Ártemis estava convencida de que algo estava destinado a dar terrivelmente errado. Afrodite. Era Afrodite quem estava planejando uma despedida de solteiro. Deuses, como ela queria não ter algo importante para fazer. Podia quase se imaginar com sua roupa de caça e sua lança, em um lugar longe dali, perseguindo monstros junto com suas caçadoras queridas. No entanto, lá estava ela a caminho do salão de festas, andando desconfortavelmente sobre uma coluna alta bem debaixo de seus pés. Para que serviam saltos altos, ela não fazia a menor ideia.

E para que mais serviriam, sussurrou uma voz Afroditiana na sua cabeça, se não para deixá-la mais alta e atraente?

E para que mulheres gostavam de ter os pés completamente machucados e ferrados só para atração, ela também não entendia nem um pouco.

Completamente fútil.

Então por que está usando?, retrucou a mesma voz, provocando-a.

Ártemis quase corou. Porque, infelizmente, ela fora obrigada a usar contra a sua vontade, para fins que lhe agradavam tanto quanto os novos machucados nos pés. E a verdade estava relacionada com o seu vestido também. Aquele vestido completamente... Indecente. Em um universo paralelo ela o teria amado. Mas em um universo paralelo, ela seria Afrodite.

Você precisa mesmo fazer esse drama, não é?

Não é drama, repetiu ela pela décima vez para si mesma, eu não sou dramática. Não mesmo. Mas isso chega a ser ridículo de tão curto. Eu estou parecendo uma... Uma...

Ela simplesmente não conseguia terminar aquela frase. Aquilo lhe dava arrepios só de pensar. E é claro que Ártemis estava muito, muito longe de parecer uma prostituta, mas como as ocasiões em que se produzia eram extremamente raras, ela se sentia completamente estranha. Principalmente porque o motivo para usar aquele vestido preto e colado, aquela maquiagem elaborada, e o cabelo sobre um ombro, caindo em lindas cascatas vermelhas, era diferente e mais desconfortável do que o que ela conseguia suportar.

Ártemis tinha que impressionar — para não dizer seduzir — Apolo.

Argh, argh, praguejou novamente, fazendo uma careta. Nem podia acreditar na sua situação: a caminho de uma festa indecente, com uma roupa indecente e por um motivo ainda mais indecente. Pelos Deuses, o que iriam achar dela depois disso? O que... Droga, o que Apolo acharia dela depois disso? Se a poção de fato acabasse, ele não iria se iludir com o pensamento de que Ártemis ficara "imprópria" só para ele?

Não é só para ele!, e ela quase exclamara em voz alta, tal era a sua histeria. Suas bochechas estavam mais vermelhas do que nunca, quase chegando ao tom dos seus cabelos. Esta era outra ideia que lhe causava arrepios por todo o corpo.

Ironicamente, ela quase suspirou de alívio avistando a imensa e cintilante construção que era o salão de festas, desesperada para fugir de mais pensamentos daquele tipo.

Observou a mínima decoração do lado de fora: apenas dois cupidos esculpidos apontando suas flechas de pedra para a entrada, um de cada lado da porta. E ela sabia exatamente o que significava a falta de enfeites ali: o lado de dentro estaria mais decorado que um carro alegórico no carnaval. Mas quem dera (e ela nunca achou que diria isso) estivesse comemorando o carnaval e não uma despedida de solteiro. Mordendo o lábio inferior por um instante, ela pensou seriamente em ir embora. Seus pés aprovariam este comportamento, assim como todos os seus instintos naturais. Soltou um suspiro enquanto percebia não podia fazer isso, pois a vontade de ajudar Atena e Poseidon e até Apolo era maior do que a de fugir, embora esta se mostrasse tentadora.

Ártemis ergueu o queixo e avançou, como se estivesse entrando em uma batalha. Quando finalmente seus sapatos pousaram em solo inimigo, ela anotou mentalmente que nunca, NUNCA mais iria a uma festa organizada por Afrodite.

Ugh. Ugh, ugh, ugh, ugh....

E ia ficando pior a cada lugar que ela olhava. A música, as luzes, o cheiro de bebida, aquele... aquele... Poste, no meio do salão, cercado por chocolate e... Ah, meus Deuses, aquilo eram... Camisinhas?

