Um Beijo Ao Azul Escuro
9 Só talvez haja erros em ambos
Meu peso caiu com tudo em cima da cadeira na sala de descanso, Greg trouxe um copo d’água que desceu todo em um gole. A remota lembrança da fome se fez presente, ainda mais devastadora que antes, estava sem forças e o mundo a minha volta fugia da nitidez, acho que estava pálida pelo olhar preocupado de Greg.
Meus braços ainda sentiam a pressão dos seus dedos no momento em que ele me puxara do olhar estático de Grissom, o olhar sério e compenetrado em tentar mudar tudo que eu havia dito, agindo da forma que sabia fazer melhor quando se tratava de sua vida, não fazendo nada. Eu e ele deveríamos muito a Greg pelo singelo gesto de amizade em me tirar de lá pedindo para eu me acalmar, um vez que talvez arrancasse fora a cabeça de Grissom.
–Tem alguma coisa para comer? – Eu perguntei com a voz minguando do fraco à inexistente
Ele deu e ombros.
–Vamos comer alguma coisa, um hambúrguer que tal? – Assenti com a cabeça, o mundo deu uma volta rápida quando o fiz isso, fiquei tonta, o suficiente para sacudir meus pensamentos e me lembrar que estava perdendo algo importante em minhas memórias, uma pergunta que eu deveria fazer.
–Você me conta o que como as coisas foram até o Lion? – Definitivamente era isso, eu estava passando mal nos braços de Greg e ainda tinha forças suficientes para procurar confusão, para procurar respostas de perguntas que me magoaram. Era isso, eu tinha um tipo de encanto sobrenatural pela dor.
Era um território arriscado, mesmo não tentando me tocado disso quando supliquei, sim, aquilo não havia sido uma pergunta, foi uma súplica vestida de tristeza e confusão que mesmo havendo as implicações legais seria impossível para o bom coração de Greg negar.
Ele me ajudou a levantar, ainda pensando na resposta, que só veio quando sentamos na primeira mesa de uma lanchonete qualquer ao lado do laboratório, o coitado havia me carregado o caminho inteiro.
Ele pediu dois hamburgues, um vegetariano e um completo, dois copos de refrigerante do grande e uma porção de batatas fritas, voltando a me encarar nos olhos.
–O que você quer saber, exatamente?
–Como eles encontraram o Lion e a mim. – Balbuciei, lutando contra a fome.
Com certeza não estava pronta para assimilar tudo, mas qualquer informação era preciosa, eu sabendo ou não compreendê-la.
–Na propriedade de Grissom tinha marcas de moto no gramado, nós cruzamos o formato dos pneus e deu que era um tipo comum para em motos grandes.
–Especificamente Harley’s?
–Quase, é o mais frequente. – Ele respirou fundo, recebendo o pedido e pagando. Senti um ligeiro rubor tomar conta de mim, os trinta dólares tinha ficados esquecidos no bolso da calça jeans que entrei a Nick em uma sacola com o resto das minhas roupas. –Então, — Continuou ele mordiscando as batatas fritas, enquanto eu estava já na metade do meu hambúrguer. – tinha umas gotas de óleo de motor no gramado, e quando fizemos o teste, ele era um também comum para esse tipo de moto. Foi fácil encontrar a marca e mais fácil ainda achar a última grande compra. 32 galões de 16 litros, no nome de um Edgar sei-lá-das-quantas, quando puxamos a ficha do cara, desde agressão até formação de quadrilha, roubo, já tinha cumprindo pena e tudo mais. Ele estava na cidade, usou o cartão de crédito, quando rastreamos foi direto onde vocês estavam.
–Ele não passou o cartão quando entramos. – Disse me recordando vagamente como aquilo aconteceu, eu não estava prestando em muita coisa fora as costas grandes encobertas pela jaqueta e o calor de sua palma contra a minha.
–Estava ativo há duas semanas... – Ele disse calmo, quase como um pedido de desculpas à minha decepção visível em minha expressão de desolação. –Eu vou ter perguntar, desculpa, mas... O pessoal que você conheceu, eles seriam capazes de fazer aquele estrago, um número tão resumido de gente, seria capaz disso?
–Eu duvido que não fossem. – Disse secamente, me lembrando do rosto de cada um, me lembrava vividamente das feições deles, do circulo ao redor de mim e de Lion, da cara daquelas raparigas em seus colos.
Eu terminei meu hambúrguer e olhei para Greg que começara naquele momento o seu.
–Meu carro está lá, junto com a câmera da perícia, vocês podem ir recuperar?
–Você deixou seu carro com eles? – Quase ri vendo Greg engasgar e virar o copo de Pepsi em garganta a baixo.
