Um Amor Definitivamente Inumano
26 Conversa
Notas iniciais
Quando acordo percebo que estou deitada sobre o peito de Scott. Ergo meu rosto levemente, apoiando o queixo em seu abdômen e minhas mãos em seus ombros. Os olhos dele estão fechados, mas sei que ele não está dormindo pelo ritmo de sua respiração. Eu sorrio, e enfio meu nariz em seu peito novamente. Ele está com meu cheiro. O intenso aroma de canela ofuscado por uma nota de café e baunilha, minha marca registrada.
–Bom Dia, Sky... – ele sussurra e desliza as mãos pelos meus cabelos, apesar de não mudar sua posição.
–Bom Dia, mijão... – o peito dele sobe e desce mais rapidamente, e percebo que ele está rindo.
Aproveito o momento de distração para passar minhas duas pernas por seu quadril e me arrastar para cima, deixando nossos olhos na mesma direção. Estamos completamente nus (senti seu membro raspar em minha barriga quando deslizei por cima dele), exceto por um cobertor que vai até somente a metade das minhas costas e tampa as pernas dele. Eu encaro a profundidade castanha que tem lá, cor de chocolate derretido, e acabo me lembrando da noite anterior... Sinto minhas bochechas ficarem dois tons acima do normal e desço meus olhos para o pescoço dele.
Ele ergue meu queixo com seus dedos, gesto característico dele e o qual já me acostumei. Torno a encarar seus olhos e eles parecem preocupados, as sobrancelhas friccionadas.
–O que foi? – ele pergunta, sua mao livre puxando o cobertor para cima. Agora estou coberta até as clavículas, e os pés dele estão descobertos. Eu suspiro. Dizer isso em voz alta seria um pouco embaraçoso...
A noite passada... Você foi... Selvagem... , lanço em sua mente. Ele sorri levemente e seus olhos perdem foco, como se ele estivesse relembrando ...
Você não gostou? , ele ergue as sobrancelhas. Pareceu-me que você estava gostando...
Gostando? Não sei se essa é a palavra certa para descrever o que eu estava sentindo naquele momento . Acho que o correto seria : êxtase.
É claro que eu gostei... , eu sussurro de volta , traçando um dedo pelo seu queixo anguloso. Só fiquei um pouco... Surpresa... Não imaginava o que você podia fazer na cama...
Ele ri novamente. Pela primeira vez permito-me imaginar quantos mulheres Scott já teve... Muitas, provavelmente... Eu só fiz sexo uma vez antes de ele ter entrado em minha vida... Foi um erro... Eu estava bêbada e confusa, e Rixon se aproveitou disso. Rixon... Mordo meus lábios com raiva... Que ele queime no inferno eternamente...
Scott percebe meu desconforto e eu sorrio para tranquiliza-lo.
O que estava pensando? , ele pergunta. Decido ser honesta, em parte...
Em quantas mulheres você já... , deixo a questão no ar. Ele sorri, descendo uma mão pela coberta e massageando minhas costas. Eu arrepio.
Na verdade... Não muitas... , ele beija meu dedo que acabou subindo até seus lábios. – Talvez duas ou três antes de você...
Sério? , me surpreendo. Não é uma grande quantidade, realmente. Esperava pelo menos umas seis ou oito de um cara como ele. Você se lembra do nome deles e de quando ocorreu?
Tenho convicção de que estou adentrando seu espaço pessoal, mas não consigo conter minha curiosidade.
Minha primeira vez foi uma garota chamada Mary Anne, ele diz. – Eu tinha quinze anos e ela dezessete. Não foi uma experiência muito legal, na verdade...
E a segunda? – eu pergunto.
Com uma amiga minha de Portland... , percebo que essas garotas são todas moradoras da cidade em que Scott passou os anos desde que deixou Coldwater. Isso me deixa mais tranquila... — O nome dela era Anna, e ela era virgem. Disse que queria perder sua inocência com um cara que valesse a pena, e pediu para mim...Então, como sou muito prestativo...
Eu não sorrio com a ironia. Na verdade sinto ciúmes... Que garota ridícula! Onde já se viu usar meu homem para esse tipo de favor? Mordo meus lábios novamente...
Eu não te conhecia ainda, Vee... – ele percebe minha raiva. Eu reviro os olhos, apesar de saber que ele está certo. Ele nem sabia que retornaria a Coldwater... O que me faz pensar pela primeira vez porque ele retornou, afinal...
Eu sei, eu sei... Mas e a terceira? , eu pergunto, querendo dar fim a essa conversa.
