Notas iniciais
Demorei ? çç
Eu não sei se vou conseguir postar direito porque chegou as provas , mimi. Mas vou tentar ok ?

Ela realmente estava lá. Uma mulher, um anjo, uma criatura eterna toda de branco sob o brilho pálido da lua. Uma brisa suave balançou as mechas que caíam no rosto angelical, também moldando o tecido fino da camisola contra cada curva de seu corpo. Kagome respirou fundo, e seus seios se ergueram sob a seda, os mamilos rijos.

A própria Vênus surgindo de um mar turbulento.

Inu Yasha apertou o laço dos amantes e, antes que pudesse se levantar, Kagome caminhou até ele. Inu Yasha abriu os braços, e ela caiu de joelhos.

Kagome chorava, e as lágrimas brilhantes refletiam o luar. Sua dor era intensa, visceral, e Inu Yasha queria abraçá-la, de modo que seus temores se unissem, criando forças para superar as promessas sombrias que insistiam em mantê-los separados.

Decidida, Kagome tentou abrir os dedos dele, e Inu Yasha resistiu, temendo perdê-la. Diante de sua insistência, ele cedeu.

Kagome pegou a mecha de cabelos trançados e estudou-a por alguns instantes, com certa admiração. Depois olhou para Inu Yasha.

Inu Yasha segurou-lhe o rosto. Não, ela nunca compreenderia. Como poderia lhe contar? E como não contar?

— Kagome… — Inu Yasha se inclinou para beijá-la.

— Não fale nada, por favor. Você não está me reconhecendo?

— Como? — Inu Yasha enxugou o pranto, que agora escorria da face delicada.

— Olhe para mim! Preste atenção, Inu Yasha! — Com as mãos trêmulas, Kagome Colocou o laço de amantes entre eles como se fosse uma relíquia sagrada.

Inu Yasha foi tomado por uma incontrolável ansiedade. Era como se todos os princípios que haviam regrado sua existência fossem suspeitos. Afagou os cabelos de Kagome, tentando entender.

Os olhos dela lhe imploravam que enxergasse.

E então ele enxergou.

— Minha menina! — murmurou atônito, olhando para os cabelos de Kagome e para o laço.

Em estado de choque, Inu Yasha se deixou levar por Kagome, que o puxou para o chão. Seria possível?

— É você!

— Sim. — Ela levou o laço ao coração, apertando-o com força. — Sou eu.

— Mas… como? Quando me reconheceu?

— Desde que o vi pela primeira vez, na floresta. — Os lábios dela formaram um lindo sorriso. — Você não mudou muito, sabia?

Inu Yasha sorriu e a estreitou com intensidade, querendo transmitir-lhe sua alegria. Lembrou-se do rosto sujo, dos cabelos emaranhados…

— Você, sim. Não consigo acreditar que não a reconheci. Senti que havia algo de diferente, mas…

Os lábios deles se encontraram em um beijo desesperado, ardente. Inu Yasha queria comprovar que tudo aquilo era real. Sim, era. Kagome lhe pertencia. Sempre fora dele. Obra do destino.

O coração de Inu Yasha se iluminou tamanha sua alegria. Kagome chorava sem parar.

— Não chore meu amor.

— Você também está chorando.

— De alegria. Agora me diga: qual seu nome?

— Kagome — falou brincalhona.

Os dois caíram na risada.

— Fico contente, pois esse é o nome que povoa meus sonhos e que eu sussurro em minhas preces.

Ajoelhados sobre as pedras duras, eles se beijaram uma, duas, três vezes mais. Pouco depois, Inu Yasha a fez levantar-se. Precisava saber. Tinha de perguntar.

— Kagome, qual seu sobrenome? A que clã pertence?

— Por favor, não vamos tocar nesse assunto esta noite.

— Está bem, minha querida. Não faz a menor diferença. Afinal de contas, eu te amo.

— Eu sempre te amei, Inu Yasha Taisho.

Kagome retribuía seus beijos com paixão, revelando todo o sentimento que nutria por aquele homem.

— Case-se comigo, minha Kagome…

Ela franziu as sobrancelhas. Não era a resposta que Inu Yasha esperava. Ele percorreu a linha da cintura delicada, subindo até os seios, onde colocou a mão sobre o coração palpitante.

— Diga que se casará comigo.

Novas lágrimas surgiram nos olhos dela.