–Aconteceu muita coisa, muita coisa mesmo. – Eu respondi vagamente à sua surpresa, tanta coisa nem eu sabia explicar como.
–Vamos falar com o Brass, assim pegamos uma equipe e vamos par lá.
–Greg, antes, posso te pedir mais um favor?
–Diz aí. – Ela respondeu curvando os lábios sem seu costumeiro e confortável sorriso companheiro.
–Eu posso comer outro hambúrguer? — Ele sorriu, assentindo com a cabeça, aliviado, aquele tinha sido o primeiro favor fácil que o havia pedido aquela noite.
–Claro.
No sir, I don't wanna be the blame, not anymore
Não senhor, eu não quero ser a culpada, não mais
It's your turn, so take a seat we're settling the final score
É a sua vez, então sente-se para acertarmos as contas
And why do we like to hurt so much?
E por que nós gostamos tanto de nos machucar?
I can't decide you have made it harder just to go on
Eu não consigo decidir; você tornou mais difícil para prosseguir
And why all the possibilities, well, I was wrong
E por que todas as possibilidades, bem, eu estava errada
That's what you get when you let your heart win, whoa
É isso que você ganha quando deixa seu coração ganhar, whoa
I drowned out all my sense with the sound of this beating
Eu afoguei toda a minha razão com o som da batida
That's what you get — PARAMORE
A briga foi sem precedentes, Brass gritava de um lado, eu do outro, Greg por mim, Catherine tentava falar por cima de nós mandando nos calarmos, de repente metade do corredor do laboratório estava com a cabeça pende para fora das salas de vidro olhando-nos em um silêncio quase fúnebre, atentos aquela briga.
Aos longo do corredor Grissom se aproximou em passadas longas, a sua já tão costumeira raiva estampada na face, palpável pela carga de tensão que injetava ao ambiente. Ele entrou na sala, fechando a porta atrás de si, afastando os olhares curiosos, ninguém parou de falar, mas nossos olhares estavam concentrados nele, e o baque da porta junto a seu grito conseguiu a proeza do silêncio.
–CALEM-SE! O que está acontecendo aqui?
–Ela terminou de perder o juízo, isso que aconteceu! – Brass gritou apontando parar mim.
–Não é assim! — Gritei de volta. – Se você parasse para me escutar...
–Você sabe no que isso pode dar? – Ele gritou de volta sem me deixar falar.
–Brass, eu...
–CALEM-SE! – Grissom gritou sobre nossas vozes de novo, brandindo os braços em nossas direções. – Os dois calados! – Ele respirou fundo. – Catherine, por favor?
–Sara, — começou ela. – “esqueceu” o carro com material da perícia onde a gangue estava mais cedo, ela sugeriu que uma viatura que “por acaso” portasse uns membros treinados a levassem para buscá-lo, uma vez que ela estava sem veículo e o automóvel possuía evidências, assim não quebraria a corrente de custódia.
–Eu pedi para você deixar todas as evidências na casa. – Eu abalancei cabeça, negando que havia feito isso.
–Não consegui deixar tudo... Eu saí tão rápido que esqueci umas coisas.
–Do que exatamente estamos falando?
–Minha câmera, está dentro do carro. Eu não a peguei quando saí, do mesmo jeito que a chave do meu apartamento, uns suprimentos de material de perícia na mala, meu celular... – Eu poderia continuar a lista, mas não viria ao caso.
As sobrancelhas arquearam ligeiramente ponderando a situação.
–O que te faz pensar que eles ainda estejam lá?
–Nada. – Fui sincera. – Mas eles estavam bebendo e fumando, tenho certeza que pelo estado daquele lugar as coisas não são lavadas tão cedo.
–Você se lembra do estado que encontrou as mansões? Com certeza eles estão armados.
–Eles devem ter escondido as armas em um lugar muito bom, porque eu não vi nada. Não havia como esconder nada naquele lugar, era minúsculo.
Grissom respirou fundo.
–Brass, é seu dever proporcionar que todas as nossas testemunhas cheguem em casa em segurança, e o nosso é garantir que todas as evidências sejam levadas em conta. Quão será a importância das fotos que a Sara tirou, se não pudermos vê-las?
–A corrente de custódia quebrou a partir do momento que não tinha um oficial por perto, você sabe que isso jamais será aceito em um tribunal, mas se todos querem levar um tiro no meio da cara, fiquem a vontade! Eu não irei impedi-los!
Grissom assentiu com a cabeça, e olhou para nossas faces, impassíveis de reação, Catherine foi a primeira a sair da sala com Brass, que ligava para alguém. Grissom e eu nos olhamos uma última vez antes de sairmos atrás dos dois, podia jurar que havia o vislumbre de uma curva discreta em seus lábios, pequeno demais para ser um sorriso, mas notável o suficiente para originar um.
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