Ultraviolence
2 Pretty when you cry.
Notas iniciais
Depois que aquelas palavras saíram da boca de Luke Castellan arregalei meu olho em um sinal claro de espanto. Como assim um homem como Zeus Grace que coordena um dos maiores planos do governo contra tráfico e máfias tem como convidado aquele homem?
Mas, não posso negar que ele era bonito. Muito bonito.
Quando voltei a olhar em direção a Percy Jackson ele havia sumido, rapidamente dei uma olhada em torno do salão e não encontrei. Então, me aproximei de Luke que mantinha uma conversa alegre com Thalia Grace.
–Claro que não, senhorita Grace. –Ele falou manso, como se tivesse tratando da mais delicada flor. O que obviamente era um ato equivocado, já que Thalia estava mais pra matagal do que flor. –Annabeth é minha amiga a longa data, a sobrinha de minha tia.
Mentiroso!, pensei.
–Olá, senhorita Grace. –Falei, abraçando-a e beijando cada lado de seu rosto.
–Eu jurava que vocês dois eram namorados. –Pronunciou ela sorrindo para Luke. Eu não mereço isso.
De repente, senti uma presença atrás de mim. Virei-me de uma única vez e encontrei ele. Se a cinco metros de distância esse homem já causou um efeito em mim, imagine agora... A menos de quarenta centímetros.
–Olá, senhorita. –Ele falou, tinha uma voz rouca e grossa. O som eram entornados e dava um pequeno sotaque. Cheirava ao mar. Sorri, e ele imitou. Dava para perceber o tom de verde em seu olho. Era uma mistura, um tom claro outro escuro com um pouco do azul e uma grande bola negra que ao contrário de tudo, trazia luz. –Poderia me conceder uma dança? Sabe é bom ser visto com mulheres bonitas... -Ele sussurrou como se a última frase fosse um segredo.
Eu corei. Tentei evitar o máximo, mas infelizmente senti minhas bochechas esquentarem.
–Claro, senhor. –Ele esticou a mão e eu coloquei a minha por cima.
–Castellan, vou roubar sua acompanhante por alguns instantes... Sabe alguém precisa da atenção a ela, e pelo visto você está muito ocupado. –Ele comentou e eu sorri para Luke em um pedido de desculpas. O loiro arregalou o olho e balançou a cabeça em um sinal claro de que não havia ainda processado tudo aquilo.
Uma música soava pelo salão. Era um pouco agitada, mas sem dúvida, era triste.
–Posso lhe chamar de Annabeth, não posso? –Ele falou no meu ouvindo enquanto passava sua mão pela minha cintura. Como eu posso negar um pedido a um homem como aquele... Um mafioso.
–Pode sim, senhor. Mas, como sabe meu nome? –Questionei, percebi que a cada passo que eu dava recebia mais e mais olhares dos convidados.
–Ora, Annabeth... Eu sei de tudo do que me interessa. Você é interessante, apesar de muito nova. Apenas dezessete, que triste.
Eu não sabia o que dizer, se aquele homem sabia meu nome e minha idade o que demoraria para ele saber o resto. Ou será que ele já sabia? O que será que ele quer de mim? Eu, uma mera pobretona moradora do Brooklyn que mal se sustenta?
Sorri.
–Farei dezoito em alguns dias, Jackson. –Ele sorriu quando falei a última palavra.
–O que importa para mim é o agora, daqui a alguns dias pode acontecer tantas coisas. –Ele pronunciou, eu sabia que estava certo.
Ele desceu a mão um pouco mais, deixando sua mão em cima de minha bunda.
–Você é uma bela mulher, Annabeth. Se não fosse sua idade... -Ele sussurrou no meu ouvido, e afastou uma mecha loira.
–Não vejo qual seu problema com números, Jackson. Um ano a mais um a menos. Não é como se isso fosse acrescentar em sua, sem dúvidas, imensa ficha criminal. –Ele me encarou e eu pensei que ele iria ficar com raiva. Mas, ele me surpreendeu. Ele riu, e o som da gargalhada dele era contagiante o que fez eu o imita-lo.
