Um Dia Volto Para Casa
3 Uma nova língua
A chegada no Brasil foi calorosa, calorosa no sentido de calor, um calor muito forte, o sol brilhava com uma força que eu nunca vira antes, minha mãe parecia se sentir bem eu me sentia muito mal.
As pessoas eram diferentes, as roupas eram diferentes e eles falavam diferentes e eu não entendia nada, mamãe era Brasileira, mas tinha ido pra Inglaterra muito nova, foi o que contou meu pai ainda vivo, mamãe nunca havia falado em português comigo e agora eu estava totalmente surda, muda e sega, sem saber ouvir, sem saber falar e muito menos sem saber andar naquele lugar.
Brasil era lindo, eu gostei do que vi no Rio de Janeiro, uma praia bem abitada, com pessoas andando com seus filhos e conversando, mas não ficamos no Rio, fomos para o meio do Brasil, para ser exata, Goiás, com mais exatidão Goiânia, uma capital “legal”.
O que eu esperava era a mesma vida que tínhamos na Inglaterra, uma casa grande de dois andares e etc., mas, era tudo diferente, era uma casa com três quartos, dois banheiros, uma sala e uma cozinha, eu assustei, fiquei meio desesperada, o calor acabava comigo e queria meu frio matinal.
Ao desfazer as malas, eu vi o álbum da minha felicidade, a tristeza tomou conta do meu corpo como um desuname toma conta de uma cidade, chorei escondida e adormeci.
Os dias foram passando a saudade aumentando e eu me conformando com a distância, mamãe só falava comigo em português, o que eu odiava, eu não queria aprender o português, pensava que se eu aprendesse poderia esquecer o inglês e eu não queria isso, enfim aprendi o português, tudo mudou.
Sai na rua da minha casa, coisa que nunca fazia, tinha três meninos e duas meninas a conversarem, eu me aproximei.
– Hi – Disse, depois lembrei que eles não deveriam entender. – Oi. – Consertei.
– Oi.
– Oi.
– Oi.
– Oi.
– Oi.
Todos disseram oi ao mesmo tempo, como um coro de canto, coisa que me assustou, mas gostei da hospitalidade, eles me convidaram pra se sentar, me sentei, contei um pouco de mim e fui conhecendo um pouco deles, Sophie, Analise, Lucas, Brener e Cauê eram pré-adolescentes como eu, nos dermos bem.
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