Ártemis sentiu o estômago revirando, e ela percebeu que o seu queixo havia caído e se estacionado no ar por longos instantes. Franziu os lábios fortemente para impedir a vontade de vomitar. Que lugar... Péssimo. Horrível. Nojento...

Ouvia vagamente vozes e risadas, mas aquilo parecia um universo distante. Era como se estivesse dentro do pior filme de terror que ela nunca imaginara ver.

Ártemis não sabia quanto tempo ficara parada ali, observando cada detalhe ficar mais vulgar, mas foi só quando ouviu um assobio que despertou de seu estado, notando então alguns olhares incrédulos — e maravilhados, por parte dos homens — para cima dela. Ainda assim, nenhum deles poderia tê-la deixado mais vermelha, quase roxa de vergonha, do que o lançado pelo dono do assobio.

– O que foi que aconteceu com você?

Ártemis olhou para o sorriso maroto de Apolo, sentindo os olhos dele esquadrinhando cada mínimo detalhe do seu corpo. Pensou que iria derreter. Já estava calor assim quando chegara?

– O que quer dizer? — balbuciou ela, castigando-se imensamente por perder as palavras.

A culpa não é minha, este lugar me deixa horrorizada.

E Apolo está muito lindo e muito perto, sussurrou a tal voz de Afrodite, como se estivesse soltando risadinhas. Ártemis fez o possível para ignorar.

– O que quero dizer? Você está absurdamente gosto—

– Não ouse terminar essa frase — interrompeu, recuperando sua consciência ao perceber o que ele iria dizer.

Ele apenas alargou o sorriso malicioso.

– Vamos ver se vai conseguir continuar com todo esse amor reprimido até o final dessa noite.

Alguma parte de Ártemis se revirou, e ela sentiu uma incomum formigação na barriga.

Outra parte dela quase lembrou-o que iria se casar com Atena no dia seguinte.

E a outra, com certeza a pior, sussurrou para Ártemis que ela não podia citar Atena, já que o seu plano era, infelizmente, seduzir Apolo.

– Amor reprimido? Com certeza não, só estou te impedindo de dizer algo desrespeitoso.

– Ah! — exclamou ele, os olhos escorrendo segundas intenções. — Mas em algumas situações eu sou praticamente obrigado a dizer coisas "desrespeitosas".

– Não vejo quem estaria te obrigando.

– Você, é claro. Deuses, por que não veste sempre esse tipo de roupa?

Ela rolou os olhos, as bochechas vergonhosamente vermelhas.

– Quer fazer um favor e ir buscar bebida?

– E você ainda quer beber? — exclamou, maravilhado.

– O quê? Não, claro que não! Queria dizer água!

– Ah, claro — disse, visivelmente decepcionado, mas não deixando de curvar os lábios. — Vou lá buscar e já volto.

Mas ele continuou lá com um sorriso por alguns segundos antes de virar as costas.

Pelo amor dos Deuses!, pensou ela, completamente corada. Onde é que foi parar minha sanidade? Que loucura vir aqui desse jeito, que... Droga, droga, droga, droga...

E ela foi se castigando mentalmente, movendo os pés para longe de onde estivera parada. Sem prestar atenção para onde ia, acabou dando de cara com um lugar onde estavam distribuídos três sofás — dois de frente um para o outro, um de frente para a mesinha que estava ali no meio. Ártemis estava quase agradecendo por ter onde se sentar, mas então um casal chegou e tomou lugar em um dos sofás, e mal dando tempo para piscar, ela viu quando ele enfiou a língua na boca dela como se estivesse desesperado.

Ugh, de novo.

Ártemis se afastou e pôs-se a andar sem rumo, procurando pelo menos uma coisa que lhe fosse agradável naquele lugar. Sem ter sorte alguma, é claro. Estava pensando em ficar do lado de fora quando uma voz chamando o seu nome a assustou, e Ártemis virou-se para o lado de onde ela tinha vindo.

– Ártemis? — indagou Poseidon, a poucos metros dela, arregalando os olhos como se não acreditasse neles.

Ela colocou uma mão na cintura e depois abaixou-a, desconfortável.

– Er... oi. Atena já chegou? Podemos colocar o plano em prática?

– Eu... Eu não sei. Ártemis, o que é que...? — ele fez uma pausa, e um brilho surgiu em seus olhos de repente. — Veio mesmo com essa roupa só por causa do plano? Pra me ajudar?

