Notas iniciais
Hey! Novamente estou aqui. Infelizmente nao pude postar aqueles capitulos que prometi, mas estou dando o meu maximo. Obrigada por serem fieis. Aproveitem!

Quando abro os olhos, eles estão marejados. As batidas do meu coração estão em um ritmo anormal, até mesmo para uma nephilim, e minha pele e a de Nora já não estão mais em um colapso de temperaturas. Eu sempre achei que minha mãe desconhecia o mundo sobrenatural, que o anjo que me gerou era para ela apenas um humano. Até me sentia mal, como se eu a estivesse enganando. E durante esse tempo todo era ela que omitia a verdade.

Meu pai e ela se amavam, isso estava claro em suas expressões e gestos bobos um para com o outro. E agora ele está no inferno. Por que? É uma incógnita. Talvez por ter se apaixonado por uma humana. Mas aconteceu o mesmo com Patch e Nora e ele está aqui. Minha mãe também desconhecia o motivo. Minha mãe... Por que ele nunca me contou? Ela esperava que eu descobrisse por mim mesma que eu era nephilim? Isso acabou acontecendo, e tenho certeza que se Patch e Nora não tivessem se envolvido eu teria enlouquecido.

Mas isso já não mais importa. O que realmente quero saber é porque meu pai foi mandado para o inferno. Em meu pouco tempo de experiência no mundo não-humano eu cheguei a conclusão de que, a partir do momento em que você faz um inimigo, está sujeito a enfrentar as consequencias de ser imortal. Basta um descuido e eles podem mandá-lo para o inferno, já que a morte não é uma opção. Teria esse anjo, meu pai, feito algum inimigo tão cruel? A única pessoa que pode me responder isso é minha mãe, e infelizmente ela só vai chegar a cidade na segunda, o que é daqui a 48h. Minha curiosidade não aguenta esperar todo esse tempo.

–Ele era meu pai. — eu solto as mãos de Nora e ainda fico sentada por alguns minutos, esperando meus batimentos cardíacos se estabilizarem. — E todo esse tempo, minha mãe sabia.

Nora suspira.

–Eu sei como é se sentir traída. Minha mãe fez a mesma coisa, lembra?

Eu me levanto e vou até a janela. Abro o vidro e deixo o vento gelado do Maine levar meus pensamentos embora. Eu volto para a sala resignada.

–Vamos. — digo a Nora , já pegando minha bolsa.

–Aonde? — ela pergunta, amarrando os cadarços de seus tênis.

–Atrás do Patch.

–Do Patch? — Nora ergue uma sobrancelha. — Não entendo o que ele pod...

–Nora... Ele já foi um arcanjo, lembra? Ele deve ter registros de cada anjo caído que já foi pro inferno. Não podem ser tantos assim...

Meia hora depois...

–Cento e vinte e dois? Como assim? – eu me levanto, jogando a pasta de registros de Patch em seu colo. Ele revira os olhos.

–Você não esperava que ia ser tão fácil, não é? – ele ergue uma sobrancelha. – Como se o primeiro cara que você encontrasse fosse ser seu pai.

–Vee... – Nora se levanta e coloca um braço sobre meus ombros. Ela me puxa em direção ao sofá de couro, tão novo e macio que causaria inveja ao Rony. Patch tem essa incomoda mania de fazer os outros se sentirem inferiores. – Estamos aqui agora, e ficaremos o tempo que for necessário para encontrar seu pai. Certo, Patch?

O olhar que Patch lança não faz com que eu tenha muita confiança na hipótese de ele estar disposto. Mas para todos os efeitos, ele não expressa sua discordância oralmente.

Nós três passamos o resto da tarde lendo a ficha de cada anjo caído que já habitou território estadunidense e foi mandado para o inferno. Uma ficha entre todas me chama a atenção. Quando a observo mais meticulosamente uma sensação mórbida toma conta de mim, como gelo descendo pela minha garganta. As linhas se tornam mais nítidas, a caligrafia elegante de Patch se destacando no papel pardo, e em comparação com as outras fichas esta parece muito mais recente. É uma das poucas fichas que contem foto.

