Um Amor De Infância
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Deeesculpa mimi
Deixar o homem de seus sonhos fora a decisão mais difícil e dolorosa que Kagome já tomara na vida. Enxugou as lágrimas com as costas da mão e guiou Destino pela trilha da floresta que seguia para o norte do Castelo Glenmore. Cavalgara a noite inteira e também de manhã, parando apenas uma vez para dar água ao garanhão.
Pouco antes do amanhecer, deixou as terras dos Davidson. Sua manta escura se misturava com facilidade às cores da mata, e Destino seguia com cuidado, como se soubesse que estavam em perigo.
Se continuasse assim, chegaria ao Castelo Glenmore naquela madrugada. Teria, portanto, o dia inteiro para pensar e refletir em tudo o que acontecera nos últimos dias.
Antes de sair do quarto, Kagome se virou para guardar uma última imagem dele, nu, aconchegado entre as mantas. Inu Yasha tinha o corpo relaxado, satisfeito, e seu rosto ficava tão bonito durante o sono que ela acreditou estar diante de um anjo.
Amava-o com todas suas forças, sem restrições, e daria a vida para salvá-lo. Pena que nada fosse tão fácil. Teria de suportar o casamento de seu amado com outra mulher, além de sua própria submissão a um homem tão assustador.
Aborrecida, lembrou-se das minúsculas letras que marcavam o contrato de casamento entre Elizabeth Macgillivray e Inu Yasha Taisho. Fora uma atitude muito sábia de sua parte ter roubado o documento. Assim que estivesse livre, Miouga revelaria sua identidade. Então, Inu Yasha se casaria com a jovem e teria sua tão sonhada aliança. Era para ser assim. Não havia outra saída.
E depois?
Kagome se entregaria a Reynold Grant e se casaria no dia seguinte. O dia do solstício. Dessa forma, a segurança de seus pais estaria garantida e, como senhora do Castelo Glenmore, faria de tudo para proteger seu clã.
Mas uma pergunta ainda a incomodava. Por que Reynold queria se casar com ela? Por que com alguém sem posses, e não uma nobre?
Não, não conseguia enxergar um motivo. Um grande lorde com a filha do dono de um estábulo. Parecia absurdo. Reynold Grant não ganharia nada com a aliança, nem terras, nenhuma riqueza.
Mesmo sem compreender o que o levara a insistir naquela união, Kagome sabia que Reynold Grant tramava algo. Ele até oferecera ouro para tê-la de volta! Por Deus, Kagome quase desmaiara à mesa de jantar quando o padre Ambrose relatara a história!
Mas nada daquilo explicava sua importância para aquele cavaleiro impiedoso. Talvez Inu Yasha fosse a ligação. Será que Reynold sabia da amizade de infância entre os dois? Não, não havia como. Ninguém sabia, a não ser Miouga.
E se Reynold tivesse conhecimento disso, quais as implicações do fato? Kagome sabia pouco sobre a vida dos Taisho, decerto nada que pudesse ajudar os Grant a derrotar Inu Yasha.
Mas… Claro! Ela possuía algo de Inu Yasha, algo muito importante. A adaga de esmeraldas!
Destino parou ao senti-la tensa. O suor do garanhão evaporava com o frio da manhã. Ele relinchou e bateu no chão com uma pata impaciente.
Sim, era isso! Reynold deveria saber que Kagome possuía a adaga. Mas o que isso significava? A quem pertencia? Quando indagara a Inu Yasha, não obtivera resposta. Qualquer que fosse o significado daquela arma, ela jamais poderia cair nas mãos do chefe de seu clã.
E Inu Yasha, o que faria com a adaga se a recuperasse?
Kagome induziu Destino a partir a galope. Então um pensamento lhe ocorreu. Inu Yasha ansiava por sangue, não apenas por seu castelo e suas terras. Kagome recordou as inúmeras armas amontoadas no pátio de Braedün Lodge.
Sim, e o sangue de Reynold Grant não seria suficiente para satisfazê-lo. Agora ela entendia tudo. Inu Yasha reuniria o clã Chattan contra todo seu povo.
"Até que todos eles estejam mortos."
Inu Yasha guiou seu cavalo pela floresta em direção a Braedün Lodge. O sol estava a pico, e ele tirou a manta de lã para aquecer seu peito. Estava mais calmo agora, e podia raciocinar com clareza, sem que a raiva atrapalhasse seu julgamento.
