Poseidon acordou em sua cama confortável há quilômetros e quilômetros abaixo do nível do mar. Ele não costumava enrolar muito para levantar, e naquela manhã também não foi diferente.

Pegando qualquer roupa que encontrou no seu armário todo bagunçado, ele entrou no banheiro, lavando o rosto e se trocando.

Apareceu na cozinha de Atlântida e encontrou as duas gêmeas ali, para a sua surpresa conversando normalmente.

–O que aconteceu por aqui? -ele perguntou enquanto as duas voltavam seus olhares para ele.

–O que quer dizer com isso? -perguntou Lara enquanto Lívia pegava uma lixa de unhas e arrumava uma mínima falha em sua mão esquerda.

–Não acordei com gritos hoje.

–Fizemos um acordo. -disse ela, emburrada.

Lívia levantou os olhos, sorrindo abertamente.

–Oh, não faça essa cara! -e depois olhou para Poseidon- Hoje eu e Lara iremos passar o dia inteiro em um salão de beleza!!!

Poseidon soltou uma risada mal contida.

–Vai ficar uma gracinha, Lara.

–Cale a boca.

–E em troca, -continuou Lívia- eu vou ajudar o Sam e a Lara a ficarem juntos só quando ela me pedir!!

–O acordo era que você nunca mais ia fazer isso, Lívia.

–Ah sim, mas caso você me peça eu vou ter o maior prazer em te ajudar!

Lara rolou os olhos e Poseidon riu.

–Hoje vou trazer Atena aqui pra almoçar.

Lívia guinchou.

–Awnn!!! Então não vou almoçar com Zac hoje! Posso te ajudar com ela?

–Não, porque eu não estou saindo com ela e nem nada do tipo, mas como vou acabar almoçando com Atena, vou trazê-la aqui. Mas eu agradeço caso vocês queiram almoçar com a gente.

–Fica nervoso por ficar sozinho com ela? -perguntou Lara, irônica.

–Não. É óbvio que não. Mas ela é uma pessoa... difícil.

–Mas você gosta de desafios. -Lívia abriu um sorriso de canto.

Poseidon sorriu.

–Eu estou indo tomar café no Olimpo, antes que aquela louca acorde e comece a fazer as coisas sem mim.

–Aham. Pode ir, nós podemos tomar o café sozinhas.

Ele rolou os olhos.

–Eu prometo que amanhã eu tomo com vocês.

–Nós entendemos, vai logo atrás dela.

Poseidon sorriu e piscou um olho. Depois, estalou os dedos.


~*~


Com passos largos, ele caminhava no piso de mármore do Olimpo em direção a cozinha. O sol batia forte em seu rosto, forçando-o a estreitar os olhos enquanto andava. Tinha um leve sorriso nos lábios, mas estava apressado. Se não encontrasse Atena, ela não o esperaria , afinal, era provável que um dia com ele já tivesse enchido a paciência dela. Mas até parece que ele ligava.

Foi quando algo bateu forte em seu braço.

–Ai!

Ele viu Atena resmungar alto também, segurando o braço que tinha acabado de esbarrar no dele.

Ela levantou os olhos para olhar para o seu agressor.

–Mas é claro que tinha que ser você, não é Poseidon?

–Ei, você também esbarrou em mim.

–Você é que veio pra cima de mim.

–Por que eu iria pra cima de você?

–Porque você vai andando sem prestar atenção no que está fazendo e por isso vai esbarrando nas pessoas.

–Se você estivesse prestando atenção em onde andava poderia ter se desviado de mim, o que significa que você também estava desatenta.

–Mas... A culpa é sua.

–Não, não é, e eu não vou discutir com você sobre isso.

–Porque sabe que está errado.

Ele suspirou.

–Atena, ou nós dois estamos certos ou você tem que admitir que também está errada. Se tivesse prestado atenção não teria trombado comigo.

Ela rolou os olhos.

–Estou indo tomar café da manhã.

–Eu também.

–No seu palácio não tem uma cozinha?

–Sim, mas eu gosto de vir aqui te irritar.

–Eu percebi -suspirou ela, e logo depois recomeçou a andar.

Não estavam muito longe, então com o pouco que andaram já tinham chegado na cozinha.

Atena se sentou no seu lugar habitual e Poseidon puxou uma cadeira na frente dela.

Os dois se serviram e ficaram um tempo em silêncio.

–Hã... -Poseidon limpou a garganta-Na verdade eu vim aqui realmente porque queria encontrar você.

Ela levantou os olhos para ele.

–Sério? Por que queria me encontrar?

–Porque quero te ajudar com os preparativos do casamento.

–Mas... Por que?

–Me deixe te ajudar.

Ela olhou-o atentamente.

