Notas iniciais
Então, eu preciso ser franca com vocês... Já perdi completamente o ânimo para continuar escrevendo esta fanfic. Eu achei que seria minha primeira long-fic a finalizar, mas aparentemente entrara para a longa lista de abandonadas. Estou num bloqueio enorme, estou com novos projetos e isso aqui está virando mais um fardo que algo divertido de escrever. O final que eu tinha planejado não se encaixa mais então está completamente sem rumo. No processo de escrevê-la até agora, eu acabei colocando muitas pontos que não estavam no planejamento original e que eu não soube lidar bem, e que tenho o sério medo de não conseguir dar um bom final com tudo esclarecido. A outra razão do meu desanimo é a falta de comentários. Eu queria ser mesmo como esses autores que conseguem escrever independente de receber comentário ou não, mas eu não sou. Eu tento continuar a escrever e me lembro que é pra nada, porque faz um tempo que eu recebo um comentário por capítulo e olha lá, que simplesmente eu prefiro trabalhar em projetos novos que eu já estava com mais animação pra começar. Eu mendigo comentários em todos os capítulos e não dá em nada, tudo que consigo pensar é que não estou fazendo meu trabalho direito. Essa fanfic não é o que eu queria que ela fosse. No começo era, mas eu percebi uma queda de qualidade, ainda mais nos capítulos que tenho escritos e que ainda não foram postados. Tenho até o 16 pronto e irei postar todos, embora não estejam a meu gosto. Espero mesmo que nesse meio tempo eu volte a me animar, porque não quero largar mais um projeto incompleto, mas também não quero escrever por escrever. O resultado nunca é bom. Basicamente é isso, eu sinto muito. Espero que apesar de tudo não achem esse capítulo tão ruim quanto eu. Não vou mendigar comentários porque depois de 13 capítulos, eu acho que nem mereço.

Feliks perdeu o ar quando viu a foto no retrato.

Lá estava ela, ao lado de Ivan com um sorriso de sol nascendo, olhos azuis brilhando de mar, mesmo cabelo curto, mesmas bochechas redondas. Era a mulher que Feliks tinha conhecido na rua e com que havia conversado várias vezes desde então. Era sua amiga.

O choque tornou fácil ligar os pontos, Natália era a menina que parecia uma princesa, que ele lamentou ao pensar que nunca conheceria, apesar de agora ver que era ainda mais que uma princesa. O rapaz alto no meio da foto só poderia ser Ivan, a peça-chave de Natália e o medroso para Katyusha. O destino era uma coisa louca, para levá-lo a conhecer as duas irmãs de uma família complicada e extremamente fechada, e de uma forma virar amigo das duas. Era loucura, de tantas famílias e pessoas no mundo.

Detalhe: estava na casa de Toris.

Duas amigas e seu amante no mesmo teto, bem ao lado de sua casa, esse tempo todo. A fugitiva e sua obra-prima. Sentiu-se zonzo, era muita informação. Mas, ao invés de desmaiar, só conseguiu gaguejar:

— E-eu... Eu conheço essa garota...

Natália não pôde ficar menos surpresa. No casarão, apenas Ivan tinha uma vida fora – supostamente. Katyusha nunca saia sozinha, quase sempre estava com ela, não tinha como conhecer alguém fora. E, se conhecia, ele, entre todos, tinha pulado sua janela e conversado com ela por horas. Era loucura. Começou a se perguntar se Katyusha não tinha o enviado para ver como estava a casa, mas descartou a possibilidade pela expressão que ele fez ao ver o retrato.

— Você conhece a Katyusha? Isso é impossível.

— Sim, sim, eu conheço. — confirmou, batendo na foto com um dedo. — Quer dizer, a gente só se viu uma vez e ela estava com muita pressa, mas estamos conversando por telefone e...

Só então caiu a fixa: encontrou Katyusha fugindo da família, e fugitivos não querem ser encontrados. Tinha acabado de arruinar as coisas para ela.