Aprendera a lição com o pai e fizera de tudo para ensiná-la aos irmãos. Entretanto, tinha de admitir que ele mesmo não a praticara muito bem aquele dia. Em um momento de fúria, deixara o pobre Miouga com as mãos atadas no estábulo.
O garanhão descia com cuidado o declive.
Inu Yasha passou a enumerar os pormenores da traição dos Grant. Fora uma atitude bastante sábia de Reynold ter enviado uma jovem para seduzi-lo. Uma mulher que já conhecia. Em quem confiava.
Tirou os cabelos do rosto e inalou os perfumes viçosos da floresta. Ainda havia perguntas sem respostas que o perturbavam.
Por que Kagome não revelou sua identidade desde o início? Semanas teriam sido poupadas. Se soubesse que ela era a menina com quem brincara na infância, Inu Yasha permitiria uma aproximação mais rápida. E poderia ter lhe contado mais sobre seus planos. Por sorte, nem ele, nem seus homens o tinham feito.
Incitou o garanhão a ir mais depressa. Havia outras atitudes de Kagome que não faziam sentido: suas reações diante dele e de outras pessoas, suas palavras…
No dia em que a resgatara dos soldados, Inu Yasha vira medo nos olhos dela, o olhar de um animal prestes a ser capturado. Sim, e na véspera, Kagome empalidecera quando o padre Ambrose comentara sobre a mulher pela qual Reynold Grant estava disposto a oferecer ouro.
Não, as reações dela tinham sido genuínas, verdadeiras. Mas o que queriam dizer?
Inu Yasha se lembrou do rosto angustiado sob o luar no jardim. Os lábios dela tremiam quando lhe contou quem era. E as lágrimas… Sim, aquelas lágrimas foram reais, uma mistura de tristeza e alegria, bem como as dele.
Quando a pedira em casamento, Kagome dissera: "É o que mais quero na vida, mas…" "Mas" o quê? O ato de amor fora sublime, como se seus corpos compartilhassem um único coração, uma alma. Inu Yasha nunca sentira nada parecido antes. Na realidade, nem achou ser possível sentir algo tão forte por uma pessoa.
Ele a amava.
E ela o amava.
Como um raio, a verdade o acertou. Kagome o amava, porém voltara para Grant. Por quê?
Em um galope cada vez mais desenfreado, Inu Yasha observou o sol surgindo por entre as árvores.
Como fora tolo! Bem mais do que imaginara a princípio. Por que não escutara o sábio Miouga? O amigo tentara lhe dizer algo, mas ele se negara a escutar.
Inu Yasha a deixara partir, permitira que o grande amor de sua vida se fosse! Jamais se perdoaria se algo lhe acontecesse, se Reynold a tocasse, a machucasse de alguma forma.
Desesperado, foi cada vez mais depressa. Tinha de salvá-la, nem que morresse tentando. Afastando todos os pensamentos, concentrou-se na estrada a sua frente. O declive foi ficando reto, porém o chão desnivelado, o que o impedia de ir mais rápido. Não podia se arriscar a machucar o cavalo.
Escutando gritos, estreitou os olhos e tentou enxergar melhor. Cavaleiros! Por instinto, levou a mão ao arco. Mais um grito e ele reconheceu seus companheiros: Bankoutsu, Miroku e um dos guerreiros de seu tio.
Eles quase se chocaram por Inu Yasha não ter diminuído a marcha. O garanhão de Bankoutsu empinou, e os outros dois abriram passagem para o animal desesperado. Olhando para trás, ele indicou que os três o seguissem. Bankoutsu foi o primeiro a alcançá-lo.
— Ela foi embora! — gritou Bankoutsu.
— Eu sei!
— Mas, Inu Yasha, nós precisamos…
— Vamos depressa!
Menos de uma hora depois os três guerreiros alcançaram o portão de entrada de Braedün Lodge. Inu Yasha entrou pela passagem por onde saíra antes, perto do estábulo.
Poucos metros à frente, sentado em uma égua gorda, o padre Ambrose observava Miouga ajustar o freio do animal.
Inu Yasha desmontou, tirou o arco e flecha das costas, afagou o peito do garanhão em sinal de agradecimento e foi até eles.
