Ultraviolence
7 Gods and Monsters.
Notas iniciais
''In a land of gods and monsters. I was an angel, looking to get fucked hard.''
Uma agonia descomunal atravessava meu corpo. Sentia o frio nova-iorquino que há alguns dias começou a se instalar pela cidade. Nico DiÂngelo estava ao meu lado, estávamos parado em frente a ‘‘minha casa’’ no Brooklyn, ele usava seus cabelos negros, aparentemente lisos, em um rabo de cavalo. Seus braços eram fortes e sua camiseta deixava transparecer algumas tatuagens que se espalhavam por todo corpo, eu acho.
Ele tinha lábios finos e queixo quadrado, não havia barba alguma em seu rosto, a pele pálida, mas era bonita. Enquanto ele dirigia, pude perceber que havia alguns pedaços de sua pele com marcas mais claras, e com leve elevação. Por pura curiosidade, apesar de ele estar dirigindo, passei minhas mãos pelos finos cortes. Eram frios, brancos, duros. Como um chicote. A pele dele se arrepiou ao tocar da minha, mas talvez seja o frio matinal de NY, o inverno está a chegar...
–Tire suas mãos de cima de mim, loira. –Ele falou frio, como se de nenhum jeito quisesse falar sobre aquele assunto. Não obedeci, ao contrário continuei espreitando mais e mais cortes pequeninos como aqueles.
–O que foi isso? –Perguntei e ele sorriu, não de um modo galanteador ou muito menos em um sorriso alegre. Era o mesmo sorriso que Percy Jackson dava enquanto soltava piadas imbecis sobre o Brooklyn.
–Castigos.
Retirei meu cinto de segurança e desci meus dedos pela blusa dele, não por algum desejo sexual ou malicia, mas eu estava curiosa. Eu estava com um loucura dentro de mim que queria conhecer alguém que talvez sofrerá tanto quanto eu, e foi salvo pela máfia. Era um modo de não pensar em como talvez, eu seja a única pessoa no fundo que está jogando uma vida digna por drogas, armas e morte.
–Como você adquiriu... Isso?
–Coloque o cinto, Annabeth. –Ele pronunciou meu nome. –Agora. –Dessa vez, obedeci.
***
Estávamos dentro de um pequeno comercio. O chão era cinza e sujo, as prateleiras continham produtos baratos e ruins, olhei para Nico que se entretinha vendo um tipo de gel de cabelo, sorri minimamente. Nico, posso estar errado por estar fazendo uma suposição dessa com apenas duas semanas de convívio com o cara, mas ele parecia um iceberg. Guardava várias coisas para si, e mostrava para os outros pouquíssimas. Tinha uma áurea de ‘’ não mexa comigo ou vou te quebrar’’, mas era uma máscara. Eu acho.
Havia um homem de meia idade no balcão, era careca e usava um bigode. A blusa era quadriculada. Nico me encarou e deu um sinal. Senti a arma queimar dizendo que o momento tinha chegado, não havia ninguém além de nós. Era a hora.
Aproximei do balcão. E saquei a arma, era um revolver. O cabo negro e o resto era de metal ou aço, não sei, não me pareceu algo importante suficiente a ser perguntado. O cara arregalou o olho quando eu estendi a arma de fogo na direção dele.
–Não grite, se fizer. Te darei uma passagem para o Inferno, maldito! O dinheiro, vamos o dinheiro. –Falei mordendo os dedos como um cachorra enraivecida.
Eu fui burra. Ele se abaixou e por um instante cheguei a esperar que fosse para pegar uma sacola ou algo do tipo, mas não. Ele retornou com um taco de beisebol e tentou acertar em mim. Como um reflexo, joguei o cano do revólver na cabeça dele, e ele gritou de dor. Senti a força ir até minhas mãos e jogar o revolver na cabeça dele uma segunda vez.
–Vadia fodida... –Ele gritou.
Bufando de ódio, ele abriu a caixa registradora e eu ‘‘limpei’’ ela. Deixando nem um mísero dólar. Eu ainda estava em extase e sentia o olhar de Nico para mim, corri.