— Telefone?! Que telefone?! Você tem o telefone dela?! — o olhar medonho que havia adormecido em Natália acordou com tudo, fazendo-a institivamente sacar a faca. — Como você conseguiu?!

Em frente à arma e muito surpreso para criar boas mentiras, viu as respostas saírem de sua boa sem controle.

— E-eu pedi... Ela me ligou assim que conseguiu um lugar para morar... Ela está bem, eu juro!

— Há quanto tempo vocês se conheceram?

Ele cocou a cabeça, tentando lembrar sem parecer tão desesperado quanto estava. Com toda aquela conversa sobre quadros, tinha se esquecido do quanto aquela garota era maluca.

— Um pouco mais de uma semana, eu acho... Não faz muito tempo, a gente acabou de começar a se falar...

— E onde ela está agora? — Natália relaxou, guardando a faca. Percebeu que conseguiria as informações de qualquer jeito.

— E-ela não me disse, só passou o telefone... — essa parte era mentira. — Mas ela está bem, eu juro!

— Ela te contou por que estava fugindo?

Feliks assentiu com a cabeça, engolindo em seco. Agora entendia o que Katyusha quis dizer com sua irmã ser assustadora.

— De vocês.

Com uma resposta tão direta, Natália se viu obrigada a começar a mentir também. Um plano todo novo começou a se construir em sua mente, para ele precisava do telefone, mas nada o impedia de passar o número errado. Porém, Natália sempre foi boa em manipular.

— Ah, aquela estúpida! — se virou de costas, jogando uma mão dramaticamente na testa. — Ela entendeu tudo errado!

— Hum? — Feliks continuava confuso.

— Ela deve ter achado que teria que ir conosco para Moscou, por isso foi embora... Ela detestaria viver numa cidade grande. — mentira, mentira atrás de mentira. Feliks teria que ser meio idiota para acreditar nisso. Ou Natália ser uma ótima atriz. — Mas nunca a forçaríamos a ir junto, ela sempre foi contra nossas ambições... Porém, agora que ela foi, está tudo indo de mal a pior...

Aquela parte era verdade. Desde que conversou com Katyusha, Feliks desconfiou daquilo numa família tão problemática.

— Meu irmão não aguenta ficar sem ela e, por mais que eu não admita, está difícil viver sem sua voz da razão... — suspirou, forçando sua melhor cara de arrependida. — Por isso, Feliks, eu imploro, se tem o contato dela, peço que me passe para podermos conversar. Não vou atrás dela nem tentar convencê-la a voltar, mas da ultima vez que a vi eu disse coisas que ninguém deveria dizer... Por isso eu preciso, como irmã, tirar esse peso da consciência...

Se ele conhecesse Natália, se já tivesse a visto outra vez na vida, ele saberia que cada linha que ela dizia era uma mentia deslavada. Mas ele não conhecia, e Natália era boa em fingir. Lembrou-se da dor de Katyusha ao falar em deixar os irmãos, e a possibilidade de vê-los juntos aqueceu seu coração. Ele tirou a pequena agenda do bolso do casaco e reescreveu o número em um canto para arrancar.

— Aqui, toma...

Natália levantou o rosto, agora falsificando extrema gratidão. Agradeceu diversas vezes de várias maneiras, abraçando o papel junto ao peito. Mentira, mentira e mentira, e Feliks tinha caído como um patinho.

— Obrigada, muito obrigada... — repetiu por uma ultima vez. — Eu nem sei como te agradecer...

— Relaxa, loirinha, tudo por minha obra-prima. — levantou as mãos no ar, em sinal de humildade, mas com um sorriso feliz de ser bajulado. — Me liga também depois para começarmos a te pintar, pode ser?

Ela assentiu, alegre como uma cobra em pele de coelho. Olhando em volta, lembrou-se de outro detalhe importante.

— Por onde você vai embora?

Ele pareceu meio confuso.

— Ué, pela porta. — apontou para o acesso do quarto. — Pulando da janela na boca dos pitbulls é que eu não vou...