— Já estava na hora — disse Miouga, com as mãos na cintura.
Ignorando-o, Inu Yasha parou diante do padre. Os olhos de Ambrose revelavam todo seu pavor. Sim, ele deveria estar apavorado.
Inu Yasha segurou-o pela veste e o chacoalhou. O padre, aterrorizado, cambaleou para trás e quase.
— Muito bem, padre Ambrose, conte-me tudo o que sabe.
O sacerdote encarou Miouga em busca de ajuda, mas ele se manteve calado, esfregando sua barba branca.
— Kagome! — gritou Inu Yasha, enfiando o dedo no peito do padre. — Kagome Todd, do clã Grant! A filha do responsável pelo estábulo!
Bankoutsu e Miroku surgiram e desmontaram logo, postando-se junto do chefe. Inu Yasha ordenou que se afastassem.
— Eu… não a conheço — balbuciou Ambrose.
— Acho melhor você falar o que sabe padre. — Inu Yasha o segurava pelo colarinho. — Ou não serei responsável por minhas ações.
Ambrose suava ao ver Inu Yasha tocar o cabo da adaga.
— Está bem! Não se enerve, vou lhe contar o que sei. Levei uma mensagem para os pais dela, dizendo que Kagome estava protegida aqui, como Shippou me pediu.
Shippou, que acabara de aparecer, baixou os cílios, temendo ser repreendido pela atitude.
— E o que mais? Fale padre!
— O chefe Reynold Grant vai se casar contra a vontade da noiva. É uma mulher de seu próprio clã. No dia do solstício. Não posso dizer ao certo, mas acho que é a mesma mulher, não?
Inu Yasha sentiu um embrulho no estômago.
— Dia do solstício? Mas é amanhã!
— Sim, amanhã, seu tolo! — As íris azuis de Miouga cintilavam. — Eu tentei lhe dizer, mas você saiu correndo feito um louco! Agora perdeu mais três horas!
— Você sabia que ela era uma Grant! Conhecia Kagome e os pais dela! Como não me falou nada?! E você, Shippou?!
O jovem se encolheu.
— Sim, eu a conhecia, chefe, mas Kagome me implorou para que não lhe contasse nada, porque queria lhe contar sozinha, a sua maneira. Eu lhe prometi que tentaria avisar seus pais. Todavia, só tomei conhecimento dos planos de Grant ontem à noite, e foi quando juntei todas as peças. Depois… Bem, tudo aconteceu tão depressa. — Miouga respirou fundo. — Sinto muito por ter falhado. Eu deveria ter lhe revelado tudo desde o início.
Inu Yasha fechou as mãos, lutando contra o nervosismo que o acometia.
— Agora não adianta lamentar pelo que já foi feito. — Deu uma tapinha nas costas do companheiro de tantos anos. — A culpa é toda minha. Sele o cavalo mais veloz que tiver.
Inu Yasha se virou para Bankoutsu e Miroku, mas Miouga pegou-lhe o braço.
— Tem mais, chefe.
— Mais? Mais! Então fale, homem!
Miouga enfiou a mão no bolso da manta e pegou um pergaminho enrolado, que entregou a Inu Yasha.
— Eu a vi esconder o documento no celeiro de feno. Kagome não me viu e, depois que Shippou me soltou, eu o encontrei.
Inu Yasha sabia do que se tratava. O contrato de casamento oferecendo Elizabeth Macgillivray. Em vez de levá-lo consigo e correr o risco de Grant encontrá-lo, Kagome o escondera documento. Uma grande emoção aqueceu-lhe o peito. Inu Yasha amassou o pergaminho e jogou-o longe.
— Miroku, por favor, vá chamar meu tio. Bankoutsu junte todos os homens, Taisho e Davidson. Chegou à hora!
— Sim, chefe! — os dois responderam ao mesmo tempo e saíram para cumprir as ordens.
— Chefe? — chamou-o Bankoutsu, enquanto Inu Yasha seguia para casa. — Aonde vamos?
— Para o Castelo Glenmore.
Um grande sorriso se formou no rosto barbado. Bankoutsu desembainhou sua espada e a ergueu.
— Excelente!
Uma vez em casa, Inu Yasha subiu correndo as escadas e entrou em seu quarto. A porta estava aberta. Logo que entrou, trombou com Sango.
