Antes que ele pudesse abrir a porta, Atena pegou a mão dele com força para impedir o movimento.

–Poseidon, que nome usamos quando viemos aqui?

–Não faço ideia -disse ele, oposto à preocupação dela.

–É sério, se tivermos inventado qualquer nome os convites também vão estar errados.

–Mas você disse que era só um rascunho do convite.

–E eu vou falar que eu mudei de nome?

–Olha como você é inteligente!

–Poseidon.

–Atena, a gente se vira.

Ele sentiu os olhos cinzas queimando-o.

–Certo. -ela disse, parecendo mais calma.

–Então acho que agora não precisa mais esmagar minha mão.

Ela notou que ainda estava apertando a mão dele e tirou a sua, as bochechas esquentando. Ele sorriu e abriu a porta.

A vendedora que tinha atendido-os pela primeira vez estava ocupada, então eles foram obrigados a sentar em duas cadeiras enquanto esperavam por ela.

Atena soltou um suspiro e fechou os olhos. Ele observou-a.

–Está cansada?

Ela balançou a cabeça e olhou pra ele.

–Sim, ontem foi um dia cansativo.

–E não dormiu bem?

–Como você sabe?

Ele deu de ombros.

–Se tivesse dormido não estaria cansada.

–Poderi-- ela se conteve, percebendo que estava prestes a começar uma discussão- É, eu não dormi muito bem.

–Então devia estar triste com alguma coisa.

–Não estava triste.

–Segunda você dormiu bem?

–Sim.

–Domingo?

–Também, aliais o que segunda e domingo tem haver com hoje?

–Eu tenho uma teoria.

–Por que eu tenho certeza que você vai falar alguma bobagem? -sorriu ela.

–Porque eu vou.

Ela riu e ele fez uma anotação mental para parar de admira-la em pensamento.

–Pode continuar, já ouvi tantas bobagens vindo de você que uma não vai fazer diferença.

A atendente apareceu à frente deles naquele momento com um sorriso, interrompendo o que Poseidon ia falar.

–Bom dia, senhores! Queiram acompanhar-me, por favor.

Ela cumprimentou-os e fez com que eles a seguissem para uma mesa onde havia várias pastas.

Poseidon e Atena se sentaram na frente dela e analisaram o lindo papel que ela retirava de uma pasta preta.

O convite era clássico, sem muitos detalhes chamativos, mas com uma renda marrom clara sobre a cor neutra onde se via escrito "Atena e Apolo" em letras rebuscadas cursivas. Um lindo laço fechava o convite junto com o envelope em que mais detalhes de seda e renda eram desenhados.

–Está... Perfeito!

–Hum.

Atena olhou pra Poseidon.

–O que foi?

–Ahn, nada.

–Não gostou do convite? -perguntou, forçando uma voz incrédula para sair mais forte do que seu desapontamento.

Ela se perguntou se ele teria notado porque ele sorriu enquanto dava de ombros.

–Se eu fosse me casar com você nosso convite seria bem diferente.

Ela se sentiu corar.

–Mas... O que isso tem haver? Você não gostou?

–Gostei, mas está muito feminino.

–Não está não.

–Sim, olha esse "frufru" -debochou ele, apontando pra uma parte do convite enfeitada fofamente por tecidos pelas mãos da atendente.

–Poseidon, isso não faz o convite ficar feminino.

–Faz sim.

–O que você quer? Que eu imprima e cole um carrinho de brinquedo na frente do convite?

–Não é bem essa a minha ideia de masculinidade... -ele disse, olhando para ela.

Atena franziu o cenho, mas a vendedora rolou os olhos, dando um sorrisinho.

–Tem certeza que não são os dois que vão casar?

Atena virou a cabeça para ela no mesmo segundo.

–O quê? Não! É claro que não! Brigamos de cinco em cinco minutos.

–Ah, mas se ele está aqui te ajudando são amigos pelo menos, certo?

–Hã...

–Melhores amigos -respondeu Poseidon, sorrindo e se segurando pra não rir da cara dela.

–Pois bem, significa que não se odeiam, logo, esse ódio que demonstram não passa de amor.

Atena arregalou os olhos e até ele pareceu um pouco fora de si.

A vendedora soltou uma risada gostosa.

–Estou só brincando, embora realmente ache que vocês formam um casal bonito.

Ele sorriu.

–Obrigado, mas eu estava brincando também sobre sermos melhores amigos.

–Não são? -perguntou e depois pareceu lembrar-se do motivo para o qual eles estavam ali-Ah, desculpem-me, desejam fazer algum ajuste no convite?

–Não, acho que está tudo perfeito -respondeu Atena, antes que ele pudesse falar alguma coisa.

–Bem, então na sexta de manhã todos os convites estarão prontos.

–Na verdade não sou eu que vai vir buscá-los, e sim o meu irmão Hermes.

A moça assentiu com a cabeça e assim, Atena levantou da cadeira, como Poseidon.

–Obrigada por tudo -a deusa agradeceu com um sorriso.

–Eu é que agradeço!

–Obrigado -sorriu ele, piscando e fazendo as pernas da vendedora tremerem.

Os dois saíram pela porta e Poseidon pegou as chaves do carro. Assim que entraram, ele respirou fundo:

–Estou faminto, que horas são?

–Ficamos aqui por duas horas. Ainda são onze e meia, e eu não quero almoçar.

–Isso me lembra que eu esqueci de te fazer um convite.

–Pra que exatamente?

–Você vai almoçar comigo e eu quero almoçar em Atlântida. Então, ia sugerir de você ir pra lá.

–Quem sabe se você se ajoelhar e implorar para que eu te dê o prazer de almoçar em Atlântida com você.

–Boa sorte. -sorriu ele, levantando uma sobrancelha.

–Então eu não vou.

–Então vai comer sozinha.

Ela sorriu.

–Com todo o prazer.

Atena abriu a porta.

Ele ergueu uma sobrancelha, sorrindo irônicamente.

Ela colocou um pé para fora do carro e depois o outro.

–Atena, deixa de criancice.

Depois levantou do banco e saiu do carro, apoiando uma mão na porta e sorrindo maldosamente pra ele.

Poseidon sentiu a garganta seca. Aquela cena não sairia de sua cabeça tão facilmente.

–Entra logo no carro.

–Me peça direito e eu entro.

–É sério isso?

Ela deu de ombros, os olhos azuis acizentados analisando o olhar dele.

Poseidon suspirou.

–Ó Atena, minha deusa, gostaria de lhe fazer um pedido...

–Sua?

–Caso queira por livre e espontânea vontade ir comigo até a minha humilde residência apenas para que eu possa desfrutar de sua generosa presença, irei lhe mostrar gratidão pelo resto de minha curta vida.

–Humilde residência? -argumentou erguendo as sobrancelhas com um sorriso.

–Entra logo no carro, Atena. -disse ele, sorrindo exasperadamente.

Ela sorriu e entrou.

–Só faltou um por favor.

–Aham -ele ligou o carro e olhou pra ela-Acho melhor apertar o cinto.

Atena não precisou que ele dissesse duas vezes e quando percebeu eles já estavam andando pela cidade em direção a uma rua deserta das outras.

–Três, dois, um... -e ele acelerou.


N/A: Esse capítulo ta curtinho, mas em compensação já to escrevendo o próximo :D

Espero que tenham gostado ;)