Ela pensou por um instante, procurando um jeito de ele poder passar tranquilamente pelos corredores sem ninguém prendê-lo como intruso. Afinal, agora ele era seu aliado.

— Tá, mas se alguém te encontrar, fale que a senhorita Natália o chamou para vê-la pessoalmente e que terão que se acertar comigo antes de relarem um dedo em você. — cruzou os braços, orgulhosa de poder usar sua reputação assustadora até nesses momentos. Ninguém iria perturbá-la se tivesse amor à vida.

— Pode deixar, senhorita. — concordou, fazendo uma reverência. — Até outro dia.

— Até outro dia.

Ela abriu a porta do quarto e deixou-o escapar. Agora, tinha uma nova peça fundamental para continuar seus planos, tinha um desejo imenso de conquistar algo sozinha e logo viraria uma obra-prima. Tudo soava muito estranho e novo, mas estava eufórica. Não via a hora de botar tudo em prática.

Já Feliks, ainda confuso com tudo que tinha acontecido, ansioso para falar com Katyusha, encontrou nos corredores estreitos e cobertos mofo seu objetivo. Aquela ainda era a casa de Toris, até onde sabia. Precisava encontrá-lo em algum canto ou encontrar alguma pista para seu comportamento.

Ficou vagando pelo que pareceu horas nos corredores e salas, observando a velha mobília e analisando os velhos retratos e quadros que cobriam todas as paredes. Vez ou outra, acaba espirrando pelo excesso de poeira, que era um estado inerte do casarão não importa quantas vezes fosse limpo. Já estava habituado ao ranger das tábuas, mas nenhum sinal de Toris.

Porém, só de olhar, conseguia concluir que nunca, nunca quereria morar num lugar deles. Sua casa era pequena, mas era nova e colorida, cheia de vida e conforto. O casarão não; era monocromático, fedido e assustador. Assim como sua entrada, parecia eternamente assombrado por fantasmas dançando pelo ar. Cada curva e escada íngreme era um suspense pior, como se o inferno estivesse no final. As coisas só ficavam piores quando nos quadros estava Katyusha, porque o lembrava do quão surreal e pequeno era o mundo que vivia.

Mas no final das contas, ele encontrou sim Toris. Depois de voltas e voltas, acabou chegando no corredor de seu quarto, sem quadros, apenas um papel de parede descascado, por onde ouviu sua voz ecoar. A voz dele era pequena e acanhada, educada mesmo quando não se preocupava com isso.

— Isso está passando dos limites... — lá estava, o som pequeno, mas concentrado, de um rapaz que vivia preocupado.

Feliks seguiu até a porta aberta, animado por terminar sua busca e confrontar Toris em uma situação que ele não teria como fugir.

Não teve erro: Toris estava lá dentro, uniformizado e ocupado em seu quarto, ajudando com os cuidados de Raivis, que tinha apanhado pela segunda vez na onda de terror e agora estava com os braços todos a sangrar. Bem quando Feliks pretendia entrar no quarto, Toris saiu, sem perceber sua presença.

— Vou buscar mais água quente. — avisou para os colegas no quarto, antes de dar o primeiro passo no corredor e cancelar todos os seus planos.

Em toda a vida monótona de Toris, surpresas apareciam vez ou outra para abalar sua estrutura. Palavras que não esperava ouvir, eventos que imaginou não ter que ver. Porém, poucas dessas surpresas foram mais fortes para parar seu coração quanto ver Feliks parado em seu corredor, encostado na parede, parecendo esperá-lo.

Depois de todo seu esforço para mantê-lo longe, todas as mentiras para protegê-lo do inferno de Ivan, tudo tinha o levado exatamente para onde nunca deveria entrar.

Não alcançou palavras nem mesmo para perguntá-lo o que fazia ali. sentia o mundo todo se desfazendo sob seus pés, desmoronando em pedaços de vidro que o abandonavam no caos do vácuo. Tudo menos aquilo. Feliks já se irritava quando não o contava sobre sua vida, não sabia o que poderia fazer por ter que descobrir por si mesmo. Para começar, como ele tinha o achado? Embora a parte realmente difícil tenha sido como ele conseguiu entrar.