A jovem deu um pulo para trás, assustada como um coelho perseguido. Kaede vinha logo atrás, com as mãos na cintura.
Foi então que Inu Yasha percebeu que sua cama fora trocada. Sango segurava o bolo de lençóis emaranhados que continham manchas de sangue.
— Saiam daqui! — gritou ele.
Ajoelhando-se diante do baú, Inu Yasha pegou o anel de ouro que fora de seu pai, que ficava guardado dentro de um pequeno vaso. Depois de olhá-lo com reverência por alguns instantes, colocou-o no dedo.
Durante onze anos aquele baú se mantivera fechado. Inu Yasha tirou tudo de cima dele, abriu o trinco e ergueu a tampa. Lá estava! A manta escocesa de Colum, manchada de sangue. A manta que ele usara na noite em que Reynold Grant lhe enfiara a espada na garganta. Inu Yasha passou os dedos pelo tecido macio, e o afastou.
O brilho do aço sorria para ele do fundo do baú. Inu Yasha segurou o cabo da adaga de Colum e tirou-a dali. Maravilhado com o peso da arma em suas mãos, levantou-se e a ergueu.
Inu Yasha Taisho vivera à espera daquele dia. Em nome de sua mãe e de seus irmãos mais novos, engolira seu orgulho e aceitara a caridade do tio, vivendo com os Davidson até que chegasse a hora exata de agir. Os anos de treinamento, sacrifício e reclusão seriam comemorados agora.
Ele era o Taisho e, enfim, chegara o tão esperado momento de unir o que restara de seu clã e acabar com aqueles que os derrubaram. Iria recuperar as terras de seu pai, o Castelo Findhorn e a esplendorosa mulher que seria sua esposa e mãe de seus filhos.
Dele e de mais ninguém.
Inu Yasha apertou a espada e sentiu o sangue correr rápido em suas veias, aquecendo-lhe o rosto com o calor da vingança.
— Farei de tudo para tê-la de volta, e homem nenhum será capaz de me impedir!
Naquele instante, Alistair surgiu, quase sem fôlego.
— Inu Yasha? Então ela se foi?
— Sim. — Inu Yasha tirou a espada da bainha e jogou-a no colchão. Então guardou a de seu pai.
Alistair encarou o sobrinho.
— Venha comigo, filho. Você ainda precisa escutar muito sobre essa história.
A manhã começava a dar sinais de vida por entre a folhagem das árvores, iluminando a floresta. O dia e noite anteriores pareceram os mais longos da vida de Kagome, que cavalgara quase sem parar, mas agora faltava pouco para alcançar o Castelo Glenmore.
A falta de sono e exaustão começava a se abater em Destino e nela. Entretanto, por mais cansados que estivessem nenhum dos dois desistiu da longa viagem.
Durante a última hora Kagome fora seguida por guerreiros. Eram homens de seu próprio clã, que a acompanhavam de longe, sem se aproximar. Pensou em parar primeiro no chalé dos pais, para saber como estavam, porém, os soldados não lhe permitiriam. Eles a guiaram em direção ao Castelo Glenmore.
Em direção a Reynold Grant.
Agora Kagome precisava de toda sua coragem, de toda sua força. Tinha de ser cautelosa e astuta e, acima de tudo, não demonstrar nenhum indício de medo. Ela possuía algo que Reynold queria, e isso lhe dava poder. E usaria daquele poder para o bem de seus pais.
E de Inu Yasha.
Por Inu Yasha ela cavalgara por entre montanhas e florestas em direção ao próprio demônio. Uma risada trêmula escapou-lhe dos lábios. Sim, esse era seu plano.
A fortaleza surgiu diante de seus olhos, fria e assustadora. Tinha pouco tempo antes de encontrar os guerreiros para trocar as roupas de montaria pelo vestido amarelo, o mesmo que usara em sua fuga.
Os guerreiros a rodearam à medida que foi se aproximando do castelo. Kagome conhecia a maioria deles e sorriu. Apenas um retribuiu o gesto de simpatia.
Por onde passava os rostos derrotados dos membros de seu clã. Fazia apenas alguns meses que o antigo chefe falecera, mas seu sobrinho, Reynold Grant, aterrorizara a existência daquelas pessoas em sua busca de poder e domínio.