–Sabe, Annabeth, minha ficha criminal não é assim tão grande. Mas, é bom ser lembrado... Sempre foi, e sempre será. De que adianta viver nesse mundo se você irá para sete palmos debaixo na terra e não fará diferença nenhuma na vida dos outros?
–O seu conceito de diferença é um pouco mais diferente do meu. –Completei, enquanto ele me rodava.
–Sem dúvidas, mas mesmo assim.... É uma pena que Luke Castellan esteja beijando a Thalia Grace como isso aqui fosse alguma festa de faculdade, tenho certeza que Zeus odiará...Claro, não tanto como a minha presença.
Olhei para a esquerda do salão e atrás de um enorme arranjo de flores podia se ver, Thalia e Luke se agarrando, a boca dele parecia estar querendo engolir ela.
–Eu estou tentando me decidir se ele está fazendo um exame de mama ou tentando excitá-la? –Perguntei.
–Luke deve ser virgem, Annabeth. Vamos dá uma chance. –Ele disse e eu ri.
–Luke não é virgem. –Comentei.
–Ah, então ele já transou com você. Isso deve valer alguma coisa. Espera, eu nem te disse meu nome é já estamos falando de sexo. Ual, senhorita Chase.
Sem dúvidas, Percy não era aquele monstro que pareciam contar pelas ruas de Nova York e nem o psicopata louco que dizia os jornais nobres.
–Você é uma ótima dançarina.
Agradeci, e aceitei seu beijo na minha mão. Ele saiu, e eu fui em rumo ao banheiro rezando para que minhas pernas parassem de ficar bambas. Passei por Luke e por Thalia, e sorri. Me sentindo incomodada com aquilo, afinal... O cara te trás para uma festa e ainda sai beijando outra?
‘‘Mas, ele te sustenta você nem deveria reclamar...’’, pensei. O que era verdade, eu só estava aqui porque eu era uma ninguém. Não tinha nada, nunca iria ser nada, por que nenhuma porta se abre para meus sonhos... Nenhuma. E aparentemente, nunca vai abrir.
O banheiro era enorme, e logo dei de cara com o espelho. Meus cabelos ainda estavam no lugar e retoquei de leve o batom rosa em minha boca. Meus olhos cinzas enormes entravam em contraste ainda mais com a noite. Às vezes, eu tinha vontade de esmurrar a mim mesma por me rebaixar a tal ponto. Por aceitar roupas, jóias e sexo de Luke Castellan durante apenas esse tempo, por que eu tenho certeza que um dia esse ''presente'' vai acabar.
Meus olhos encheram de lágrimas, todas as noites eu ansiava pelo dia seguinte. Onde eu podia ver as coisas melhores, ter uma vida melhor. Mas, ainda não chegou.
Quando saí do banheiro, fui puxada por alguma força bruta para fora da festa. De volta ao salão de entrada que agora estava vazio.
–Você é perturbada, Chase? Onde já se viu? Você dando mole para um homem como Percy Jackson? Um homem da máfia com uma Maria Ninguém? –Ele apertava minha boca com força e eu sentia meus dentes rasgarem a parte interna da minha bochecha.
Luke era agressivo. Muito.
–A vida é minha, e eu faço o que eu quiser. –Respondi. Sentia a mão forte dele bater em meu rosto como uma panela quente queimando a pele. Senti lágrimas de humilhação descerem dos meus olhos. –Eu te odeio, Luke. –Outro tapa, mas então em questões de segundo, Luke caiu no chão com um murro. Que não era meu, de jeito nenhum.
–Sua mãe não te ensinou que é errado bater em mulheres, Castellan? –Era Percy Jackson, reconheceria a voz dele em qualquer canto do mundo. Deuses! Um filete de sangue desceu da boca de Luke e com certeza aquilo doeria. –Você está bem, Annabeth?
–Sim. Obrigado, Jackson. –Respondi.
–Me chame de Percy. Perseu Jackson. Agora vamos. –Ele ajeitou o terno e bagunçou os cabelos negros lisos. Vamos para onde? Agora sem dúvida eu era uma Maria Ninguém duvido Luke me ajudar depois disso.
–Vamos aonde? –Perguntei, temendo a resposta.
–Para a minha casa. Agora, vamos.
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