Não tenho certeza se houve realmente uma terceira... – eu ergo minhas sobrancelhas, sem entender nada. – Quer dizer... Eu costumava ficar bêbado com frequência absurda... Vai saber...
Eu sorrio agora.
–Você é um cretino, sabia? – volto a falar em voz alta, e dou um tapa em seu peito, apesar de estar rindo.
–Mas sou o cretino mais sexy que existe... – ele morde o lábio inferior tentando me seduzir. Eu continuo a rir.
–E o mais mijão também... – agora ele começa a rir e tenta me puxar para um beijo, mas eu sou mais rápida. Me levanto da cama agilmente e começo a correr dele, ele nos meus calcanhares. Até que paro na porta e ela está trancada. Não há como escapar... Ele me pressiona contra a madeira fria, as mãos espalmadas dos dois lados da minha cabeça. Nossa respiração está ruidosa devido ao esforço da corrida. Ele sorri, triunfante.
–Se renda agora ou... – seu sorriso se torna malicioso. Em resposta eu puxo sua cabeça em minha direção e o beijo. Ele me levanta pela cintura e eu enlaço as pernas em seus quadris, sentindo seu membro duro me penetrar. Solto um gemido. Sem que percebamos, estamos transando novamente. Nunca fiz sexo em pé, mas a sensação é boa e estranha ao mesmo tempo. Sem contar o quão difícil é se manter presa sem nenhum apoio além dos braços.
Eu aperto o peito dele, enquanto ele puxa meu quadril em direção ao seu . Estamos gemendo e suando. Incrivelmente eu chego ao orgasmo antes dele, e ele continua me penetrando até derramar-se dentro de mim. Estamos cansados, mas não nos deitamos.
Ele me carrega até o banheiro pequeno de azulejos verdes, e liga o chuveiro. Há uma banheira também, mas enche-la parece ser muito complicado, de modo que entro no box apertado junto dele, e fecho meus olhos enquanto ele esfrega minhas costas com seu sabonete de canela.
Depois do banho, visto uma de suas camisas de bandas de rock, e sigo para a cozinha, onde ele prepara nosso café.
–Que horas são? – eu pergunto, desembaraçando meus cabelos molhados com os dedos. Minha mãe já deve ter chegado em casa a essa hora e seria útil avisá-la que vou passar o resto do dia com Scott.
–Hum... – ele diz, largando a frigideira enquanto olho para seu pulso. – Onze e vinte e dois.
Encaro a janela. Lá fora está nublado e escuro, e o veto provavelmente está cortante. Minha mãe deve estar preocupada. Pego o telefone do gancho e disco os sete números familiares. Ninguém atende, de modo que tento o celular dela. Cai na caixa postal ao terceiro toque.
Não é possível que ela esteja com Basso até agora... Sexo no primeiro encontro não faz muito o estilo dela... Mas dou de ombros. Talvez tenha rolado. Tantas coisas mudaram em tão pouco tempo...
Sentamos na mesma mesinha de ontem e Scott liga o radio enquanto eu me sirvo de ovos e suco.
... e parece que a neve irá cair antes do Natal este ano. O s especialistas não sabem o motivo certo, mas pelo que disseram uma frente fria vinda do Polo Norte...
Eu sorrio. Adoro neve. Gosto de pegar os delicados flocos em minha mao e atirar bolas pesadas em Nora sem que ela tenha tempo de reagir. O inverno é de longe minha estação do ano favorita... Se eu tiver sorte, talvez esteja nevando no dia do meu aniversário.
Termino minha refeição em silencio e fico observando enquanto Scott come.
–Já pensou em fazer faculdade?- eu pergunto a ele, a questão vindo a minha mente de repente.
Ele para de mastigar e pondera um pouco, então engole antes de me responder.
–Sim. Acho que Gastronomia seria uma boa...
Eu sorrio. Com certeza Scott teria sucesso como Cheff. Posso até imaginar um programa de televisão em que...
–Mas porque pergunta isso? – ele toma um gole de seu suco de laranja.
–Não sei... Estou pensando... Geralmente as pessoas fazem faculdade, depois se casam e moram juntos, e depois tem filhos...
Ele engasga com o suco.
–Filhos? – ele pergunta. – Eu adoraria ter filhos com você, Vee. Mas você sabe que é impossível e...
–Não, não é. – eu digo, calmamente. – Marcie tem os dois pais nefilins e exceto por ser anoréxica e tal, ela é completamente saudável.
Scott parece surpreso. Aposto que ele não sabia disso. Não sei o que o seu silencio significa, mas suponho que não seja de todo negativo.
No fim, eu acabarei o convencendo. É só uma questão de tempo... E de persuasão...
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