— É o que mais quero, mas…

— Então assim será! Quando eu acertar as contas com Grant, nós nos casaremos.

— Não! Prometa-me que não o atacará. Ele é um homem poderosíssimo, Inu Yasha. Temo por sua segurança, meu amor.

— Não se preocupe comigo. Sei me defender.

— Mas…

— Não diga mais nada. O melhor que você tem a fazer é confiar em mim, minha querida.

Ele a protegeria com sua própria vida se preciso fosse e não a deixaria preocupada com acontecimentos sobre os quais não tinha o menor controle.

— Inu Yasha… Faça amor comigo.

Ele se inclinou para mordiscar o ombro nu. Ao escutar o gemido de Kagome, Inu Yasha baixou as alças da camisola.

O tecido sedoso escorregou, parando na curva dos seios dela. Inu Yasha se encantou com a perfeição das formas e, sem ter como resistir, beijou-os.

Kagome estremeceu toda e arqueou-se para frente, revelando que estava mais do que pronta para ser possuída. Ali mesmo, se fosse o caso.

Inu Yasha sabia que, se ficasse mais um segundo naquele jardim, perderia todo o controle. Sua cabeça latejava, o sangue ardia em suas veias. Sua única vontade era deitá-la no chão frio e saciar seu desejo naquele corpo maravilhoso.

Reunindo toda a autodisciplina, ele se afastou.

— Não, amor. Aqui não é o lugar mais adequado para nos amarmos. Vamos esperar o casamento. — Então, recolocou as alças da camisola no lugar. — Vou possuí-la na cama onde meu pai nasceu, onde eu nasci.

Inu Yasha sentia uma alegria jamais vivida antes. Era como se fosse explodir de tanta felicidade.

Kagome, por sua vez, sabia que jamais poderia ser daquele homem. E não adiantava criar ilusões. Portanto, era melhor viver o presente e aproveitar o que lhe estava sendo oferecido. Não teria outra oportunidade como aquela. Além do mais, pretendia fugir aquela noite. Sendo assim, nunca mais veria Inu Yasha Taisho.

A imagem de Reynold Grant passou depressa por sua mente, e ela segurou o amado com firmeza, afastando a assombração.

— Não quero esperar, Inu Yasha. Quero fazer amor com você hoje.

— Ah, minha Kagome… Tem certeza?

— Sim.

Os dois se uniram em um abraço desesperado, ansiosos por saciar o desejo poderoso.

Decidido, Inu Yasha Taisho tomou-a no colo e a levou até seu quarto.

O fogo ardia na lareira, aquecendo o aposento. Kagome estava acordada, deliciando-se com as carícias de Inu Yasha, que lhe sussurrava palavras dóceis. Aninhou-se ainda mais nos braços musculosos.

— Aonde você vai, minha querida? — perguntou ele, momentos depois, quando Kagome se levantou.

Ela se dirigiu à lareira, onde Inu Yasha deixara suas roupas, e começou a remexer até encontrar o laço de amantes que lhe dera tantos anos atrás. Retornou ao leito e deitou-se sob as cobertas, descansando sobre o braço de seu amado.

— Um laço de amantes.

— Você o guardou durante todos esses anos, Inu Yasha. Por quê?

— Para me lembrar de você, minha Kagome. Não que fosse esquecer aquele rostinho sujo e os cabelos despenteados. Além do mais, eu te amava.

Inu Yasha ficou sério, e Kagome se preocupou ao notar o sofrimento no semblante dele.

— O que foi Inu Yasha? Diga.

Ela o abraçou com ternura.

— É que… Eu te amava… e tinha prometido que voltaria.

— Sim, prometeu.

— E voltei só que não consegui encontrá-la.

— Você voltou?! — Kagome, surpresa, sentou-se.

— Claro que sim. Deite-se, Kagome. Está muito frio.

— Quando?

— Não sei. Muitas vezes. Mas como eu não sabia nem seu nome.

— Verdade?

— Sim. Por que eu…

Kagome não permitiu que ele continuasse a falar. Sua alegria era tanta que o beijava sem parar. Inu Yasha ficou um pouco confuso com aquele arroubo, mas apreciou tanto carinho. Depois conversariam.

— Você achou que eu não voltaria. Quer dizer, que não o faria por sua causa. Kagome acreditou mesmo que eu retornaria apenas pela…

Ela assentiu.