Corri na avenida principal do Brooklyn com uma sacola de dinheiro dentro da minha jaqueta, senti o frio passar pelo meu rosto arranhando minha pele. Entrei em um beco, havia alguns adolescentes fumando, mas não se aproximaram de mim. Minha respiração era sofrida, e sentia o oxigênio imundo penetrar em meus pulmões e penetrar em cada célula de meu maldito corpo. Fechei os olhos e meu coração gritava e pulsava loucamente. Mãos fortes passaram para minha cintura e eu me assustei, só falatava ser estuprada agora... Abri os olhos e tentei levar minhas mãos a arma. Mas, não precisei era Nico.
–Vamos sair disso aqui. –Ele falou e me puxou, andamos alguns metros e entrei no carro dele. Era um esportivo assim como o de Percy, preto. Eu pensei que ele iria me levar para a Quinta Coorte, mas na verdade fomos em direção a minha casa. Quando chegamos, eu não consegui abrir o portão de tanto que minhas mãos tremiam, Nico se precipitou e ofereceu-se para abrir. Subimos a escadas minúsculas de chão acimentado até minha humilde residência.
Abri a porta de madeira, já estava com a mão um pouco mais controlada, e ofereci para Nico entrar, eu estava morrendo de vergonha. Só Luke havia entrado ali, umas três vezes no máximo. Aquilo estava uma completa bagunça, a cama desarrumada, a pia cheia de louça, os livros jogados por aí.
–Suponho que você pedirá desculpa pela bagunça. –Soltou Nico rindo.
–Não. –Respondi. –Voce não se sente ofedido por eu ser uma péssima dona de casa.
–Sempre me senti atraído por péssimas donas de casa, mas infelizmente... Voce já tem dono. –Ele começou.
–Eu não sou propriedade de ninguém para ter dono, DiAngelo. –Reclamei.
Bebi um pouco de agua, mas não ofereci a Nico. Ele não aparentava sede.
–Olhe, Annabeth. A primeira vez é sempre horrível. O primeiro beijo não é especial, porque você nção tem noção de onde meter a língua. A primeira vez não é prazerosa. O primeiro emprego não é bom. Nem o primeiro roubo, o primeiro sequestro, nem a primeria morte. No começo isso te atormenta, você se sente culpada como se carregasse o peso do mundo em suas costas, como se fosse o pior ser humano do mundo. Mas, depois... Vira um reflexo. Basta um olhar profundo para ter um beijo. Basta alguns beijos para o sexo. Basta capacidade para um emprego. Basta pratica e ousadia para ser uma criminosa. Então, você tem capacidade de continuar? Por que Perseu Jackson acha que você não tem, ele acha que você irá fazer como outras mulheres de traficantes e donos de máfias... Ir as festas, dançar com outros, transar e ter filhos. Eu, particularmente, não acredito que você seja dessa. Mas, então, quem é você e o que você quer?
–Sabe quem eu sou, Nico. Uma garota de dezessete anos que mal tem como se sustentar, uma garota na qual a mãe passou a infância batendo, uma garota que não pode realizar nenhum sonho porque mal tem dinheiro para comer. Eu sou essa garota. E eu sei o que o Jackson quer, mas eu também sei o que eu quero. –Falei dando ênfase no ‘‘Eu’’. –Eu vou me acostumar, eu vou a festas com ele, eu vou dançar com outros empresários e convencer a aceitar as propostas imundas do Jackson, e eu irei abrir minhas pernas para ele. Mas, porque eu quero. E também porque, ele pode me dá uma boa situação financeira, eu não vou ter que matar minha vida toda. Mas, eu posso ter luxo suficiente para uma vida toda. Eu posso, finalmente, ser Alguém. E Percy pode me dá o que eu quero, uma coisa que eu nunca descobri.
–O que você tanto quer que te faz querer ser a mulher do maior mafioso da América, Annabeth Chase?
–Eu quero conhecer meu pai e matar aquele desgraçado. –Falei bebendo o último gole de água.
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