Notas iniciais
Olá, anjos! Primeiramente gostaria de agradecer a Ester e a Anjo porque sempre comentam. Em segundo gostaria de esclarecer o 'parte 1'. Este capitulo é bem longo, portanto se eu o escrevesse todo de uma vez só tornaria cansativo. Sem mais enrolação! Aproveitem e critiquem.

Eu passo a viagem de volta a casa de fazenda extremamente quieta, encarando o vidro. Mas diferente de quando isso aconteceu com Scott, agora estou realmente abalada. Scott... Não o vejo desde ontem, e uma sensação incomoda aperta meu peito quando penso nele. Me lembro do nosso breve momento de conexão, estávamos tão próximos, tão... Eu fecho meus olhos e aperto minhas têmporas com força. Não posso pensar nisso agora. Tenho que me concentrar. Daqui a menos de 48h vou encarar minha mãe de frente. Nem imagino que palavras vou dizer a ela. Mas acho que não serão ofensivas. Ainda preciso da confiança dela, se quiser saber mais sobre o meu pai...

O carro estaciona e eu abro a porta. Pela primeira vez a névoa em volta da casa não me incomoda. Na verdade até combina com meu humor. Eu entro na casa de fazenda, arranco meus saltos e os jogo em algum lugar perto do lavabo.

–Você poderia fazer um chocolate quente? – pergunto a Nora.

Ela sorri.

–Claro.

Eu começo a subir as escadas, mas ela me chama.

–E Vee... Tome um banho.

Eu sorrio e termino de subir as escadas. Antes de ir ao banheiro eu passo no quarto de Nora. Pego o mesmo robe de seda lilás e pantufas de pano macias. Entro no banheiro e tranco a porta. Encaro meu reflexo no espelho. Meus olhos me encaram com uma expressão assustada. Eu desço para o meu nariz, fino e levemente arrebitado, como o de minha mãe e então para os meus lábios e pela primeira vez eu os associo a alguém. Minha boca é realmente confusa, e um tanto pálida. O lábio superior é fino, e o de baixo cheio, como o de Adam... Os lábios de minha mãe são extremamente aristocráticos, cheios e rosados. Sempre a invejei por isso.

Eu solto meus cabelos e deslizo meus dedos por eles. Depois tiro a camiseta, os shorts e por ultimo a roupa intima. Eu observo meus contornos curvilíneos com satisfação. Um pensamento libidinoso invade minha mente. Queria que Scott estivesse aqui... Eu imediatamente ruborizo. Que horror! Pareço uma pervertida...

Eu entro no Box e ligo a água quente. Deixo meus pensamentos se perderem, e mais uma vez eles me levam até Scott. Fecho meus olhos, deixando as gotas suaves colidirem com a minha pele. Talvez ele não tenha tido tantos problemas com seu anjo progenitor... Ele o conheceu, lembro de uma vez que Nora me disse isso. Quem sabe ele possa me ajudar...

Alguém abre a porta. Estou prestes a gritar com Nora quando Scott invade o banheiro. Eu abro a boca e tento tampar minhas partes com as mãos.

–Vee, temos que sair daqui! –ele grita, ignorando minha vergonha. Eu fico alerta. – A cozinha está pegando fogo e está se espalhando pelos cômodos!

Eu desligo o chuveiro e me enrolo na toalha.

–Nora! – eu empurro e atravesso a porta. Quando chego a escada uma nuvem tóxica de fumaça me atinge. Eu a ignora e estou quase no meio dos degraus quando Scott agarra o meu braço.

–Ela está bem, está lá fora, com o Patch. Vamos, temos que sair daqui.

Eu observo enquanto Rony queima, em seguida as cortinas, e depois o tapete. Scott me puxa com mais força e nós dois seguimos até o quarto da Sra. Grey, que é o mais próximo, então pulamos a janela.

Eu corro até os vultos encostados no Neon, ignorando minha situação de semi-nudismo. Nora chora abraçada a Patch. Eu me aproximo dela cautelosamente.

–O que aconteceu? – pergunto. Ela para de chorar e me encara. Seus olhos estão vermelhos, mas não sei dizer se por causa do choro, ou da fumaça.