— Ah, meu anjo… — Ele a envolveu em um abraço. — Se você soubesse…

— Agora não tem mais importância.

— Tem, sim.

— Teria voltado até me encontrar?

— Lógico. Será que não entende pequena? Eu tinha a intenção de voltar. Entretanto, quando a encontrei na floresta e a trouxe para casa comigo… Bem, tudo mudou.

— Como?

— Apaixonei-me por você, Kagome, mas ainda amava a garota para qual tinha feito a promessa.

— Mas…

—Eu não sabia que vocês duas eram a mesma pessoa. Como poderia saber se fez de tudo para manter sua identidade em segredo?

— Ah, agora entendi…

— Meu amor, não imagina a dor que me consumiu durante todo esse tempo. Eu queria muito, mas não tinha o direito de amá-la. Não iria colocá-la no meio de todo esse problema com os Grant. Meu Deus, nem sei se vou sobreviver!

Todavia, Kagome já fazia parte de tudo aquilo, só que ele não tinha a menor idéia.

— E eu precisava vir para cá para cumprir minha promessa. Era uma questão de honra.

Os olhares de encontraram.

— Eu costumava ir até lá, até nosso esconderijo.

— Durante anos e anos, Alistair não permitiu que saíssemos das terras dos Davidson. Eu, um jovem, fiquei furioso. Entretanto, à medida que fui crescendo, compreendi meu tio. Eu era o Taisho, e todos nos odiavam. Mesmo assim, retornei a nosso esconderijo. Muitas vezes. E preciso partir de novo. Chegou a hora de enfrentar Reynold Grant e de reivindicar o que é meu.

— Mas, Inu Yasha, você não…

— Sim, meu amor, tenho de fazer isso. Não há como impedir. É uma dívida que tenho com os membros de meu clã. Até aqueles que vivem perto do Castelo Findhorn estão se preparando para a guerra.

Kagome franziu a testa.

— Sim, estive lá alguns dias atrás.

— No Castelo Findhorn?

— Fui até lá enquanto meus homens se divertiam em Inverness. E você achou que eu estava com eles!

— Seu…

Inu Yasha riu, porém logo sua expressão se fechou. Um grande medo tocou o coração de Kagome.

— Inu Yasha, a desvantagem é enorme. Os Grant acabarão com vocês. Confie em mim, por favor. O exército de Reynold Grant já é grande e, com a aliança com o primo, George, o número de guerreiros chega quase a mil.

Ele estudou as feições dela.

— E aquilo que eu deixei com você, a adaga?

— Aquela com o cabo de esmeraldas?

— Sim.

— Inu Yasha, de quem é aquela arma?

— Você está com ela?

— Sim, a escondi em um lugar seguro. Ninguém sabe onde, só eu.

— Kagome, o sol nasce e se põe com você, minha valente e corajosa noiva!

As palavras a acertaram como uma facada.

Inu Yasha a beijou com tamanha doçura que Kagome sentiu seu amor nas profundezas da alma. Cerrou as pálpebras, lutando contra o choro, e se entregou, mais uma vez, aos prazeres do ato de amor.

Inu Yasha se aconchegou entre as cobertas, permitindo-se flutuar no estado tranqüilo entre o sono e o despertar. Fazer amor com Kagome o exaurira, colocando-o suspenso em uma calmaria incrível, da qual não tinha a menor vontade de sair.

De olhos fechados, esticou o braço à procura dela. Nada. O lugar de Kagome estava vazio e frio.

— Venha cá, minha querida — chamou-a, virando-se na cama.

Passando a mão pelos lençóis, Inu Yasha deparou com algo familiar. Um sorriso formou-se em seus lábios quando pegou o laço de amantes, esquecido em meio aos momentos de paixão.

Espreguiçou-se. Ainda não amanhecera, mas o sol não tardaria a aparecer. Uma luz suave e fraca vinha da janela, cujas cortinas não tinham sido fechadas.

Ela se fora. Inu Yasha podia sentir.

Sentando-se, ele olhou ao redor, procurando pelo quarto para confirmar suas suspeitas. Sim, Kagome fora embora. Por quê?

Pegando a manta, notou que o baú ao pé do leito estava aberto. Como o fogo se apagara, o aposento estava escuro, e ele só enxergava o contorno das coisas.

Onde colocara a vela?

Assim que a encontrou, Inu Yasha foi até a lareira e mexeu nas chamas até achar uma brasa para acendê-la. Então, o dormitório todo se iluminou.