Ah, como queria que tudo fosse como antes da morte do antigo chefe, antes da traição de Reynold, do amor de Inu Yasha! Não havia tempo para esse tipo de arrependimentos, todavia. Tinha de encarar os fatos.
O barulho de aço contra aço a trouxe de volta à realidade. Uma multidão se reunira no pátio em frente ao castelo. Kagome incitou Destino para frente, abrindo passagem em meio a toda aquela gente. Ainda era cedo, e Kagome não estava preparada para o que viu.
— Jesus! — Seu estômago se contorceu de pavor.
Naraku Grant estava sem camisa, e o suor se espalhava por seu peito e rosto. Os cabelos negros lhe desciam nos ombros. Na mão direita ele segurava uma espada, na outra uma adaga. Era a perfeita imagem de um guerreiro. Se Kagome não o conhecesse, podia até dizer que era um homem bonito.
Poucos passos adiante um guerreiro mais velho se protegia com um escudo, apavorado.
Kagome segurou as rédeas do cavalo e juntou toda sua coragem. Um pequeno sorriso se formou nos lábios de Reynold assim que a viu. Ao reparar na cicatriz que deixara no rosto dele, Kagome colocou a mão na adaga em sua cintura.
— Peguem-na! — ordenou Perkins, saindo do meio da multidão.
— Não! — Reynold entregou suas armas a um criado.
Kagome lutou para se manter firme e a repugnância que sentia por aquele homem. Montada em Destino chegou bem perto de Reynold Grant.
— Vejo que você voltou — disse ele, satisfeito.
— Sim. — Kagome tentava sustentar o olhar cruel.
— Eu sabia. É uma garota esperta. Como conseguiu fugir?
Todos se mantiveram calados, e se escutavam apenas os pássaros cantarolando e um cachorro latindo em algum lugar ao longe. Ela ignorou a pergunta.
— Não faz diferença. O importante é que você voltou e será uma linda noiva. — Reynold deu a volta no garanhão, alisando o pêlo suado.
Destino não gostou nenhum pouco.
— É um belo animal, minha cara. Foi presente de casamento de Inu Yasha Taisho?
Kagome segurou as rédeas com força e engoliu uma resposta mal-educada.
Reynold pegou-lhe a perna e a olhou com seriedade.
— O casamento será hoje à noite.
Sentindo o suor escorrer por seu peito, Kagome não se mexeu. Precisava ter calma e não demonstrar seu horror.
— Meus… Meus pais estão bem?
— Sim, muito bem. E ficarão cada vez melhores, agora que você voltou.
"Graças a Deus!" Pelo menos nada de ruim lhes acontecera. Entretanto, queria ter certeza.
— Gostaria de passar à tarde com eles, se você me permitir. Depois disso, serei toda sua.
Reynold tirou a mão da perna dela e passou-a na cicatriz em sua face.
— Será mesmo, Kagome Todd.
Os olhos dela se arregalaram.
— Calma, minha querida, não sou o monstro que você imagina. Está bem. Pode passar à tarde com seus pais. Volte no final do dia. Um padre virá de Inverness para testemunhar nossos votos. Mandarei um vestido adequado para seu chalé. Vista-o para a cerimônia.
— Mas eu tenho um vestido.
— Isso aí? Ora, Kagome, não me insulte. Usará o traje que eu escolhi. Agora vá.
No intuito de aproveitar o máximo possível os últimos momentos que teria com seus pais, Kagome virou o cavalo para ir embora.
— Chefe! — Kagome o chamou, voltando-se. Tinha de saber se suas suspeitas sobre Inu Yasha e a adaga estavam certas. — Há uma pergunta sem resposta.
Reynold baixou a espada que pegara para recomeçar a luta e a fitou quase que com desdém.
— Pergunte logo. Não tenho o dia todo.
— Por que eu?
— Ora, Kagome Todd, não seja tão modesta… Agora você já deve saber. O segredo foi descoberto.
Era como suspeitara! A adaga era seu trunfo, portanto, precisava usá-la com sabedoria. Decidiu brincar mais um pouco com seu "noivo".
— O segredo sobre o que eu tenho?
Reynold não entendeu nada.
— O que você tem? Não, minha jovem, o segredo sobre quem você é.
"Quem eu sou?" O que aquele homem insano estava querendo lhe dizer?
— E quem sou eu?
— Uma Higurashi, cara Kagome. Uma nobre francesa.
Notas finais
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