Ultraviolence
11 Find My Own Way
Notas iniciais
Oh, no, you tell me how I need to be
That ain't up to anybody else but me
And I don't care what you think
Acordei com cheiro da comida de Piper.
Eu estava esparramada pela cama, meu corpo nu era coberto pelo lençol fino e meus cabelos bagunçados deviam estar um caos. Passei minhas mãos ao outro lado, procurando o corpo do homem que dormiu ao meu lado, mas não o encontrei. Virei-me rapidamente e encontrei o outro lado da cama vazio.
Olhei o quarto procurando Percy, mas não havia qualquer indício dele ali. O seu terno tinha sumido, os sapatos também. Bufei, e passei as mãos pelo meu cabelo que mais parecia uma juba de leão. Levantei-me da cama, sentindo uma forte dor de cabeça e dei de cara com o relógio.
Já passava de meio dia.
Por alguma razão, nesse momento eu pensei em Circe e nas meninas que trabalhavam no Starbucks, queimando a barriga no fogão e preparando café. Pensei nelas trabalhando lá e aguentando as pessoas estressadas de manhã cedo, aguentando grosserias de clientes babacas que por qualquer merdinha já dizem logo a maldita frase que descontava uns belos dólares do mísero salário.
‘‘-Quero falar com o gerente.’’
Então, quando Circe saia de seu minúsculo escritório para aguentar as besteiras de pessoas nojentas, afinal, ela não é a pessoa mais amável do mundo, quer dizer... Com os clientes sim, com as atendentes não, ela virava um pesadelo. Mas, aqui estou eu...
Deve fazer quinze dias que eu larguei minha vida para me tornar... Putinha de Percy Jackson? Não sei se esse é o termo correto, mas deve ser algo nesse sentido.
Entrei no banheiro e evitei olhar meu reflexo no espelho. Enfie-me debaixo do chuveiro e liguei o registro, sentindo a água me lavar por completo de todos esses pensamentos corretos... Mas, não adequados para minha autoestima.
***
–Pips? –Chamei, eu tinha acabado de sair do banho e cheirava a morango e chantilly, usava um short jeans curto e uma blusa branca.
–Sim. –Respondeu a menina. Estava sentada em uma das mesas tomando suco, usava um vestido azul e um avental branco. Olhei para ela e sorri. –Bom dia, Annabeth.
–Bom tarde, na verdade. –Corrigi e ela riu dando de ombros. – Que horas Percy se foi? –Perguntei enquanto me sentava na mesa, acabei por ganhar um sorriso maroto e uma piscada de olhos.
–Saiu bem cedinho, era nem oito horas quando o senhor Jackson saiu. Ele disse que tinha que resolver alguns assuntos e por isso só pode vim novamente ver você no fim de semana e deixou esses dois envelopes.
Fim de semana? Hoje ainda é terça!
Ela esticou os envelopes, dando-os para mim. Segurei e disse um ‘obrigada’. Um era bem mais grosso do que o outro e de cores distintas. O primeiro era um tom azul e continha um grande volume, rasguei o envelope e por desatenção o conteúdo caiu. Era dinheiro.
Capturei as notas que caíram no meu colo e no chão, era doze notas. E olhei o valor, cada um correspondia ao valor de cem dólares. Arregalei o olho ao ver aquele dinheiro todo e olhei assustada para Piper que deu de ombros e levantou-se da mesa.
–Isso é mil e duzentos dólares! –Comentei com ela. –É muito dinheiro.
–Senhor Jackson disse que era para você mandar uma parte para sua família e a outra usar para abrir uma conta bancária em um banco. –Respondeu a garota mestiça, ela servia meu almoço com o único tipo de comida que ela sabia fazer. Grelhado.
–Só quem abre conta em banco é gente rica, McLean. –Respondi ela ríspida.