Quando se virou para o baú, não acreditou no que seus olhos viam.

Jóias de sua mãe, o anel de seu pai, algumas pedras que juntara quando criança. Não faltava nada, a não ser…

O contrato.

O pergaminho assinado pelo chefe dos Macgillivray oferecendo sua filha em casamento. E uma aliança entre os clãs.

Estupefato, Inu Yasha ficou parado, tentando compreender o que significava tudo aquilo. Quem pegaria o documento? Não tinha nenhum valor, pois, afinal de contas, não fora assinado. A não ser que…

— Grant.

Inu Yasha se abaixou para apanhar a manta, que caíra no chão, e se vestiu.

Embora não estivesse assinado, o contrato era a prova de que os dois clãs tinham a intenção de se aliar. Grant saberia que Inu Yasha pretendia reunir o clã Chattan: Taisho, Davidson, Macgillivray e MacBain. Só faltava convencer os MacBain. Grant saberia que Inu Yasha ia em busca do que era seu.

Mas quem entre eles, Taisho e Davidson, roubaria o contrato, traindo seus planos de ataque ao inimigo? Não, nenhum de seus homens teria coragem.

Quem, então?

Um calafrio percorreu-lhe a espinha. Pendurou as adagas no cinturão e depois a espada. Não, não seria possível. Recusava-se a acreditar em tal hipótese. Era absurda.

Seu cérebro trabalhava sem parar à medida que seguia pelo corredor até o quarto de Kagome. Tocando a maçaneta, ficou ali parado, o coração disparado, recusando-se a acreditar no que já sabia.

Ela nunca lhe dissera seu sobrenome. E ele também não pressionou, pois algo em seu íntimo confirmava suas suspeitas.

Engoliu em seco e empurrou a porta.

Ninguém dormira naquele quarto. A camisola de seda, muito bem dobrada, jazia sobre o colchão vazio, junto com as outras roupas de sua mãe.

Kagome tinha ido embora.

Ou talvez estivesse no estábulo. Sim, devia estar lá! Como adorava seu trabalho, não se importava em acordar cedo para cuidar dos animais.

Entretanto, ao descer a escada, Inu Yasha sabia, no fundo da alma, que não a encontraria com os cavalos.

Passou pelos homens que dormiam no grande salão, abriu a porta principal e correu para o estábulo. O ar frio arrepiou seu peito e seus braços nus.

Silêncio absoluto. Diminuindo o passo, ele entrou no pátio de treinamento. Quando abriu a porta do estábulo, quase caiu para trás.

— O que…

Encontrou Miouga sentado no chão, encostado em um poste, com os braços amarrados nas costas. E uma mordaça feita com sua própria manta cobrindo-lhe a boca.

De olhos arregalados, Miouga bateu a cabeça contra o poste, tentando emitir algum som através da mordaça. Não vendo ninguém e percebendo que tudo estava sob controle, Inu Yasha se ajoelhou para soltar seu amigo.

Miouga tossiu e cuspiu no chão.

— Onde ela está? — Inu Yasha agarrava-o pela camisa.

— Fu… fugiu.

Com um movimento rápido, Inu Yasha puxou Miouga para cima.

— Para onde? Como, homem de Deus?!

— Em Destino, o garanhão preto, há mais ou menos três horas.

— Mas…

— Ela se chama Kagome Todd e é filha do responsável pelo estábulo do clã Grant.

— O quê?! — Inu Yasha enfiou a espada na terra e segurou Miouga pelos ombros. — Não pode ser!

— É verdade, chefe.

As palavras de Bankoutsu vieram-lhe à lembrança: "Ela pode ser uma espiã mancomunada com Grant".

Inu Yasha balançou a cabeça de um lado para o outro, se recusando a acreditar.

— Não! — Irado, socou a parede.

— Calma chefe. Ainda tem mais.

Inu Yasha não o escutava. Seu sangue fervia tanto que sentiu uma onda de suor sobre a pele.

— Você precisa impedi-la, homem.

— Não — respondeu Inu Yasha, entre os dentes cerrados. — Deixe-a voltar para os braços de seu chefe.

— Inu Yasha, você não entendeu. Grant pretende…

— Basta! — Ignorando as súplicas de Miouga para lhe soltar as mãos, Inu Yasha saiu do estábulo, chutando tudo o que via na frente.