Sem palavras, apenas gaguejando debilmente com os olhos arregalado, não sabia como começar, não sabia o que seria dele depois daquilo.

— Tipo, hey, Liet... — Feliks quebrou o silêncio, em seu comprimento habitual que contrariava a expectativa. O sorriso dele deixava tudo pior. — Cansou de fugir de mim?

— O-o que está fazendo aqui? — balbuciou, quando consegui falar. Sentia como se um raio tivesse atingido seu coração.

— Eu vim te ver, ué. — respondeu dando de ombros, casualmente — Estava em casa e percebi que você nunca tinha me convidado para sua casa... Então, vai me contar por que mora nessa espelunca e por que sempre se escondeu?

Aquela intimação dita em um tom tão causal, quase brincalhão, tornou impossível para Toris pensar em qualquer resposta. Quando saiu do estado de choque de ver Feliks ali, a fixa caiu com o único pensamento de emergência que conseguia se concentrar.

— Você precisa ir embora daqui. — afirmou, praticamente o empurrando pelos ombros pelo corredor.

— Opa, que isso? Mal cheguei e já está me expulsando? — parou o empurrão, fazendo Toris o encarar nos olhos. — Achei que você seria mais hospitaleiro. Não está feliz por eu estar aqui?

— Você precisa ir, agora! Se alguém te vir você vai...

— Ai, para de neura, Liet! — exclamou, soltando-se de uma vez. — Eu nem teria, tipo, vindo até aqui se você não ficasse agindo estranho!

— Feliks, aqui não é hora nem lugar de discutir, quando a gente estiver em casa eu...

— Vai ficar mentindo e dando um jeito de não contar tudo! Corta essa. Eu te segui exatamente por isso!

Toris sabia pela expressão dele que dificilmente sairia de lá de mãos vazias, sem uma conversa esclarecendo tudo nos mínimos detalhes, mesmo com ele furioso por ter sido encontrado. Não sabia o quanto Feliks já tinha visto ou o que ela já sabia do casarão, então estava na desvantagem. Porém, quando ouviu o som de passos vindo pelo corredor, não teve tempo para a teimosia de Feliks. Seu primeiro instinto foi empurrá-lo de novo.

— Saía daqui agora! — sussurrou, impaciente e raivoso, atento aos passos se aproximando — Eu juro que te explico tudo, tudinho, ainda hoje, mas você tem que ir!

— Liet, escu...

— Agora! — interrompeu, cada vez mais nervoso. — Pelo amor de Deus, Feliks, será que dá para fazer o que eu digo uma vez na vida?!

Feliks fez menção de protestar, mas novamente Toris se antecipou e rosnou na frente:

— Se você não for agora, nenhum de nós vai ter mais vida para reclamar, ouviu? Por favor, vá embora...

Os passos ficavam mais altos, Toris sentia-se tão perturbado e assustado que poderia começar a chorar em qualquer momento. Se os vissem, não conseguia nem imaginar o que fariam, ainda mais com Feliks, um intruso. Dificilmente ele escaparia vivo e são.

E, de alguma forma, seu medo nos olhos era tanto que até Feliks percebeu e encolheu a postura. Não se lembrava da ultima vez que tinha visto Toris tremendo tanto, com tanta preocupação. Por mais que achasse exagero, ele obedeceu, sumindo de vista logo em seguida.

Toris precisou de uns minutos para acalmar os batimentos cardíacos e a respiração. Nunca imaginou que aquele dia chegaria. Manter um relacionamento com Feliks estava se tornando insustentável, mas agora que ele sabia onde achá-lo, não tinha mais saída. Mesmo que combinassem nunca mais se verem, ele poderia aparecer em sua porta no primeiro surto. Não que quisesse acabar com tudo, muito pelo contrário, mas estava cada vez mais complicado. Queria nunca ter corrido até ele quando se machucou. E como explicaria para ele naquela noite? Não havia maneira boa de dizer que era praticamente um servo de uma família de psicopatas que aplicavam punições físicas por qualquer tropeço.