–Annabeth, pelo amor dos deuses olimpianos, qual é a sua dificuldade de entender que sua vida mudou? Eu não entendo o porquê de querer cozinhar e ajudar na casa, quando eu tenho ordens bem claras de não deixar você mover uma palha. Sua dificuldade de aceitar que mora no Upper East Side e que ir para qualquer canto de NY saindo desse lugar de ônibus é pedir para falarem de você? Qual a dificuldade de aceitar que Perseu Jackson está te dando tudo? Caramba! Você tem dinheiro, você tem um homem, você tem um apartamento e quantos anos você tem, Annabeth? Dezessete e uma bunda grande. Sabe quantas garotas matariam para estar aonde você está? –Ela retrucou enchendo minha cabeça como se socasse minha cara, os olhos dela brilhavam de raiva e eu não entedia o porquê dessa explosão repentina. –Eu faria qualquer coisa para estar aonde você está, Annabeth. Então, pare de dar uma de Madre Teresa, pegue o dinheiro mande para a sua mãe que te liga vinte e sete horas por dia, abra uma conta porque; eu vou te dá uma dica, Annabeth: o que você tem hoje pode não durar para sempre.
Eu olhei para ela e levei uma colher do arroz com salada a minha boca, antes de responde-la.
–Qual o seu problema hoje, Piper? –Perguntei. Ela sentou na minha frente, colocou a mãos no rosto e fez algo no qual eu não sei lidar, ela começou a chorar.
Chorava desesperadamente e a única coisa que eu sabia fazer era alternar olhares entre o meu prato que não parecia mais tão apetitoso e a figura de Piper chorando. Existe situações na qual você não é boa, e essa era a minha.
Estiquei minha mão e puxei a dela que estava molhada pela agua. E fiz ela olhar para mim, acariciei sua pele com meu polegar, vendo as lagrimas romperem seus olhos e escorregarem pelo seu rosto moreno.
–Ei, eu estou aqui, pode chorar eu não importo. Coloque para fora, depois conversamos tudo bem? Só não me peça um abraço, eu não sou boa com abraços.
Apesar de minha piadinha negra, um som meio espiro/tosse/risada surgiu da boca de Piper, ela ficou chorando por mais alguns instantes e eu segurando sua mão. Eu sentia uma dor profunda em ver aquela mulher aos prantos na minha frente, apertei mais forte sua mão e ela parou.
–Desculpe, você não é obrigada a ver isso. –Ela limpou o rosto e amarrou os cabelos. –Eu costumo ter esse momentos a noite, mas eu não pude já que meu quarto é em frente do seu, e você e seu homem estavam bem ocupados ontem.
Fiz uma careta de desculpas e eu fiquei morta de vergonha. Enquanto a outra chorava, eu gemia loucamente mal sentindo minhas pernas... Ô vida injusta.
–Desculpe pelo barulho, Pips. Mas, por que tanta tristeza?
–Meu pai. Aquele filho da puta idiota, ele... –Ela engoliu um soluço. –Ele praticamente me vendeu para Aphodite, Annabeth. Eu era uma garotinha, sete anos e ele me colocou em uma mesa de jogos como aposta.
–Ele perdeu. –Falei o óbvio.
Ela assentiu e dessa vez, senti que fosse minha obrigação ir até lá e abraçá-la, levantei da cadeira, sentindo minhas pernas doerem e fui até ela. Puxei ela, levantando-a para mim e abraçando seu corpo.
–Ele a amou tanto. E ela destruiu as nossas vidas.
–Quem?
–Aphodite. E o Senhor Percy veio me lembrar da minha missão que até agora não obtive nenhum sucesso.
–O que vai acontecer se você não obter sucesso, Pips?
Pergunta errada, Annabeth.
Ela começou a chorar em meus braços e eu afaguei as costas dela.
–Ele... Vai mandar me matar.
–E se você tiver sucesso?
–É meio obvio, Annabeth... Ele ainda vai me matar, porque eu não serei mais útil para ele. A pergunta que você deve fazer é como ele vai me matar.
–Percy não faria isso, Pips. –Tentei acalmá-la, mas eu estava mais horrorizada do que ela. Meus olhos já ardiam e meu coração apertava.
–Ele pode ser bom com você e te encher de mimos, Annabeth. Mas, ele é Percy Jackson, um monstro e a única escolhas que ele propõe a pessoas como eu é como vai morrer, todos sabem disso.
–Qual é sua missão, Pips? –Perguntei com a voz mansa.
Ela me encarou e sorriu de modo triste.
–Conseguir o cartão de acesso para o último andar do prédio do Governo Americano. Agora me diga, como ludibriar alguém do porte de Zeus Grace?
–Zeus Grace? Piper, você está vendo as coisas em um ângulo errado. Quem é o precioso e adorável herdeiro de Zeus Grace que não consegue passar uma noite sem sexo?
–O filho dele.