E ele soava admirado e incrédulo ao mesmo tempo. Ártemis suspirou, mexendo no colar com uma das mãos.

– Sim, achei que fosse ser melhor já que... já que não vou beijar Apolo. Para tentar compensar.

Poseidon afirmou com a cabeça, e então, para o pavor dela, pareceu analisar o seu corpo com o olhar.

– Hum... Apolo deve ter adorado — comentou ele, sem conseguir se conter, os lábios esboçando um sorriso.

Ártemis conteu a vontade de lhe dar um tapa, enquanto sentia as orelhas ficando vermelhas.

– Poseidon...

– Hã, eu estava brincando.

– Estava sim.

Ele riu da sua voz irônica.

– Se eu não estivesse apaixonado por Atena, quem sabe...

– Poseidon! — exclamou ela, indignada, fazendo ele soltar uma gargalhada.

– Vocês deusas castas são tão divertidas e fáceis de irritar. Relaxa, eu realmente não estava falando sério. Bom, pelo menos não a segunda parte, porque Apolo com certeza deve estar babando em cima de você. Aliás, onde está...?

– Eu pedi para ele buscar água para mim e fugi.

Poseidon franziu o cenho.

– Divertidas e confusas. Por que você "fugiu"?

– Porque ele estava olhando pro meu decote, talvez?

Ele sorriu abertamente.

– Ártemis, é a primeira vez que eu te vi usando alguma coisa que fosse digna das suas curvas. E eu te conheço há milênios. Para um cara que é apaixonado por você, eu me surpreenderia muito se Apolo não olhasse pro seu corpo.

– Argh, vocês homens são nojentos.

– E você consegue ser mais resistente que Atena, e olha que isso é bem difícil.

– E o que você quer dizer com isso agora?

Poseidon deu de ombros.

– Foi só uma observação. Mas acho que se você vai se declarar para Apolo e se quer que ele acredite em você, não pode ficar tão rígida assim. Relaxa.

Ele sorriu para ela, mas Ártemis percebeu que talvez ele só estivesse tentando deixá-la à vontade. Assentiu com a cabeça.

– Eu vou tentar relaxar, é só que eu não consigo me concentrar direito com ele lançando olhares daquele jeito.

– Tudo bem. E, aliás, sobre o nosso plano, assim que Atena chegar eu te dou um sinal e vou para fora com ela enquanto você começa a mudar o rumo da conversa com Apolo pra... Bem, você já sabe, pra falar o que nós combinamos.

– Sim — e ela suspirou, como se estivesse cansada. — Mas onde está Atena, afinal? Eu cheguei atrasada, ela já deveria estar aqui. E ela não é de se atrasar, costuma até chegar mais cedo.

Poseidon deu de ombros, mas os seus músculos estavam levemente tencionados.

– Daqui a pouco ela chega. Deve estar se trocando ou algo do tipo.

Ártemis confirmou, embora sentisse uma certa insegurança também.

– Enquanto isso fazemos o quê?

– Ah, eu vou ficar ali no bar, acho. E você pelo jeito vai ficar com Apolo — e ele apontou ligeiramente para algo atrás de Ártemis.

– Ele está vindo?

– Aham.

– Certo. Certo, então acho que você tem que ir — disse, a cara aflita como se pedisse para ele negar o que estava dizendo.

Poseidon sorriu.

– Relaxe, Ártemis. Só converse com ele normalmente. Er... De preferência sem demonstrar o seu ódio por homens.

Ela corou um pouco.

– Ah, sim, sim. Mas... Poseidon? Eu não... odeio você. Quer dizer, eu... Bem...

Mas ele a interrompeu com um sorriso.

– Tudo bem, eu entendi. Eu também gosto de você. Boa sorte.

E piscando, ele se afastou, deixando-a parada ali, pensando, por alguns instantes.

Então Ártemis se voltou para onde Poseidon olhara alguns momentos antes e viu Apolo se aproximando com dois copos de bebida, um sorriso branco iluminando seu belo rosto. Ela jurava que não tinha acontecido nada demais, mas então por que seu coração estava descompassado de repente?

– Aqui — disse, lhe estendendo um deles enquanto olhava-a diretamente nos olhos.