–Bom, hoje eu vou atrás dos convites de novo e acho que pode ir comigo já que fomos juntos da primeira vez em que fui ver isso.

Ele assentiu.

–Já vai receber todos? Posso te ajudar a entregar às pessoas depois.

–Poseidon, Hermes pode fazer isso.

–Ah, claro. O que vamos fazer lá hoje?

–Temos que ver uma cópia que ela já im... por que está sorrindo?

–Você está com mel no cantinho da boca -reparou ele com um sorriso.

Ela corou e pegou um guardanapo.

–Hã... Eu estava falando que... -Atena desviou um pouco o olhar e depois se forçou a sustenta-lo novamente. Não ficaria envergonhada assim por causa dele- A moça imprimiu uma cópia do convite, como um esboço, e eu vou lá para arrumar os últimos detalhes. Depois ela vai fazer todos os outros que vão ficar prontos sexta. Aliais, ela comentou isso segunda-feira quando você estava lá comigo. Aposto que não prestou atenção em nada do que ela disse.

–Provavelmente não.

Ela rolou os olhos.

–Então por que vai comigo a esses lugares se não está afim de ir atrás dessas coisas?

–Porque eu acho divertido.

–Mesmo comigo por perto 24 horas por dia?

–Isso é auto-estima baixa? -perguntou divertido, vendo-a revirar os olhos de novo.

–Você entendeu o que eu quis dizer.

–Sim.

Ela suspirou.

–Isso significa que durante essa semana inteira eu vou ser obrigada a passar o dia com você?

–Sim.

–Hum.

Ela limpou delicadamente as mãos em um guardanapo e se levantou.

–Vamos?

–Como quiser, madame.

Poseidon sorriu discretamente ao ver um sorrisinho aparecendo dos lábios dela.

–Vamos com o seu carro hoje? -ela perguntou.

–Olhe, você teve uma ideia boa!

–É natural da minha pessoa ter ideias boas.

–Eu discordo -disse sorrindo e indo pra perto dela.

–Onde vai?

Ele pegou a mão dela e os dois apareceram na garagem.

–Bem-vinda de volta a Atlântida!

Ele abriu o carro e entrou, sendo seguido por ela.

–Não precisava ter segurado a minha mão. -disse, fechando a porta e parecendo envergonhada- Eu poderia ter aparecido aqui.

Ele olhou-a com um sorriso.

–É interessante ver você vermelha. -disse, fazendo-a ficar daquele jeito.

Como ela não respondeu, ele suspirou e girou a chave, abrindo o portão e saindo da garagem.

Assim como da outra vez, ele demorou para acelerar tudo o que podia, e fez ela soltar um grito quando isso aconteceu. De repente, os dois estavam andando pela cidade no carro.

–Você poderia deixar o carro no Olimpo -resmungou ela- Eu tenho uma parada cardíaca toda vez que você chega àquela velocidade.

–Hum... Não sei se temos garagens no Olimpo...

–Eu construiria uma só pra não ter que fazer isso de novo.

–Ah vai, não é tão ruim assim.

–Ah, super divertido.

–Mas é mesmo, é porque você não está acostumada e não tem senso de humor.

–Eu tenho senso de humor!

–Aham.

–Eu tenho!

–Não tem não.

–Argh, me poupe!

Ela ligou o radio, não prestando atenção na música enquanto seu rosto fervia em vermelho.

"A culpa não é minha se ele é machista e idiota e me deixa irritada. Quem sabe se ele tivesse nascido de outro jeito eu conseguiria mostrar meu senso de humor"

Poseidon observou-a por alguns instantes, vendo que seu rosto ficava cada vez mais vermelho.

–Me desculpe.

Ela se virou surpresa.

–Como disse?

–Me desculpe, acho que saiu mais rude do que eu pretendia.

Ela balançou levemente a cabeça, a cor clara voltando a sua pele.

–Você realmente acha isso?

Ele deu de ombros.

–Acho que soou como um desabafo. Você sempre está brava comigo.

–Mas... Não foi isso que eu perguntei.

–Não acho você sem senso de humor. Gosto de você. -ele engoliu em seco- Só acho que você se irrita muito com tudo.

Ela pareceu pensar. O rosto estava vermelho.

–Hum... Não sei se... Bem, eu... Me desculpe. -disse, completamente envergonhada- Acho que eu sou mais chata com você do que com outras pessoas.

Poseidon suspirou.

–Esqueça isso, certo?

Ela assentiu com a cabeça.

Eles continuaram em silêncio até chegarem na loja de convites.

Poseidon pensou que talvez agora ela começasse a levar um pouco mais na brincadeira o que ele falava. Mas sobre ela, ele não podia ter certeza de nada.