Nome : Rixon

Motivo : Traição a sua espécie, tentativa de assassinato , envolvimento com humana...

Envolvimento com humana. Naquela época meus genes nephilim ainda não tinham se mostrado presentes, logo eu era a humana. Eu solto a ficha com repugnância, como se estivesse tocando o próprio Rixon. Eu pego outra ficha e antes de a largar decepcionada ,Nora grita:

–Achei!

Eu empurro Patch, ignorando o murmúrio de desgosto que ele solta, e me lanço sobre Nora. Agarro a ficha, a foto familiar do anjo que é meu pai, tão diferente das memórias de Nora , retira um pouco do meu entusiasmo. Realmente, eles não parecem a mesma pessoa. No sonho, o homem estava com uma aparência que exalava juventude e felicidade. Na foto, tudo o que vejo é um rosto insanguentado, quase irreconhecível, mãos amarradas para trás em uma cadeira de ferro, a pele pálida como neve; e mesmo sabendo que meu pai não podia sentir fisicamente a tortura , lágrimas enchem os meus olhos.

–Por que? – eu pergunto silenciosamente, ainda encarando a imagem. Patch a retira dos meus dedos com cautela, agindo mais delicadamente do que de costume.

–Essa é uma boa pergunta. Felizmente está tudo na ficha.

Ele apóia o papel pardo na mesa em frente, para que fique na visão de todos. Ele começa a ler, visto que tanto eu quanto Nora ainda estamos abaladas demais para falar.

Nome : Adam Harrolds , como humano. Arthuriel , como anjo.

Motivo : Possessão de outro anjo caído,envolvimento , assassinato e violência aplicada em mortais.

–Não fui eu quem fiz essa ficha. – Patch se pronuncia, respondendo a pergunta que eu desejava fazer. – Na verdade, eu não fiz a maioria delas. Eu confisquei-as quando caí.

–Mas você caiu muito antes do meu pai ter sido mandado para o inferno. Então como esta ficha está aí?

–Pepper. – ele sorri, mas não é um sorriso verdadeiro. – No dia em que ele roubou aquelas penas eu o pedi mais esse pequeno favor.

–E porque nunca me contou?- Nora pergunta contrariada, cruzando os braços sobre o peito.

–Bem, nunca tive a oportunidade. Na verdade, me esqueci completamente disso.

–O que quer dizer com possessão de outro anjo caído?Achei que anjos caídos só podiam possuir nefilins e vice-versa. – eu pergunto, me levantando e andando de um lado para o outro no tapete de pele da sala esnobe de Patch, ignorando os possíveis danos que os meus saltos devem estar causando.

–Apenas um anjo caído muito poderoso, que era da alta classe antes de cair, consegue possuir outro anjo caído.

–Você quer dizer um arcanjo, como você? – Nora ergue uma sobrancelha, ainda contrafeita.

–Não. – ele suspira. – Isso está acima até mesmo do poder dos arcanjos. Apenas os anjos que tem contato direto com o chefe tem esse poder.

Uau. Meu pai era um anjo do alto escalão antes de cair. E no fim ele se rebaixou a tortura, e o pior. Ao inferno.

–Ainda não entendo... – digo, parando de andar pelo tapete e me fixando na janela. A vista encantadora do mar me dá um pouco de alento. – Você provavelmente já fez coisas parecidas com estas, quem sabe até mesmo piores e você não foi mandado para o lugar...

–Tenho muito sorte. – não consigo ver, mas tenho certeza que nessa hora ele deu um sorriso cafajeste.

–Sei...

Eu observo as ondas quebrando no litoral e solto um suspiro. Porque com alguns a vida é tão injusta?

Notas finais
Este capitulo nao esta particularmente muito empolgante, mas revela um pouco do passado da Vee. Aguardem, pois ainda ha muito coisa por vir. *-* P.S. Tenho 4 pessoas acompanhando, mas só duas sempre deixam criticas. Por favor preciso saber o que estao achando. Beijos da Tia Carolzinha! :D