Ártemis aceitou o copo, engolindo em seco.

– Obrigada. Hum... Você não colocou nada aqui dentro, colocou?

– Ártemis, acha mesmo que eu faria isso?

– Hum... Sim. Pra falar a verdade, sim.

Apolo riu.

– Não tem nada, é sério. Eu posso beber do seu copo pra provar.

Ainda desconfiada, ela levou o copo aos lábios e bebeu um gole. Percebendo que era água, ou pelo menos que parecia água, terminou de beber tudo enquanto ele fazia o mesmo com o que quer que estivesse dentro do seu copo.

Um garçom passou, pegando o que eles já haviam terminado enquanto os dois agradeciam.

Apolo sorriu, um sorriso aberto, sincero e malicioso que poderia tê-la feito se desequilibrar caso não fosse tão firme.

– Vem cá. Quero te mostrar uma coisa.

Alguma coisa muito forte gritava para que ela não fosse. Mas por fim, tentando lembrar dos motivos por estar ali, e tentando ignorar que talvez estivesse indo por curiosidade, Ártemis avançou um passo, seguindo ao lado dele para algum lugar ao fundo do salão.

Só quando chegou perto entendeu realmente para onde ele a estava levando: as cabines. Ela poderia ter surtado, ter feito um escarcéu. Porém, sem ter escolha e castigando a própria consciência, apenas virou-se para ele, com um ar que ela esperava não ser tão apavorado.

– Por que me trouxe aqui? O que tem... O que tem aí dentro?

Apolo curvou os lábios.

– Hey, é só um lugar em que podemos ouvir uma música diferente.

Ela quase se animou com a ideia, já que a atual trilha sonora lhe causava náuseas. Quase.

– Afrodite fez esse lugar. Alguma coisa ruim tem que existir aí dentro.

Apolo deu de ombros.

– Naquelas cabines ali têm canos pra strip tease. Mas nessas aqui não, eu te juro. Pode confiar em mim.

– Confiar em você?

– É — sorriu ele -, talvez as opções de músicas sejam românticas ou algo do tipo, mas aposto que você prefere até coisa melosa do que pervertida. Vem.

Ártemis sentiu vontade de rolar os olhos para aquela ideia absurda. Ao invés disso, soltou um suspiro e olhou para ele, quase sentindo o rosto inteiro se avermelhar.

– Você vai se comportar?

– Vou tentar.

– Apolo...

– Tá,tá. Eu prometo que não vou te agarrar se você não quiser.

O cantinho dos lábios de Ártemis se voltou pra cima, quase imperceptivelmente.

– Tudo bem, então.

Ele abriu as cortinas em um gesto e segurou-as com um sorriso, olhando para ela. Ártemis adiantou-se, entrando e se deparando com um espaço apertado onde havia, para seu desespero, apenas um banco encostado na parede, e um painel de controle parecido com um rádio antigo bem à sua frente. Nenhuma música tocava.

Apolo entrou, fechando as cortinas e deixando o lugar escuro de repente. Sentou-se ao lado dela e esticou o braço para apertar os botões do rádio. Uma melodia suave, cantarolada por violinos e sopros difíceis de tocar. Ela fechou os olhos, sentindo algo como uma brisa passando sobre o seu rosto. Estaria imaginando coisas? Estava dentro de uma cabine fechada. Olhou para cima e enxergou, apenas com as luzes do painel agora aceso, um ventilador minúsculo de onde vez ou outra um coração prateado de papel brilhante caía. Maluquice. Mas não tanto quanto o perfume que acabara de aquecer-lhe o corpo. Vasculhou a cabine, mas dessa vez seus olhos não acharam a fonte.

– Me fale uma música pra colocar aqui.

Apolo sorriu, e o branco de seus dentes poderia ter iluminado aquela cabine inteira.

– Er... não sei, não faço ideia.

– Só uma música. Você deve conhecer alguma romântica, vai.

Ártemis tentou pensar, mas era incrivelmente difícil. Aquele aroma a entorpecia.

– Gosto de Something, dos Beatles.

Ele parou, surpreso.

– Você gosta de Beatles?

– Ah, sim, eu gosto. Não sou a maior fã, mas também não posso deixar de gostar.

Apolo parecia nas nuvens, como se fosse uma criança que ganhou seu doce preferido.

