vezes e subo meu olhar e é como se eu tivesse voltado no tempo em que Kaik me levava para casa e me deixava no portão e esperava eu entrar para ver que eu estava segura, e mais uma vez não posso deixar de sorrir, porém ele não esboça nenhuma emoção. Ele apenas respira fundo, mas não se mexe.

Meu coração bate como de uma garotinha adolescente e os sentimentos que eu escondia a todo custo estão à flor da pele e tento em vão esconder meus sentimentos, mas eles estão sendo mais fortes que eu e quando dou por mim, estamos cara a cara.

– O-obrigada por trazê-lo sã e salvo! – Peço baixinho e gaguejando.

Eu não gaguejo!

– É meu dever como pai protegê-lo! – Ele diz curto e grosso.

Respiro fundo.

– Eu...

– Não vou lutar pela guarda dele, ele gosta muito de você e não quero deixá-lo confuso. – Ele me corta. – Mas vou deixar claro que vamos entrar em acordo para que eu possa vê-lo todo final de semana se assim o menino desejar! – Ele diz frio, sem emoção.

Onde está aquele Kaik brincalhão, que falava sem seriedade nas coisas?

– E amanhã minha mãe fará um almoço, ela quer apresentar Guilherme a toda família. E ele quer ir, mas eu disse que ele só iria se você deixasse!

– Hãm...

– Não precisa me responder agora, se não puder, pode ser outro dia, mas isso deixaria a Sr. Maldonato muito chateada, e se você ainda lembra...

– Ele pode ir se quiser! – O corto e ele desvia o olhar do celular para mim pela primeira vez desde que falou comigo.

Silencio constrangedor. Apenas olhos nos olhos e barulho de nossas respirações.

– Tudo bem, Souza o buscará na escola então. – Ele olha para trás de mim sorrindo e acena com a mão e em seguida a coloca no bolso da calça e dá as costas e entra no carro e parte.

E meu coração se parte em mil pedacinhos e assisto o carro sumir na rua ao virar à esquerda.

Fecho meus olhos e deixo minha cabeça cair para trás e sinto a dor me corroer por dentro, mas sinto uma mãozinha na minha e rapidamente meus olhos estão nos olhos azuis como os meus e sorrio em meio ao choro.

– Vamos entrar mãe, já está tarde de mais pra ficar aqui fora! – Ele diz carinhosamente e alisa meus dedos.

– Vamos! – Sorrio em meio ao choro.

...

– E Peter Pan derrotou o Capitão Gancho ao chamar o grande jacaré que...

– É crocodilo Tic Tac, mãe! – Gruilherme me corrige com uma gargalhada e acabo rindo.

– Isso, eu sempre esqueço o nome dele! – Fecho o livro e meu menino se cobre até o pescoço e me olha com brilhos olhos. – Ok, pode falar! Você está com essa carinha desde que chegou!

– A senhora está chateada por que eu sumi pra fazer o exame? – Pede ele e aceno com a cabeça.

– Fiquei preocupada, querido. Eu sabia aonde você ia, mas esse mundo é muito perigoso...

– Eu sei, eu sei! – Ele agora senta em meu colo. – Depois que fiz o exame, meu pai me levou onde ele trabalha, fiquei com o Souza que é motorista do papai, depois conheci minha bisa, e meus avós, conheci uma tia chamada Katherine que é super legal e ela tem uma filha que é minha prima, Milena. Tenho um tio Cael que é a cara do papai, um priminho Emanuel, e uma tia Isa super carinhosa. Mamãe eles são tão legais! Amanhã a vovó vai fazer um almoço pra eu conhecer o restante da família. – Ele fez bico. – Eu queria que a senhora estivesse lá!

– Não acho que isso seja uma boa ideia! – Dou um leve sorriso ao acaricia seus cabelos.

– Papai não vai se importar, você é minha mãe e quero que você vá conosco! – Ele diz serio.

– Meu amor...

– Não, mãe! Eu quero, eu faço questão da senhora ir com a gente! – Ele segura minhas mãos e faz cara de pidão. – Por favor, vamos?

– Ok, ok! – Respiro fundo e ele pula em meu colo animado ao me agarrar pelo pescoço. – Mas não vou poder ficar muito. Ok?

– Tá bom, tá bom! – Ele diz manhoso que derrete meu coração.

– Agora vá dormir. Está tarde!

– Boa noite, mamãe. Eu te amo! – Ele beija-me a testa.

– Boa noite, meu amor. Durma com Deus! – O ajeito na cama e o cubro até o pescoço e deixo a luz do abajur aceso.

Notas finais
Então... QUERO SUAS OPINIÕESSS!!! Viu, Lúcia não é assim tãããããão malvada! :( Mas quero saber o que vocês acharam!!! ô/ querem confusão? briga? drama? comédia?? É só e falarem como querem que a titia aqui dá um jeito e se reparem que hoje ainda postarei mais três! *0* Bjs, bjs e segurem esses corações! ô/ S2''