Um Dia Volto Para Casa
2 A mudança
Depois de um ano que papai morreu, mamãe resolveu que não iriamos mais morar na Inglaterra, ela disse que não tinha porque ficar lá, mamãe era Brasileira e papai Britânico e eu, no meio dessa confusão de identidade com dupla nacionalidade, eu estava preste a completar nove anos quando mamãe se resolveu sobre a mudança, eu fiquei com medo, triste e meio infeliz, eu não queria abandonar meus amigos, não queria deixar a minha vida, o meu amor.
Foi completando nove anos que descobri o amor, o mais engraçado era que o amor tinha olhos verdes que hora eram azuis, eu mal tinha descoberto amor e já iria abandona-lo. Harry tinha me hipnotizado ele era cuidadoso comigo e me fazia bem.
Uma das vezes que dormimos juntos ele tinha dito que me amava, mas nem liguei éramos muito amigos, além disso, crianças.
Mas agora, sentindo o tempo da mudança se aproximar com rapidez, o que me fez ficar desesperada, sem saber o que fazer, sem saber o que falar, vi mamãe vendendo todas as nossas coisas, inclusive nosso cachorro, Thor meu cachorro, foi levado a força por uma menina de olhos escuros e cabelos claros com a cara coberta por uma manta, seu rabo balançava com felicidade até a manta cair de rosto e ele me olhar com tristeza pelo vidro da janela do carro.
Antes disso tinha implorado a mamãe para que levássemos Thor com a gente, mas ela disse “Um cachorro com tanto pelo e daquele tamanho não sobrevivera no calor do Brasil”. Eu aceite, uma coisa que eu queria era Thor vivo, mas nunca vou me esquecer do olhar de tristeza que ele me deu ao ser levado para longe.
Harry ficava na janela de seu quarto, olhando o caminhão que chegara a minha casa retirando todos os moveis possíveis, pegando com brutalidade sem pensar nos sentimentos que aqueles moves tinham pra nós, pra mim! Mamãe já tinha feito às malas, pegando todas as coisas possíveis que caberiam nas malas, eu apenas tinha pegado o álbum de fotografias da minha infância feliz, mamãe estava trancando a casa quando escutamos a voz rouca de Harry.
– Tia Luci – Sempre ri do jeito que Harry chamava minha, eu não o via como primo e quando ele chamava minha mãe de tia, eu chega bufava.
Minha mãe se virou para traz e passou a mãe no cabelo de Harry, que não era mais totalmente liso, que agora formavam ondulações nas pontas.
– Sim Harry? – Perguntou minha mãe ao querer saber o que Harry iria falar.
– Tia – Disse Harry começando a falar, a voz rouca de Harry quase não saia. – Posso te pedir uma coisa? – Perguntou Harry.
– Sim meu bem – Disse minha mãe num tom doce.
– Não leve a Larissa embora, eu tenho medo de nunca mais vê-la – Meus olhos começaram a encher d’agua, e senti os braços de Harry em volta de mim.
Percebi que minha mãe não sabia o que dizer.
– Nós ainda vamos nos ver – Disse me afogando em minha lagrimas, ele assentiu, fazendo um movimento com o rosto, sai do abraço de Harry, entrando no taxi que mamãe havia chamado, dei tchau da janela do carro para tia Anne, e fui em rumo a um lugar que nunca havia ouvido falar, com medo, com saudade e com frio, dormi a viajem toda de avião.
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