– Isso é absurdamente maravilhoso. Espere, eu já vou colocar.

E ele se inclinou para frente. Para mexer nos botões, para fazer qualquer outra coisa, ela não sabia. Porque um cheiro, um perfume divino invadiu suas narinas, e o mundo parou por alguns segundos. Ela nunca havia sentido algo tão bom em toda a vida.

Como em câmera lenta, Apolo voltou, o cabelo loiro brilhando, os olhos de vários tons de azul abrindo um sorriso caloroso para ela. E embora ela se sentisse aquecida, o calor deixava-a nervosa como se fosse atacá-la de surpresa. Como se ela fosse o frio e Apolo o fervor. Apesar de gostar da sensação, o calor, como aquele cheiro e como Apolo, também lhe trazia um alerta para se afastar antes que toda a sua racionalidade saísse voando por alguma fresta. Mas talvez a questão fosse essa: não parecia haver frestas ali naquela cabine escura. Era como se Ártemis estivesse presa em seus sentimentos.

Something in the way she moves attracts me like no other lover…

Percebendo que ela estava encarando-o, mesmo não sabendo o motivo, Apolo sorriu. Ártemis despertou, sentindo as bochechas enrubescerem.

– Ah... Então... Como vai indo sua, hã, sua música?

Ele franziu o cenho, sorrindo.

– Minha música?

– Ahn, é.

– Quer saber se estou compondo alguma coisa?

– Sim – disse, embora tivesse sido o seu nervosismo a perguntar aquilo.

– Bom, eu estava compondo uma música fazia um tempo, mas não consigo criar mais nada desde que essa semana começou. É como se eu estivesse com algum tipo de bloqueio, sei lá.

E ele suspirou, seu olhar vagando em algo que parecia tristeza.

– E eu não entendo a letra da música também –continuou, franzindo a testa. – Não entendo nenhuma das últimas músicas que fiz.

– Como... Como assim?

– As melodias são todas tristes e as letras sobre amor. Amor não correspondido. Mas eu não entendo por que escreveria sobre isso já que Atena e eu vamos nos casar. É estranho, eu não consigo lembrar se antes eu já tive esse problema com ela.

Ártemis conteu fortemente a vontade de abaixar a cabeça.

– Eu... Eu não poderia te dizer. Pra falar a verdade não lembro de vocês dois juntos antes.

– É exatamente isso que estou querendo dizer. Eu também não lembro – desabafou, completamente frustado.

Ela franziu os lábios.

– Quer saber? – perguntou, baixinho – Você não precisa pensar em Atena agora. Eu estou aqui.

Apolo ergueu os olhos para ela, e eles vidraram-se por questão de segundos, para depois brilharem com grande intensidade, como se tivessem se esquecido da poção.

– Eu sei que você está – disse, no mesmo volume, olhando intensamente para ela.

E antes que ela sequer percebesse, sentiu um braço dele atrás dos seus ombros e sua respiração afagando o topo de sua cabeça. Ela fechou os olhos, seu coração batendo forte. Mas Apolo acabou não fazendo mais nada. Ficou ali, quietinho, abraçado a ela como se ela estivesse com frio e o maior desejo da vida dele fosse esquentá-la.

I don't want to leave her now
You know I believe and how

Notas finais
Eu provavelmente já disse isso, mas sou apaixonada pelos Beatles. E essa música é uma das minhas favoritas, sem a menor das dúvidas ~suspira~ Aliás, os Beatles me lembram Apolo (a música Here Comes The Sun, para ser mais específica) *----------* Mas, bem, estou postando nesse espacinho cinza a partir de agora porque fiquei traumatizada com o que aconteceu com a Cecília (ela deixou as notas no espaço branco do capítulo e, *puf*, o Nyah excluiu a história dela). Tipo, de verdade, isso me deixa irritada só de pensar /bate o pé. Só por que ela não usou essa coisa cinza deprimente? ~cruza os braços~ Mas sobre o capítulo, apesar de eu nunca ter demorado mais em toda a minha vida pra escrever algum, eu espero que vocês tenham gostado (e eu amei escrever o final, amei mesmo, porque ele ia ser bem diferente disso). Só queria deixar aqui minhas desculpas, porque eu sou muito irresponsável e porque estou tendo sérios surtos de criatividade. É. E muito, muuuito obrigada pelos reviews