-Onde você quer ir almoçar?

-Hum -ela olhou para os olhos verdes dele- Você vai junto comigo?

-Mas é claro que sim.

-Não é tão óbvio.

-Nós estamos na hora do almoço, eu estou morrendo de fome e te perguntei onde você quer ir almoçar. Sim, é bem óbvio.

Ela rolou os olhos.

-Tanto faz... -Atena pareceu pensar por alguns segundos, abrindo um sorriso maldoso logo depois- Que tal peixe?

Ele fechou a cara.

-Pelo menos peixes são bons o suficiente para serem comidos pelas pessoas, ao contrario das suas amadas corujas, que além de não fazerem nada o dia inteiro, não servem nem de alimento.

-Ah, porque peixes fazem muitas coisas durante o dia.

-Poucos segundos atrás você disse que queria comer peixe.

-E isso não tem nada haver com o que eu acabei de falar. Sem falar que eu não queria realmente comer peixe.

-Eles nadam.

-Oh sim, agora eles são realmente úteis para mim.

-Eles servem de alimento para as pessoas.

-Depois que eles morrem, durante a vida eles não fazem nada.

-Muito menos as corujas.

-Pelo menos elas são inteligentes.

-Esse assunto é realmente importante pra ser discutido?

-Mas é claro que não.

-Então por que estamos discutindo ele?

-Eu não sei, você começou.

-Não, você começou dizendo que queria comer peixe.

-Mas você continuou.

-E vamos continuar discutindo agora.

-Provavelmente.

Ele suspirou.

-Sério?, porque eu estou mesmo com fome.

Ela pareceu pensar.

-Nós podemos ir no mesmo restaurante de ontem.

Ele deu de ombros, concordando com a cabeça.

-Podemos.

Os dois se olharam e depois, estalaram os dedos ao mesmo tempo.

------------------------------------------------------------

O restaurante era lindo mesmo sem estar sob o efeito do luar. As paredes felpudas vermelhas faziam de certa forma o lugar ficar mais escuro, mesmo com a luz do sol vindo forte de onde ficava o coreto.

Os músicos não estavam tocando naquela hora, havia apenas uma música ambiente francesa ao fundo.

Poseidon puxou uma cadeira para Atena se sentar, se sentando a sua frente logo depois.

-Humm, o cheiro daqui é maravilhoso -fez ela, fechando os olhos.

Poseidon olhou-a de lado com um sorrisinho.

-É verdade. Hã... O que vai querer?

-Hum... -ela olhou para os lados, procurando por um garçom. -Acho que vou querer um ravioli.

-E eu uma pizza.

-No almoço?

-Sim.

Ela rolou os olhos.

-Típico.

-Já disse que você é insuportável?

-Como se você não fosse.

-Menos que você eu tenho certeza.

-Fique acreditando nisso.

Um garçom apareceu, não o mesmo da noite anterior.

-Bom dia, o que vão querer?

-Uma pizza pequena de frango com catupiry e uma coca-cola.

-Um ravioli de rúcula e ricota e suco de maracujá.

O garçom assentiu, perguntando-lhes se gostariam de mais alguma coisa e indo atender outra mesa logo em seguida pela resposta negativa.

-Eca, você pediu um ravioli de rúcula?

-Sim.

-E por quê?

-Porque é melhor e mais saudável.

-Vou fingir que acredito.

-É verdade.

-Melhor?

-E mais saudável.

-Atena, pode ser mais saudável mas nunca que isso é melhor que um gorduroso ravioli de presunto e queijo.

-E você já experimentou raivoli de rúcula e ricota?

-Sim.

-Aham.

Ele deu de ombros.

-Não estou exatamente pedindo pra você acreditar em mim.

-Que bom, porque eu tenho certeza absoluta que você nunca experimentou.

Os dois ficaram em silencio durante alguns instantes.

-Se você aceitar me dar um pouco do seu ravioli eu vou ter experimentado.

-Não, você já tem a sua pizza.

-E eu quero o seu ravioli também.

-Que pena.

-Você poderia ser gentil se quisesse.

Ela suspirou, sem falar por uns três segundos.

-Eu te dou um pouquinho.

-Sabia que não resistiria.

-Cale a boca.

Ele suspirou.

-Será que da pra parar de discutir comigo?

-Você me irrita, eu discuto com você.

-Ah, ta bom, e o que eu disse que te irritou?

-"Sabia que não resistiria", idiota.

-Foi uma brincadeira.

-Uma brincadeira bem ridícula.

-Isso é porque você não tem senso de humor.

-Mas é claro que eu tenho!

-Então porque você discute comigo?

-A sua presença me irrita.

-A sua presença também me irrita e ainda assim eu tento não ser tão insuportável com você.

-Queria saber como seria se você não tentasse!

-Está vendo? Você já me xingou de novo.

-Você também me xingou.

-Eu te xingo porque você me xinga.

-Isso é mentira.

-Não, não é.

-Mas é claro que é! Você provoca pra me fazer brigar com você.

Ele sorriu de lado.