–Pessoas sofridas como eu e você não deve bater de frente com Perseu e Zeus, mas existe coisas, Pips, que só um belo par de seios podem fazer.
–Como encontro Jason Grace?
–Eu sei onde, e não se preocupe. Voce não vai morrer, não agora. Só preciso fazer uma ligação.
* * *
Eu estava no shopping esperando aquela criatura. Sentada em uma das mesas de um restaurante no andar de alimentação. Usava um vestido branco e saltos pretos, presente de Silena, e olhava meu e-mail no celular pela primeira vez em dias.
Cento e nove mensagens de Circe.
Que vinham desde de ‘onde você está, garota?’ a ‘ESTÁ DEMITIDA, CHASE!’. Passei mais ou menos meia hora plantada até o resto de aborto surgir na minha frente.
–Annabeth Chase... Sabia que iria me ligar, mas acredita que ainda tive dúvidas. Afinal, toda a elite de NY fala sobre você.
–Que bom saber que ainda permaneço em seus pensamentos, Castellan. Espero que não sejam imundos como você, acho que Jackson não ficará muito feliz com isso.
–Estou pouco me fodendo para ele. Sabia que ele quebrou minha boca naquele dia? Maldito seja, espero que ele vá para o inferno!
Não tenho dúvidas.
–Pois deveria, e aquilo foi pouco para o que você merecia. Espero que tenha aprendido que é feio bater em mulheres, Castellan. Não merecemos ser oprimidas.
–Não sei nada sobre isso, Thalia ama levar uns bons tapas. E você também amava.
–Era falta de opção, Castellan. Tenha certeza. Agora, eu preciso de um pequeno favor seu.
–Eu não tenho nada para você. –Ele disse grosso e eu levantei a mão, em sinal para ele calar a boca.
–Eu sei, você não é nada para mim, Castellan, tenha consciência disso. Mas, você tem seu preço e eu quero apenas algo bem simples.
–O que?
–Voce vai, de algum modo, colocar o nome Piper McLean na lista de convidados para o próximo jantar na festa de Zeus Grace, vai apresentar ela a Jason e por fim dará um jeito que ele fique caidinho por ela. Não me importa como. Apenas faça isso.
–É quem é você para mandar em mim?
–Quem sou eu? A vadia que vai destruir você, caso você não faça isso. –Sorri para ele. Se você não fizer isso, vou destruir toda sua família. Sabe não é? Eu tenho Percy Jackson e dizem por aí que ele é um monstro. Mas, está caidinho por mim como um gatinho. E você, Luke Castellan, o que tem para usar contra mim?
Ele fechou a cara e os punhos. Em um sinal de ódio declarado por mim. Sorri amavelmente de modo que doesse minas bochechas.
–Tudo bem, eu te ligo para dizer os detalhes. Mas, Annabeth, eu não serei seu pau mandado.
–Voce vai ser o que eu quiser. Agora, adeus, Lukito. –Levantei-me da mesa e peguei minha bolsa.
Eu estava na fila de uma sorveteria para comprar um milk shake quando vi Nico DiAngelo de costas e é impossível não reconhecer ele.
–Nico. –Gritei. Ele virou rapidamente e sorriu, vindo até mim. Abraçou-me dando um beijo em minha bochecha. –O que está fazendo no shopping?
–Comprar cuecas novas. –Ele respondeu e eu ri, e peguei meu milk shake. Continuamos uma conversa sobre a Quinta Coorte e suas novidades até sermos incomodados por uma mulher. Olhei para ela, era bem mais velha, deveria ter por voltar de trinta anos, era bonita. Com olhos negros e pele pálida, cabelos negros e cacheados.
–Nico? Como você me deixa andar só? Eu poderia ter me perdido, irmão. -A mulher disse, ela tinha um sotaque francês forte e usava roupas bonitas. Uma calça preta e blusa branca cheia de cruzes com saltos altíssimos. –Oh, désolé, desculpe-me...
–Annabeth, eu estava ajudando minha irmã a escolher algo idiota.
A mulher abriu a boca em um sinal que estava ofendida.
–Nicolas! Meu casamento é algo importante, você sabe... Só porque o noivo está enrolando, não quer dizer que não vá acontecer. Por isso que voltei, para pressionar aquele homem. A propósito, sou Bianca DiAngelo e você?
–Annabeth Parthenos. -Ela sorriu.
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