Um Beijo Ao Azul Escuro
10 Sem respostas
Notas iniciais
But now that I get you
Mas agora que eu entendo você
I know fear is what it really was
Eu sei que aquilo era medo
Now here we are, so close, yet so far
Agora estamos aqui, tão perto e ainda tão longe
Haven't I passed the test.
Ainda não passei no teste
When will you realize
Quando você vai perceber
Baby i'm not like the rest
Querido, eu não sou como o resto
Don't wanna break your heart
Não quero partir o seu coração
Wanna give your heart a break
Quero dar um tempo a ele
I know you're scared, is wrong
Eu sei que você está assustado, é errado
Like you might make a mistake
Como se pudesse cometer um erro
There's just one life to live
Só temos uma vida para viver
And theres no time to waste
E não temos tempo para desperdiçar
So let me give your heart a break, give your heart a break
Então deixe dar um tempo ao seu coração, dar um tempo ao seu coração
Give your heart a break – Demi Lovato
Eu entrei logo em seguida a sua batida na porta, estava esperando qualquer pessoa, qualquer uma, menos eu. Entrei calada, sabia que era uma intrusa, seus olhos seguindo minuciosamente cada movimento meu, desde o amarrar do cinto até me escorar pronta para a partida. Olhei de volta, respondendo a sua atenção.
-O que você está fazendo aqui? – Grissom perguntou finalmente, a pergunta de um milhão de dólares, que eu adoraria ter a resposta. Eu estava lá porque eu queria estar, apenas isso.
-Acho que precisamos conversar. – Não achava, tinha certeza, mas não era por isso que eu estava lá, eu poderia esperar, mas eu não queria esperar, eram coisas tão diferentes que me faziam o pensar o quão egoísta havia me tornado em menos de um dia.
Sim, tudo estava girando em torno de mim, mas eu girava em torno dele, todos os meus problemas, todos os miseráveis e insignificantes problemas provinham dele.
Quando Grissom entrou em minha vida uma série de dominós começaram a cair, cada um representando as estruturas da minha vida que vieram a baixo por completo com o passar do tempo, os intervalos de cada um minha razão, meu bom senso, os intervalos que guardavam em dois mundo diferentes meus sentimentos por ele e seu envolvimento em minha vida, as pequenas brechas que garantiam a diferença entre real e ilusão, entre possibilidade e vontade, entre simplesmente minha sanidade e Grissom.
Ele assentiu, concordando. Sim, nós precisávamos conversar, isso era claro. E fiquei ligeiramente grata por ser naquele momento.
Ele finalmente ligou o carro e afundou o pé no acelerador acompanhando as viaturas, o radio soou. “Sara, vá dizendo o caminho.”.
-É a estrada principal para sair da cidade, apenas isso.
Grissom fechou o canal do radio, e olhou de banda para mim, um olho na estrada escura e outro em mim.
-Você queria falar sobre...?
-Nós, talvez? – Engoli a seco. –Essa situação é ridículo... Eu não aguento mais isso. – Minha voz parecia seca, um fio quase inaudível em meio ao som das rodas contra o asfalto e do ar condicionado do carro.
-Não existe um nós.
-Claro que não, você deixou bem claro isso na outra noite.
Ele exalou e senti ligeiramente ele entrar no clima da conversa, do que ela significava, do que ela poderia resultar, do que ela implicaria, e como ele deveria ter empatia por aquele assunto. Nós. O nós sempre existiu, ele que nunca percebeu, ele que nunca se importou, ele que ignorou, ele que sempre soube, mas preferiu remediar.
-A mesma noite que você encheu a cara para superar isso? – Seu sarcasmo havia entrado no jogo.
-Essa mesma. – O fio de voz parecia ainda mais longínquo.
-Não vai conseguir me culpar por isso.
-A questão não é de quem é a culpa, a questão é se isso ainda é possível, se convivermos ainda é possível. Grissom, eu percebi que nada mais me prende aqui, nem você. Eu não preciso continuar aqui, eu tenho uma vida pela frente, o tempo está passando e eu não estou ficando mais jovem, nem você. – Minhas pernas havia indo parar em cima do estofado do bando, meus braços envolvendo-as da maneira que podiam com o cinto impedindo uma boa posição.
-Seu esclarecimento é verdadeiramente inspirador. – Mas sarcasmo. Eu estava encolhida, pela primeira vez no dia sentindo medo. Sim, finalmente, o tão aguardado fim, da esperança, do sonho, da doce ilusão.
-E você está tratando com todo seu desdém. – Eu disse baixo. -É inacreditável como você é. Por que você faz isso, por que você não pode se importar? Porque eu me importo com você, eu realmente me importo.
-Talvez eu não queria isso.
-Claro que você não quer, você nem tentou querer, está tão obvio que você não vai nem tentar que... – Respirei fundo, os olhos ardendo e aquela vontade louca de começar a gritar.
-Sara, qual o nosso futuro? Qual a nossa meta? “Nem tentar que...” o que? Me diga seu plano, me mostre nosso caminho.
-Eu não faço idéia, e isso que me inspira achar que talvez déssemos certo, não seriamos mais uma de suas equações, não seriamos mais um plano, seria o que a vida desse para ser.
Me virei para ele, e seus olhos estavam compenetrados na estrada, toquei sua cocha, chamando sua atenção.
-Não posso tirar os olhos da estrada.
-Então, pare o carro.
-Eu não posso.
-Porra Grissom, para a merda desse carro e fale comigo, esse é nossa última chance, e ao inferno com tudo, porque eu estou disposta ir embora assim que isso tudo acabar, ir embora e nunca mais voltar, olhar para trás, me lembrar que você existiu. – As pálpebras pesaram, espalhando as lágrimas dos meus olhos marejados. Não, eu iria me controlar, não iria perder a cabeça naquele momento.
-Você não seria capaz de fazer isso.
-Não me desafie.
-Você não seria capaz Sara, porque eu não sou. Nenhum de nós dois conseguiríamos fazer isso, ficar longe um do outro, e isso é tão irritante. – Ele socou o volante no topo, tendo certeza que não tiraria o carro do curso. –Porque eu tento te tirar da minha mente, eu tento, mas você vem sempre, você e esse seu sorriso, eu estou com raiva de você, você não tinha direito algum de possuir assim minha mente. Isso me faz mal, ficar sem você é como não ter alguma parte de mim por perto, é tão nocivo a minha lucidez... E você fica bêbada de propósito, aparece na cama com um cara... É frustrante.
-Eu deveria estar naquela cama com você.
-Não, não deveria, nem poderia... Isso é errado.
-Não é errado.
-Não é certo então... Não pode ser... Você... Você tem uma vida pela frente.
-Uma vida que talvez eu queira viver com você. Uma vida que talvez me faça querer levar o tão árduo fardo de ser uma Grissom... Porra... Talvez eu queira te amar, minha opinião deveria ser levada em conta nisso, a vida é minha, minha vida Grissom, e eu se eu estou disposta a desperdiçá-la com você, acho que devo saber o que é melhor para mim!
Ele não havia parado o carro, ele não havia me escutado, e não havia tomado uma decisão.
Ao longo da estrada as viaturas pararam ao redor do pseudo-posto, esperavam por nós, os policiais com as armas em punho e já preparados para entrar.
Olhei para Grissom uma última vez, o azul de seus olhos querendo competir com a imensidão do mar no tamanho do vazio que esboçavam em sua cor naturalmente linda, pagada tanto pela escuridão interna do carro quanto pela tormenta em sua mente.
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