–E-eu... Eu estava fazendo o chocola-late... – ela soluça. – Então fui até... fui até a dispensa para pegar a caixa com o chocola-late em pó... E dei-deixei o leite fervendo... Então qua-quando voltei... – ela recomeça a chorar. – Estava tudo queimando...

–Isso é muito estranho. – Patch diz. – Como pegou fogo tão depressa?

Nesse momento a caminhão de bombeiros chega. Eles adentram a casa e nós quatro observamos enquanto eles efetuam o serviço.

–Nora deve ter deixado algo inflamável perto do fogão...

–Eu-eu... Só deixei o pano de prato... Que idiota... Sou uma idiota. É tudo culpa minha...

–Anjo... – Patch segura seu queixo com firmeza. – Eu não digo mentiras. E tenho certeza de que isso não foi um mero acidente doméstico...

Ela para de soluçar, apesar de lagrimas continuarem a escorrer pelo seu rosto.

–Então o que pode ter sido?

Os bombeiros saem da casa. Um homem roliço e moreno, que me parece ser o chefe deles se adianta até nós. Ele dá uma segunda olhada em mim , então começa a dar o veredicto.

–Nós conseguimos conter o incêndio antes que se alastrasse pelas escadas. – ele faz uma pausa. – Mas, infelizmente, a cozinha e parte da sala estão irrecuperáveis. Foi um incêndio muito violento para um acidente domestico. Você tem sorte de ter saído a tempo...

Então ele acena com a cabeça e segue até uma viatura que acabou de chegar. Eu reconheço o homem ao volante como o detetive Basso, um arcanjo em missão aqui na terra. Eles trocam algumas palavras, então o detetive vem em nossa direção. Ele me olha de cima a baixo e eu ruborizo.

– O que aconteceu? – ele pergunta a Patch. Ele explica a historia enquanto Basso faz anotações em seu bloco de detetive. Quando Patch chega na parte em que Nora vê tudo pegando fogo ele ergue as sobrancelhas, mas não para de anotar.

Até agora, talvez por causa do abalo, eu ignorei o fato de que eu estou enrolada em uma toalha, mas os olhares de Scott para as minhas pernas nuas e o vento começaram a se tornar insuportáveis. Eu olhei para a Nora, mas ela tinha os olhos vidrados na estrada. Patch e detetive Basso agora tinham entrado em uma conversa séria. Eu suspiro. Minha ultima opção é o Scott. Eu cutuco ele, que no momento está distraído olhando para a casa. Ele me encara e sorri sem mostrar os dentes.

–Hm... Scott... – eu tento dizer isso com dignidade. –Será que você poderia subir pela janela até o quarto da Nora e pegar alguma roupa pra mim?

Ele abre a boca para responder, quando o detetive Basso, claramente tendo terminado sua conversa, o interrompe.

–Entrar na casa está fora de cogitação.

–Por que? – eu, Scott e uma Nora atônita perguntamos ao mesmo tempo.

–Porque... – Patch suspira, e coloca um dos braços atrás da própria nuca e o outro em volta dos ombros de Nora. – Eu e o detetive Basso concordamos que isso não foi um mero acidente...

–E nós iremos investigar, tentar encontrar digitais e etc.

–Mas... — eu olho significativamente para minha toalha.

Antes que eu complete a frase Scott arranca sua camiseta do Metallica e a joga para mim. Eu vou para trás do Neon e visto a camiseta, que cai até as minhas coxas frouxamente , como uma imitação barata de vestido.

–Scott... – Patch pronuncia o nome dele com pesar, como se fazer um pedido a ele requeresse toda a humildade que ele possui. Mas ele não tem escolha, visto que Nora esta abobada e ela não me considera confiável o suficiente para dirigir até sua casa em segurança. Sem que ele perceba , eu lhe mostro o dedo do meio – Você pode levar Nora e Vee para meu apartamento?

–Certo... – ele pega as chaves na mão de Patch e nós entramos no Mustang. O silencio que se arrasta até o condomínio é incomodo. Será que Patch e o detetive Basso estão certos? E se eles estiverem, quem fez isso e porque ?

Notas finais
Ui! Sinto cheiro de mistério no ar! Aguardem................................................