Na última baia, seu garanhão arranhava a porta, alarmado pela balbúrdia e pela ira de seu dono. Inu Yasha o soltou e pegou um freio na parede. Prendendo-o no animal, montou sem sela.

Miouga ainda tentava se livrar da corda que lhe prendia as mãos. Seu rosto ardia de ódio. Inu Yasha não se preocupou em soltá-lo, afinal de contas fora preso por uma mulher. Por Deus, ela conseguira enganar a todos em Braedün Lodge!

— Chefe, você precisa impedi-la! Ela pretende…

— Cale a boca! Sei muito bem o que ela pretende, mas não faz a menor diferença. Não vale a pena ir atrás dessa mulher, e preciso de todos os meus homens a meu lado para atacar os Grant. Chegou a hora!

Ele inclinou-se em seu cavalo e arrancou sua espada da terra. Os protestos de Miouga cessaram quando Inu Yasha fechou a porta do estábulo, saindo para o pátio.

Sob a fraca luz do dia que chegava, Inu Yasha incitou o garanhão a galopar colina acima em direção à floresta. Necessitava de um tempo sozinho, para raciocinar, para tentar controlar seu ódio.

Não parou enquanto não alcançou o alto da colina, uma hora mais tarde. Tanto Inu Yasha quanto o cavalo estavam sem fôlego.

Durante o galope selvagem ele pensara em cada momento que compartilhara com Kagome nas últimas semanas. Lembrou-se de cada detalhe, de cada palavra inocente que ela proferira desde o instante em que a resgatara na floresta até a ardorosa noite de amor.

Agora tudo fazia sentido. Kagome era uma víbora, uma marionete de Grant, e, pelo visto, bem treinada. Tudo não passara de uma grande mentira.

Parou o cavalo perto das ruínas da antiga fortaleza. O firmamento começava a clarear, e algumas estrelas ainda ponteavam o azul. Inu Yasha respirou fundo o ar puro e observou a bela paisagem, acostumando-se aos poucos com os primeiros raios de sol.

Desmontando, ajoelhou-se no chão e apoiou a cabeça entre as mãos.

Como fora se apaixonar por Kagome? Como pudera aquela donzela ser tão cruel, tão dissimulada? Inu Yasha se recusava a acreditar na verdade que se descortinava.

— Seu tolo! Seu grande idiota! — Seus gritos ecoavam pela paisagem nua, assustando coelhos e cotovias que descansavam por perto.

Inu Yasha acreditara nela, afastara suas suspeitas e sucumbira aos charmes e mentiras daquela mulher. Em que estivera pensando? Era chefe de um clã e, mesmo assim, permitira-se uma vulnerabilidade inexplicável.

Treinara anos a fio até se tornar um grande guerreiro, hábil com todos os tipos de armas. Transformara os soldados de seu tio, bem como o pouco que restara de seus homens, em lutadores eficientes e capazes. Durante anos planejara sua vingança, controlando sua sede de sangue, esperando até chegar o momento certo de agir.

Agora, todavia, semanas antes da execução desses planos, tudo parecia comprometido. E não por um exército ou um guerreiro, mas sim por uma mulher, a filha do responsável pelo estábulo dos Grant.

Inu Yasha jamais se perdoaria. Jamais. Ah, mas teria sua vingança! Por tudo o que era mais sagrado, recuperaria o que era seu e vingaria a morte do pai.

Pegando um punhado de terra úmida, apertou-a para controlar as emoções. Tinha de achar em um novo plano de ação.

Kagome decerto entregara a adaga a Reynold Grant. Essa era a única prova da inocência de Colum Taisho, e sua única esperança de conseguir juntar o clã Chattan contra os Grant.

O contrato de casamento também iria para as mãos dele, comprovando o apoio dos Macgillivray. E, para completar, Grant não seria pego de surpresa, pois Kagome o informaria sobre o tamanho de seu exército, o número de cavalos, a quantidade de armas que possuíam.

Sem problemas. Inu Yasha forjaria uma aliança e acabaria com os Grant. Vingaria a morte do pai e recuperaria as terras que lhe tinham sido roubadas. Esse era seu destino, e ninguém o impediria de cumpri-lo.

Agora havia apenas uma maneira.

Inu Yasha Taisho decidiu que se casaria com Elizabeth Macgillivray naquele mesmo dia.

Notas finais
Goostaram ? çç