Talvez, pensou, não precisasse contar tudo como prometera. Não era um problema esconder algumas coisas dele se fosse para o bem comum.

Quando pensou, isso tinha de fato uma chance de funcionar, mas sem saber, todos os seus planos caíram por terra poucos minutos depois. Feliks estava perdido atravessando os corredores, tentado descobrir o caminho até a porta e supreendentemente conseguindo evitar todos os moradores. Porém, depois de descer e subir vários andares e andar em círculos, ele encontrou uma porta aberta que dava para uma escadaria apagada pelo breu. A regra mínima da sensatez é: se não consegue ver o último degrau, não desça o primeiro.

Mas foi por isso mesmo que Feliks desceu. Não conteve a curiosidade para saber onde aquela escada dava, inclusive imaginou que pudesse ser a saída. Apalpando as paredes para se encontrar na escuridão, ele desceu dois lances no escuro até alcançar os últimos degraus, iluminados pela luz vinda de uma janelinha acoplada à porta de aço do destino. Pensou por um minuto que pudesse ser a luz do dia, mas quando ficou na ponta dos pés para observar o cômodo atrás da porta, viu o que realmente era.

Viu Ivan em seu porão. O homem alto e seu cano sujo de vermelho, um rapaz ajoelhado e amarrado gritando por socorro. Gotas de sangue voavam e sujavam o chão, mais gritos. O homem dizia algo que não conseguiu ouvir, mas que soava como ameaça. Reconheceu-o da foto de Natália, mas nela ele não parecia nem um pouco mal. Lembrava-se de Katysuha falando dele como um coitado medroso, mas não era isso que via. O certo seria intervir pelo rapaz que apanhava e tentar discutir, porém só a visão do sangue revirou seu estômago. Entendeu o que deixou Toris tão nervoso quando o viu, e logo soube por que ele estava machucado naquele dia. Esse pensamento imediatamente fez sua visão substituir o rapaz do porão por ele, seu Toris que amava e cuidava, e isso foi o suficiente para ele dar meia volta e subir correndo.

Quando voltou para casa, a primeira coisa que fez foi beber, a segunda foi pintar. Pintou a árvore retorcida, os corredores, o quarto branco, mas o melhor resultado foi a cena terrível que presenciara no fim. Pinceladas grossas riscavam a tela para tentar organizar seus pensamentos. Toris vivia num lugar horroroso daqueles. Mais tinta. Tinha apanhado até conseguir aqueles machucados, tinha sujado o chão de sangue do mesmo jeito. Sangue? Tinta vermelha, mistura com chumbo, fica bom, mais tinta.

Não chorou nem gritou, apenas sujou telas depois de telas a tarde inteira, para tentar aliviar a mente que não sabia como tinham acabado assim.

Na infância, não havia nada de ruim. Toris e Feliks viviam juntos, riam, eram tão inocentes e felizes, nunca imaginariam uma vida de servidão e violência. Agora Toris estava naquela situação, não sabia como ou por que. Se continuasse, chegaria um dia que ele ainda ia acabar morrendo.

A noite chegou, como uma cortina negra majestosa cobrindo o céu delicadamente. A madrugada veio depois, silenciosa e cheia de promessas. Feliks esperava acordado, pintando e cansando, fumando e voltando a pintar, sem saber quando Toris apareceria, ou se. Algo lhe dizia que ele seria covarde o bastante para nunca mais dar as caras.

Mas, felizmente, ouviu o som da maçaneta e das botas velhas dele entrando na casa, de seu casaco sendo pendurado e de seu rosto isolado. Parecia quebrado, tremendo por dentro do que a conversa daquela noite traria. Não sabia nem por onde começar.

Mas Feliks foi direto ao ponto, sem um “oi” ou uma chance de relaxar os olhos:

— Então, pode começar a falar.

Notas finais
Quem quiser comentar comenta, quem não quiser, bem, não comenta.