-Certo, mas na maioria das vezes você é que se irrita sem motivo nenhum.

-Ha! Então você admite que me faz discutir com você!

-É divertido.

-Mas você acabou de falar que queria que nós parássemos de discutir.

-Eu disse que é divertido, não que eu quero discutir com você todas as vezes que eu falo uma palavra.

-Então fale coisas agradaveis.

-Eu não disse nada desagradavel.

-Só hoje você já deve ter falado umas quatro vezes que eu sou insuportável.

-Se eu disse isso é porque você estava sendo insuportável no momento.

Ela rolou os olhos.

-Arght, eu cansei de falar com você.

-Somos dois.

Poseidon olhou para ela de canto de olho, percebendo com um sorrisinho mal contido o quanto ela estava vermelha.

-Senhores?

Os dois levantaram os olhos claros para o garçom que trazia os dois pratos com comidas deliciosas, saindo fumaça deles de tão quente.

Depois de servi-los, eles ficaram algum tempo sem conversar, o suficiente para Atena pensar bastante e esquecer que estava brava com ele, perguntando uma coisa que estava na sua cabeça.

-Por que você e Anfitrite terminaram?

Ele pareceu surpreso; não pela pergunta, mas por ela ter "se recuperado" tão cedo.

-Porque ela é insuportavel.

-Você acha todo mundo insuportável?

-Não.

-Mas você sempre diz isso pra mim.

-Vamos começar com isso de novo?

Ela corou um pouco.

-Ah... Não, eu só... perguntei.

Ele olhou para ela por alguns segundos até suspirar.

-Oh, ela consegue ser bem pior que você.

-Então por que se casou com ela?

Ele deu de ombros, seus olhos ficando enevoados.

Após alguns segundos, Atena suspirou, percebendo que ele não responderia sua pergunta.

-Vamos conversar sobre outra coisa.

-Quer conversar comigo? -perguntou ele, surpreendido.

-Eu... Não é que eu queira, eu só não quero ficar em silencio.

Ele sorriu, dando de ombros.

-Me fale sobre o seu dia, amor.

Ela rolou os olhos.

-Nada de amor.

-Estou brincando.

Ela olhou para ele, que sorria. Poseidon riu.

-Não era você que queria conversar?

Ela deu de ombros, decidindo responder a pergunta dele.

-Acordei tarde e pulei da cama, me troquei voando e fui correndo pra cozinha, onde você estava. Nessa parte você me irritou dizendo que eu estava atrasada, mas depois eu até consegui ter uma conversa um pouco mais civilizada com você. Eu sai da cozinha e você me fez uma pergunta meio idiota sobre porque eu estar me casando com Apolo...

-... lembrando que você fez praticamente a mesma pergunta pra mim agora. -interrompeu ele.

-Como?

-Você me perguntou por que eu tinha me casado com Anfitrite.

Ela ficou vermelha.

-Mas não é a mesma coisa.

-E por que não seria?

-Oh, esqueça isso. -disse ela, fazendo-o sorrir.

-Depois, -continuou ela- eu fui me encontrar com Apolo e nós decidimos que eu ficaria encarregada da comida, dos convites, do lugar e do meu vestido, então eu sai para uma loja de convites e encontrei sem querer a sua simpática mulher -ele sorriu- e depois você, que entrou na loja gritando com ela e não vendo que eu estava ali. Vocês discutiram sobre uma carta e ela disse que você era apaixonado por mim, ai você me viu e ficou vermelho (o que eu nunca tinha visto você fazer na vida) e disse que ela só dizia bobagens. Nós saímos da loja e fomos para outra nos dando impressionantemente bem, e depois que saímos você me irritou de novo, nós viemos pra cá, brigamos, eu almocei e estou te contando isso porque aparentemente você não tem alguma coisa mais interessante pra me perguntar.

Ele sorriu.

-Quer que eu te pergunte coisas mais intimas?

-Quer mesmo que eu responda essa pergunta?

-Não -riu ele. — Mas eu achei interessante, você é que é sistemática em relação à sua irritação por mim.

Ela pareceu pensar, no final concordando.

-É, talvez seja essa a palavra. Eu sou acostumada a me irritar com você.

Ele deu de ombros.

-Nada que não possa ser resolvido.

Ela olhou para ele e depois repetiu seu movimento, dando de ombros.

-É, nada que não possa ser resolvido.

--------------------------------------------

N/A: Dessa vez eu abandonei vocês, né? Me desculpem, sério mesmo. Domingo eu jurei pelos deuses que eu vou começar o próximo e que eu posto ele no máximo terça :D

Mas enfim, ficou muito cansativo? Eu amo fazer essas briguinhas deles /risos. Aaaah, e eles são tããão fofos juntos!!

Ai, ontem do nada a pelinha do meu dedo saiu e ta doendo demais *chora*, ai eu coloco um bandaid e ele sai!! :(((

Beeijinhos, to ouvindo epitafio porque a letra dessa música é linda e quem de nós dois porque eu também amo ela :D